quinta-feira, 26 de abril de 2012

Fosfosol - o dia em que o Fluminense ganhou dos "campeões do mundo"

Sempre existirá um engraçadinho que vai tentar, com uma chacota aqui e alhures, diminuir a história do "Retumbante de Glórias". O Fluminense incomoda. Sempre incomodou. E agora que sabemos que Bayern de Munique e Chelsea farão a final da UEFA Champions League na Allianz Arena, no sábado dia 19 de maio, me veio à mente que somente um clube dos 16 que avançaram para as fases de "mata-mata" da Libertadores da América jogou contra o vitorioso clube alemão.

O ano de 1975 marcou um divisor de águas na história do Fluminense. O juiz de direito Francisco Cavalcanti Horta, um vibrante e apaixonado sócio do clube, se tornara presidente e, numa cartada audaciosa, tirou Rivellino do Corinthians por Cr$ 3 milhões, uma soma astronômica, a maior transação do futebol brasileiro naquela época.

"Rivellino é só o primeiro. Virão muitos craques mais para o tricolor", prometia Horta. E vieram: Zé Mário, que comprou seu próprio passe vinculado ao Flamengo com dinheiro dado pelo próprio Horta; o polêmico e talentoso ponteiro-esquerdo Mário Sérgio, o "Calibre 38" (porque andava armado); o veloz e impetuoso "Búfalo" Gil - todos vieram se integrar a um elenco que tinha os campeões de 73 Félix, Toninho Baiano, Cléber, Assis, Marco Antônio, Silveira e Manfrini, além de um projeto de craque, Carlos Alberto "Pintinho", um cabeça-de-área tremendamente promissor.

Quando o Flu foi disputar pela primeira vez o Torneio Internacional de Paris, a convite de Daniel Hechter, então presidente do Paris Saint-Germain, Horta convenceu o presidente do Olympique Marseille a vender Paulo César Lima, o Pôl Cezár dos franceses, o Caju das louras gostosas, o craque tido como arrogante, narcisista, mas muito bom de bola. Estava formada a Máquina.

E para mostrar que essa Máquina estava azeitada e tinha poder de fogo, Horta marcou um amistoso contra ninguém menos que o FC Bayern München, o Bayern de Munique, o maior clube alemão e da Europa na época, como provado no bicampeonato europeu em 1974/1975, conquistado em vitórias sobre o Atlético de Madrid por 4-0 na final em 74 e os 2-0 sobre o Leeds United em 75.

Além disto, o Bayern respondia por meio time da seleção alemã que, comandada por Helmut Schön, derrotou o mítico Carrossel Holandês de Rinus Michels, Cruyff, Neeskens, Rep e Rensenbrink por 2-1 na final da Copa de 74. Basta dizer que o Kaiser Franz Beckenbauer era titular deste Bayern, assim como o goleiro Sepp Maier, o letal atacante Gerd Müller, além do zagueiro Schwarzenbeck e do atacante Kapellmann, convocados por Schön para o Mundial de seleções.

O público anunciado pelos alto-falantes do Maracanã, palco do jogo disputado em 10 de junho de 1975, foi de mais de 60 mil pagantes. Mas muita gente entrou sem ingresso e não é exagero dizer que quase 100 mil torcedores assistiram ao confronto da Máquina contra o maior time europeu daqueles tempos.

O Fluminense alinhou com Félix, Toninho Baiano, Silveira, Assis e Marco Antônio; Zé Mário e Kléber; Cafuringa, Rivellino, Paulo César Caju e Mário Sérgio. Agora, notem bem o timaço do Bayern: Sepp Maier, Durnberger, Schwarzenbeck, Franz Beckenbauer e Weiss; Roth,Törstensson e Karl-Heinz Rummenigge; Zöbel, Gerd Müller e Kapellmann.

Muito bem: dada a saída, o tricolor logo apresentou seu cartão de visitas. Com menos de 10 minutos de jogo, Rivellino deu um daqueles 'elásticos' que deixaram a zaga bávara sem ação. Logo depois, o "Curió das Laranjeiras" deixou Kléber na cara do gol e era só o garoto faturar para cima de Sepp Maier. Mas, num dos perversos acasos do destino, Gerd Müller, que ajudava na defesa, tentou cortar e fez contra. Logo ele, artilheiro de dois Mundiais somando 14 gols. E logo um gol contra? Fluminense 1-0 Bayern.

A partida prosseguiu e o Fluminense agressivo, insinuante. O Bayern, apenas se defendendo, acuado. Sepp Maier pegou até pensamento no Maracanã, numa grande atuação de O Gato, como o lendário goleiro era conhecido. E Cafuringa, o folclórico ponteiro-direito tricolor, fez uma partida memorável, entortando impiedosamente o lateral-esquerdo Weiss. Por seu turno, Mário Sérgio fez gato e sapato de Durnberger na extrema-esquerda, numa atuação que provocou derramados elogios do presidente Horta, jogado ao chuveiro de terno e tudo no vestiário, quando fora cumprimentar o irreverente atacante tricolor.

O placar de 1-0 não traduz a enorme superioridade que o elenco brasileiro impõs sobre o poderoso Bayern. Era apenas um amistoso? Não importa. O Fluminense não ganhou um Brasileiro com a Máquina, que nunca disputou uma Libertadores?

E daí?

Vencemos o melhor time da Europa, que aliás e a propósito, se consagraria tricampeão continental derrotando o Saint-Etienne em 12 de maio de 1976 e que derrotaria o Cruzeiro na disputa do Mundial de Clubes, no fim daquele mesmo ano.




sexta-feira, 16 de dezembro de 2011

Fosfosol - "Recordar é viver... Assis acabou com vocês"

Dezesseis de dezembro de 1984. Maracanã, o templo sagrado do futebol brasileiro, palco de mais uma decisão do Campeonato Carioca. Flamengo x Fluminense, o clássico eterno, de maior festa, de maior colorido, prometendo mais um jogão de bola para os torcedores.

Fla-Flu que naquele ano foi um confronto envolto em algumas polêmicas, como na Taça Guanabara, onde alguns jogadores do Flu foram presentear o General Figueiredo, então o último presidente do período nefasto da ditadura militar - e também tricolor, com uma camisa do clube. Mal assessorados, estes jogadores (entre eles Delei e Paulo Victor) se deixaram ser fotografados na companhia de Paulo Salim Maluf, o candidato do PDS na eleição indireta que aconteceria em janeiro de 1985.

A imprensa repercutiu - mal - o episódio nas hostes tricolores e fez a festa. A chamada "Malufada" não pegou bem mesmo e claro que a torcida do rival do Fluminense caiu na pele dos tricolores. "Maluf é corrupção, Tancredo é solução", bradava uma faixa na arquibancada do Maracanã no dia do confronto decisivo entre a dupla Fla-Flu. O Fluminense sentiu o golpe da "Malufada": perdeu por 1 x 0, gol de Adílio. Sobrou para Luiz Henrique Menezes, que era o treinador e foi demitido.

No returno, o Fluminense continuou em campanha regular e o Flamengo, relaxado por ter ganho o primeiro turno do Estadual, cometeu deslizes que hoje seriam imperdoáveis. Na penúltima rodada, o rubro-negro empatou com o Campo Grande em 1 x 1, antes do Fla-Flu da rodada final, que aconteceu num sábado à noite. E para desespero dos flamengos, o tricolor venceu: 2 x 1, com gols de Washington e Assis. E com isso, credenciou-se para jogar o triangular decisivo do campeonato, posto que, com 33 pontos, fez melhor campanha no cômputo geral em relação a Flamengo e Vasco, que ganhou a Taça Rio.

Com Carlos Alberto Torres, o "Capita" de 70, no banco orientando aquela constelação de craques, o Fluminense teve lá seus problemas ao longo da competição. Ricardo Gomes, excelente zagueiro de apenas 19 anos, foi alijado por uma contusão séria no joelho e entrou o raçudo e por vezes tosco Vica, que viera da Ferroviária de Araraquara. Branco, também às voltas com problemas físicos, vez por outra dava lugar ao eficiente Renato Martins. E Delei, sem contrato durante grande parte do campeonato, era substituído ora por Leomir, ora por Renê. Sem que a meia-cancha que tinha ainda Jandir, Assis e o craque Romerito, perdesse sua eficiência.

O Flu atropelou o então freguês Vasco na primeira partida do tricolor no triangular por 2 x 0 e esperou o desfecho do jogo entre cruzmaltinos e flamengos para ver como ficaria sua situação no último jogo. O Fla venceu por 1 x 0 e isso fez com que, quem vencesse o clássico, levaria o título para casa. Empate forçava a realização de um jogo extra na quarta seguinte, pois não havia critério de desempate por saldo de gols.

Nada menos que 153.520 torcedores pagaram ingresso para assistir àquele Fla-Flu decisivo, proporcionando uma renda de Cr$ 788.175.000,00. José Roberto Wright foi indicado para apitar o jogo e o Fluminense, com Raul Carlesso no banco - pois Carlos Alberto Torres estava suspenso pelo STJD da federação - entrou para o jogo com Paulo Victor, Aldo, Duílio, Vica e Renato; Leomir, Renê e Assis; Romerito, Washington e Tato.

O Flamengo, com um time tão forte quanto o do Fluminense, jogou com Fillol, Jorginho, Leandro, Mozer e Adalberto; Andrade, Adílio e Tita; Bebeto, Nunes e Élder. O técnico era Mário Jorge Lobo Zagallo.

Com a bola rolando, os jogadores mostraram porque o Fla-Flu é um confronto tão emblemático quanto imprevisível. Ambos os times vinham com disposição e vontade de vencer e sim, de fato, o Flamengo deu muito trabalho à defesa tricolor. Mas Paulo Victor, muralha inexpugnável, pegou tudo naquela tarde-noite de dezembro.

O confronto caminhava para um empate que decretaria o jogo extra na quarta-feira dia 19 de dezembro. Mas para alguém vencer, era preciso explorar a mínima desatenção do adversário. E aos 30 minutos do 2º tempo, aconteceu.

O Fluminense saiu jogando do seu campo defensivo, bola de pé em pé, com o Flamengo na roda. A pelota passou para o lado direito do gramado, onde Renê e Aldo fizeram ótima trama. O gaúcho fez o passe e o amapaense dos cruzamentos perfeitos passou pelas costas de Adalberto e recebeu livre para fazer o levantamento para a área adversária.

Num desses caprichos do destino, a bola encontrou um velho conhecido da torcida tricolor e também da rubro-negra: Benedito de Assis Silva, o Assis, o Carrasco de 1983, meteu a cabeça na bola e Fillol, o goleiraço argentino, ficou "paradão, paradão, paradão", como disse José Carlos Araújo na narração do gol pela Rádio Globo.

Assis, que tantas alegrias nos dera no ano anterior, voltava a pôr na boca dos rubro-negros o gosto amargo de mais uma derrota. O Fluminense, como ótimo time que era, administrou o resultado, ganhou o bicampeonato estadual e fechou o ano de 1984 com chave de ouro, provando que fora de fato e de direito, o melhor do país.

"RECORDAR É VIVER, ASSIS ACABOU COM VOCÊS!"

Saudações tricolores!

segunda-feira, 5 de dezembro de 2011

Fosfosol - América Campeão dos Campeões (1982)

O querido Ameriquinha do Rio de Janeiro é tido como o segundo clube de muitos na Cidade Maravilhosa. Como eu ainda sou do tempo em que o "Diabo" dava trabalho, assim como o Bangu, a Fluminense, Flamengo, Vasco e Botafogo, é claro que tinha minha simpatia - principalmente quando roubava pontos preciosos dos adversários.

Em 1982, a CBF preencheu parte do calendário do futebol brasileiro com o Torneio dos Campeões, reunindo 18 das principais agremiações do país. O América entrou justamente como o 18º de um ranking que contemplava os times que tivessem participado de finais de competições nacionais: o Torneio Rio-São Paulo, a Taça de Prata e o Campeonato Brasileiro.

