terça-feira, 30 de outubro de 2007

25 anos da F-2 sudam: você sabia?

Dezessete de outubro de 1982. Há mais de 25 anos, portanto, no circuito gaúcho de Tarumã (sempre esse autódromo pioneiro!), realizou-se a primeira de duas corridas experimentais do Campeonato Sul-Americano de Fórmula 2. Com 30 mil presentes nas arquibancadas e em volta do traçado e 23 competidores na pista, Alberto Scarazzini largou na pole position e o vencedor naquela ocasião foi Miguel Angel Guerra - que um ano antes estava na Fórmula 1 com a escuderia italiana Osella.

Os brasileiros participaram com os mesmíssimos carros que disputavam a F-2 daqui, derivada da Supervê extinta em 1980 e com motores movidos a álcool. Treze deles alinharam: Pedro Muffato, Ronaldo Ely, Chico Feoli, Adú Celso, Leonel Friedrich, Cézar Bocão Pegoraro, Aroldo Bauermann, Victor Marrese e Josué de Melo Pimenta, estes com o modelo Muffatão e motor Passat; Dárcio dos Santos, com Heve Passat; Mauro Fauza e Arthur Bragantini com os antediluvianos Polar Volkswagen.

Vieram dez outros pilotos de três países sul-americanos, todos usando o modelo Berta (do qual foi derivado o Muffatão), com motores Dodge 1500 ou Renault - os argentinos Alberto Scarazzini, Miguel Angel Guerra, Guillermo Maldonado, Guillermo Kissling, Juan Fangio II - sobrinho do mito Juan Manuel Fangio, Luiz Rúben di Palma - grande rival de Luizinho Pereira Bueno no Torneio Sudam de Protótipos, com o lendário Berta Tornado - e Gustavo Sommi; os uruguaios Egon Einoder e José Pedro Passadore; e o chileno Santander.

Ainda nesse mesmo ano houve uma prova em Buenos Aires, na qual - se me lembro bem - veio o estadunidense Bobby Rahal, que já era uma estrela da CART, e Arthur Bragantini, até quebrar, brilhou com um monoposto cedido por Miguel de Guidi, que junto com Oreste Berta era um dos maiores preparadores do automobilismo argentino na época.

Em 1983, mesmo com toda a disparidade técnica entre os monopostos deles e os nossos, organizou-se um Campeonato Sul-Americano que teve situações interessantíssimas, como um treino em Interlagos sob chuva onde os brasileiros (de pneu Pirelli) deitaram e rolaram em cima dos gringos, calçados com pneus Fliter - de qualidade inferior. Mas na corrida, com pista seca, não deu outra: vitória de um piloto argentino (não me lembro qual), embora Marcos Troncon, com um Heve, tenha dado muito trabalho.

No ano seguinte, com os grids minguando, a F-2 Brasil chegou ao fim e o sul-americano persistiu pelos anos seguintes com Guillermo Maldonado levando todas as taças de campeão. As únicas vitórias de pilotos brasileiros nesse período até 1986 foram de Raul Boesel (em Jacarepaguá e com equipamento argentino) e Leonel Friedrich, este sim correndo com o Muffatão Passat e levando a torcida em Tarumã ao delírio.

Lembro bem também das fotos que vi na Auto Esporte do acidente monumental do Marcos Troncon em Punta del Este, no Uruguai, onde ele arrebentou seu Heve numa casa. Acredito que isto tenha sido em 1985 e quem era casada com ele nesta época é uma colega de profissão: Monika Leitão, que trabalha na produção do Esporte Espetacular.

Em 87, veio a tentativa de equiparação com o que acontecia de mais moderno no mundo, e surgiu então a Fórmula 3 sul-americana. Entre dezenas de modelos Berta, todos já com mecânica importada, vieram um Dallara - trazido por Gustavo Sommi e um Reynard - com a equipe Ge.Mo.Uruguaya, com José Pedro Passadore. A primeira prova foi ganha por Leonel Friedrich, com um Berta da equipe de Mario Biagini. O pelado (calvo), como o piloto gaúcho era conhecido, levou o título na raça, na garra, numa etapa dramática em Córdoba, num circuito de rua.

Depois disto, as decisões polêmicas de título foram uma constante: Juan Giacchino (88), Gabriel Furlán (89), Christian Fittipaldi (90) e principalmente Fernando Croceri (93) tiveram suas conquistas manchadas por escândalos e manobras de bastidores onde em sua grande maioria os argentinos tiveram sua parcela de culpa.

Apesar disto, a categoria teve uma incrível vocação para revelar bons pilotos, mesmo misturados a veteranos como Pedro Muffato, que correu nela até os 54 anos.

Jaime Melo Jr., Ricardo Zonta, Hélio Castroneves, Max Wilson, Cristiano da Matta, Vítor Meira, Bruno Junqueira, Duda Pamplona, Lucas di Grassi, os gêmeos Ricardo e Rodrigo Sperafico, Thiago Medeiros, Nelson Ângelo Piquet, entre tantos outros, formaram uma geração que conquistou títulos e vitórias no automobilismo internacional.

Hoje a F-3 está à míngua como a única alternativa de monoposto não só no Brasil como em todo o continente, num certame que desde o ano passado só conta com a presença de equipes brasileiras. O último piloto argentino a correr lá foi Pablo Pérez, que ao tentar a sorte este ano na Indy Pro Series, sofreu um mega acidente em Homestead e não se sabe sequer se voltará ao automobilismo.

O mais recente campeão, Clemente de Faria Jr., pretende iniciar carreira na Europa, para onde migrou o baiano Luiz Razia, o melhor do campeonato do ano passado.

O início, o fim, o meio

Kimi Räikkönen começa a colher os frutos do inesperado título mundial de Fórmula 1. O piloto finlandês de 28 anos se vê como o quarto esportista mais bem-pago do planeta, na lista recém-divulgada pela revista estadunidense Forbes. À frente do nórdico, somente os golfistas Tiger Woods (o primeirão) e Phil Mickelson (terceiro colocado), além do boxeador Oscar de la Hoya, que ficou em segundo.

Enquanto isso, Rubens Barrichello começa a figurar numa especulação que pode ter alguma validade. Depois de uma pífia temporada, a pior de sua carreira, o veterano piloto brasileiro caminha para se transformar em mais um típico exemplo de Móveis & Utensílios da Fórmula 1. É que a Honda cogita repassá-lo para a prima pobre, a Super Aguri. E olha que ele tem mais um ano de contrato com a montadora nipônica. Seria o fim?

Fernando Alonso não sabe para onde vai. Está no meio de um furacão que envolve o bicampeão em 2005/2006 em "negociações" com diversas equipes: Renault, Toyota, Williams, BMW e agora a Red Bull. Nada mais impossível: a empresa de Dietrich Mateschitz pode arrebentar os cofres e oferecer ao asturiano garantias de primeiro piloto absoluto, mesmo com Webber e Coulthard já de contrato renovado para 2008. O problema é que os carros feitos por Adrian Newey são rápidos, mas quebram demais.

E aí... para onde irá o asturiano?

2014

Uma escolha óbvia: o Brasil acaba de receber da FIFA o direito de sediar uma Copa do Mundo, 64 anos depois da primeira. Mas em 1950, foi outra história: a entidade que gere o futebol hoje é séria e não admite que um país candidato não cumpra as exigências.

E entre tais exigências, como se vê desde por exemplo o evento da Itália em 1990, são estádios seguros, com capacidade superior a 30 mil lugares, com bom acesso aos torcedores, boas condições de transporte, segurança e ingressos numerados e marcados.

Faltam seis anos e sete meses para a Copa e não vemos isso aqui. Não há estádios seguros. Temos alguns com a capacidade mínima exigida pela FIFA, mas a maioria deles tem acessos e instalações deficientes, segurança débil e condições de transporte pífias. Sem contar que ingresso marcado é utopia. Afinal, pra que estatuto do torcedor num país onde um dos maiores clubes é campeão com dinheiro ilícito, como o Corinthians em 2005?

Eu gosto de futebol, sou tricolor, amo meu clube. Mas sou cético quanto à organização desta Copa. E a FIFA espera que tudo - ou praticamente tudo - esteja pronto um ano antes, em 2013.

É que nessa época será disputada a Copa das Confederações, como evento-teste para a Copa do Mundo. E nada pode dar errado.

Agora, cá pra nós... presidente Lula... que gafe hein? Quem nos fez chorar em 1986 não foi Michel Platini.

Foi Luiz Fernandez, um quase-obscuro jogador de origem basca que cobrou o pênalti que nos eliminou da Copa do México em 21 de junho daquele ano.

Porém, duas alfinetadas do chefe de estado foram ótimas: a primeira ao dizer que Beckenbauer só não podia ser comparado a Pelé. E a segunda, é que a Argentina não vai ganhar a Copa de jeito nenhum.

Argentina que, aliás, recusou o convite para jogar o evento de 1950.

Clip da semana - "Inside Love"



Nascido em Pittsburgh, nos EUA, George Benson é ainda um dos melhores guitarristas de jazz de todos os tempos. Em grande forma, brindou-nos com hits do naipe de "Gimme The Night", a fantástica "On Broadway" e a romântica (por vezes melosa) "In Your Eyes", sem contar "Masquerade" e outros tantos sucessos.

Não raro acontecia o seguinte nas transmissões da Nascar em 2003: nosso bravo locutor Sergio Mauricio confundia o piloto Johnny Benson com o músico e aí com uma boa dose de humor, eu citava o George como um craque da guitarra e algumas de suas músicas. Ficava divertido.

Em 1985, por ocasião do primeiro Rock In Rio, Roberto Medina e a Artplan o trouxeram para a noite em que ele dividiu o palco com Ivan Lins, Al Jarreau e James Taylor. A imensa platéia o recebeu com carinho e ficou deliciada com a técnica de Benson, seu carisma e a brincadeira inconfundível de imitar o fraseado de sua guitarra com a voz.

