domingo, 23 de março de 2008

Chocolate finlandês



A Páscoa para Kimi Räikkönen e a Ferrari será de muito chocolate. Nesta madrugada brasileira, o piloto finlandês igualou o lendário Stirling Moss e alcançou, na mesma pista onde venceu pela primeira vez na Fórmula 1, há cinco anos, a décima-sexta vitória da carreira. E com um desempenho que fez jus ao número 1 que ele carrega pintado em seu carro vermelho.

É ocioso dizer que na primeira parte da prova, ele se limitou a controlar a distância para o pole position e companheiro de equipe, Felipe Massa. Mas quando o brasileiro fez sua primeira parada, o finlandês já tinha preparado o bote: em uma volta, quebrou os cronômetros, entrou nos boxes, fez uma parada super rápida e quando saiu, já era o novo líder da corrida.

Se isto desestruturou a confiança de Massa diante de Räikkönen, ainda não sabemos. Certo é que o brasileiro, já com uma desvantagem perto de 5 segundos, errou sozinho, atolou na caixa de brita e pela segunda vez seguida ficou sem ponto no campeonato. E como no ano passado venceu o Mundial de Pilotos aquele que justamente errou menos, o brasileiro vai dando munição aos seus detratores, que até já o apelidam de "Nigel Massa", comparando-o a Nigel Mansell por sua incontida e improdutiva dose de agressividade.

Daí pra diante, o "chocolate" nórdico se consumou na pista, o que abriu caminho para o ótimo (aliás, mais um) 2º lugar da BMW Sauber, agora com Robert Kubica - que superou hoje o melhor resultado pessoal da carreira. Diga-se de passagem, o polonês, que é a cara do personagem "Timmy" do desbocado desenho South Park, acelera uma barbaridade e é uma das grandes promessas da Fórmula 1 para o futuro.

Tanto quanto Heikki Kövalainen, que nos resultados ao longo do fim de semana foi quase sempre superior a Lewis Hamilton e pescou seu primeiro pódio pela McLaren. Hamilton, por sinal, limitou-se a levar o carro aos pontos depois de prejudicado não só pela justa punição imposta pelos comissários diante do bloqueio acintoso aos carros de Heidfeld e Alonso ao fim da superpole do sábado: ele também teve problemas na primeira parada, quando a roda dianteira direita demorou uma eternidade para sair, e também com a férrea resistência do australiano Mark Webber, que salvou dois pontos para a RBR.

De resto, a realçar também a ótima corrida de Jarno Trulli, mostrando que a Toyota parece ter entrado nos trilhos do bom desempenho. Nick Heidfeld foi bem mais discreto que na Austrália e Fernando Alonso, sempre consistente, pescou mais um pontinho com o ainda deficiente carro da Renault.

Nelson Ângelo Piquet apagou a estréia decepcionante da Austrália com uma boa atuação na Malásia. Foi o piloto que mais quilometragem cumpriu durante todo o fim de semana - e o mais importante: sem errar. Virou tempos bastante próximos aos de Alonso tanto em treinos quanto na corrida e só uma estranha tática de duas paradas, mesmo tendo feito a primeira quase na metade da prova, o colocou em 11º. Um aprendizado longo, mas ele terá tempo e um sobrenome de grande pedigree a acompanhá-lo em sua trajetória na F-1.

Em contrapartida, a performance de Rubens Barrichello foi uma desilusão, se comparada ao que ele fez semana passada na Austrália. Largou no meio do bolo, não andou bem com o carro muito pesado, ainda foi "premiado" com um drive-through por excesso de velocidade nos boxes (as coisas andam mal na Honda...) e depois saiu da pista na última volta. O 13º lugar foi o máximo que pôde alcançar.

Feliz Páscoa a todos e até o Bahrein!

As notas dos pilotos no GP da Malásia:

Räikkönen - portou-se como um autêntico campeão do mundo. Não se abalou com a liderança de Massa nas primeiras voltas e quando teve a chance, acelerou, parou, passou e só foi visto pelos outros pilotos no pódio - nota 9,5

Kubica - o polonês é do ramo. Com um carro bem mais pesado que o do companheiro de equipe Nick Heidfeld, andou rápido o tempo inteiro e fez uma corrida muito tranqüila. O erro de Massa lhe proporcionou o melhor resultado da carreira - nota 9

Kövalainen - é outro que vai dar muito trabalho em 2008. Durante quase todo o fim de semana, adaptou-se melhor ao McLaren e foi mais rápido que Lewis Hamilton tanto nos treinos quanto na corrida. Seu bom desempenho refletiu-se no resultado final. Não fosse a punição dos comissários no sábado e a história talvez fosse outra - nota 9

Trulli - foi o melhor representante da "velha guarda" em todo o fim de semana. Surpresa positiva na classificação, andou muito bem a corrida inteira. O italiano vai colocando a Toyota num bom caminho e queimando a língua (inclusive a minha) de quem disse que este ano seria de mera figuração - nota 8,5