O América entrou no Grupo C com Grêmio, Cruzeiro e Atlético-MG. Sem se destacar por atuações sensacionais, o time treinado por Dudu, o grande cabeça-de-área da "Academia" do Palmeiras e tio de Dorival Júnior, hoje treinador do Internacional, fez o chamado dever de casa na primeira fase, onde os times jogavam em turno e returno dentro do grupo, para definir os dois classificados para as quartas-de-final.

Após empates com Cruzeiro e Grêmio, ambos por 1 x 1, o América pregou uma peça no Galo, em pleno Mineirão. Com um gol de Elói, venceu por 1 x 0, fechou o primeiro turno com 4 pontos ganhos. E teria vencido o segundo, se não perdesse a chance no saldo de gols contra o mesmo Atlético-MG. Porém, o América tirou partido do fato de conhecer bem o adversário nas quartas-de-final e desclassificou o Galo com mais uma vitória por 1 x 0, desta feita no Maracanã.

Pelo caminho, a Portuguesa de Desportos, time com melhor campanha da primeira fase e que surrou o Fluminense, na época com um time muito fraco, sem dó nem piedade, por 3 x 1. A Lusa jogava com o mando de campo e o América, nem aí para o fato de atuar fora, abriu o placar no Pacaembu. Os paulistas empataram e a decisão da vaga para a finalíssima ficou para as cobranças de pênaltis.

Gasperin, goleiro gaúcho que atuava no América, brilhou. Pegou um pênalti cobrado por Toquinho e quando Odirlei mandou uma bomba no travessão, o "Diabo" estava na decisão do Torneio dos Campeões.

O adversário do time carioca era o Guarani de Campinas, de brilhante campanha no Brasileirão de 1982, que terminara meses antes da decisão da competição, marcada para os dias 10 e 12 de junho. Na primeira partida, no Brinco de Ouro, empate em 1 x 1. A final, num sábado à noite e disputada no Maracanã, teve público pagante de 11.329 torcedores, proporcionando uma renda de Cr$ 5.099.600,00.

O América entrou em campo com Gasperin, Chiquinho, Duílio, Everaldo e Zé Dílson (depois Sérgio Pinto); Pires, Gilberto e Elói (depois João Luís); Serginho, Moreno e Gilson Gênio. O Guarani alinhou com Sidmar, Sóter, Darci, Odair e Almeida; Éderson, Júlio César (depois Henrique) e Jorge Mendonça; João Luís (depois Delém), Marcelo e Ernâni Banana. O treinador do Bugre era Zé Duarte.

A partida foi dura e disputada debaixo de chuva. O América tentou se impor diante do campo mais pesado e de um adversário com jogadores de ótima técnica, como Jorge Mendonça, que jogou o fino no Brasileirão e inexplicavelmente foi esquecido da seleção para a Copa de 1982. E logo aos 13 minutos, Moreno abriu o placar no Maracanã.

O Guarani não se deu por vencido e no segundo tempo buscou o empate. Aos 17 minutos, o reserva Delém pegou a sobra de um cruzamento mascado de Jorge Mendonça e fuzilou Gasperin, empatando o jogo, que foi para a prorrogação.

Os jogadores lutaram com todas as suas forças e o América, ligeiramente melhor em campo, tinha mais chances. Faltando cinco minutos para o apito final do árbitro Carlos Rosa Martins, Gílson Gênio pegou rebote de um chute desferido por ele mesmo e que batera num defensor do Guarani. Sidmar nada pôde fazer. O América venceu a partida por 2 x 1 e se tornou o Campeão dos Campeões, slogan que emoldura a fachada decorada em mármore na sede social na Rua Campos Sales, na Tijuca.

Fiquem com um vídeo mostrando os grandes momentos do Mequinha no Torneio dos Campeões.




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domingo, 4 de dezembro de 2011

O Doutor da bola


"Sócrates morreu de tanto viver, que é uma boa forma de morrer"

(Flavio Gomes)


O futebol brasileiro e mundial chora hoje a perda de uma personagem que entrou para a história do esporte. Sócrates Brasileiro Sampaio de Souza Vieira de Oliveira nos deixou na madrugada deste domingo, aos 57 anos de idade, vítima de um choque séptico, após uma luta imensa para seguir vivendo do jeito como queria, gostava e desejava.

Libertário por natureza, o Doutor Sócrates tinha características que admiro muito nas pessoas. Um caráter acima de qualquer suspeita. Posições firmes, precisas. Sinceridade expressada nas palavras e também em como atuava no campo, defendendo primeiro a camisa do Botinha, o Botafogo de Ribeirão Preto, onde estourou para o futebol nos anos 70, com a elegância que seu 1,90 metro permitia. Aquele rapaz magro, de rosto marcado pela acne, não por acaso passaria a ser conhecido como Magrão.

O Magrão chegou ao Corinthians em 1979 e tornou-se ícone de uma torcida sofrida e apaixonada. Conquistou títulos que, por exemplo, Rivellino não conseguiu. E tornou-se, junto a Adílson Monteiro Alves, Wladimir, Casagrande, Édson Boaro e tantos outros, um dos pilares da chamada Democracia Corinthiana. Extinta a necessidade da concentração, os jogadores passaram a ser donos do próprio nariz. E Sócrates, já adepto de uma boa cervejinha, naturalmente era defensor da liberdade no Parque São Jorge.

Em votação popular, foi eleito o Atleta do Ano na revista Placar em tempos onde a democracia estava refugiada em porões de uma feroz ditadura militar, usurpando esse direito do povo brasileiro por 20 anos. Em tempos de Diretas Já, o Doutor subiu em palanques, fez campanha igualmente feroz e apaixonada pelo voto direto e, num comício histórico diante de 1 milhão de pessoas e outras tantas em rede nacional, garantiu a brasileiros, paulistanos e corinthianos que ficaria no país se a emenda Dante de Oliveira fosse aprovada. Posou de D. Pedro semanas antes do alvinegro ser eliminado pelo Fluminense de Assis, Romerito, Washington e Tato na semifinal do Brasileiro de 1984. Reprovada a emenda Dante de Oliveira, Sócrates assinou com a Fiorentina.

Na Squadra Viola, o Dottore não foi feliz. Ficou por lá só uma temporada e pouco. Regressou em 86. Foi para o Flamengo jogar ao lado de Zico, que conhecia da seleção desde 1979. Marcado por lesões, quase não jogou. Após uma fracassada negociação para ingressar na Ponte Preta, Sócrates encerrou a carreira aos 35 anos no Santos de Pelé.

As minhas grandes lembranças de Sócrates, como aliás de muitos brasileiros com mais de 40 anos, como eu, certamente estão naquele time mágico da Copa de 1982, cultuado mundo afora não pelos títulos que não conquistou, mas sim pelo futebol vistoso, ofensivo, onde Sócrates, jaqueta com o número 8 às costas, era um dos virtuoses, um dos estilistas. São marcantes, para mim, o lindo gol contra a URSS e sua comemoração cheia de alegria, sorriso aberto e peito estufado, afora o gol contra a Itália, chute rasteiro, com categoria e classe para vencer um paredão chamado Dino Zoff.

O futebol, quase sempre alegre, hoje fica marcado por um momento que para nós, é triste. Vai-se o talento. Vai-se o homem, o caráter, o ser humano, a lealdade, a personalidade. Ficam na nossa memória os gols, os passes, os toques classudos de calcanhar, a categoria e o gênio.

Obrigado, Doutor Sócrates.

sexta-feira, 2 de dezembro de 2011

Fosfosol - Palmeiras 1 x 2 Internacional de Limeira (1986)


O ano de 1986 foi marcante para um até então desconhecido time do interior de São Paulo. A Associação Atlética Internacional, de Limeira, entrou para a história do futebol brasileiro a ser o primeiro time fora da capital - descontando o Santos de Pelé, claro - a ganhar o Paulistão.

Foi uma conquista surpreendente, mas com muitos méritos. O alvinegro limeirense foi de fato o melhor time de toda a competição, eliminando o Santos em dois jogos de forma incontestável para enfrentar o Palmeiras treinado por Carbone, campeão carioca com o Fluminense em 1983.

Se por um lado o Verdão tinha jogadores do naipe de Jorginho, Edmar, Mirandinha, Éder e Mendonça, a Inter contava com um trunfo e tanto fora das quatro linhas - além da fanática torcida: José Macia, o Pepe, maior artilheiro do Santos depois de Pelé.

Pepe montou um time de operários da bola. O goleiro era Silas, eterno reserva do Santos. Na zaga, estavam Bolívar (pai do Bolívar do Inter, que acabou de levar uma suspensão de seis meses do STJD, reduzida a uma punição ridícula de 15 dias graças a um efeito suspensivo) e Juarez, que depois jogaria na Itália. Gilberto Costa era o pilar do meio-campo, junto ao experiente Manguinha, ex-Guarani e Náutico. No ataque, letal, brilhavam Kita com seus gols e o ponta Tato, homônimo do atacante do Fluminense, de grande velocidade nas arrancadas.

O Palmeiras despachou o Corinthians na outra semifinal, com direito a gol olímpico de Éder e despontou na decisão como favorito. No primeiro jogo, disputado em 31 de julho no Morumbi - palco das duas partidas - o Verdão não conseguiu furar a defesa limeirense e não houve gols nos primeiros 90 minutos do confronto.

A noite histórica de 3 de agosto teve 68.564 torcedores no Estádio Cícero Pompeu de Toledo, proporcionando uma renda na época de pouco mais de 2 milhões de cruzados, a moeda corrente de 1986. O Palmeiras entrou em campo com Martorelli, Diogo (depois Ditinho), Márcio, Amarildo e Denys; Lino (depois Mendonça), Gérson e Jorginho; Mirandinha, Edmar e Éder. A Inter jogou com Silas, João Luís, Bolívar, Juarez e Pecos; Manguinha, Gilberto Costa e João Batista (depois Alves); Tato, Kita e Lê (depois Carlos Silva).

No primeiro tempo, o Palmeiras de novo não conseguiu furar a defesa rival e os primeiros 45 minutos terminaram com o zero no placar, aumentando a apreensão do alviverde, que vivia uma seca de 9 anos sem títulos. Aí, aconteceu. Aos cinco minutos do segundo tempo, Kita chutou forte de fora da área, quase caído, e venceu Martorelli. Foi o 24º gol do gaúcho João Leithardt Neto no Paulistão de 1986.

A vibração dos alvinegros continuou e a casa palmeirense caiu de vez em cinco minutos. Denys cometeu uma falha grotesca num domínio de bola e Tato, espertíssimo, roubou a bola e, com Martorelli batido, ampliou. Delírio limeirense no Morumbi.

A partir daí, a pressão do Palmeiras aumentou e Silas deu conta do recado até os 29 do segundo tempo, quando a insistência deu resultado e o zagueiro Amarildo, de cabeça, descontou. Kita ainda perdeu um gol feito sem goleiro e a chance do 3º gol da Internacional. E o Palmeiras, no desespero, por pouco não chegou ao empate. Silas deu rebote num chute de fora da área e Mirandinha cabeceou para fora.

Mas a festa, estava escrito, era do pequeno time do interior. E no apito final de Dulcício Wanderley Boschilla, veio a explosão de alegria dos torcedores da Inter, campeã paulista de 1986.

"Este é um título que eu ofereço à toda torcida de Limeira, à minha esposa e à família do falecido Zezinho Figueroa (vítima de um aneurisma cerebral aos 34 anos, em fevereiro daquele mesmo ano). Venceu o melhor realmente", afiançou Pepe.

Quem quiser que discorde de José Macia...

Confira o vídeo da reportagem do Globo Esporte de 4 de setembro, apresentado por Léo Batista. A narração dos gols é de Luiz Alfredo.