Como na música aqui acima - "Inside Love".

segunda-feira, 29 de outubro de 2007

Os bons tempos da F-Ford



A Fórmula Ford, entre 1971 e 1996, passou por crises, fases de grids vazios, mas cumpriu fielmente o seu papel de categoria-escola em que pese o acachapante domínio de pilotos como Arthur Bragantini e Egon Herzfeldt nos anos 70 e 80. Juliano Moro, hoje na Stock Car, foi o último campeão e há onze anos ausente das nossas pistas, a F-Ford bem que poderia preencher uma lacuna existente no esporte.

Como se sabe que dificilmente isto acontecerá, dado que o esforço da montadora com sede em Detroit para reerguer-se no automobilismo é zero, vamos viver de lembranças. Como a desta foto de 1972 (acredito) onde com grid cheio a categoria alinhou para uma etapa do Campeonato Brasileiro em Interlagos. Nessa foto é bem visível o carro número 14 da equipe Hollywood, então guiado por Chiquinho Lameirão. Clóvis de Moraes, que tinha o patrocínio de outra marca de cigarros - Shelton - levou o título daquele ano.

E você, amigo leitor, se lembra de outros pilotos daquele tempo saudoso?

Caos coletivo

Desde quarta-feira, a vida do carioca - e até mesmo a minha - mudou pelo avesso.

Veio um temporal como há muito tempo não caía no Rio de Janeiro. E, pasmem, a terra de uma encosta caiu na porta de uma galeria do Túnel Rebouças, fundamental via de escoamento de veículos da Zona Norte para a Zona Sul e vice-versa.

Nó no trânsito, água passando de meio metro, pedestres ensopados, motoristas impacientes, trabalhadores estressados. Atrasos, deslizamentos, confusões. E, lamentavelmente, mortes.

É sempre assim.

O Rio segue despreparado para acontecimentos do tipo.

A grande enchente de 1966 não serviu de lição e isto quando a cidade mal tinha superado a casa dos 3 milhões de habitantes. Hoje, com o triplo disto ou mais e favelas crescendo a três por dois, não nos surpreende que o caos coletivo tenha sido instaurado por aqui.

Pois já pensaram se isto tudo tivesse acontecido durante o Pan, por exemplo, que impressão que o pessoal de fora teria daqui?

O desprezo dos administradores e demais asseclas pela população fica cada dia mais evidente. Pensa-se somente na arrecadação de impostos, pois foi com a promessa de estupro (não é nem mais expansão, é estupro mesmo) imobiliário, que o Nero de Catolé do Rocha ganhou mais uma vez o direito (!!!) de ser o alcaide desta cidade. Sugando o IPTU alheio e transformando parte de Jacarepaguá na Barra da Tijuca, o Nero supracitado bota lenha na fogueira e incendeia uma discussão que já devia ser levantada há anos.

E a erradicação das construções irregulares, que ele nada faz para combater?

As encostas de morros vão continuar do jeito que estão?

Os elefantes brancos construídos para o Pan vão ser geridos por alguém?

O autódromo do Rio de Janeiro vai ficar daquele jeito mesmo?

Conseguirá o Nero eleger Solange Amaral prefeita desta cidade?

Deus queira que não!

***

O caos coletivo não aconteceu só fora aqui de casa. Dentro do meu apartamento, desde quarta, tenho convivido com o barulho insuportável da quebradeira de azulejos, uma vez que devido a um vazamento, o banheiro foi interditado para obras.

Como se isto não bastasse, o chuveiro elétrico do precário banheiro de empregada, onde mal caibo, provocou um curto-circuito na fiação de alguns cômodos. Corredor e quartos estão sem luz desde quarta-feira e só hoje, enquanto escrevo este post, um eletricista chegou para resolver o problema.

Deus me livre e guarde!

Indignação barata

Não me recordo, honestamente, qual publicação expôs recentemente em capa o "drama" do Luciano Huck, que teve um relógio roubado em São Paulo e veio reclamar disto em público.

Pois bem: acredito que esta seja uma discussão inócua diante de tanta coisa que vemos por aí num país onde a desigualdade social grassa. Ele pode ter um Rolex, ok, trabalhou pra isto, mas e eu e a maioria da população, será que podemos?

Será que realmente nos importa saber se o relógio do apresentador-nareba foi roubado ou quanto vale o mesmo?

Quem bota a questão a público novamente é o cantor / compositor Zeca Baleiro, em lúcido artigo escrito para a Folha de S. Paulo neste fim de semana, criticando Luciano por ter exposto até o limite uma "indignação" que sem dúvida não lhe cabe.

"Eu também reclamaria caso roubassem algo comprado com o suor do rosto. Reclamaria na mesa de bar, em família, na roda de amigos. Nunca num jornal", escreveu Zeca.

Os argumentos do Luciano são meramente infantis, do tipo 'pago meus impostos, sou cidadão'. Eu também pago, também sou cidadão, ganho pelo menos 100 mil vezes menos do que ele e não reclamo. Levo minha vida numa boa, sou feliz com o que tenho. E escaldado por uma experiência anterior frustrante, eu evito andar com qualquer relógio no pulso.

Usar um episódio como este para se autopromover é o fim da picada. Não seria assim que faria, por exemplo, o Chacrinha, um gênio da comunicação que matava a pau nas tardes de sábado com seu programa misturando calouros e grandes atrações (cantando em playback), as chacretes, as macacas de auditório, os jurados - cada um mais figura que o outro, afora a anárquica performance do Velho Guerreiro, que até hoje deixa saudades.

O "caldeirão" do Luciano não ferve, só faz água. O programa dele é chato, pretensioso e por mais que ele tenha méritos pra chegar onde chegou como apresentador, não é digno mesmo de uma grande audiência.

E nem que demos ouvidos a um simples relógio roubado. Afinal, ele ganha suficientemente bem pra comprar outro igual.

Não é não?

domingo, 28 de outubro de 2007

A um passo do bicampeonato

Depois deste domingo, não resta dúvidas que Cacá Bueno está muito próximo do bicampeonato da Stock Car. Restando cinqüenta pontos em disputa nas etapas do Rio e de São Paulo, que encerram o campeonato, ele tem 25 de vantagem sobre Thiago Camilo. A corrida deste domingo foi disputada em Tarumã e Rodrigo Sperafico, da Action Power, venceu de ponta a ponta.

O mais impressionante é que este campeonato, além de poder terminar no Rio de Janeiro - o que não aconteceu ano passado - tem, segundo releases que acabo de receber, apenas quatro pilotos com chances de título: além dos três supracitados, o quarto seria Felipe Maluhy, que tem 227.

Aí o leitor pergunta: e o Ingo?

Bem... o alemão soma 222 pontos e pode também chegar aos atuais 272 do líder Cacá Bueno - desde que este não some mais nenhum ponto. Mas não chegaria ao 13º título da carreira simplesmente porque o piloto da RC Competições já tem três vitórias e Ingo, por enquanto, nenhuma.

Eu cravaria, sem medo de errar, no seguinte: Cacá bicampeão da Stock Car. E tenho dito.

sábado, 27 de outubro de 2007

Errar é humano, persistir no erro...

O assunto do post anterior realmente exige um reparo: a culpa absoluta da confusão envolvendo Palmeiras, Fluminense e Thiago Neves é do próprio jogador, cuja ambição desmedida o fez assinar um pré-contrato com o clube paulista quando já estava em negociações para renovar seu compromisso com o Fluminense.

De todo modo, isto não me faz retirar o comentário sobre os dirigentes dos dois times. Os do Fluminense erraram por fazerem chantagem com o atleta. Os do Palmeiras faltaram com a ética pois, com o jogador já assinado com o clube, resolveram chutar o balde agora. A troco do que, também?

A diretoria atual do alviverde me parece até honesta, com Affonso Della Monica aparecendo bem menos que seu antecessor, Mustafá Contursi - digno das páginas policiais. E ainda havia o falastrão Salvador Hugo Palaia, que graças a Deus está no limbo depois de falar tanta besteira nas rádios e TVs.

Se ofendi a inteligência dos torcedores do Palmeiras, peço desculpas. Se errei, idem.

Juízo, Thiago!

Titular absoluto do blog Jogo Aberto e colaborador da Placar com excelentes e lúcidas matérias, Lédio Carmona faz um alerta curto e grosso sobre a situação do jogador Thiago Neves, do Fluminense.

Candidatíssimo ao título de revelação do campeonato e à Bola de Ouro da mesma Placar, Thiago meteu os pés pelas mãos graças ao seu próprio olho grande e também da ambição desmedida do seu hoje ex-procurador, Luiz Alberto, que quis melar a todo custo a permanência do meia nas Laranjeiras.

Tanto que agora nessa semana veio à tona o que se desconfiava. Sim... o atleta fez um pré-contrato com o Palmeiras, recebeu dinheiro e segundo consta, comprou uma BMW esporte com parte dessa grana.

Ok. O jogador errou? Errou e feio. Mas também erraram o empresário, os cartolas do Fluminense e também os do Palmeiras, que nunca primaram pela ética. Vide o presidente anterior, Mustafá Contursi, o Eurico deles.

Thiago tem 22 anos, muito potencial pela frente e mais do que nunca, precisa ter juízo. Senão um início tão promissor como este pode ficar para sempre como uma mancha indelével em sua carreira.

sexta-feira, 26 de outubro de 2007

Ary Barroso perde...

Nascido em Ubá, Minas Gerais, Ary Barroso, o autor da imortal canção Aquarela do Brasil também era locutor de futebol. E daqueles que chutava para escanteio qualquer traço de imparcialidade. Especialmente quando era jogo do Flamengo.

É notório que num Fla-Flu, certa feita, num ataque do tricolor das Laranjeiras, ele soltou esta:

- Lá vai Telê... não quero nem ver!

Em compensação, quando o clube do coração fazia o gol... ele tocava o hino numa gaitinha e saía comemorando loucamente... como torcedor que era.

Vereador pela UDN, rachou a bancada do partido quando o prefeito Ângelo Mendes de Morais quis erguer o que hoje é o Maracanã para a Copa do Mundo de 1950, desafiando a liderança de Carlos Lacerda.

