domingo, 16 de março de 2008

Uma corrida pra ninguém botar defeito


Ufa!

Quando o nosso bravo Lédio Carmona iniciou na sexta-feira nossa parceria colocando uma foto dos personagens do lendário desenho Corrida Maluca, talvez estivesse adivinhando o que teríamos pela frente neste domingo.

Afinal, excetuando-se o "GP de seis" em Indianápolis há três anos, faz tempo que não víamos tão poucos pilotos recebendo a bandeira quadriculada numa corrida de Fórmula 1. Também pudera: o GP da Austrália sempre tem surpresas e desta vez não houve exceções.

Para o bem, tivemos Lewis Hamilton absoluto, soberano, guiando como um campeão a nova McLaren MP4-23. Sem erros, o britânico partiu da pole position para a vitória, perdendo a liderança apenas nas paradas de box. Não há duvidas de que estamos diante de um grande favorito ao título.

Ele e o finlandês Kövalainen vão formar uma dupla do barulho. O nórdico foi muito bem em sua estréia, marcando a volta mais rápida, mas perdeu um duelo incrível pela quarta posição com Fernando Alonso no finalzinho... e na frente do chefe (que apareceu vibrando diante das câmeras, afinal o antagonista era Alonso)!

Alonso! Ah... o espanhol carregou um carro decididamente mediano nas costas a prova inteira e teve sorte, muita sorte. Chegou em quarto - um resultado encorajador para quem teve dúvidas da sua própria escolha para 2008. Nelson Ângelo Piquet teve um fim de semana de cão. Bateu em Fisichella, foi lento o tempo todo na corrida e depois o câmbio apresentou falhas que o levaram a desistir. Pelo menos foi poupado da fogueira da inquisição de Flavio Briatore - a mesma que quase fritou Kövalainen ano passado.

A BMW teve ótima performance, mostrando que a melhora do carro de um dia pro outro não era fruto do acaso. Está certo que os dois pilotos largaram com pouco combustível, mas a 2a. posição de Nick Heidfeld é um resultado e tanto para uma equipe que dizia ter construído "um carro errado", abaixo do potencial do modelo de 2007. Só que alemão não brinca em serviço, nunca. E os oito pontos conquistados na Austrália coroam o esforço dos bávaros.

Por falar em alemão, Nico Rosberg fez também uma grande corrida. Constante, regular, veloz, levou a Williams ao pódio - um resultado que é bem possível de se repetir neste ano. O companheiro de equipe dele, Kazuki Nakajima, tal como o pai, fez pontos em sua segunda corrida - mesmo com três paradas no box, que prejudicaram seu desempenho.

Cabe aqui realçar também a estréia excepcional de Sébastien Bourdais pela STR. O piloto francês, com cara e jeito de estudante de física quântica, é um pilotaço. Saiu de décimo-sétimo e deu um show, segurando Alonso e Kövalainen o quanto pôde. Merecia a quarta posição, mas seu motor estourou na penúltima volta. Na pista foi oitavo, mas no resultado final, foi sétimo, graças à desclassificação de Rubens Barrichello.

E por favor... não digamos que a culpa foi do piloto! Barrichello fez quase que o papel de 'marido traído' na sua parada de box. Entrou sem saber que não podia e ainda levou consigo a mangueira de reabastecimento e o mecânico que a segurava. Saiu do pitlane com a luz vermelha e durante a prova, foi punido com um stop & go de 10 segundos. Mas a FIA lembrou-se de episódios do passado envolvendo Juan Pablo Montoya, Giancarlo Fisichella e Felipe Massa, reservando ao experiente piloto o mesmo destino dos três: a desclassificação.

Uma pena, porque Rubens fez uma corrida excelente, sem nenhum tipo de erro, levando no início um tremendo calor de Kimi Räikkönen e chegando ao fim na zona de pontuação - embora merecesse alguns lugares acima. Só que a equipe jogou seu esforço pelo ralo. Mesmo assim o brasileiro sai contente de Melbourne. Afinal, ele provou para todos os competidores que o carro tem algum potencial. E aos que o consideraram 'morto e enterrado' ano passado, que motivação não lhe falta.

Para o mal, a surpresa negativa foi o desempenho dos dois pilotos da Ferrari. Pareciam ansiosos, dispostos a tirar tudo e mais um pouco de um carro que não andou bem na Austrália - mesmo com o melhor tempo do campeão Räikkönen na sexta-feira. O finlandês cometeu um festival de besteiras: saiu da pista, rodou, errou diversas trajetórias e depois quebrou. Para sorte dele, foi beneficiado com a desclassificação de Barrichello e saiu com um pontinho no bolso.

Massa não teve a mesma sorte. Rodou sozinho na primeira curva, ficou para trás e na ânsia de subir de posições, mandou David Coulthard para fora. Depois, teve uma misteriosa quebra em sua Ferrari, fechando um fim de semana para esquecer.


A imagem marcante do fim de semana, porém, não é o abraço espontâneo de Rosberg e Hamilton na ante-sala do pódio. E sim o acidente do alemão Timo Glock, exibido quase instantaneamente pela transmissão (ruim) da FOM. O piloto da Toyota levantou vôo com seu carro graças a um degrau quase criminoso no acostamento e deu sorte em apenas rodar três vezes e bater de leve na barreira de proteção.

Vamos ver o que nos reserva o GP da Malásia, no próximo domingo.