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quinta-feira, 1 de dezembro de 2011

Carnaval 2012 - pitacos sobre o CD do Grupo Especial

Gosto de carnaval. Muito. A culpa, claro, é paterna. Nos anos 70, todo início de ano, todo fim de semana, lá vinham os discos com as feéricas capas da Top Tape ocupar a vitrola. Claro que eu, pequeno, não sabia patavina das letras, mas não resistia a chamar minha mãe, portelense roxa, de "nega fulô", quando ouvia 'Memórias poéticas de Jorge de Lima', samba da Estação Primeira de Mangueira do ano de 1975. E olha que de "nega fulô", minha mãe não tem nada.

O tempo passou, os discos de samba-enredo foram embora quando meu pai saiu de casa, mas a empolgação pelo carnaval, os sambas e os desfiles não feneceu. Pelo contrário, só cresceu. Com o passar dos anos, me interessei mais e mais pelo carnaval e a história dos desfiles, a ponto de passar tardes inteiras na Biblioteca Nacional do Rio de Janeiro lendo apaixonadamente a cobertura dos carnavais mais antigos, folheando edições de O Globo caindo aos pedaços.

A partir de 1981, com o coração conquistado pela Imperatriz Leopoldinense de forma definitiva, tornei-me um torcedor alucinado da agremiação de Ramos, bairro onde passei quase três décadas da minha vida. Essa paixão nunca me impediu, contudo, de elogiar a performance de outras escolas na avenida nem como deixar de admirar grandes sambas que tomaram conta da Marquês de Sapucaí.

Vejo que 2012 está marcado por um ano com sambas muito acima da média do que vínhamos ouvindo neste começo de século XXI. Se por vezes uma obra se salvava em meio à mediocridade e, por vezes, nenhuma era digna de registro, para o carnaval do ano que vem temos uma autêntica obra-prima, um samba que tinha tudo para sê-lo (mas não foi) e outros dois ou três muito bons. Infelizmente, não nos livramos dos chamados "bois com abóbora" nesta safra.

Proponho aqui minha humilde avaliação, ressaltando, mais uma vez: não sou especialista, não sou um crítico. Apenas um admirador desta festa que, por uma semana, iguala pobres e ricos numa só paixão.

Beija-Flor de Nilópolis - Vou entrar de sola numa questão polêmica acerca do samba da Beija-Flor. A junção proposta entre as duas obras finalistas "matou" uma possível obra-prima do carnaval de 2012. No meu entender, o samba da parceria de Samir Trindade, com seu excepcional refrão "Meu São Luís do Maranhão... poema encantado de amor... onde canta o sabiá... hoje canta a Beija-Flor" era de letra e melodia superior à composição de J. Velloso e parceiros, da qual aproveitou-se a segunda parte e o refrão do meio. Não é um samba ruim, muito longe disso. Mas a decisão da junção fez a Beija-Flor dar em si mesma um "tiro no pé". Perderam a chance de figurar como uma das melhores obras do carnaval por conta disso. Nota 9,6

Unidos da Tijuca - A agremiação do Borel também não foi feliz na escolha do seu samba-enredo para 2012. Tem alusões muito bem sacadas a Luiz Gonzaga, o "Rei do Baião" homenageado pela escola vice-campeã do ano passado, mas o samba não chega a empolgar. A melodia é apenas correta. Bruno Ribas gravou o samba muito bem, só que na gravação, o tom da voz do intérprete ficou mais alto do que deveria - o que pode dificultar o canto dos componentes na hora do desfile. Passando ao largo da comparação com o espetacular samba "Lua Viajante", enredo da Unidos de Lucas de 1982, esta homenagem a Gonzagão ficou devendo um pouquinho. Nota 9,5

Estação Primeira de Mangueira - A homenagem ao Cacique de Ramos é mais uma sacada inteligente de Ivo Meirelles após o desfile deste ano, com um enredo alusivo ao baluarte da verde-e-rosa Nelson Cavaquinho. Mas alguma coisa ficou estranha na gravação do samba de 2012: justamente a primeira 'passada', aquela em que o ouvinte tem que ser cativado pela voz do intérprete, é uma reunião de 'bambas' que, se soou inovadora pela proposta, por outro lado tornou-a estranha pelo desnível de vozes como as de Beth Carvalho e Jorge Aragão, por exemplo. No mais, o samba é bom, com uma segunda parte irresistível, porém com dois pequenos problemas: citações desnecessárias à própria Mangueira (uma vez que o homenageado é o Cacique de Ramos) e o refrão, destoando do resto da obra pela pobreza. Nota 9,5

Unidos de Vila Isabel - Vira e mexe a azul e branco da terra de Noel Rosa nos brinda com grandes sambas. Este de 2012 não é exceção. A escolha de mais um enredo "africano" nos remete a Kizomba e outros tantos desfiles carregados de emoção que a Vila Isabel já nos proporcionou no carnaval carioca. E mais uma vez, a escola leva para a avenida um samba de André Diniz, o maior vencedor das disputas de samba-enredo do Rio de Janeiro. Uma obra belíssima, com dois refrões sensacionais - "Reina Ginga ê matamba vem ver a lua de Luanda nos guiar... Reina Ginga ê matamba negra de Zambi, sua terra é seu altar" e "Semba de lá, que eu sambo de cá... Já clareou o dia de paz... Vai ressoar o canto livre... Nos meus tambores, o sonho vive" - e uma linha melódica perfeita. Tinga cantou o samba à perfeição na gravação do disco. O problema é que, na avenida, o intérprete costuma apelar para os gritos, o que pode comprometer a escola no seu desfile. Nota 9,9

Acadêmicos do Salgueiro - Outro samba que foi praticamente unânime na final da agremiação vermelho e branco do Andaraí, o "Cordel Branco e Encarnado" se encaixa na proposta de enredo de Renato Lage, com um refrão muito bom, para cima, um dos melhores do carnaval: "Salgueiro é amor que mora no peito... Com todo respeito, o rei da folia... Eu sou o cordel branco e encarnado... "Danado" pra versar na Academia". Mas a impressão que fica no ar é que este mesmo samba não levou a fundo o lema da escola. "Nem melhor, nem pior, apenas uma escola diferente". Num ano de grandes sambas, o do Salgueiro não pode ser comparado aos melhores, justamente porque faltou o 'diferente' que poderia virar as coisas a seu favor. No meu gosto, o samba que Wantuir defendia nas eliminatórias era melhor. Mas a obra de Marcelo Motta e parceiros caiu no gosto dos componentes. E para o Salgueiro é isso que importa. Nota 9,6

Imperatriz Leopoldinense - A "Rainha de Ramos" teve neste ano a disputa mais acirrada para a escolha do seu samba - muito mais do que em qualquer outra das 12 coirmãs, mostrando a excelência de sua Ala de Compositores, hoje provavelmente a melhor do carnaval do Rio de Janeiro. De princípio, simpatizei mais com os sambas das parcerias de Me Leva e cia. (vencedores das disputas para 2010 e 2011) e de Josimar e cia. (autores dos sambas dos carnavais de 2008 e 2009), por serem mais descritivos e mais condizentes com a homenagem a Jorge Amado em seu centenário. Mas, correndo por fora, ganhou corpo a obra de Jefferson Lima e parceiros, que de maneira até certo ponto surpreendente, venceu a disputa. É um samba criativo, de melodia eminentemente afro e de versos inspirados como os da segunda parte: "O vento soprou... As letras em liberdade... Joga a rede, pescador!... O povo tem sede de felicidade... A brisa a embalar... Histórias que falam de amor... Memórias sob o lume do luar... O doce perfume da flor", mas que peca pelos refrões, especialmente o chamado 'refrão de cabeça'. Não compromete, mas está abaixo por exemplo, de "Brasil de Todos os Deuses", esta sim uma obra-prima da Imperatriz neste século. Nota 9,8

Mocidade Independente de Padre Miguel - Não é implicância com a escola da Vila Vintém, mas honestamente não consegui ser atraído pelo samba que alude a Cândido Portinari, outro artista já homenageado em outras ocasiões nos desfiles das escolas de samba. Se ano passado a Imperatriz abusou do direito de pôr frases com a terminação "ar" - foram 25! - a parceria de Diego Nicolau, Gabriel Teixeira e Gustavo Soares apelou para um quarteto de "al" - real, mural, ideal e carnaval - no fim da segunda parte do samba, que tem uma linha melódica que também não é das melhores do ano. É uma obra acima da média do que a agremiação mostrou nos últimos anos, mas longe de ser excepcional. Nota 9,4

Unidos do Porto da Pedra - Não há como dizer que o samba da escola de São Gonçalo é o grande "boi com abóbora" de 2012. Também pudera: o enredo não ajuda na composição de um bom samba e a obra de Vadinho e parceiros cai na vala comum dos sambas que rapidamente serão esquecidos pelos bambas. Salvou-se a ótima performance de Wander Pires, que economizou nas firulas e mostrou que, quando quer, pode ser um excepcional cantor de samba-enredo. A bateria comandada por mestre Thiago Diogo também foi um ponto positivo na gravação do pior samba do ano. Nota 9,1

Unidos de São Clemente - Impossível não gostar do samba da agremiação de Botafogo, a única da Zona Sul do Rio no Grupo Especial - embora sua quadra seja na Cidade Nova. O refrão, com seu "Tem bububu no bobobó" gruda no ouvido que nem chiclete e é o mais "alegre", "pra cima" de todo carnaval, marcando, quem sabe, a volta da irreverência da São Clemente perdida ao longo dos anos e que, grosso modo, remete também aos bons tempos da Caprichosos de Pilares. Embora o samba não tenha outros momentos de grande inspiração e trechos como "Puxa, aqui Paris é avenida" beirem a grosseria, a obra passa sem grandes problemas. A destacar a interpretação do jovem Igor Sorriso, uma das melhores de todo o disco. Nota 9,5

Acadêmicos do Grande Rio - Tanto falatório para uma grande decepção. É assim que considero o samba da agremiação tricolor da Baixada Fluminense, dado o que se aguardava do enredo de 2012, cujo mote é a superação. Nem de longe o samba é capaz de lembrar do que aconteceu à Grande Rio ano passado e aludir a outras histórias parecidas ou específicas do tema. Muito estranha, fora de contexto, é a citação ao Festival de Parintins, mesmo que de forma indireta, o que torna o samba ainda mais incompreensível para quem, como eu, esperava uma obra emocionante sem ser piegas. E isto, Edispuma e seus parceiros não conseguiram fazer. Talvez seja o pior samba da Grande Rio desde sua última volta ao Grupo Especial em 1994. Nota 9,3

Portela - Um samba com a cara da Portela. Comovente. Lindo. Extraordinariamente belo. Wanderley Monteiro, Luiz Carlos Máximo, Toninho Nascimento e Naldo estão de parabéns. Atingiram a altura da obra-prima num samba que merece ser o grande hit do carnaval de 2012. Sem deixar de olhar para o futuro, os compositores flertam com o passado, numa junção absolutamente feliz de tempo e espaço, trazendo para o nosso deleite um samba de três partes, com refrões emocionantes e que já fazem parte do panteão de trechos inesquecíveis do carnaval carioca. Madureira vai subir o Pelô! Nota 10

União da Ilha do Governador - A safra de sambas da União da Ilha para 2012 foi considerada pelos 'bambas' muito abaixo da média do que a escola poderia proporcionar. De fato, com um tema bastante interessante, aludindo aos Jogos Olímpicos de Londres puxando para a competição que será disputada no Rio em 2016 e ao fato de que a Grã-Bretanha é uma ilha feito a Ilha do Governador, os compositores desta vez não foram tão inspirados. A junção das obras das parcerias de Marquinho do Banjo e Aloísio Vilar, melodicamente, não foi ruim, mas o conjunto ficou confuso. Uma lástima para uma escola que angaria a simpatia de muitos dos que gostam de carnaval. Destaco o refrão de cabeça, que assim como o da São Clemente, gruda nos ouvidos feito chiclete. E Ito Melodia, mais uma vez foi muito bem na interpretação de um samba insulano. Nota 9,3

Renascer de Jacarepaguá - A caçula do Grupo Especial estreia em 2012 com um enredo homenageando o artista plástico Romero Britto e com um samba, no meu entender, apenas correto. A composição de Cláudio Russo e parceiros não consegue atingir o píncaro do que se espera de um samba. Não tem um refrão explosivo, não tem emoção, não tem 'pegada'. Apenas algunas sacadas inteligentes relativas ao homenageado se salvam numa obra meramente descritiva. Rogerinho Renascer não comprometeu na gravação, mas a escola buscou se socorrer de um nome de peso. Veio Nêgo, que durou pouco mais de uma semana na Renascer e já está no olho da rua. Só um milagre deverá manter a agremiação de Jacarepaguá no Grupo Especial em 2013. Nota 9,2

quinta-feira, 24 de novembro de 2011

Fosfosol - Fluminense 3 x 2 Vasco (1989)

Não foram poucas as vezes em que um Campeonato Brasileiro de Futebol terminou no ano seguinte ao seu início. O de 1988 - a segunda e também última edição da Copa União - não foi exceção. Aquela competição, ganha pelo Bahia, só terminaria em fevereiro de 1989, o que gerou sem nenhuma dúvida um duplo carnaval em Salvador.