Ary morreu faz 43 anos. E nestes tempos atuais, há quem lembre o compositor-narrador. Não no rádio, mas sim na telinha.

Querem uma prova, aliás, duas?

Então vejam a performance do narrador italiano Roberto Scarpini nestes vídeos do Derby da Lombardia entre Inter e Milan na temporada 2006/2007.

Esse é interista roxo, a ponto de chamar Materazzi de Matrix. E não dizer o nome do Ronaldo, citado como "o jogador da camisa número 99".

Sensacional...



Clip da semana - "Tema do Garibaldo"

Raridade em cores: Marcos Valle cantando já na fase final de Vila Sésamo no Brasil, que ficou no ar entre 1972 e 1977, o Tema do Garibaldo. Com participação especial do saudoso boneco Gugu - que como eu disse anteriormente, não será reeditado na nova versão do programa.

Varandão da saudade

Pra quem nunca viu ou pra quem foi da minha geração, eis a abertura antiga do programa Vila Sésamo.

Graças à atração matinal, as freiras do Instituto Pio XI, onde minha mãe me matriculou no jardim da infância em 1975, ficaram enlouquecidas porque eu já sabia ler. Cortesia de um programa educativo e não emburrecedor, como os infantis de uns tempos pra cá.

quinta-feira, 25 de outubro de 2007

Escrachos musicais

Nos bons tempos da Rádio Cidade, que teve como locutores Romílson Luiz, Eládio Sandoval, Fernando Mansur e depois gente muito boa como Adriana Riemer e Luiz Carlos Jr. - ele mesmo, que hoje é o principal narrador do Sportv - o bom-humor imperava e especialmente nos anos 80, musiquinhas tidas como engraçaralhas (as famosas sátiras) dominavam o dial.

Quem não se lembra de coisas como "Choveu no meu chip", "Ligeiramente grávida", "O que é que ela tem que eu não tenho?" e quetais? Essas músicas tocam fácil em qualquer festa anos 80 que existem por aí.

Bem... na 102,9 FM carioca, o escracho era maior. Lembro bem que pouco depois de "Você não soube me amar" estourar nas rádios, eis que a Cidade me aparece com uma música chamada "Eu hoje vou me dar bem", cantada por um certo Piu-Piu de Marapendi. Ora vejam, tinha até um exemplar do compacto simples na Escola de Comunicação da UFRJ! E a letra, claramente inspirada no sucesso da Blitz, falava da desventura do Piu-Piu ao encontrar uma mulher... que não era mulher. Se é que vocês me entendem.

Um ou dois anos depois, não estou certo, eis que surge outra música (?!?) daquelas de rachar de rir: "Meu pipi no seu popô", de autoria do grupo Vestidos de Espaço. Tal como a sátira do parágrafo anterior, fez um sucesso tremendo na época. E anos depois revelou-se que os tais Vestidos de Espaço eram Branco Mello e Charles Gavin, dos Titãs, que contaram com a ajuda de outros amigos do BRock, entre os quais Paula Toller, para cometer a solerte musiquinha.

Você nunca ouviu tais músicas? Esqueceu delas?

Pois aqui estão "Eu hoje vou me dar bem" e "Meu pipi no seu popô"



quarta-feira, 24 de outubro de 2007

30 anos depois: Vila Sésamo de volta!

Ênio e Beto: a dupla do barulho que alegrava a criançada nos anos 70... de volta a cores na TV Cultura

O programa que fez a alegria da criançada em preto e branco está de volta a cores na TV Cultura. Vila Sésamo, uma adaptação do seriado original conhecido como Sesame Street e que ficou no ar até meados da década de 70, vai retornar à telinha com praticamente os mesmos bonecos daqueles tempos.

Pena que um dos meus prediletos, o mal-humorado Gugu, inspirado no original Oscar, um "ranzinza", não vai voltar à telinha. Garibaldo, que aqui no Brasil foi concebido na cor azul para que o amarelo não estourasse o croma no vídeo em p&b, retorna à coloração original. Além do desengonçado pássaro, estão de volta os impagáveis Ênio e Beto, além de Elmer, Grover e Cookie Monster, aqui conhecido como Come-Come e dono do bordão "Biscooooooooooitooooooooooo".

Na versão antiga, além dos bonecos, participaram diversos atores conhecidos, como Armando Bogus, Aracy Balabanian e Sônia Braga. É bem possível que seja diferente desta vez, até porque Gugu não reaparece e em seu lugar virá uma personagem criada aqui: a monstrinha Bel.

Inesquecível também é o tema de abertura da primeira versão do programa, concebido por Marcos e Paulo Sérgio Valle, autores junto com Nelson Motta da espetacular "Cinto de Inutilidades", do programa infantil Globo Cor Especial, que apresentava os desenhos que marcaram toda uma geração.

Todo dia é dia

Toda hora é hora

De saber que este mundo é seu

Se você for amigo e companheiro

Com alegria e imaginação

Vivendo e sorrindo

Criando e rindo

Será muito feliz

E todos serão também

terça-feira, 23 de outubro de 2007

San Pincho

Campeonato encerrado, o site criado pelos Alonsomaníacos lá na Espanha merece uma visitinha só para ver quantos por lá apareceram.

No total, 417.254 pregos, tachinhas ou porcos-espinhos que "ajudaram" na derrota de Lewis Hamilton no último domingo.

É... o inglês virou inimigo público número 1 na terra de Miguel de Cervantes.

Sei lá... lembra alguma coisa parecida com os anos 80... Alain Prost... Ayrton Senna...

Deus me livre e guarde!

Mas que é engraçada a manifestação dos espanhóis, ah isso é. E deu resultado: pois Hamilton não foi campeão e para eles, tanto faz se o vitorioso de 2007 é o Kimi. Importante era LH perder.

Frase da semana

"O Rio de Janeiro não tem autódromo."
por Orlando Silva Jr., ministro dos esportes

Finalmente alguém que constata o óbvio: na atual situação em que está, Jacarepaguá não tem um autódromo de verdade. Urge a comunidade automobilística pedir novamente pela volta do Rio de Janeiro ao cenário automobilístico nacional - e internacional. Nada de ficar sentado no trono de um apartamento esperando a morte chegar.

Afinal, o "ouro de tolo" terminou em julho.

Tá salgado...

Eu não devo estar aqui em 8 de dezembro próximo - possivelmente vou acompanhar a decisão da Stock Car em São Paulo - mas já aviso que esta é a data da apresentação única de The Police no Brasil, mais precisamente no Maracanã.

E como eu previra, nada de ingresso barato. As vendas começam dia 26 deste mês e a entrada mais barata é de R$ 160 (metade para quem puder pagar meia-entrada, claro) e a mais cara, R$ 500.

O banco HSBC fez uma parceria que garante a venda antecipada de 20 mil ingressos e cada pessoa pode comprar no máximo seis entradas para o show, quer seja pelo telefone, pelo site do ingresso.com.br ou por cartão de crédito. Mas isso só vale no dia 25, bem entendido.

A banda formada por Sting, Andy Summers e Stewart Copeland volta ao país depois de 25 anos. Em fevereiro de 1982, tocaram perto do carnaval daquele ano no Maracanãzinho, o campeão mundial da péssima acústica. Nos shows mais recentes pela Europa, o trio ganhou o reforço de Henry Padovani, o francês que era o guitarrista do grupo antes da entrada de Summers e que gravou com o Police o primeiro disco do grupo, Outlandos d'Amour, de 1978.

Padovani saiu da banda porque o som dele era considerado "muito punk".

Reflexos de uma época onde o rock and roll viveu uma de suas grandes crises de identidade e onde a discoteca foi a coqueluche musical daqueles tempos.

Aposte na diferença

No Orkut e nos fóruns de automobilismo espalhados pela internet, todo mundo se pergunta: quanto os Peugeot 908 HDI FAP serão mais lentos que a pole position de Felipe Massa nas Mil Milhas de Interlagos - em ritmo de classificação?

Como nenhum protótipo de altíssima performance correu na pista paulistana até hoje, fica difícil arriscar um prognóstico. A pole ano passado foi na casa de 1'30" e há quem diga - eu inclusive - que o LMP1 francês será dez segundos mais rápido que isso. Mas corremos risco de nos enganar.

A título de comparação com as demais etapas (com exceção de Valência, que não recebe provas de F-1, só testes), vamos lá:

Monza

Pole da F-1 - 1'21"997, com Fernando Alonso
Pole da LMS - 1'34"503, com Nicolas Minassian / Marc Gené

Diferença: aproximadamente 13 segundos

Nürburgring

Pole da F-1 - 1'31"450, com Kimi Räikkönen
Pole da LMS - 1'41"867, com Nicolas Minassian / Marc Gené

Diferença: 10"417

Spa-Francorchamps

Pole da F-1 - 1'45"994, com Kimi Räikkönen
Pole da LMS - 2'00"105, com Nicolas Minassian / Marc Gené

Diferença: aproximadamente 15 segundos

Silverstone

Pole da F-1 - 1'19"997, com Lewis Hamilton
Pole da LMS - 1'31"692, com Nicolas Minassian / Marc Gené

Diferença - pouco mais de 11 segundos

Interlagos

Pole da F-1 - 1'11"932, com Felipe Massa
Pole da LMS - ?!?

Bom... em três dessas quatro pistas, a média horária dos F-1 foi superior a 230 km/h. Em Nürburgring, onde Kimi rodou à média de 202 km/h, foi menor a diferença, porque o traçado alemão é mais travado. Se a diferença oscilar entre 11 a 12 segundos a mais em São Paulo, então a previsão da rapaziada vai para o vinagre. Ou seja: uma pole na casa de 1'22" é o mais provável de acontecer.

segunda-feira, 22 de outubro de 2007

Assim escrevi, em 28 de janeiro!

De março até ontem muita água rolou debaixo da ponte.