Hamilton - o líder do campeonato e vencedor na Austrália foi uma pálida sombra do piloto brilhante do fim de semana passado. É verdade que foi prejudicado por uma parada ruim e ficou preso atrás de um piloto mais lento. Mas para quem quer ser campeão, ficar atrás do companheiro de equipe recém-chegado não é um ponto positivo para suas pretensões - nota 6

Heidfeld - foi discreto e constante com a BMW. Mas proporcionou aos olhos dos telespectadores a manobra de ultrapassagem mais bonita do domingo, superando numa só tacada a RBR de Coulthard e a Renault de Alonso - nota 6,5

Webber - boa corrida do australiano. Com um carro visivelmente limitado em relação à McLaren de Hamilton, teve o mérito de se manter na frente do britânico sempre que andaram juntos. Depois da segunda parada, seu rendimento caiu - nota 6,5

Alonso - conseguiu mais um pequeno milagre com o apenas mediano Renault R28. Dentro das limitações do seu equipamento, andou o máximo que podia e foi premiado com mais um ponto. De grão em grão, lá vem o bicampeão - nota 7

Coulthard - desta vez não houve suspensões quebradas ou colisões que o prejudicassem. Foi bem no começo, mas sofreu do mesmo problema de Webber. Com pneus duros, o rendimento do RBR não foi o mesmo - nota 5,5

Button - só andou bem em alguns treinos livres. Na qualificação ficou devendo e na corrida, mais ainda. Teve o mérito de levar o Honda até o final - nota 5

Piquet - superou muito bem a péssima estréia na Austrália, ganhando quilometragem, constância e principalmente confiança em ritmo de corrida. Virou voltas bem próximas as de Fernando Alonso, o que numa comparação futura, é bastante positivo. E não tomou volta do líder. Deve ir com ânimo ainda maior para a corrida do Bahrein - nota 6,5

Fisichella - o experiente italiano carregou o Force India nas costas. A 12ª posição é até um milagre para uma equipe recém-constituída e que não tem a força das demais equipes médias, exceto em seu nome de batismo - nota 5

Barrichello - depois da estréia promissora do novo Honda na Austrália, o brasileiro ficou devendo. Largou no bolo, perdeu posições com o carro muito pesado e numa parada de box, foi punido com drive-through. Ainda comprou um lote no final da prova e o jejum de pontos do piloto já vai para 518 dias - nota 4,5

Rosberg - outra grande decepção do fim de semana. Classificou muito abaixo do que seu carro prometia e na primeira volta bateu em Timo Glock. Limitou-se a cumprir a corrida até o fim - nota 4

Davidson - com a carroça que tem em mãos, faz muito em completar uma corrida. Quando chega na frente do companheiro de equipe, tem que comemorar. Se dois pilotos terminam atrás do britânico, é caso de abrir champanhe - nota 5

Sato - decididamente é mais rápido do que o fraco carro da Aguri pode lhe proporcionar. Fez uma excursão na brita e mesmo assim terminou a corrida - nota 4,5

Nakajima - assim como Rosberg, não foi bem nos treinos de classificação. Na corrida, não foi pego fazendo nenhuma bobagem, mas no fim seu carro estava muito lento e ele foi o último entre os que completaram - nota 4,5

Vettel - o promissor alemão também não foi sombra do que prometia na Austrália. Foi discreto, mas andou bem, sem qualquer erro, até o motor Ferrari de sua STR quebrar - nota 5,5

Massa - duas corridas, dois erros. Zero ponto no campeonato e a confiança abalada. Se existe alguém que urge conquistar resultados o mais rápido possível, este é Felipe Massa. Caso contrário, perderá a briga interna pelo status de primeiro piloto na Ferrari, dando munição aos detratores que o têm como um piloto apenas rápido e muito inconstante - nota 4

Sutil - atuação pouco produtiva. Mal nos treinos e na corrida, o alemão é um dos que mais sente a diferença entre os carros com e sem eletrônica. É outro que precisa de bons resultados logo, pois a sombra do piloto de testes Vitantonio Liuzzi vai crescendo diante dele - nota 2

Glock - o alemão da Toyota foi muito bem na classificação, mas na corrida nada pôde fazer. Foi acertado por Nico Rosberg numa tomada de curva e seu carro ficou danificado. Pelo que o carro tem demonstrado nas primeiras corridas, marcar pontos para ele será apenas questão de tempo - nota 4

Bourdais - continua devendo no quesito classificação. E nesta corrida, foi outro que pouco - ou nada - pôde fazer, pois perdeu o carro numa tomada de curva, rodando e dando adeus à corrida antes do fim da primeira volta - nota 3

4 comentários:

Alan disse...

decepcionado com o Massa...rs

Deivison disse...

Corrida Chata
e o Massa pra mim é o Pior piloto até agora de 2008!

Gustavo Castro disse...

O Massa só tá comprovando que não é um piloto campeão, e o Räikkönen comprovou que é atualmente o melhor piloto do grid.

Anônimo disse...

Quem saiu da pista não foi o Button??