Enfim: para chegar lá, o Bahia derrotou o Internacional após vencer os gaúchos na Fonte Nova por 2 x 1 e segurar o empate no Beira-Rio. Isso tudo depois de eliminar o Fluminense e o Colorado ganhar do Grêmio no famoso "Gre-Nal do Século".

A fase de "mata-mata", comum até a introdução definitiva dos pontos corridos, reservava grandes jogos e um deles não foi exceção: o confronto entre Fluminense e Vasco, pelas quartas-de-final.

Na primeira etapa da Copa União, com os times divididos em dois grupos de 12, Fluminense e Vasco jogaram em 23 de outubro de 1988. Foi o famoso jogo em que até Acácio e Ricardo Pinto bateram pênaltis - todo jogo que terminava empatado ia para as cobranças de tiros livres diretos da marca fatal. O Vasco foi mais feliz e levou o ponto extra.

Tanto o tricolor quanto o time de São Januário se classificaram para a fase de quartas-de-final e formaram um dos confrontos eliminatórios. O primeiro jogo foi em 29 de janeiro de 1989, um domingo. Vitória do Flu pelo score mínimo - golaço contra do folclórico Zé do Carmo.

A decisão foi na quarta-feira seguinte, dia 1º de fevereiro. O Estádio Mário Filho apanhou um bom público (75.157 pagantes) para acompanhar um jogo que, sem dúvida, prometia muito.

O Fluminense alinhou com Ricardo Pinto, Carlos André, Edinho, Édson Mariano e Eduardo "Cachaça"; Jandir, Donizete, Romerito e Paulinho Andreoli; Cacau e Washington. O técnico era Sérgio Cosme.

Jandir, Romerito e Washington eram os últimos remanescentes do time do tricampeonato estadual 83/84/85, que também consagrou-se campeão brasileiro em 1984.

Já o Vasco vinha com Acácio, Paulo Roberto, Célio Silva, Leonardo e Mazinho; Zé do Carmo, Geovani e Bismarck; Vivinho, Roberto Dinamite e Sorato. Zanata era o treinador cruzmaltino.

Com ares de favorito, porque tinha um time superior no papel e fizera a melhor campanha nos dois turnos da Copa União antes da fase de "mata-mata", o Vasco foi surpreendido aos nove minutos, numa jogada bem ao estilo do Fluminense dos anos 80. Contra-ataque rápido, puxado por Romerito, daí para Washington e um passe primoroso para Donizete, que com um toque venceu Acácio e fez o lado esquerdo do estádio explodir. Flu 1 x 0.

O Vasco era um time perigoso. E com Roberto Dinamite, já com 34 anos, não se podia brincar. Foi o eterno artilheiro que descobriu Bismarck livre. A jovem revelação de São Januário pegou de primeira, vencendo Ricardo Pinto e empatando a peleja.

A partir daí, o jogo foi defesa contra ataque. O Fluminense encolhido porque o 1 x 1 bastava para que o tricolor se classificasse para as semifinais. O Vasco, mesmo com a expulsão de Célio Silva após um golpe de caratê em Washington, buscou a vitória até o fim. E foi premiado pela insistência, mercê um erro - segundo os cruzmaltinos - do árbitro José Roberto Wright, que marcou jogo perigoso de Edinho num adversário em vez de dar um pênalti.

A falta foi cobrada com maestria por Geovani, que colocou a bola na cabeça de Leonardo, executando um tirombaço que fez o lado alvinegro do Maraca calar a torcida tricolor. A partida iria para a prorrogação e o empate, agora, era do Vasco.

Os primeiros 15 minutos de bola rolando no tempo suplementar terminaram, como disse Denis Menezes na transmissão da Rádio Globo, em "0 x 0 Vasco". Mas bastou a virada de campo e tudo mudou.

Sérgio Cosme, antes da bola voltar a rolar, processou uma alteração que, ironicamente, mudaria os rumos da partida. O inoperante Cacau deu lugar ao jovem Zé Maria, prata da casa que, a exemplo de muitos, teria vida curtíssima nas Laranjeiras.

Logo a 1 minuto do segundo tempo da prorrogação, Eduardo bateu uma falta pelo lado esquerdo, um mini-córner. Alexandre Cruz, que entrara na vaga de Romerito, hesitou. Mas Zé Maria, não. Ele chutou firme, seco e de pé direito, vencendo Acácio. Delírio tricolor. Frustração alvinegra.

Com a desvantagem do jogador a menos e a covardia de Zanata, o Vasco, cansado pelo esforço em levar a partida à prorrogação, levou o tiro de misericórdia no finalzinho. Zé Maria fez jogada pela direita e serviu Washington, marcado para sempre na memória de Acácio pelo gol cheio de dribles no Carioca de 1987. O camisa 9 do Fluminense, desta vez, caprichou na maldade. Encobriu o arqueiro do Vasco e fez o segundo gol que classificou o Flu para a fase semifinal da Copa União de 1988.

Confira o vídeo com a reportagem de Marcelo Rezende.


video

sexta-feira, 30 de setembro de 2011

Meninos, eu vi - Stevie Wonder no RiR


A quinta-feira foi um dia extra na programação do Rock in Rio. Aparentemente, o dia 29 estava riscado do mapa do festival.Agora, o dia 29 de setembro entra (mais um dia!) na história do evento, da música e com certeza na minha memória.

Mais cedo, escrevi no twitter que era o dia do aprendiz e do mestre. Jamiroquai antes, como um 'aquecimento' e Stevie Wonder, a lenda, o mito, o Pelé do soul e do R&B, tocando em nossa terra depois de muito tempo.

De fato, a apresentação de Jamiroquai foi correta, mas não muito além disso. Faltaram clássicos como "Space Cowboy" e "Virtual Insanity" e embora o groove de suas canções dissesse 'presente', faltou interação com o público. Se eu tivesse que dar uma nota para Jay Kay e sua ótima banda, daria um 7. O show dele esteve para o evento de 2011 como o de Beck esteve para o de 2001. Perfeito para um evento como o Free Jazz Festival, por exemplo, se o Free Jazz existisse.

O intervalo entre o show de Jamiroquai e Stevie Wonder só fez aumentar a expectativa do que o veterano cantor e compositor faria no Palco Mundo do Rock in Rio. E do começo ao fim, sem tirar nem pôr, o que vimos, ouvimos e presenciamos foi simplesmente fantástico. Um desfile de grandes canções e um artista e uma banda felizes por estarem ali diante de uma multidão igualmente fantástica.

Stevie mandou muito bem nos clássicos de costume, enchendo nossos ouvidos de groove e nos emocionando com músicas como "Overjoyed", cantada ao piano após uma épica e histórica intervenção dele, de sua filha Aisha (uma das integrantes do coro de apoio) e do próprio público, em participação maciça, em "Garota de Ipanema" e, surpresa das surpresas, em "Você abusou", clássico de Antônio Carlos & Jocafi que fez sucesso internacional nos anos 70. Tom Jobim, Vinícius de Moraes, Antônio Carlos e Jocafi nunca se sentiram tão homenageados musicalmente por um artista internacional e por uma plateia de mais de 80 mil pessoas.

Claro, não podiam faltar as pérolas de seu repertório: "Higher Ground", "Sir Duke", "As", "Superstition", "I just called to say I love you" - canção que lhe conferiu o Oscar nos anos 80, e não foi à toa que o 'Pelé do Soul' ganhou 25 Grammys em sua carreira.

Ele insistiu em nos emocionar com "My chérie amour" e "You are the sunshine of my life" e pôs todo mundo para cantar com ele em "Isn't she lovely". E não foi só isso... a partir de sua emocionante versão de "Garota de Ipanema", ele virou do avesso o seu próprio setlist e não cantou baladas épicas como "For once in my life" e "Ribbon in the sky".

Pensando bem, e daí?

Daí que foi um show memorável, épico, espetacular, incrível, que dispensa demais adjetivos. Uma goleada musical que varou a madrugada e fez valer cada momento, cada nota, cada melodia, cada lágrima que derramamos nesta noite de quinta-feira.

Certeza que viver vale a pena depois de ver um homem com quase 50 anos de carreira fazer o que faz de melhor com alegria, paixão, carinho e respeito pelo público e pela música brasileira. Como disseram Tom e Vinícius em "Garota de Ipanema"... 'o mundo inteirinho se enche de graça e fica mais lindo por causa do amor'.

E foi esse amor do público brasileiro por Stevie Wonder que ele sentiu intensamente na pele, na alma e no coração.

Obrigado por existir, Stevie!

segunda-feira, 26 de setembro de 2011

Meninos, eu vi - Metallica no RiR

Sabem aqueles momentos que você vive e quer guardar para sempre na retina, como um sonho bom?

Pois é... neste domingo, 25 de setembro, a música mais uma vez foi capaz de proporcionar a mim, a você, a todos nós que gostamos da boa música, um desses momentos. Quase quatro horas de adrenalina, de energia, de um absurdo de apresentação que foi a participação do Metallica na 'noite do metal' desta edição 2011 do Rock in Rio.

É fácil 'jogar com a plateia ganha'? Claro, é uma barbada - para quem sabe das coisas. O Metallica não é uma dessas bandinhas formadas na esquina. Os caras têm 30 anos de estrada, ganharam cancha, amadureceram, tratam bem demais o público - nada de palavrões desnecessários como os mascarados do Slipknot, a banda que (erroneamente) antecedeu James Hetfield, Lars Ulrich, Rob Trujillo e Kirk Hammett.

A Cidade do Rock explodiu em som e fúria da primeira à última música. Quando entrou no telão uma cena do filme "Três homens em conflito", estava deflagrada uma das maiores apresentações da história do festival. Eles aumentaram o fogo da panela de pressão com "Creeping Death", um dos clássicos obrigatórios em qualquer discoteca de metaleiro. E seguiram o mesmo roteiro do show com o Big Four, ocorrido há menos de duas semanas.

Ligados na tomada em 220V, Hetfield e seus camaradas entraram aceleradíssimos e sem tirar de dentro em "From Whom The Bell Tolls" e "Fuel", quando ele e Kirk Hammett trocaram de guitarra pela primeira vez - aliás, jurei que contaria quantas vezes isso aconteceu ao longo do show, mas no meio, empolgado com o som e a qualidade do espetáculo, perdi a conta.