E muitas das minhas apostas caíram no ridículo. Especialmente as previsões que lancei em 28 de janeiro deste ano, cujas quais pedi que me cobrassem se estivesse errado.

Algumas até foram certeiras e outras, equívocos fragorosos.

Então vamos lá... e a zoação contra mim é livre!

Ferrari campeã, com Massa e Räikkönen formando a dupla mais consistente do ano.
Bem... de fato não foram tão consistentes assim, mas a equipe levou a taça de fato. 1 x 0 pra mim.

McLaren vice, porém fazendo de Alonso o novo tricampeão mundial.
É... essa foi uma aposta arriscada mesmo. E cá pra nós, em janeiro ninguém achava que a equipe seria punida... 1 x 1

Renault em terceiro, demitindo Fisichella e trazendo Nelson Ângelo Piquet.
Na trave! A Renault ficou mesmo em terceiro, mas Fisichella não foi mandado embora - ainda. Como acertei grande parte, 2 x 1 pra mim.

Honda se firmando como P4.
Posso pular essa parte? 2 x 2.

BMW de novo como o quinto melhor time, com Kubica mais experiente e Heidfeld constante. Vão marcar muitos pontos e pódios.
Não foi de todo má essa aposta, mas... não contava que a BMW fosse ir tão longe em 2007. Por isso mesmo, 3 x 2 para os Palpites Furados.

Toyota mais uma vez sexta, dentro das expectativas.
Um tiro certeiro, enfm. Poucas palavras que resumem um ano medíocre. Aliás, mais um. 3 x 3.

Red Bull em sétimo. Não vejo possibilidade de muitos pontos para Webber. Coulthard vai ser o destaque da equipe.
Não foi um palpite tão infeliz. De fato, Coulthard destacou-se mais do que o companheiro de equipe, que é muito rápido em treinos e infeliz em corridas. A equipe terminou duas posições acima. Diria eu que o placar segue empatado.

Super Aguri em oitavo. Ora... os dois pilotos são rápidos, o motor Honda empurra. Podem surpreender.
Realmente foram bem melhores que no ano passado, mas ficaram em nono entre os construtores. Sato e Davidson foram mesmo rápidos e enquanto tiveram dinheiro, surpreenderam de fato. O empate persiste.

Toro Rosso em nono. E o Berger já admitiu que a briga de sua equipe será com a Aguri e com... a Williams, que para mim fará a pior temporada de seus últimos 30 anos.
SOC! POW! TUM! Quebrei a cara agora. Dois palpites furados num só? E de quebra num ano onde a Williams termina em quarto? Pois é... Nico Rosberg me fez de palhaço agora... risos. Vou deixar o placar com dois pontos a mais para os Palpites Furados - 5 x 3.

A Spyker será a lanterna. Mesmo com motor Ferrari.
É... na pista foi a lanterna mesmo. Fez um ponto só no campeonato. E Adrian Sutil é piloto sim, dos bons. No fim das contas, os Palpites Furados me derrotaram por 5 x 4.

Um outro Buster Keaton


Tal qual Kimi Räikkönen, o piloto da foto aqui acima também era econômico nos sorrisos e nas emoções. E já que o amigo Ico citou o Buster Keaton em um de seus últimos posts para falar do finlandês campeão mundial de Fórmula 1, lembro que Eddie Lawson, quatro títulos de 500cc e último piloto antes de Valentino Rossi a vencer dois campeonatos consecutivos por marcas diferentes, também fazia jus a este apelido.

Lawson, que teve uma passagem rapidíssima pelos monopostos, incluindo a Indy Lights e a ChampCar - esta por meia temporada pela Galles Racing, é tido por muitos como tímido, fechado e avesso a entrevistas. Mas se solta quando está perto dos amigos. Alexandre Barros, que conviveu por duas temporadas com o estadunidense quando dividiram boxes na italiana Cagiva, foi um dos que mais se impressionou com a camaradagem de Lawson, que deu muitas dicas de pilotagem, fazia preparação física junto com o brasileiro e não raro o convidava para rachas de jet ski.

Se existiu no motociclismo um piloto que se parece demais com Räikkönen, este é Eddie Lawson.

Retribuição?

Hum...

Leio aqui que Felipe Massa espera "uma retribuição" para ser campeão da Fórmula 1.

Retribuição da equipe? Depois que fez críticas veladas aos problemas de confiabilidade do carro? Veremos...

Retribuição do Räikkönen? Difícil. Só se o finlandês, a exemplo do Massa, não ter qualquer tipo de chance.

Reitero o que disse no post da Era do Gelo: existem ordens e elas têm que ser cumpridas, se o Felipe acha que pode passar por cima delas, a diretoria da Ferrari não pensa duas vezes: mostra a porta da rua para ele.

Faça a sua legenda para esta foto!


"Ha ha ha! Ron Dennis se fu... e Hamilton também... Antes eles do que eu!"

O que você escreveria abaixo dessa foto mostrando esse sorrisinho sarcástico do asturiano?

Dois patinhos na lagoa

Saiu a numeração para a temporada 2008. A McLaren, além de amargar uma fragorosa derrota para a Ferrari em Interlagos, que custou o título a um de seus pilotos, vai ter que usar os últimos boxes em TODOS os autódromos e circuitos no ano que vem. Isto porque a equipe britânica terá que usar os algarismos 22 e 23, os maiores da história do time desde 1990, quando Ayrton Senna usou o numeral 27 e Gerhard Berger o 28.

Vamos à numeração:

1 / 2 - Ferrari
3 / 4 - BMW Sauber
5 / 6 - Renault
7 / 8 - Williams
9 / 10 - Red Bull
11 / 12 - Toyota
14 / 15 - Scuderia Toro Rosso
16 / 17 - Honda
18 / 19 - Super Aguri
20 / 21 - Force of India
22 / 23 - McLaren

A curiosidade fica pelo novo nome da Spyker. Comprada por Michiel Mol e Vijay Mallya, ela passa a se chamar Force of India. É o terceiro nome diferente da antiga Jordan em três anos.

E em 2009, qual será?

Cartas para a redação.

domingo, 21 de outubro de 2007

É pra você, Ron Dennis!

Tá querendo apelar da decisão da FIA né?

Mau perdedor!

Então, pra ti... vai o clip extra da semana...

O porre de felicidade tá valendo!

Acabou a espera. Às 21h47 deste domingo, depois de horas de espera, a FIA acaba de ratificar o título de Kimi Räikkönen. A FIA não puniu Williams e BMW quanto ao combustível que obrigatoriamente tem que estar 10 graus abaixo da temperatura ambiente na hora da corrida.

Interlagos hoje teve uma temperatura inclemente de 37 graus e durante os pit stops dos pilotos Nico Rosberg, Kazuki Nakajima, Robert Kubica e Nick Heidfeld, a temperatura do combustível oscilou entre 11 e 13 graus a menos que o exigido.

E sabem quem foi o comissário que chamou as duas equipes para uma conversinha?

Quem chutou Jo Bauer, aquele lambão que desclassificou a Ferrari em 1999 e "deu" para Hakkinen o campeonato no GP da Malásia - decisão posteriormente revogada, tanto que o finlandês só venceu o Mundial daquele ano no Japão, acertou...

Bom... agora mesmo é que a manguaça vai rolar... Kimi é campeão de fato e de direito da temporada 2007.

O atirador Alonso

Até agora, nada de decisão oficial ou não sobre punição para Williams e BMW, que supostamente resfriaram a gasolina na temperatura acima do limite exigido. Uma desclassificação dos pilotos Nico Rosberg, Robert Kubica e Nick Heidfeld elevaria Lewis Hamilton para quarto e assim o inglês seria o novo campeão mundial.

Enquanto isso, Fernando Alonso, campeonato encerrado, solta o verbo e dispara a metralhadora para cima do britânico.

"Se Hamilton ganhar o campeonato desta maneira, não ficaria justo. Eu teria vergonha da Fórmula 1", disse em entrevista a uma rádio de seu país.

Fique tranqüilinho, Fernandinho. No quesito vergonha, você não está sozinho.

Pode melar! A culpada é a gasolina!

Um passarinho me contou agora que o título de Kimi Räikkönen pode ir para o ralo em questão de horas.

A FIA, em comunicado, acaba de convocar membros das escuderias BMW e Williams para explicações na sala dos comissários, "imediatamente".

Foi apurado que em relação à BMW o problema é relativo à gasolina. E se houver desclassificações ou acréscimos de tempo para Nick Heidfeld e Robert Kubica, muda tudo!

E Lewis Hamilton seria o novo campeão!!!!

Rebu em Interlagos! Será que mesmo assim teremos manguaça?!?

A ERA DO GELO


Hoje é dia de manguaça em São Paulo!

Vinte e um anos depois, num autêntico dejá vu, o piloto que tinha menos chances entre os três postulantes ao título chega na frente.

Tal como aconteceu em 1986 com Alain Prost, tido como o patinho feio da disputa entre ele, Nelson Piquet e Nigel Mansell, chegou a hora e a vez de Kimi-Matias Räikkönen, 28 anos, comemorar a chegada ao topo do automobilismo, com a conquista do Mundial de Pilotos de 2007, o mais disputado das últimas duas décadas.

Os fundamentalistas hão de dizer que a vitória por merecimento deveria ser de Felipe Massa nesta corrida em Interlagos. Esse blá-blá-blá não vai ter espaço aqui. O brasileiro tem que cumprir ordens como empregado da Ferrari - e se não houvesse a inversão de posições, o contrato celebrado para terminar em 2010 seria rasgado ao pé do pódio.

Kimi esteve um pouquinho longe de ser o melhor piloto do ano. Sua primeira metade de campeonato foi irregular e manchada por azares e quebras - que foram o ponto fraco não só de sua campanha, como também da de Felipe Massa. Mas a partir do momento de seu triunfo na França, a temporada do nórdico foi praticamente irretocável. Exceto por um abandono em Nürburgring, ele mostrou velocidade, constância e finalmente adaptou-se ao carro como a Ferrari esperava. E o resultado aí está: Räikkönen campeão com 110 pontos. Hamilton e Alonso empatados com 109 e o inglês chega ao vice graças ao maior número de segundos lugares. Esta diferença é uma das menores de todas: iguala 1981, quando Piquet derrotou Carlos Reutemann por um pontinho (50 a 49) e só perde para 1984 (obrigado pela correção, Francisco), quando Niki Lauda derrotou a Alain Prost por meio ponto - 72 a 71,5.