As notas dos pilotos no GP da Austrália:

Hamilton - sem muito trabalho, fez uma corrida perfeita - nota 9,5

Heidfeld - a regularidade de sempre, premiada com o pódio - nota 8,5

Rosberg - excelente participação do alemão, retribuindo o bom trabalho da equipe com o terceiro lugar - nota 8,5

Alonso - carregou o carro nas costas e foi beneficiado pelos abandonos - nota 7,5

Kövalainen - muito boa estréia pela McLaren, mas ficou devendo na briga final com Alonso - nota
8

Nakajima - foi prejudicado por diversos toques, mas teve o mérito de terminar a prova - nota 6

Bourdais - brilhante corrida! Fraco na classificação, deu um show com a STR até quebrar - nota 9

Räikkönen - errou tudo o que podia na primeira corrida do ano. Acabou com um pontinho em razão da desclassificação de Barrichello - nota 4,5

Kubica - o polonês foi bem, poderia ter pontuado, mas numa relargada bateu com Nakajima - nota 6,5

Glock - estava bem até sofrer o acidente mais assustador da corrida. Também poderia fazer alguns pontinhos - nota 6

Sato - fez milagre ao andar com o horroroso carro da Aguri entre os 10 primeiros. Parou por quebra - nota 5

Piquet - foi prejudicado o fim de semana inteiro por uma série de problemas de câmbio e não pôde fazer muito. Levará o GP da Austrália como uma grande lição sobre como a F-1 costuma ser cruel, às vezes - nota 4

Massa - começou mal ao rodar sozinho, depois acabou jogando Coulthard para fora em manobra afobada. Acabou quebrando - nota 4

Trulli - pegou as sobras da batida entre Coulthard e Massa. Vinha bem até este momento na corrida - nota 5

Coulthard - vinha bem até ser jogado para fora da pista por Felipe Massa - nota 5

Sutil - pouco pôde fazer com a Force India. Largou dos boxes com um carro novo e pneus macios, mas sua corrida durou pouco - nota 3,5

Webber - foi vítima dos entreveros da primeira volta e saiu cedo da corrida - sem nota

Button - outro que nada pôde fazer - sem nota

Davidson - também não fez nada o fim de semana inteiro - sem nota

Vettel - acabou prejudicado por um acidente na primeira volta. Prometia muito após o nono lugar no grid - sem nota

Fisichella - foi jogado para fora da pista por Nelson Ângelo Piquet - sem nota

Barrichello - o maior azarado do fim de semana. Fez uma corrida muito boa, sem erros. Foi prejudicado pela estratégia da Honda, entrando nos boxes com a luz vermelha. Punido ainda na pista, acabou posteriormente desclassificado. Uma pena - nota 8

6 comentários:

Vik disse...

Realmente, eu queria ter muito visto o desempenho da Ferrari com a estratégia adotada pelo Felipe Massa, que parecia que se tivesse ganhado aquela posição na primeira curva, poderia ter terminado tranquilamente no pódio.

Acho que ele foi azarado tanto quanto Barrichelo, que fez uma boa corrida e mostrou pra Honda que ainda tem fibra e o melhor, ja mostrou que a Honda não está de brincadeira.

Olho na BMW, acho que a equipe vai roubar muitos pontos da rivalidade McLaren/Ferrari. O mesmo papel para Williams, mas em menor escala. Quanta a Renault, se não tivesse o alonso, estaria engolida pelas duas equipes que tem potencial.

Sobre a participação do Piquet, realmente patética.

Para o Kimi, Até o Senna já barbarizou nesta pista.

Não esperem o mesmo fim de semana na próxima corrida. Que será totalmente diferente, já que muitos terão a orelha quente e estarão mais prudente, pois sabem que no fundo estes pontos da Australia vão fazer falta.

Fabio disse...

Boa corrida, o fim do CT trouxe um pouco mais de emoção à categoria (mas quem larga ou faz a primeira curva na frente na maioria das vezes ganha - isto não mudará).
Acredito que o Raikkonen não andou bem porque estava "são".
Destaque mesmo para S. Bourdais!!!

João Carlos Viana disse...

Bela corrida, pena foi o q houve com Bourdais. Fiquei com muita pena, mas o francês deverá ser o estreante do ano. Tomara que isso não inspire a Renault a trazê-lo para o lugar do opaco (ao menos nesse final de semana) Nelsinho.

Fernando disse...

Rodrigo, quase tudo certo, mas o Massa rodou absolutamente sozinho, veja o replay da TV. Estava longe do carro do Kovalainen e nao houve toque nenhum.
Fiquei com pena do Kovala, o segundo lugar era dele mas essa regra do SC eh complicada e jogou o esforco no lixo. Pena ter acertado o limitador de velocidade, mas isso foi erro dele.

Gustavo Castro disse...

O Stefano Domenicalli não começou bem na gestão esportiva da Ferrari. E pode esqueçer que Felipe Massa seja campeão um dia, é um piloto irregular e muito limitado. Acredito que Kimi ainda vai ser campeão.

Anônimo disse...

Perfeito Mattar .

A unica coisa que posso acrescentar foi a bobeira do Massa na primeira curva ,faltou frieza ao brasileiro ,era sua grande chance para o primeiro GP ,pois seu maior adversario no momento é o Kimi ,a Feerari este ano vai nomear logo quem será o primeiro piloto ,porque o Hamilton vai correr sozinho na Mclaren ,este ano vai ser diferente com relação ao ano passado quando teve quatro pilotos disputando o titulo.

Esse foi o maior erro do Massa ,não pensar na disputa interna ,o que é mais importante no momento .

Jonny'O