A plateia, ensandecida, pedia mais. E vieram "Ride The Lightning", "Fade To Black", "Cyanide" e "All Nightmare Long", antes de um dos grandes sucessos do maior sucesso comercial da história do Metallica, que é o Black Album - "Sad But True". Aqui em casa, as esquadrias de alumínio da janela estremeceram, o quarteirão não dormiu, o som estéreo aumentou o volume e a TV trazia a imagem nítida, limpa, cristalina, em alta definição.

Não foi difícil para o Metallica manter o altíssimo nível de sua apresentação, com uma espetacular "cozinha" formada por Lars Ulrich e Rob Trujillo (o veterano de guerras, ex-baixista de Suicidal Tendencies, Infectious Grooves e da banda de Ozzy Osbourne), que com seu instrumento quase na altura dos joelhos, deu uma aula de como tocar baixo sem ser fanfarrão - embora o Flea, que é um mestre dos mestres das quatro cordas, possa parecer um. E aí vieram a excepcional "Welcome Home (Sanitarium)", a sensacional "Orion" e "One", talvez a primeira música deles que ouvi na minha vida, lá pelo fim dos anos 80.

Daí para diante, o esporro sonoro foi absurdo, ajudado por 100 mil gargantas, almas e vozes urrando o que ainda lhes restava dentro de si. "Master of Puppets" e "Blackened" antecederam a outros dois clássicos do Black Album, a belíssima balada "Nothing Else Matters" (sim, belíssima, como não?) e a suprema "Enter The Sandman".

O bis, sumariamente omitido pela Rede Globo, que transmitiu todas as 15 músicas anteriores sem qualquer tipo de interrupção, porém com uma gravíssima falha de colocar apenas uma palavra de cada nome das músicas no setlist (normal, todo mundo abrevia os nomes, não pensaram nisso na hora?), coisa que daria demissão nos tempos em que Boni era o todo-poderoso da emissora. Como os tempos são de Boninho... melhor pular essa parte e voltar para o que interessa: as últimas três músicas, simplesmente arrasadoras - a cover de "Am I Evil?" (Yes I am!), a velocíssima "Whiplash" e, clássico dos clássicos, símbolo apoteótico da catarse, "Seek And Destroy".

O show terminou com uma merecida homenagem a Cliff Burton, baixista-fundador do Metallica, um monstro do seu instrumento, que morreu de forma trágica há 25 anos. Exatamente hoje, num 26 de setembro como este, só que de 1986.

Ao fim de 18 músicas, uma certeza: assistimos hoje a uma aula de show de rock and roll, talvez um dos poucos que mereçam figurar a partir de agora no topo das apresentações épicas do Rock in Rio, dentre as quais citaria Queen e Rod Stewart em 1985, Faith No More em 1991, Neil Young, Iron Maiden e R. E. M. em 2001 e, dez anos após a última passagem do evento por aqui, Metallica.

Uma certeza só? Tem certeza?

Que tal duas?

Então tá: Roberto Medina, fecha o barraco, rapaz. Já pode acabar com o Rock in Rio, tá? Obrigado.

sábado, 24 de setembro de 2011

Meninos, eu vi - Elton John no RiR

Elton John foi o primeiro artista que ouvi na minha vida. É sério. Com quatro anos de idade, ganhei do meu pai um "Greatest Hits" em cuja capa o cantor/compositor estava elegantemente trajado de branco: terno, calça, sapatos, chapéu - e com direito a um 'oclão' enorme.

Em suma: Reginald Kenneth Dwight e seu parceiro Bernie Taupin merecem todo o nosso respeito. Até porque, na minha modesta opinião - modesta sim, pois não sou crítico musical, apenas um apreciador de boa música - essa dupla talvez seja a maior dupla de compositores pop existente depois de Lennon-McCartney nos Beatles.

Quem quiser, que discorde.

Enfim... estamos em 2011 e em pleno século 21, Elton John, do alto dos seus 64 anos, deu hoje na Cidade do Rock uma AULA de como fazer um ótimo show pop sem resvalar na cafonice de Katy Perry e seu festival de fantasias de fazer inveja a qualquer escola de samba da Intendente Magalhães ou mesmo no repertório dançante-sem-sal da Rihanna. E isso porque não falei de Claudia Leitte, até porque a presença da mesma num festival de rock é totalmente incompreensível.

Elton jogou para a galera desde a primeira música, a clássica "Saturday's night alright for fighting", mostrando desde a primeira nota ao que ele e sua coesa - e ótima banda - vieram fazer no show. Os anos passam e ele continua um prodígio à frente do seu piano Yamaha, o que não é de se espantar.

E não se desgrudou dos clássicos. Do lendário álbum Madman across the water, de 1971, mandou em sequência "Levon" e "Tiny Dancer". E embalou os corações e as emoções dos mais empedernidos com os petardos de sempre. "Goodbye Yellow Brick Road" e "Rocket Man", evocada no casacão de seu figurino e, segundo consta a minha querida amiga Karol Stutz, nome do título do filme que está sendo produzido para biografar a vida e a obra do artista britânico.

Mas não ficou por aí. Ele ainda mandou "I guess that's why they call it the blues", uma nova de seu repertório, "Hey Ahab", e fechou com uma sequência de clássicos pra ninguém botar defeito: "Honky Cat", "Daniel", "Don't let the sun go down on me", "Skyline Pigeon", a maravilhosa "Bennie And The Jets", "The Bitch is Back" e a sensacional "Crocodile Rock", que, confesso, é uma música que já adorava ouvir quando tinha a tenra idade de quatro anos.

Só que o pior aconteceu: nos últimos acordes de "Crocodile...", alguns imbecis que provavelmente não sabem o que é música ou não têm o menor respeito pelo artista que acabavam de ouvir, parte do público clamava por Rihanna. De acordo com o setlist inicial, Elton John cantaria "Your song", clássico eterno de seu repertório, como um bis.

Mas não houve bis. Também pudera: ele já entrara no palco com um considerável atraso de 40 minutos. Lamentável sob todos os aspectos. Pela reação do público, infeliz pelo 'clamor' à artista seguinte, denotando desrespeito a Elton John e, principalmente, pela falha gravíssima da organização, que não permite a um cantor do naipe de Reginald Kenneth Dwight de fazer seu show completo.

Mesmo assim, só posso dizer...

THANK YOU, SIR ELTON JOHN!

quarta-feira, 30 de abril de 2008

De casa nova

Amigos, como eu tinha postado por duas vezes, deixando um mistério no ar - embora muitos já soubessem da história, hoje é dia de falar de uma novidade. E uma grande novidade.

A partir de hoje, 30 de abril, estou em novo endereço na internet.

Façam o favor de trocar em seus favoritos para este link: http://amilporhora.globolog.com.br

Espero que vocês continuem interagindo comigo tanto quanto faziam aqui no Saco de Gatos.

A fórmula que fez algum sucesso neste blog até aqui independente, vai continuar, vai ter seqüência. Muitas seções vão migrar para o novo endereço e a velocidade seguirá sendo o carro-chefe do novo blog.

Valeu por tudo! Depois de 1.866 postagens, contando com esta, deixo este endereço como uma grande lembrança de dois anos de bons momentos por aqui.

Vejo vocês no A Mil Por Hora!

O exemplo dado lá no outro lado do mundo


Pena que no Brasil não é assim...

A Tokaï University, do Japão, apresentou no último dia 24 seu carro com que vai disputar as 24 Horas de Le Mans.

Trata-se de um Courage LC70 modificado lá mesmo pelos engenheiros formados pela Tokaï e dotado de um motor YGK com o bloco Zytek V-8 de 5 litros de capacidade cúbica e potência ao redor de 630 HP.

O protótipo, que correrá na classe LMP1 com pneus Yokohama Advan, reúne três pilotos locais que se revezarão durante a corrida: o veterano Toshio Suzuki, que venceu as 24 Horas de Daytona em 1992 pela Nissan, foi vice-campeão de Le Mans em 1999 com Toyota e fez duas provas de F-1 pela Larrousse; Masami Kageyama, sexto colocado em 2000 com o Panoz da equipe Asahi Dragon; e Haruki Kurosawa, que ano passado foi vice-campeão da LMP2 em Le Mans na companhia de Adrián Fernandez e Robbie Kerr.

Decida-se, Rubinho!

Já está ficando chato.

Até quando a imprensa será obrigada a abrir manchetes falando do recorde de GPs disputados de Rubens Barrichello?

Num mero exercício de retórica e de matemática, o piloto brasileiro já esteve presente - assim como Riccardo Patrese - em 257 eventos da Fórmula 1. Só que enquanto o italiano não correu em uma única ocasião, o GP da Argentina de 1979, Rubens aparece de fora, para efeito de estatística, em quatro.

O primeiro foi o GP de San Marino de 1994, onde bateu logo no treino livre e, hospitalizado, nem disputou a classificação. Quatro anos depois, ele foi envolvido numa tremenda confusão no GP da Bélgica, em Spa. E em 2002, nas corridas da Espanha e da França, seu carro ficou parado no grid e ele não teve condição de correr.

Em suma: Rubens tem de fato 253 GPs. Se ele conta as três corridas onde alinhou e não correu, ele vai comemorar o recorde em Mônaco. Mas de direito, ele só atinge 257 provas disputadas no GP da França, em Magny-Cours.

Decida-se, Rubinho! Depois não reclame quando o tricampeão mundial Nelson Piquet diz que a única coisa que lhe sobrou na F-1 foi superar a marca do Patrese...

terça-feira, 29 de abril de 2008

Enigma da semana


Que carro de Fórmula 3 é esse que vemos disputando o famoso GP da Loteria, em Monza?

Aguardo respostas.

Ridículo!

Acabo de ler que o show programado para 1º de maio na praia de Copacabana, que homenagearia com inteira justiça os 50 anos de nascimento do cantor Cazuza, falecido em 1990, não vai mais acontecer.

A ordem é da Secretaria Estadual de Segurança Pública. O motivo? Um cálculo de público estimado em 60 mil pessoas, que poderia ser bem maior por causa dos artistas que se apresentariam, entre eles Zélia Duncan, Ângela Ro Ro, Ney Matogrosso e outros.

Agora... é estranho que a Polícia tenha liberado a realização de um show da cantora baiana Cláudia Leitte para a gravação de um DVD, quando o público esperado era de 80 mil e o total de pessoas que acorreu à praia foi dez vezes maior. Houve confusão e ninguém falou nada. Por que será?

Quer dizer que uma cantora sem raízes cariocas, dona de um repertório chatíssimo e medíocre, pode tranqüilamente cantar sua musiquinha enquanto artistas que queriam homenagear um artista que foi nascido e criado no Rio não podem?

Ridículo!

Que a delegada da 12ª DP, Marta Rocha, encontre outra desculpa. Essa do cálculo errôneo de público não cola!

Por debaixo dos panos

Faz um bom tempinho que não escrevo sobre o caso Max Mosley. Os sites e demais blogs dos meus colegas já trataram de dar espaço suficiente ao assunto e deixar o leitor bem informado. O que todo mundo sabe é que o dia 3 de junho próximo é a data limite para a permanência do dirigente à frente da FIA ou da continuidade de seu mandato até as eleições.

Neste fim de semana do GP da Espanha, em Barcelona, Bernie Ecclestone tentou costurar, com a habitual lábia, um motim das equipes contra a permanência do dirigente-safadinho no comando do desporto do automóvel. Mas o motivo da tramóia, conforme dito por Fred Sabino em seu blog, não é a estripulia sexual de Mad Max Mosley. É outro: dinheiro.

Bernie Ecclestone, que é o todo-poderoso da Formula One Management (FOM), responsável pela parte de logística, promoção, televisionamento e captação de recursos da Fórmula 1, propôs a união das equipes para que o futuro presidente da FIA reparta o dinheiro arrecadado de forma mais salomônica entre as partes interessadas.