Além de Kimi, outro piloto que sem dúvida vai sair fortalecido deste fim de campeonato incrível é Fernando Alonso. E explico porque: o espanhol sem dúvida ganha uma puta bagagem por ter trabalhado num ambiente notadamente hostil no fim do ano, por ter dado o seu melhor com um carro medíocre em Interlagos, e principalmente por não ter perdido o título para Lewis Hamilton. Com certeza o asutriano ao chegar no hotel vai abrir uma champagne comemorando a derrota do novato inglês.

E Hamilton? E a McLaren?

Ora... morreram abraçadas. A soberba, a empáfia e os erros crassos que o jovem inglês acumulou na reta de chegada mancharam um fim de ano que tinha tudo para ser brilhante. E eu quero ver agora com que cara vai ficar o inglês (cujo nome não me recordo) que escreveu uma prematuríssima biografia de Hamilton "prevendo" o título para o GP do Japão.

Como todos sabemos, ele venceu em Fuji mas isto foi insuficiente. Veio a cagada na China e outro festival de erros em Interlagos, começando pela primeira volta, passando pela equivocada estratégia de montar o pneu ultramacio no meio da prova - o que é que o engenheiro dele tinha na cabeça? - e em parar três vezes. Isso sem contar a pane do sistema hidráulico que quase deixou o piloto a pé na oitava volta da corrida.

Os idiotas da objetividade hão de dizer que "se o câmbio não falha, ele seria campeão".

É... mas o "se" é muito relativo e não estava entre os 22 inscritos.

O fato é que Räikkönen é campeão com méritos e a Era do Gelo está de volta à Fórmula 1.

***

Num campeonato sensacional como este, com tanta gente boa correndo, não é difícil apontar os melhores pilotos do ano. Então lá vai a lista:

1. Fernando Alonso
2. Kimi Räikkönen
3. Lewis Hamilton
4. Felipe Massa
5. Nico Rosberg
6. Robert Kubica
7. Sebastian Vettel
8. Nick Heidfeld
9. Hëikki Kövalainen
10. Adrian Sutil

Mas o pior do ano mistura o que aconteceu dentro e fora da pista:

1. O escândalo de espionagem da McLaren
2. A péssima temporada da Honda
3. Rubens Barrichello, em seu pior ano no automobilismo
4. Ralf Schumacher
5. Giancarlo Fisichella
6. Christijan Albers
7. A falta de critério da FIA com relação a punições
8. Renault
9. Sakon Yamamoto
10. A monotonia de diversas corridas

O mundo é bão, Sebastião!

Não é segredo de ninguém que a ChampCar há muito é um campeonato decadente. Também não é segredo que as equipes têm problemas financeiros e uma delas - a RuSPORT, vai deixar a categoria após apenas três anos de participação.

E também não é segredo para ninguém que Sébastien Bourdais sobra na turma.

O piloto francês chegou nesta madrugada ao quarto título consecutivo na categoria estadunidense de monopostos, que pela primeira vez em 28 anos não fez uma corrida sequer em circuitos ovais, usando para tanto o chassi Panoz DP01 - projetado para autódromos e/ou pistas de rua.

Em que pese a relativa facilidade com que conquistou o campeonato, Bourdais já vinha mostrando há muito que merecia sorte melhor na carreira. E ano que vem acredito que todo seu esforço será recompensado, pois formará com o quase-xará Vettel uma dupla promissora e do barulho na Scuderia Toro Rosso.

Ele volta a pôr a bandeira francesa num lugar onde nunca deveria ter saído: a Fórmula 1.

Bienvenue, Bourdais! O Velho Mundo lhe aguarda com carinho.

sábado, 20 de outubro de 2007

NeoCounter

Ok, confesso que mais uma vez este blog vai na esteira do alheio. Vi na página do amigo Ico um placar chamado NeoCounter, com os acessos dos países ao blog dele. Cadastrei-me e coloquei o contador aqui no Saco de Gatos.

E para nenhuma surpresa, até porque antes do Google Analytics me dar uma pernada nos últimos dois meses eu sabia disso, o blog é universalmente lido, em todos os cantos do planeta: Américas, Europa, Ásia, África e Oceania.

Vi que tenho acessos do Marrocos e da Costa do Marfim, países de língua francesa no continente africano e isso me orgulha. Mas gostaria de ver uma maior presença dos patrícios angolanos e moçambicanos - que já apareceram mais por aqui.

Inclusive, espero colaborações para uma série de postagens sobre as corridas em Angola, em especial as "Seis Horas de Nova Lisboa" que, creio eu, já tiveram boa participação brasileira com Jan Balder e o saudoso Norman Casari.

A casa agradece se algo chegar por estas plagas.

sexta-feira, 19 de outubro de 2007

Caiu do telhado!

Bernie Ecclestone não aceitou a fragilíssima argumentação de que a Prodrive entraria em 2008 como um "time B" da McLaren, comprando chassis da equipe inglesa e motores Mercedes para a temporada que vem. Resultado: a organização que venceu o "Big Brother" para a escolha da 12a. equipe da Fórmula 1, não vai se apresentar ano que vem - está fora.

Querem saber? Acho justo. David Richards, que fez dos rallyes seu ganha-pão como navegador de Ari Vatanen e depois montou a Prodrive para preparar Subarus do WRC e posteriormente as Ferrari F550 e Aston Martin DBR9 usadas no FIA GT e em Le Mans - onde vira e mexe ganha na classe LMGT1, nunca foi muito esperto como dirigente de Fórmula 1.

Fracassou na Benetton e mostrou-se incapaz de dar à BAR um padrão de time de ponta compatível com o investimento da Honda que, quando assumiu a equipe, tratou de botar o britânico no olho da rua.

E além do mais, como pode uma nova escuderia querer começar do zero, sem fábrica nenhuma e com apenas quatro - isso mesmo, quatro! - funcionários registrados?

Por isso que quando a Minardi de Paul Stoddart perdeu a chance de regressar à F-1 por conta da "vitória" da Prodrive, confesso que torci pelo fracasso desta nova escuderia (antes tinha escrito uma besteira colossal, ignorem por favor!).

É... a torcida pelo visto não foi em vão.

Clip da semana - "I Can't Keep From Crying"

Este grupo do vídeo estourou em Woodstock, também. Trata-se do Ten Years After, banda que tinha como músicos Leo Lyons (baixo), Ric Lee (bateria), Chick Churchill (teclados) e o espetacular Alvin Lee (guitarra).

O grupo começou em 1967 na Inglaterra (onde mais?) e dois anos depois lançou no disco Undead a faixa-sensação no festival estadunidense - "I'm Going Home", cuja apresentação memorável é um dos pontos altos do documentário dirigido por Michael Wadleigh. Alvin sola à vontade, faz enxertos de clássicos do rock como "Blue Suede Shoes" e sai do palco exausto, carregando uma enorme melancia e fazendo o sinal de paz.

Em 1970, ainda no auge, eles se apresentaram no Festival da Ilha de Wight, em sua terra natal e também arrebentaram com um set de músicas que levou os cabeludos ingleses ao delírio. Uma delas é a que está aqui embaixo: "I Can't Keep From Crying", em mais uma performance impressionante deste gênio da guitarra pouco idolatrado por aqui: Alvin Lee.

quinta-feira, 18 de outubro de 2007

Ressurrection



Nada me espanta mais na Fórmula 1, desde que durante a transmissão do GP do Brasil de 2005 o Michele Alboreto foi ressuscitado.

Mas este monitor aí da sala de imprensa de Interlagos (claro que o grifo é meu) denuncia que não é só por aqui que gafes como a descrita acima são cometidas. Em tempo: o Wurz tá fora desde a semana passada, algo que todo mundo sabe. Scott Speed já está acelerando na ARCA Series, uma subdivisão da Nascar. E Christian Albers... bem... pergunte ao pessoal da Spyker se o holandês deixou alguma saudade na Fórmula 1.





"Eu sobrevivi ao pit stop de Magny Cours 2007": preciso dizer mais?

Mais um enigma



Eu não vou chutar o ano, mas desconfio que isto seja em Interlagos. E aí fica a pergunta: quem é o piloto (ou os pilotos) deste protótipo Heve P4 da foto?!? Alguém sabe?

Cartas para a redação.

Chinga tu madre!

Às vésperas da decisão do Mundial de Pilotos mais acirrado dos últimos 20 anos, os torcedores espanhóis - e demais fãs de Fernando Alonso - continuam a manifestar seu desagrado contra Lewis Hamilton.

A última que eles aprontaram é um site onde o Alonsomaníaco pode espalhar pregos, tachinhas e até porcos-espinhos pelo traçado de Interlagos. E a cada objeto perfuro-cortante, mensagens de "apreço" ao rival do espanhol podem ser escritas, também.

Quando escrevo este post, são 140.779 pinchadas de rueda.

Acredito que até domingo serão mais de 400 mil participações. E vamos ver se toda a torcida contra vai dar resultado.

Final triste

Quando Rita Lee e Roberto de Carvalho escreveram a canção "Flagra", que depois seria o tema de abertura da novela Final Feliz, da Rede Globo, citaram alguns artistas como Gregory Peck e Rodolfo Valentino, além de duas atrizes: Mae West e Deborah Kerr.

Pois é: esta última faleceu hoje, aos 86 anos, vítima do Mal de Alzheimer.

A Rosa Inglesa - como era apelidada - foi protagonista do clássico "A um passo da eternidade", rodado em 1953 e de "O Rei e eu", onde contracenou com Yul Brynner. Seis vezes indicada ao Oscar, nunca fez jus ao prêmio de melhor atriz. Mas recebeu a sua estatueta muitos anos depois, em 1994, no prêmio simbólico de Conjunto da Obra.

Provavelmente, quando Rita resolveu citá-la em sua letra, deve ter se lembrado do beijo que Burt Lancaster e ela trocaram numa das cenas de "A um passo da eternidade", rodadas numa praia do Havaí. Alguma dúvida?

Em quarenta e seis anos de carreira, Deborah Kerr fez quase meia centena de filmes e agora, indo para o andar de cima, terá as homenagens que merecia receber em vida.

Próxima parada, Renault

O bom filho à casa torna. Ao que tudo indica, Fernando Alonso, o homem que está mais só, deve assinar de novo com a Renault e liderar a escuderia gaulesa pelas próximas três temporadas.

Se terça-feira a McLaren já tinha dado sinais de que não conta com ele em 2008, ontem a Mercedes já anunciou que não fará o menor esforço para manter Alonso como seu contratado. Pelo contrário: libera o atual bicampeão sem nenhum ônus, não cobrando a multa rescisória hoje estipulada em R$ 36 milhões.

Flavio Briatore, o todo-poderoso dirigente da Renault torce abertamente pelo tricampeonato do espanhol por um simples motivo: Alonso carregaria consigo o #1 como fez na McLaren este ano e isto faz diferença em termos de marketing e favoritismo. E tanto ele quanto o engenheiro-chefe Pat Symmonds já teriam se reunido com o piloto para traçar planos acerca do desenvolvimento do novo carro, o R28.

Caso a contratação - ou melhor, o retorno de Alonso - se concretize, podem escrever aí: a Renault vai voltar ao grupo das grandes e a McLaren, venha quem vier, vai perder em potencial de desenvolvimento e informações sobre acerto de carro. Afinal, na safra atual, que outro piloto jovem com o o espanhol é suficientemente capaz de fazer um trabalho tão bom quanto o que ele realizou neste ano?

Cartas para a redação.

quarta-feira, 17 de outubro de 2007

Mais um

Alvíssaras! Habemus equipe brasileira confirmada na disputa das Mil Milhas.

Só não posso informar o nome no momento. Um dos pilotos com certeza posso dizer quem é: Raul Boesel, campeão mundial do Grupo C em 1987 com Jaguar, vencedor das 24 Horas de Daytona e vice-campeão das 24 Horas de Le Mans - além de vitorioso na edição 2002 das Mil Milhas com um Porsche.

O carro que o curitibano vai pilotar é um Porsche 997 GT3 RSR da categoria LMGT2. E mesmo afastado das pistas ao longo de todo o ano e pilotando toca-discos - Raul, um fã de raves, quem diria, virou DJ! - a gente sabe que ele é um cara dos bons. Rápido sem ser destruidor de carros. E desde já, favorito à pole position na classe que agora conta com 12 inscritos para a clássica prova nacional.

segunda-feira, 15 de outubro de 2007

Sinal dos tempos

A Estação Primeira de Mangueira já tem samba para o carnaval de 2008. O enredo sobre o frevo, de autoria de Max Lopes, ganhou letra e melodia compostos por Lequinho Jr., Fionda, Francisco do Pagode, Silvão e Aníbal.

Até aí nenhuma novidade: parcerias com quatro, cinco, seis ou até onze compositores, como já aconteceu noutros anos em outras agremiações, formam o que hoje se chama de "samba de condomínio".

A curiosidade é que o Francisco do Pagode que aí está é ninguém menos que Tuchinha, temido e famoso traficante do morro da Mangueira. Reza a lenda que ele era um dos da Galera da Onze, para quem Lobão dedicou seu sucesso "Vida Bandida" do disco homônimo lançado em 1988. A música foi escrita na cela Onze do Ponto Zero em Benfica, subúrbio do Rio onde o roqueiro esteve preso.

Definitivamente eu não sei o que é mais estranho: o Tuchinha virar Francisco do Pagode e ganhar samba-enredo ou os jornais de hoje encararem o feito do ex-traficante (ele jura que não é mais bandido) com naturalidade, como se fosse algo banal.

Então tá... esperemos pelo dia em que o Fernandinho Beira-Mar irá gravar um disco e ainda por cima receber Disco de Ouro por 50 mil cópias vendidas.

O Brasil está de fato fudido e mal pago...

15 de outubro

Dando uma olhada descompromissada no Blog do Capelli, me deparo com o seguinte:

15 de outubro no automobilismo:

1983 - Riccardo Patrese vence o GP da África do Sul

1983 - Nelson Piquet conquista seu segundo título mundial

Às vésperas de uma decisão de campeonato onde nenhum brasileiro tem chance e um deles caminha para encerrar o ano sem qualquer ponto marcado, lembrar deste título de Piquet é um bálsamo para a alma.

Ele era o autêntico exército brancaleone na ocasião, pois guerreava pela taça contra nada menos que três franceses: Alain Prost (Renault), Patrick Tambay e René Arnoux, ambos da Ferrari.

Quando Nelson enfrentou uma quebra inesperada no GP da Alemanha, a terra da BMW, e muitos quiseram colocá-lo carta fora do baralho, ele disparou o petardo: "Vou ser campeão mundial de novo. As modificações que o Gordon (Murray) fez deixaram o carro ótimo, invencível. Pode conferir daqui pra frente." Os jornalistas franceses, há quem diga, rolaram de rir diante da pérola.

Tal profecia não se concretizou na Áustria, onde a versão B da BT52 não foi além de terceiro, numa prova em que Prost triunfou. Em Zandvoort, houve a famosa corrida onde Nelson e o anão tiveram uma escaramuça na curva do Tarzã. Piquet bateu e Prost, voltas depois, também. A vitória caiu no colo de René Arnoux, que subiu para 43 pontos e assumiu a vice-liderança. Prost tinha 51 e Piquet era terceiro ao lado de Tambay, com 37.

Os tiffosi lotaram Monza e saíram frustrados com o show de Piquet, que derrotou Arnoux por 11 segundos para voltar a vencer depois do triunfo no Brasil. Melhor: Prost abandonou e Tambay foi só quarto. O brasileiro voltaria a ganhar em Brands Hatch, por ocasião do GP da Europa, graças a um acidente entre os italianos Elio de Angelis e Riccardo Patrese, que lideravam a corrida. Prost foi segundo e os dois pilotos da Ferrari bateram.

Assim, o campeonato chegou a Kyalami com o francês somando 57 pontos contra 55 de Piquet e 49 de René Arnoux. Tambay já estava fora da briga. Na prova de classificação para o GP da África do Sul, surpreendentemente, o francês fez a pole position com 1'06"554 contra 1'06"792 de Piquet. Arnoux sairia em quarto e Prost em quinto. Entre eles, Riccardo Patrese com o segundo carro da Brabham - que sem dúvida faria corrida para ajudar Nelson.

Especulou-se nos bastidores que o carro do italiano estaria com o tanque bem vazio para que ele forçasse a quebra de Prost e Arnoux. O que a francesada não contava é que a Brabham invertesse a tática, colocando pouca gasolina no carro de Piquet, que largou muito melhor que Tambay e disparou na frente, trazendo consigo Patrese. De Cesaris, que não tinha nada a ver com isso, levou a Alfa para terceiro, enquanto Prost permanecia em quarto.

A primeira baixa foi a de Arnoux. Após nove voltas e nunca melhor do que sétimo durante a corrida, o piloto da Ferrari saiu da disputa. Menos um na briga.

Faltava nocautear Prost. Este chegou à 3ª posição ultrapassando Andrea de Cesaris e depois acabou superado por um redivivo Niki Lauda, que fazia corrida sensacional com o McLaren-Porsche TAG. Na 36ª volta, enfim, acabava a angústia: ao parar para reabastecer, Prost bateu nos cintos e abandonou, com problemas mecânicos.

Piquet seguiu na frente até a 59ª volta, quando tirou o pé por vontade própria. Afinal, com seus adversários fora de combate, até o quarto lugar lhe dava o título - por um ponto. Resolveu ser menos cruel do que fora em 1981 com Carlos Reutemann: deixou Riccardo Patrese assumir a liderança e permitiu também que Lauda fosse para segundo, até a quebra do motor da McLaren.

Na antepenúltima volta, Nelson trocou de posição com De Cesaris e assim, com uma dobradinha italiana e ele em terceiro, o bicampeonato chegou. Aos 31 anos, Piquet atingia o ápice da carreira num momento descrito por ele como "de sonho".

Abraçado à holandesa Sylvia Augusta, mãe de Nelson Ângelo Piquet e sua companheira da época, ele deu uma histórica entrevista a Reginaldo Leme que entrou quase ao vivo no Globo Esporte daquele sábado, num tom confessional e diria até, embalado pela champagne que sorvera com gosto no pódio.

"Estou nas nuvens. Me sinto como se não fosse humano."

Preciso dizer mais?

Sadim

Cinco meses. Foi tudo o que durou a TV JB, empreitada mal-sucedida de Nélson Tanure em trazer o Jornal do Brasil para a telinha. Com uma programação que ia de 18h até meia-noite, mais ou menos, ressuscitaram Boris Casoy e trouxeram mais uma vez o histrionismo de Clodovil para a TV - antes que este desse mais um piti e recebesse a enésima demissão da carreira. Outro pecado foi dar a Nelson Freire um programa sobre música erudita encravado na madrugada, afora outras sandices.

Pois bem: a emissora que entrou no ar em 17 de abril, saiu de cena também num dia 17 - mas de setembro. Antes parceiro e depois desafeto de Flávio Martinez, dono da CNT - Central Nacional de Televisão, Tanure ensaiou uma aproximação com a Rede Brasil de Televisão, que só durou uma semana. E a TV JB virou pó, num caso raro de vida curta como nunca se viu no país. Nem as extintas Tupi, Manchete, Excelsior e Continental duraram tão pouco.