Isto posto, durante a reunião do fim de semana, oito equipes manifestaram apoio à proposta de Ecclestone: McLaren, Renault, BMW Sauber, Red Bull, Honda, Toyota, Force India e Super Aguri. Sem dúvida uma boa maioria querendo ver Mosley pelas costas.

Só que três equipes manifestaram-se contrárias: a Ferrari, a Toro Rosso e a Williams. Esta, através dos sócios Patrick Head e Frank Williams, mostrou seu desagrado ao saber que há uma manobra de bastidores para fazer de Jean Todt um candidato de consenso como oposição à figura de Mosley na FIA.

Enquanto todo mundo, nos becos e vielas dos paddocks, trama pelas costas a saída do dirigente, este parte para a ignorância: contratou um detetive particular para devassar a vida da prostituta que desgraçou sua vida no tablóide "News Of The World".

Nada mais patético.

Clip da semana - I heard it through the grapevine

Aos que se acostumaram a ouvir a canção acima com Marvin Gaye, que fez de fato uma regravação belíssima, saibam que em 1970 ela já era sucesso.

Cortesia do Creedence Clearwater Revival, que em quatro ou cinco anos emplacou um sucesso atrás do outro. "I heard it through the grapevine" é um deles.

segunda-feira, 28 de abril de 2008

Discos que já ouvi antes de morrer (XV) - Mutantes / 1969


O segundo trabalho dos Mutantes raramente é lembrado pelos críticos como um álbum bem-feito, no cenário musical brasileiro dos anos 60. Nada menos exato, pois o disco auto-intitulado, lançado pela Philips em 1969, cortou de vez o cordão umbilical que separava os garotos Serginho, Arnaldo e Rita da trupe tropicalista, uma vez que Gil e Caetano foram presos no fim de 68 - o que decretou o fim do movimento.

Entretanto, o ano que é celebrado por muitos como "aquele que não terminou" foi riquíssimo em experiências musicais para a rapaziada da Pompéia. Passaram por uma verdadeira prova de fogo na eliminatória paulista do FIC, como banda de apoio de Caetano Veloso em "É Proibido Proibir" e conquistaram a simpatia dos cariocas na apresentação da final nacional, com "Caminhante Noturno", música que rendeu ao maestro Rogério Duprat o Troféu André Kostelanetz como o autor do melhor arranjo do festival.

Pouco depois, o grupo seria convocado a ir para Cannes, no MIDEM, apresentar algumas de suas canções e isto precipitou o lançamento do segundo disco, que precisou ser concluído a toque de caixa no Estúdio Scatena, em São Paulo. Escolado no trabalho com os Mutantes, Manuel Barembein comandou a gravação, que contou com a presença de Dinho Leme tocando bateria. Dinho, para quem não sabe, é irmão do comentarista de automobilismo Reginaldo Leme, da Rede Globo, e já acompanhara o grupo no Festival Internacional da Canção.

"Caminhante Noturno" já estava pronta por causa do Festival e causou sensação em razão dos inúmeros efeitos sonoros, da voz robótica de Arnaldo falando "Rota de Colisão! Perigo! Perigo! É Proibido Proibir!" e os corinhos de "Bicha!" dirigidos a Johnny Dandurand, que aparecia de surpresa no palco do FIC para o caótico happening proposto por Caetano em "É Proibido Proibir".

Outra música também inscrita em festival e incluída no disco foi a ciranda lisérgico-roqueira "Mágica", que irritou a turma politizada que assistia o Festival da Excelsior porque era uma música, para eles, pueril demais para o Brasil de 1968 - mesmo com a citação a "Satisfaction", dos Rolling Stones, no fim da canção.

Avacalhação era com eles mesmos, tanto que "Dom Quixote", apresentada no Festival da Record com todos usando máscaras sinistras de borracha e smoking, evocava uma mistura de Dulcinéia com o Chacrinha e Sancho Pança.

A música inclusive teve que ter um verso trocado a pedido da Censura, mas os meninos e Rita Lee nem ligaram. Ao vivo, cantavam a letra como tinha sido escrita. No disco, um som fake de aplausos, encobria os versos censurados.

A jeca high-tech "2001", escrita por Tom Zé, é outra grande sacada do disco, misturando o futuro e astronautas com modinha de viola, o theremin tocado por Rita Lee e guitarras elétricas ao fundo. Foi outra música que o grupo inscreveu em festivais e que arrancou aplausos até dos que dela não gostavam.

"Não Vá Se Perder Por Aí" é outro clássico do grupo, com guitarras gritando e um vocal bem sacado de Rita e Arnaldo, que aparece com a voz totalmente diferente em "Dia 36", graças ao uso de uma voice box na saída de áudio de um órgão e de um efeito criado por Cláudio César, o Professor Pardal do grupo, que inventou o wooh-wooh, distorcendo e deixando o som do baixo como se estivesse vomitando.

As invencionices do grupo não se traduziam só na criatividade de Cláudio César. Com a ajuda do maestro Duprat, eles eletrificaram a doce "Banho de Lua", sucesso em fins dos anos 50 com Celly Campello e já esquecida em meio à cruzada tropicalista e das músicas de protesto. Fizeram de "Rita Lee" uma simpática canção, um mix de "Penny Lane" com "Ob-La-Di Ob-La-Da": com certeza algo que muita gente dos anos 80 / 90 não teve capacidade de conceber.

Ainda havia espaço para "Fuga Nº II", celebrada pelos fãs como uma das melhores músicas da história da banda, assim como "Qualquer Bobagem" (outra composição de Tom Zé), cantada... e gaguejada por Arnaldo Baptista, num dos bons momentos do disco.

Mas aquela que é considerada a maior ousadia do grupo no disco é "Algo Mais", que os Mutantes não tiveram o menor preconceito em gravar. Tratava-se de um jingle que eles compuseram para uma série de comerciais da Shell, estrelados por eles entre 68 e 69, e celebrado por Nelson Motta, que escreveu o texto da contracapa - onde aliás os três estavam caracterizados de alienígenas e com seis dedos em cada uma das mãos.

Cabe uma explicação: o disco quase se chamou O Sexto Dedo, nome de um filme de ficção científica visto pelos três e que inspirou a estranha foto tirada por Cynira Arruda. Felizmente a idéia não saiu do papel.

A centelha criativa que existia nessa época e que fez dos Mutantes uma referência musical no país, mesmo com o fim da Tropicália, rapidamente se esvaneceu. Com exceção de uma ou outra música nos três discos seguintes até 72, o grupo jamais seria o mesmo, mergulhando-se em trips egocêntricas que culminaram com a saída de Rita Lee e depois com a decadência da banda até o melancólico fim em 1978.

Ficha técnica de Mutantes
Selo: Polydor / PolyGram
Produção: Manuel Barembein
Gravado nos Estúdios Scatena em São Paulo, em dezembro de 1968
Tempo total: 42'43"

Músicas:

1. Dom Quixote (Arnaldo Baptista / Rita Lee)
2. Não Vá Se Perder Por Aí (Raphael Vilardi / Tobé)
3. Dia 36 (Johnny Dandurand / Mutantes)
4. 2001 (Tom Zé / Rita Lee)
5. Algo Mais (Mutantes)
6. Fuga Nº II (Mutantes)
7. Banho de Lua / Tintarella di Luna (B. Filippi / F. Migliacci - versão: Fred Jorge)
8. Rita Lee (Mutantes)
9. Mágica (Mutantes)
10. Qualquer Bobagem (Tom Zé / Mutantes)
11. Caminhante Noturno (Arnaldo Baptista / Rita Lee)

Made in Brasil


Esta belezinha da foto parece um Porsche, não é mesmo?

Bem... é um Porsche, mas é uma fiel réplica do carro alemão.

Trata-se do modelo Super 90 da Envemo, que foi totalmente reconstruído na oficina da Stuttgart, importadora oficial da marca alemã, em São Paulo.

Fotografei esta beleza no sábado, depois das provas da Porsche GT3 Cup Challenge em Interlagos, e quem me contou, todo orgulhoso, que o carro era "made in Brasil" foi o Douglas Pires, irmão do Dener e que é um mestre na mecânica dos carros teutônicos.

O estofamento é em couro azul, os tapetes, a forração e a capota retrátil, também. Um carro impecável, mas que conserva um segredo: o motor é Porsche 1.6, derivado do modelo 356.

E deve ser uma delícia de se dirigir!

Seriados: top 100?

A revista dos assinantes da NET (que pode ser comprada nas bancas para quem não tem a programação de TV a cabo - é o meu caso) veio com matéria de capa neste mês que termina sobre os 100 melhores seriados de todos os tempos.

A lista, como qualquer uma do gênero, suscita dúvidas.

Eu, como grande fã de Friends, acho que o 4º lugar geral atribuido ao seriado é injusto. A atração é uma das melhores em todos os tempos. Podia ser tranqüilamente Top 3 ou até a melhor de todas, primazia que coube a Seinfeld.

Como preferência não se discute...

Observe que há bastante seriados nacionais e muita coisa antiga. Mas numa lista que contempla Os Normais como a segunda melhor produção brazuca da lista (a primeira é Armação Ilimitada, sem dúvida à frente do seu tempo pela linguagem jovem, moderna e renovada), não se pode admitir que coisas bacanas como Plantão de Polícia estejam de fora.

Bem, aí está a lista:

100. Hart To Hart (Casal 20)
99. The A-Team (Esquadrão Classe A)
98. O Bem-Amado!
97. The Nanny
96. SWAT
95. Scrubs
94. My Name Is Earl
93. James West
92. Hawaii Five-O (Havaí 5-0)
91. Futurama
90. The Addams Family (A Família Addams)
89. Arrested Development
88. 21 Jump Street (Anjos Da Lei)
87. The 4400
86. O Vigilante Rodoviário
85. Cilada
84. Sanford And Son
83. A Família Trapo
82. Rin-Tin-Tin (As Aventuras de Rin Tin Tin)
81. CSI: NY
80. Kung Fu
79. Dawson’s Creek
78. All In The Family (Tudo Em Família)
77. Magnum, P.I. (Magnum)
76. Will & Grace
75. Bonanza
74. Carga Pesada
73. Monty Python’s Flying Circus
72. The Monkees (Os Monkees)
71. That ’70s Show
70. TV Pirata
69. Commissaire Maigret (Inspetor Maigret)
68. Monk
67. The Office (UK)
66. Mission: Impossible (Missão: Impossível)
65. Kojak
64. Law & Order
63. CSI: Miami
62. Ugly Betty
61. Law & Order: SVU
60. The Untouchables (Os Intocáveis)
59. Beverly Hills, 90210 (Barrados no Baile)
58. Nip/Tuck
57. Fantasy Island (A Ilha Da Fantasia)
56. The Man From UNCLE (O Agente da UNCLE)
55. Miami Vice
54. Alfred Hitchcock Presents (Alfred Hitchcock Apresenta)
53. Gilmore Girls
52. Grey’s Anatomy
51. Prison Break
50. Beavis and Butt-Head
49. Two And A Half Men
48. 3rd Rock From The Sun
47. Chips
46. National Kid
45. 30 Rock
44. Mary Tyler Moore
43. Desperate Housewives
42. The Six Million Dollar Man (O Homem De Seis Milhões de Dólares)
41. Land Of The Giants (Terra De Gigantes)
40. A Grande Família
39. MacGyver (Profissão: Perigo)
38. Absolutely Fabulous
37. Rome (Roma)
36. Os Normais
35. Curb Your Enthusiasm
34. Married… With Children (Um Amor de Família)
33. Weeds
32. The West Wing
31. The Office (US)
30. Moonlighting (A Gata E O Rato)
29. Columbo
28. ER (Plantão Médico)
27. The Time Tunnel (O Túnel do Tempo)
26. South Park
25. The Twilight Zone (Além Da Imaginação)
24. The Wonder Years (Anos Incríveis)
23. Heroes
22. I Love Lucy
21. Mash
20. Charlie’s Angels (As Panteras)
19. I Dream Of Jeannie (Jeannie É Um Gênio)
18. Six Feet Under (A Sete Palmos)
17. CSI
16. Batman
15. Star Trek (Jornada Nas Estrelas)
14. Bewitched (A Feiticeira)
13. The X-Files (Arquivo X)
12. Lost In Space (Perdidos No Espaço)
11. Armação Ilimitada
10. Get Smart (Agente 86)
9. The Simpsons (Os Simpsons)
8. House
7. 24 (24 Horas)
6. Sex And The City
5. The Sopranos (A Família Soprano)
4. Friends
3. Twin Peaks
2. Lost
1. Seinfeld

Kova já foi para casa

Às 12h30 (hora de Brasília), o finlandês Heikki Kövalainen recebeu alta médica do Hospital General de Cataluña, após o violento acidente sofrido no GP da Espanha neste domingo em Barcelona.

Submetido a um impacto de 26G (ele bateu a 220 km/h num espaço de 100 milisegundos), Kövalainen saiu queixando-se de dores fortes no cotovelo, de acordo com a equipe. Mas uma tomografia generalizada não constatou qualquer lesão interna ou fratura. O piloto teve apenas uma concussão craniana, que pode lhe ocasionar alguma tontura e vômitos nas próximas 48 horas, mas esta é uma reação considerada normal pelos médicos.

Como o espaço de tempo entre os GPs da Espanha e da Turquia é mais do que razoável, Kövalainen não corre o mesmo risco de Robert Kubica, que bateu ano passado no Canadá e não correu nos EUA, uma semana depois, sendo substituído por Sebastian Vettel.

Últimas de Le Mans: Aston confirma trios e lista de reservas só tem três carros


Atual campeã das 24 Horas de Le Mans na classe LMGT1, a Aston Martin, que neste ano presta uma homenagem à primeira vitória da Gulf na clássica prova francesa, há quatro décadas, confirmou hoje a formação dos dois trios de pilotos para os DBR9 que têm sido numerados como #007 e #009.

No primeiro carro, estarão dois pilotos que já passaram pela Fórmula 1 e inclusive foram companheiros na Sauber-Mercedes, não só na categoria máxima, como também no Mundial de Protótipos: Heinz-Harald Frentzen e Karl Wendlinger terão a companhia do veloz italiano Andrea Piccini, que já disputou a prova ano retrasado pela AMR.

O segundo Aston Martin da equipe Gulf reúne experts na pilotagem do carro: o australiano David Brabham, o espanhol Antonio Garcia e o escocês Darren Turner. Destes, o filho de Jack Brabham é o mais experiente em Le Mans, indo para a disputa de sua 15ª corrida.

Ao mesmo tempo, o Automóvel Clube do Oeste (ACO), organizador das 24 Horas, publicou uma nova lista de suplentes, contendo apenas e tão somente três carros:

R1 - #21 Epsilon Euskadi - Epsilon Euskadi ee01 Judd LMP1
R2 - #75 IMSA Performance Matmut - Porsche 997 GT3 RSR LMGT2
R3 - #88 Team Felbermayr-Proton - Porsche 997 GT3 RSR LMGT2

A Saulnier Racing já entrou como primeira da lista, pois a Tafel Racing caiu fora. As equipes IPB Spartak, Creation Autosportif, Spyker Squadron e Larbre Competition retiraram as inscrições de seus segundos carros. O ACO aceita substituições até o dia 23 de maio, quando sai a lista oficial dos 55 participantes dos treinos livres e classificatórios.

Roube com moderação?

Ricardo Divila, antenado com tudo, manda e-mail mostrando um interessante ranking. Em 2006, o Brasil conseguiu a classificação de "corrupção moderada" no Índice Global de Integridade.

De acordo com a reportagem de Carlos Tautz, o país leva à risca a chamada lei de Gérson - em referência mais do que explícita ao comercial do cigarro Vila Rica, onde o meio-campista (que era fumante notório) dizia para a câmera.

"Gosto de levar vantagem em tudo, certo?"

E nessa de "levar vantagem" é que o Brasil tem 73 de 100 pontos possíveis no ranking mundial da corrupção, levantado pelo Global Integrity Index.

O gráfico acima indica que os problemas mais graves de corrupção são dentro da sociedade civil e na administração política - haja visto o que acontece nas esferas executivas nas cidades, nos estados e principalmente em Brasília. Mas é interessante perceber que no ranking regional das Américas - Latina e do Norte - o Brasil está ligeiramente atrás da Argentina e bem distante do líder do continente, os EUA.
Como o índice se baseia no "quanto menos pontos, mais corrupção", nota-se que Guatemala e México estão piores do que nós.

Mas será? Com escândalos grassando por aqui desde o conturbado período de Collor como presidente, passando pelas manipulações de FH que acobertaram dezenas de inquéritos parlamentares e as bordoadas que todo mundo senta no governo do Lula, é possível que neste país se "roube com moderação"?

Eu não acredito em coelhinho da páscoa, você acredita?

domingo, 27 de abril de 2008

Iguais, pero no mucho


Olhem bem para a foto acima.

Quem consegue perceber uma diferença entre o carro do finlandês Kimi Räikönen e o do brasileiro Felipe Massa?

Será que isto influenciou no desempenho dos dois durante o fim de semana?

Aguardo respostas.

Discos que já ouvi antes de morrer (XIV) - Bayou Country / 1969


John Fogerty e Doug Clifford montaram os grupos The Visions e The Golliwogs antes de irem para o exército estadunidense. Quando saíram do serviço militar obrigatório, o irmão de Jon, Tom Fogerty e Stu Cook se juntaram a eles para montar o Creedence Clearwater Revival, que em 1968 gravou e lançou seu primeiro disco, auto intitulado, que continha os clássicos "I Put A Spell On You" e "Susie Q" .

O segundo trabalho é ainda melhor. Bayou Country é irresistível. Puro rock and roll do Mississipi, resvalando no blues de raiz e na música country. Nada mais lógico que o álbum tenha como título uma referência aos alagados que vão do Texas à Louisiana e também aos nativos Cajun e Creole, da região.

Interessante é saber que John Fogerty de sulista nada tem. Ele é da Califórnia, mas isto em nada empana o brilho do CCR. O álbum Bayou Country é repleto de grandes músicas, a começar pela faixa título, "Born On The Bayou", passando por uma versão revisitada e acelerada de "Good Golly Miss Molly", clássico cantado por Little Richard nos anos 50.

"Proud Mary", porém, é o primeiro single que leva os quatro rapazes ao estrelato. Não foi à toa que o jornalista Dave Marsh, em artigo escrito há quase 30 anos, colocou o Creedence como a melhor banda de singles dos EUA. É bem possível que tenha sido, pois a partir daí, foram mais outros sete trabalhos vendidos no formato que renderam ao CCR sete discos de ouro e platina pelos dois anos e meio seguintes.

Ficha técnica de Bayou Country
Selo: Fantasy / PolyGram
Produção: John Fogerty
Gravado nos estúdios RCA em Los Angeles, no segundo semestre de 1968
Tempo total: 34'05"

Músicas:

1. Born On The Bayou (Fogerty)
2. Bootleg (Fogerty)
3. Graveyard Train (Fogerty)
4. Good Golly Miss Molly (Robert Blackwell / John Marascalco)
5. Penthouse Pauper (Fogerty)
6. Proud Mary (Fogerty)
7. Keep On Chooglin' (Fogerty)

IMPRESSIONANTE!

Já tem no Youtube o acidente monumental de Stéphane Ortelli nos 1000 km de Monza. Imagens retiradas da televisão tcheca.



O acidente é assustador! E é impressionante que Ortelli, de 38 anos de idade, tenha tido apenas um tornozelo fraturado. As chances deste carro ser reconstruído para os 1000 km de Spa, daqui a duas semanas, são mínimas. E a participação do piloto nas 24 Horas de Le Mans corre riscos.

O invicto

O protótipo Peugeot 908 HDi FAP permanece invicto na Le Mans Series. Hoje, com 44 carros no grid, foi disputada a 2ª corrida do campeonato, os 1000 km de Monza. E se na primeira corrida, deu Gené / Minassian, hoje foi a vez de Pedro Lamy / Stéphane Sarrazin faturarem o troféu de campeões - e com alguma dificuldade, visto que o Audi R10 TDi de Mike Rockenfeller / Alexandre Prémat não lhes deu trégua ao longo de 173 voltas. Tanto que a dupla franco-alemã chegou meros 47"672 atrás, uma diferença considerada pequena para uma prova longa.

O passeio dos carros turbodiesel foi grande no circuito transalpino, pois o 3º colocado, o Pescarolo Judd de Harold Primat / Christophe Tinseau chegou em terceiro a quatro voltas do vencedor, mas com apenas 2"113 de frente para o Creation AIM de Stuart Hall / Robbie Kerr. Hall guiou por dois terços da prova e foi um dos grandes destaques da competição.

Minassian / Gené, apesar dos problemas iniciais, salvaram um bom quinto lugar, adiante do Audi de McNish / Capello, que chegou em sexto. A Rollcentre Racing marcou mais dois pontos na divisão LMP1, com Vanina Ickx / Duncan Tappy.

Entre os abandonos desta divisão, o mais marcante foi o do Courage Oreca de Soheil Ayari / Stéphane Ortelli, com este último ao volante. Com pouco mais de 4 horas de prova e 147 voltas de prova completadas, o piloto francês perdeu o controle do protótipo em razão de uma quebra, não acertou o Audi de Allan McNish por um triz e capotou inacreditáveis sete vezes antes de se destruir por completo. Motor e câmbio foram para um lado e a célula de sobrevivência pro outro.

Ortelli sofreu fratura de tornozelo, dificilmente correrá em Spa daqui a duas semanas e sua presença nas 24 Horas de Le Mans já é tida como incerta.

Na classe LMP2, o Porsche RS Spyder do Team Essex comandou a trifeta na divisão. John Nielsen / Casper Elgaard venceram com 26"582 de vantagem para Jos Verstappen / Peter Van Merksteijn, que permanecem líderes do campeonato. Jan Lammers / Fredy Lienhard / Didier Theys fecharam um glorioso pódio para a marca alemã.

Thomas Erdos fez o que pôde com o Lola AER EX265 da equipe RML e foi quarto colocado na categoria, 11º na geral. Warren Hughes e Mário Haberfeld conseguiram fazer quilometragem com o Embassy Zytek WF01. Deram 155 voltas e terminaram na 18ª posição geral, oitavo na classe.

A vitória na divisão LMGT1 foi do Aston Martin DBR9 do Team Modena, com Antonio Garcia / Tomas Enge completando a prova em 15º na geral, e com apenas 12"254 de vantagem para o Vette de Beretta / Moreau / Goueslard, com quem a dupla do time britânico brigou o tempo todo. O outro Vette da Alphand chegou em terceiro e o Lambo da IPB Spartak fechou em quarto. Só estes carros participaram da prova na classe.

E na LMGT2, a Virgo Motorsport não teve vez. A vitória na pista foi do Porsche 997 GT3 RSR da IMSA Performance Matmut, numa ótima prestação de Richard Lietz / Raymond Narac. Porém, numa "canetada" dos comissários, a dupla foi desclassificada dos 1000 km de Monza. O Porsche de Lars-Erik Nielsen / Allan Simonsen / Richard Westbrook, com excelente performance deste último, herdou então a vitória. A Ferrari de Kaffer / Ehret ficou em segundo no grupo, com um carro igual, de Aucott / Daoudi, ficando na terceira posição.