Agora, falando sério. Tanure é um "sadim" dos piores. Sadim, para quem não sabe, é Midas ao contrário. Se este último fazia virar ouro tudo o que tocava, o empresário carioca faz o inverso: onde pôe a mão, vira merda. Outrora uma potência, o Jornal do Brasil hoje é um lamentável pastiche de si mesmo. Eu trabalhei lá por seis meses como estagiário de redação em 1996, passando por quatro diferentes editorias e tinha por aquela redação da Av. Brasil 500 - hoje inteiramente destruída, um carinho muito grande.

Nessa época, consegui emplacar uma pauta que foi pra capa. O Fluminense vivia a crise que culminaria no primeiro rebaixamento para a Série B e no dia do treino, o repórter escalado estava doente. Sobrou pro estagiário (eu) o tremendo rabo de foguete que era fazer matéria sobre o tricolor naqueles tempos. Antes disso eu já tinha proposto a pauta: com a ajuda de alguns alfarrábios, descobri que a defesa do Flu era a pior de toda a história do campeonato, na média de gols sofridos. E vendi essa estatística ao editor que estava lá, se não me engano o Roberto Falcão.

Fui para Laranjeiras com o fotógrafo Alexandre Durão e quando chegamos, nos deparamos com os jogadores sentados no meio do gramado e Renato, ainda de roupa esporte, conversando com eles. Não deu nem 20 minutos e o então treinador interino saiu da roda sob aplausos, chorando convulsivamente por trás dos óculos escuros.

Falei imediatamente para o Durão: "Corre que ele tá chorando!". Ele pegou a máquina e sapecou dezenas de fotos. A melhor delas, em cores, com o Renato se escorando no alambrado sob um pranto convulso, foi pra capa do JB.

Mais calmo, ele concedeu uma entrevista coletiva histórica ali mesmo no campo, onde ele prometeu que sairia pelado em Ipanema se o Fluminense fosse rebaixado, o que de fato aconteceu.

Renato nunca cumpriu a promessa. Mas a matéria, a pauta e a capa, no dia seguinte, encheram o reles estagiário de orgulho.

Onze anos depois, vendo o JB se reduzir a praticamente nada no mercado editorial brasileiro, me dá uma tristeza muito grande. Nelson Tanure caminha para ser o grande vilão do fim de uma era inaugurada pela condessa Maurina Pereira Carneiro, que certamente se revira de ódio na sepultura, diante do que fizeram com o jornal que com tanto carinho fez crescer e revelar tanta gente boa para a imprensa nacional.

Alguma coisa acontece...

Leitores do meu Brasil varonil e também do estrangeiro, estou em São Paulo a trabalho. Antes que me perguntem, não... não fico para ver a Fórmula 1 ao vivo. Entre ficar aqui de "turista" e assistir em casa, com o rádio e a TV ligados, prefiro a segunda hipótese.

Pra variar, o vôo demorou a deixar o Santos Dumont, demorou também a pousar em Congonhas por causa do tempo instável nesta terra onde o Mundial de 2007 será decidido entre Hamilton, Alonso e Raikkonen (este computador aqui não tem trema). E no avião, vim folheando a revista Rolling Stone número 13 - comemorativa do primeiro aniversário, aliás - com Faustão e um de seus cães da raça cane corso, por sinal tricampeão mundial (fala sério...) na capa.

A entrevista aliás correu num tom descontraído, despretensioso e rendeu boas declarações do rotundo apresentador. Por incrível que pareça, é uma das coisas menos idiotas da revista, que testa a paciência do seu leitor com (oh não!) mais uma daquelas listas que servem para discutir o nada.

Simples: gosto é que nem c*. Todo mundo tem o seu e cabe a si administrá-lo. Da lista de 100 discos fundamentais da MPB que a RS propôe, com certeza eu excluiria alguns nomes e trabalhos. Los Hermanos são figurinha fácil fora, é claro. Marisa Monte, idem.

Só não entendo como deixaram de fora Cazuza com "Ideologia"; Lobão, com seu emblemático "Vida Bandida"; e qualquer um dos grupos de prog rock dos anos 70. Especialmente O Terço, com seu ótimo álbum homônimo de 1974 e o Som Imaginário, a ex-banda de Milton Nascimento que teve como integrantes Zé Rodrix, Beto Guedes, Wagner Tiso, Fredera e Tavito.

Espaço com certeza eles têm em listas desse tipo. Mas falta um pouquinho de coerência a quem julga A melhor que B. Como eu disse antes sobre a questão do gosto...

domingo, 14 de outubro de 2007

Um rio que passa... e fica

Eu não vi mas já soube: Paulinho da Viola mereceu um programa da série MTV Acústico, como outros artistas - de Gilberto Gil (o pioneiro) a Sandy e Júnior (argh!) tiveram também.

O que mais me impressiona no cantor e compositor que é um símbolo do chorinho, do samba e da Portela é a sua tranqüilidade, por vezes confundida com uma timidez que ele não faz nenhuma questão em desmentir - e principalmente a humildade que ele tem.

Paulinho tem no barato 40 anos de carreira, venceu até Festival da Record - com "Sinal Fechado", em 1969 - mas continua o mesmo. A fala mansa não lhe deixa. Os amigos queridos e parceiros, como Élton Medeiros, Toquinho, Hermínio Bello de Carvalho e Eduardo Gudin, também não. Por isso mesmo, ele é tão querido no cenário musical.

Mesmo que sua produção de canções e novos trabalhos hoje seja inversamente proporcional à quantidade de obras-primas que gravou e/ou compôs, como "Sei lá, Mangueira" (que jamais gravou), "Foi Um Rio Que Passou em Minha Vida", "Lapa em Três Tempos", "Pecado Capital", "Por um Amor no Recife", "Sentimento", "Miudinho", "Dança da Solidão", "Pagode do Vavá" e pra mim a melhor de todas, "Coração Leviano", Pauo César Batista de Faria já é história na música popular brasileira.

Aliás, se Roberto Carlos é propalado como o Rei, o príncipe só pode ser o gentleman e elegantérrimo Paulinho da Viola.

A primeira ninguém esquece

O primeiro GP do Brasil de Fórmula 1 válido pelo Mundial aconteceu em janeiro de 1973. Na época, a temporada automobilística começava - e terminava - bem mais cedo do que hoje e tenho certeza que muita gente tem saudade dessa época. Até 1980, pelo menos, o esquema era esse: corridas na Argentina e no Brasil sempre nessa época do ano.

Isso significava na maioria dos casos, calor escaldante. Não foi exceção no dia em que Emerson Fittipaldi conquistou uma histórica vitória de ponta a ponta diante de uma platéia colossal, com margem de mais de 13 segundos sobre Jackie Stewart e sua Tyrrell.

Para matar saudades, um vídeo com o selo da TV Cultura mas claramente da transmissão da prova pela Globo, que tinha como narrador na época Júlio de Lamare, que faleceria no desastre de avião da Varig em Orly, assim como seu parceiro de transmissões Antonio Carlos Scavone, o maestro Carlos Piper e o cantor Agostinho dos Santos.

Mas pelo que já me disseram, o também saudoso Giu Ferreira participou desta transmissão. Alguém se lembra disso?

Enquanto isso, curtam a narração simples e direta de Júlio de Lamare nos bons tempos em que o Brasil era sinônimo de vitórias e títulos no automobilismo.

sábado, 13 de outubro de 2007

Frase da semana

"A torcida do Fluminense não vai a estádio. Não vai ter nem 10 mil pagantes contra o São Paulo."

frase do 'profeta' Aydano André Motta, às oito e pouco da segunda-feira passada na redação do Sportv quando se discutia o porquê da torcida do Flamengo ter sido maioria esmagadora no último Fla-Flu...

Pois bem: para que ele saiba, hoje foram 32.406 pagantes e 41.188 presentes.

Viu, Aydano? A torcida do Flu vai a estádio - quando quer e contra um time que é o líder do campeonato, porque vencer um que está lá na turma da marola é obrigação.

Saudações tricolores.

Piloto voador


Uau!

Os pilotos estão se especializando em voar na Austrália - literalmente com ou sem suas motos.

Ontem houve a capotagem da Aprília de Roberto Tamburini e na classificação da categoria 250cc, realizada nesta madrugada, foi a vez de Alex de Angelis, da República de San Marino, sofrer um acidente espetacular a mais de 200 km/h.

Milagrosamente, ele nada sofreu - tanto que larga na primeira fila do grid com a quarta posição, ao lado dos espanhóis Jorge Lorenzo, Hector Barberá e Alvaro Bautista.

E agora, quem será o próximo?!?

Paulo Autran

A capa de O Globo e possivelmente de todos os jornais, trazem referências a Paulo Autran, o maior ator contemporâneo do teatro nacional, que foi desta para muito melhor ontem, aos 85 anos, depois de longa enfermidade.

Um mestre em compor personagens de diferentes atores, de Moliére a Shakespeare, Paulo tinha - embora muita gente não acredite - horror por televisão. Tanto que em mais de 50 anos de carreira, fez quatro novelas (Pai Herói, Os Imigrantes, Guerra dos Sexos e Sassaricando), duas minisséries e um Você Decide - que aliás foi seu último trabalho na telinha.

Por colegas de profissão tinha um respeito cego, a ponto de até cuspir em defesa de alguém. E esse alguém não era uma pessoa qualquer: era Tonia Carrero, então casada com Adolfo Celi (que faz o Comendador Manetta em "Grand Prix"), que sofreu uma crítica feroz de Paulo Francis. O xará Autran não gostou do que leu e depois de um espetáculo, cuspiu com tudo no rosto do jornalista.

A minha primeira lembrança do Paulo Autran remete exatamente ao veículo por qual tinha horror, evidentemente em razão de Pai Herói, há 28 anos. Mas foi em Guerra dos Sexos - a impagável novela de Sílvio de Abreu em 1983 - que ele deu um show acompanhado de outra diva do teatro, cinema e TV, Fernanda Montenegro. Como Bimbo e Charlô, respectivamente, eles formaram uma das maiores duplas de antagonistas das telenovelas.