Resultado dos 1000 km de Monza por categorias:

LMP1

1. Pedro Lamy / Stéphane Sarrazin
Peugeot 908 HDi FAP - 173 voltas em 4h59min07s955, média de 201,019 km/h

2. Mike Rockenfeller / Alexandre Prémat
Audi R1o TDi - 173 voltas em 4h59min55s627

3. Harold Primat / Christophe Tinseau
Pescarolo P01 Judd - 169 voltas em 5h00min03s494

4. Stuart Hall / Robbie Kerr
Creation CA07 AIM - 169 voltas em 5h00min05s607

5. Marc Gené / Nicolas Minassian
Peugeot 908 HDi FAP - 167 voltas em 5h00min09s299

6. Dindo Capello / Allan McNish
Audi R10 TDi - 166 voltas em 4h59min16s721

7. Duncan Tappy / Vanina Ickx
Pescarolo P01 Judd - 166 voltas em 5h00min52s107

8. Jan Charouz / Stefan Mücke
Lola B08/60 Aston Martin - 155 voltas em 5h00min35s416


LMP2

1. Casper Elgaard / John Nielsen
Porsche RS Spyder - 165 voltas em 4h59min12s189, média de 191,678 km/h

2. Jos Verstappen / Peter Van Merksteijn
Porsche RS Spyder - 165 voltas em 4h59min38s771

3. Jan Lammers / Fredy Lienhard / Didier Theys
Porsche RS Spyder - 164 voltas em 5h00min13s240

4. Thomas Erdos / Mike Newton
MG Lola EX 265 AER - 164 voltas em 5h00min38s185

5. Pierre Ragues / Matthieu Lahaye
Pescarolo P01 LMP2 Judd - 163 voltas em 4h59min38s025

6. Jean de Pourtales / Hideki Noda
Lola B06/43 Mazda - 162 voltas em 4h59min37s631

7. Miguel Pais do Amaral / Olivier Pla
Lola B05/40 AER - 161 voltas em 4h59min18s955

8. Mário Haberfeld / Warren Hughes
Embassy WF01 Zytek - 155 voltas em 4h59min26s525


LMGT1

1. Antonio Garcia / Tomas Enge
Aston Martin DBR9 - 159 voltas em 5h00min09s959, média de 184,116 km/h

2. Olivier Beretta / Patrice Goueslard / Guillaume Moreau
Corvette C6-R - 159 voltas em 5h00min22s213

3. Jean-Luc Blanchemain / Sébastien Dumez / Patrice Manopoulos
Corvette C6-R - 155 voltas em 5h00min47s853

4. Roman Rusinov / Peter Kox
Lamborghini Murciélago GT-R - 153 voltas em 4h59min33s638


LMGT2

1. Lars-Erik Nielsen / Allan Simonsen / Richard Westbrook
Porsche 997 GT3 RSR - 151 voltas em 5h00min22s576, média de 174,734 km/h

2. Pierre Ehret / Pierre Kaffer
Ferrari F430 - 151 voltas em 5h00min48s151

3. Ben Aucott / Stéphane Daoudi
Ferrari F430 - 150 voltas em 4h59min25s513

4. Andrea Chiesa / Benjamin Leuenberger
Spyker C8 Laviolette GT2 - 147 voltas em 5h00min42s381

5. Peter Kutemann / Mauro Casadei / Maurice Basso
Ferrari F430 - 146 voltas em 4h59min31s119

6. Alex Davison / Marc Lieb
Porsche 997 GT3 RSR - 141 voltas em 5h00min41s998

7. Paul Daniels / Markus Palltala / Tim Sudgen
Porsche 997 GT3 RSR - 135 voltas em 5h00min53s334

Procissão veloz


Muito pouca coisa pode ser dita de uma corrida chatíssima como o GP da Espanha deste domingo, em Barcelona. Kimi Räikkönen construiu sua segunda vitória no campeonato no treino de classificação, superando Alonso no último suspiro para marcar a pole position. Com 50% do caminho percorrido, o atual campeão mundial fez tudo certo nas 66 voltas da corrida.

Felipe Massa, que fechou a dobradinha ferrarista, fez o que lhe foi possível. Passou Alonso na largada e conservou a posição até o final. Nunca teve possibilidade de alcançar o finlandês, embora tenha virado voltas bastante rápidas. E no final, com as variantes de aderência e o tráfego dos retardatários, ele teve que suar dentro do macacão para se manter à frente de Lewis Hamilton e Robert Kubica, que chegaram muito próximos dele.

O autódromo, que nos últimos cinco anos ficou absolutamente lotado em razão da Alonsomania, recebeu um bom público, que certamente ficou contente com o extraordinário 2º tempo de Alonso no treino. Mesmo "jogando pra galera", o asturiano mostrou que ainda é um grandíssimo piloto. Largou com o carro bem mais leve (quatro voltas de combustível a menos), sustentou a terceira posição e poderia ter marcado pontos se o motor não quebrasse.

Com duas entradas de Safety Car, a corrida proporcionou um grande susto: o acidente de Heikki Kövalainen, no primeiro terço de prova, em razão provavelmente do estouro repentino do pneu dianteiro esquerdo a mais de 220 km/h. O finlandês colidiu com uma barreira de pneus, o atendimento foi demorado, mas o piloto já foi trasladado a um hospital para exames mais detalhados. Espera-se que ele esteja fora de perigo e com o mínimo possível de lesões.

Para os outros brasileiros, a corrida foi pra esquecer. Nelson Ângelo Piquet, que fez seu melhor treino do ano, se envolveu em dois incidentes e deixou cedo a corrida. Rubens Barrichello, que segundo suas estatísticas igualou o recorde de corridas de Riccardo Patrese, também teve problemas e não completou.

As notas dos pilotos no GP da Espanha:

Räikkönen - Eficiente corrida do finlandês, que resolveu metade do resultado com a pole nos treinos. Na corrida, pilotou com tranqüilidade, administrando a vantagem e pisando forte quando foi preciso. Uma corrida digna do número 1 estampado na carenagem de seu carro. Nota 10

Massa - Fez uma excelente largada e com isso conseguiu a 2ª posição antes da primeira curva, superando Alonso. Sem nenhuma chance de atacar e passar Räikkönen, exceto por um erro do finlandês, uma quebra ou um erro no box, o brasileiro conservou-se rápido na pista e conseguiu um bom segundo lugar. Nota 8,5

Hamilton - O britânico que começou tão bem o campeonato segue se ressentindo de um carro mais competitivo. Hoje dá pra dizer que a McLaren está bem atrás da Ferrari e ligeiramente superada pela BMW. Lewis fez uma boa corrida, ultrapassou Kubica na largada e chegou a mais um pódio no ano. Nota 8

Kubica - Sem tanto brilhantismo quanto na Malásia e no Bahrein, o polonês somou cinco preciosos pontos na Espanha, o que mantém a BMW na briga pela ponta no Mundial de Construtores. Foi superado por Hamilton logo no início e não teve chances de recuperar a posição. Nota 8

Webber - É outro piloto em 2008. Faz menos "brilharecos" nos treinos, tem sido consistente e rápido em corridas e vem marcando pontos com regularidade. Vai ganhando uma boa sobrevida no seio da equipe RBR. Nota 8

Button - Excelente corrida do companheiro de Barrichello. Com paciência e regularidade, e sem ninguém a atrapalhar seu trabalho durante a corrida, somou os primeiros três pontos da Honda na temporada 2008, tirando a equipe de uma possível crise. Nota 8

Nakajima - Na primeira pista que conhecia dos testes da pré-temporada, fez uma corrida muito boa. O japonês também mostrou consistência e regularidade. Não cometeu nenhum erro ao longo da corrida e com alguns abandonos, foi premiado com o sétimo lugar. Nota 7,5

Trulli - Ficou devendo depois do bom resultado no treino classificatório. Precisou parar três vezes e por isso não conseguiu terminar entre os seis primeiros. Pelo menos salvou um precioso pontinho para ele e a Toyota. Nota 6

Heidfeld - Entrou nos boxes quando estavam fechados e foi punido com time penalty de 10 segundos. Pelo menos saiu com luz verde quando cometeu a infração, escapando da desclassificação. Depois, lutou muito para conseguir uma ultrapassagem sobre a Force India de Fisichella. Com tanto tempo perdido, só chegou em nono. Nota 5

Glock - O alemão vinha bem, mas foi otimista demais numa tentativa de ultrapassagem sobre Coulthard. Com o bico quebrado, também precisou de um pit stop extra. Acabou mais uma vez fora da zona de pontos. Nota 5

Fisichella - O experiente piloto italiano deu trabalho no pelotão intermediário. Chegou a andar na zona de pontuação antes da segunda parada e foi um osso duríssimo para Heidfeld numa disputa por posição. Vai dando regularidade e desenvolvendo bem o carro da Force India. Nota 6

Coulthard - Desta vez, não teve culpa no acidente com Timo Glock. Tentou defender sua posição e acabou tocado pelo alemão. Com o pneu traseiro esquerdo arrebentado, fez também um pit extra e no final, conseguiu uma boa ultrapassagem sobre Takuma Sato. O tempo do escocês na Fórmula 1 está praticamente esgotado. Nota 5

Sato - Conseguiu o milagre de terminar a corrida com o carro da pré-falimentar Super Aguri. Mesmo com o pior carro da Fórmula 1, anda forte e não raro aparece entre os 10 primeiros nos períodos de reabastecimentos. Mas depois volta ao normal: último entre os que terminam. Nota 5

Rosberg - O alemão da Williams não brilhou tanto nos treinos, mas fez uma boa corrida até o motor Toyota o trair, explodindo em plena reta dos boxes. Nota 6

Alonso - Foi simplesmente brilhante na classificação, treinando com o carro bem leve para conquistar a pole position e fazer bonito para a torcida. Superado por Räikkönen no último instante, o bicampeão mundial largou em segundo mas perdeu a posição para Massa antes da primeira curva. Andou bem, dentro das limitações do carro, até quebrar. Mas a fase não é boa: a Renault nem de longe tem capacidade de lhe fornecer um equipamento à altura do seu grande talento - que está lá, escondidinho esperando por um bom carro. Nota 8

Barrichello - Na corrida onde supostamente igualou o recorde de 256 GPs disputados, que pertencia a Riccardo Patrese, não largou bem, mas conseguiu chegar até o sexto lugar, quando o Safety Car entrou na pista em razão da batida de Kövalainen. Depois, se envolveu num estranhíssimo incidente na sua segunda parada de box, quando o bico quebrou. Voltou à pista, mas abandonou depois. Nota 5

Kövalainen - Largou em sexto, vinha bem e liderava antes do seu pit stop até ser traído por um estouro repentino do pneu dianteiro esquerdo. Bateu forte e precisou de atendimento médico ainda na pista. Foi transportado a um hospital onde será examinado com maiores detalhes, em busca de possíveis fraturas. Pelo menos está consciente e em estado estável. Nota 6

Davidson - Pouco fez com a precária Super Aguri. Largou em penúltimo, pegou as sobras do acidente entre Piquet e Bourdais e com o carro danificado, desisitiu. Nota 3

Bourdais - Conseguiu passar com o STR para a Q2, mas largou mal e vinha tentando se recuperar quando dividiu uma curva com Piquet e a suspensão dianteira esquerda quebrou. Nota 4

Piquet - Vinha num ótimo fim de semana até antes da largada. Depois, quando a corrida começou, o azar tomou conta do piloto brasileiro. Numa curva, saiu reto e caiu para antepenúltimo. Quando vinha para ultrapassar Bourdais, tocou rodas com o francês e não pôde mais voltar. Nota 4

Sutil - Precipitou-se ao ultrapassar um adversário na quarta curva do circuito, rodou e foi acertado em cheio por Vettel. Nota 1

Vettel - Classificou-se mal de novo e na corrida, nada pôde fazer. "Comprou pronta" a rodada de Sutil e acertou o compatriota, quebrando a suspensão e o bico da STR, que aposenta de forma melancólica o carro do ano passado. Nota 1