A prova está aqui abaixo, nessa cena antológica dos dois.

sexta-feira, 12 de outubro de 2007

Motoca voadora


É um pássaro?

É um avião?

Nada disso... é uma Aprília de 125cc, mais precisamente do piloto italiano Roberto Tamburini - fora da imagem é claro - que sofreu um tremendo acidente nos treinos para o GP da Austrália, que acontece na madrugada deste domingo em Phillip Island.

O belíssimo flagrante aconteceu segundos antes da máquina se destruir por completo.

Será que depois dessa o Tamburini terá moto pra poder correr?

Respostas, só no treino livre deste sábado.

E dá-lhe BMW!

O Ricardo Goes ficou muito feliz ao ver as fotos do Esquife aqui no Saco de Gatos e, não satisfeito, mandou mais duas!

A primeira abaixo mostra parte do grid de uma prova em Interlagos, 1971. Vemos o Esquife em boa companhia: a Carretera Corvette do lendário Camillo Christófaro e a Maserati de Salvador Cianciaruso. Falta identificar o protótipo #19 e a velha guarda certamente vai ajudar. Não vai?


No segundo registro, eis a BMW 2002 Schnitzer vermelha nos 200 km de Belo Horizonte - em circuito montado no entorno do Mineirão. Esta é a prova que mestre Joaquim citou no primeiro post sobre a Esquife - e o carro foi conduzido pelo "Arguina", em pessoa, até a capital mineira, porque o carro titular sofreu um incêndio durante os treinos. Paulo Gomes guiou na corrida e capotou espetacularmente no fim da disputa. A BMW destruída está abaixo da imagem de Paulão em perseguição à Alfa Romeo GTA #93, creio eu guiada por Antônio Castro Prado.

quinta-feira, 11 de outubro de 2007

Clip da semana - "Sea of Madness"

Os caras que tocam nesse vídeo foram dos muitos que estouraram na geração da contracultura, dos hippies, do flower power e evidentemente de Woodstock: Crosby Stills Nash & Young.

O quarteto veio oriundo de diferentes bandas: David Crosby foi dos lendários Byrds, de Roger McGuinn. Graham Nash tocava em The Hollies. Stephen Stills e Neil Young, no Buffalo Springfield.

A lenda canadense, porém, não tocou com eles no primeiro disco - o que tem as versões de estúdio de "Wooden Ships", "Woodstock" e "Suite: Judy Blue Eyes", músicas que se tornaram conhecidas graças à apresentação de CSN&Y em Woodstock. Aliás, há que se ressaltar que a estréia de Neil Young no grupo se deu justamente em agosto de 1969.

Meses depois, a banda tocou noutro festival de bichos grilos, o Big Sur - na Califórnia. E são desse evento as imagens do grupo executando "Sea of Madness". Detalhe: Neil Young, que todos sabemos, é um excepcional guitarrista, à época mandava muito bem no órgão - no caso um Hammond B3.

Curtam!

quarta-feira, 10 de outubro de 2007

Essa é sob medida pro Räikkönen!

Médicos na Austrália salvaram a vida de um turista italiano envenenado alimentando-o por três dias com vodca administrada em sonda nasogástrica. O turista italiano de 24 anos foi levado ao Hospital Mackay Base, no norte do Estado de Queensland, depois de ter ingerido uma grande quantidade de etilenoglicol, um componente de aditivos de radiador de automóveis, em uma suposta tentativa de suicídio.

O etilenoglicol pode paralisar o funcionamento dos rins e, freqüentemente, é fatal. O médico Pascal Gelperowicz, que liderou a equipe de tratamento junto com Todd Fraser, afirmou que o italiano estava inconsciente quando chegou ao hospital.


O tratamento foi iniciado imediatamente com o álcool farmacêutico, que funciona como um antídoto para o etilenoglicol. Mas os suprimentos de álcool farmacêutico do hospital de Queensland acabaram.

"Rapidamente usamos todos os frascos disponíveis e decidimos que um outro caminho seria fornecer álcool ao paciente por meio de bebidas alcoólicas colocadas em sua sonda nasogástrica", disse Gelperowicz ao jornal The Australian.

Todd Fraser disse que o tratamento pode não ser convencional, mas foi bem sucedido, pois o paciente se recuperou totalmente. "O paciente recebeu o equivalente a três doses comuns a cada hora, durante três dias, enquanto permaneceu na unidade de terapia intensiva", afirmou Fraser.
"A diretoria do hospital foi bem compreensiva quando explicamos nossas razões para a compra de uma caixa de garrafas de vodca", acrescentou.


BBC Brasil

Carros a caminho!

Começa nesta semana o transporte - por via marítima - dos carros europeus que confirmaram presença na 35a. edição das Mil Milhas Brasil, etapa de encerramento da Le Mans Series. Da França, serão embarcados vinte carros cuja viagem deve demorar cerca de 20 dias. Ou seja: no início de novembro, os protótipos e GTs confirmados na disputa estarão no Brasil.

A lista divulgada pelo site planetlemans contempla quatro protótipos LMP1, três LMP2, dois LMGT1 e onze LMGT2 - um contingente até surpreendente, porque só está em disputa nesta classe o vice-campeonato. Virão nesta subdivisão duas Ferrari F430, dois Spyker, um Corvette Z06 e seis Porsches.

Ainda são aguardadas novidades na lista de inscritos. As equipes daqui ainda não se pronunciaram e pode haver um reforço vindo da American Le Mans Series - mas nada 100% certo, nem a presença da Andretti-Green, que fora tão apregoada há pouco mais de um mês.

Certo é que apenas um brasileiro - Mario Haberfeld - está confirmado por enquanto na lista de inscritos. A programação do evento já foi anunciada: treinos livres na quarta-feira - um deles noturno e uma terceira sessão na quinta. A classificação, com 20' de duração para os protótipos e GTs, que classificam em separado, é tambem na tarde da quinta. A largada para 374 voltas ou 11h30 de prova será dada ao meio-dia do sábado.

terça-feira, 9 de outubro de 2007

Coleguinha nua


A badalada e aguardada edição da Playboy de outubro já está nas bancas. Mônica Veloso, a jornalista que se envolveu com o senador Renan Calheiros - aquele mesmo que escapou incólume da cassação de seu mandato no senado - fez um ensaio como veio ao mundo, produzido na Casa da Gávea, no Rio de Janeiro.

A revista foi lançada hoje em território nacional e lá em Brasília, onde a temperatura continua em ebulição, os congressistas não se furtaram em garantir seus exemplares. Em apenas uma hora, a banca do Congresso Nacional vendeu 40 Playboys.

Photoshop à parte, não há como negar que para uma mulher de 39 anos, ela está em excelente forma. Entre seus atributos, destaca-se uma singela tatuagem no derriére - um convite e tanto para viajar nas curvas de um corpo moreno e bonito como o dela.

Uma pergunta, todavia, me intriga:

O que será que ela viu, sincera e honestamente, num homem como Renan Calheiros?

Cartas para a redação.

Inacreditável

O que eu já tinha ouvido Fausto Macieira falar na transmissão da MotoGP em Motegi confirmou-se hoje: Carlos Checa, que não vence uma corrida há quase 10 anos, arrumou vaga no Mundial de Superbikes de 2008.

Inacreditável: a vaga é da equipe Honda Ten Kate, onde corria o britânico James Toseland, já de contrato assinado com a Yamaha na MotoGP. Checa, que faz 35 anos daqui a seis dias, não faz nada de muito útil na categoria máxima do motociclismo há anos. Em 13 temporadas, constam apenas dois triunfos em seu currículo. É muito, muito pouco.

E enquanto isso, o nosso Alex Barros, com toda experiência e quilometragem que Deus e o tempo lhe deram, vai ficando, como também diz mestre Fausto Maci, pedestrian no próximo ano. Na MotoGP, ele não deve ter vaga. Na Superbike, há propostas mas ele nos segredou nos bastidores do Linha de Chegada que elas dificilmente irão se concretizar.

Uma pena.

Há 39 anos em Joinville...

As fotos são de 1968. Completam quatro décadas ano que vem e o amigo Ingo Hofmann, através do seu vasto acervo, compartilha com os leitores do blog imagens da corrida realizada na cidade catarinense de Joinville, por ocasião do aniversário daquela cidade em 9 de março.

Pelo relato do nosso bravo Ingo, a corrida terminou de forma trágica, pois um acidente ceifou a vida de quatro espectadores.

Nos registros abaixo, vemos Walter Hahn com o Simca Regente #7 e o também piracicabano Max Weiser castigando o DKW #74.

Há uma terceira imagem, de uma Carretera Simca #90. Alguém sabe dizer quem seria o piloto na ocasião?





Escolha óbvia

Sete mil km de testes ao longo do ano e cinco aparições nas sextas-feiras com um terceiro carro da Williams foram decisivos para que Frank Williams optasse pelo que era óbvio - embora a gente não quisesse: Kazuki Nakajima, filho do folclórico Satoru, estréia na Fórmula 1 no GP do Brasil do próximo dia 21 de outubro, ocupando o carro que era do austríaco Alex Wurz.

Nakajima mostrou muita velocidade na segunda metade do ano de estréia na GP2, colecionando pódios e a pole position para a prova longa da rodada final de encerramento do campeonato, em Valência. Naturalmente, por ter um maior conhecimento do conjunto Williams-Toyota FW29, acabou o escolhido - pondo fim às especulações que chegaram a render possibilidades de estréia a Nelson Ângelo Piquet, filho do tricampeão mundial Nelson Piquet.

Desta forma, o Japão vai representado por três pilotos na etapa derradeira de Interlagos: além de Kazuki, Takuma Sato vai de Super Aguri e Sakon Yamamoto estará a bordo da Spyker.

segunda-feira, 8 de outubro de 2007

Eighty-eight



Um enigma "leve" desta vez:

Quem é o piloto do Avallone #88 que aparece em primeiro plano na foto acima? A inscrição "GB" não quer dizer Galvão Bueno... é sim a sigla do extinto estado da Guanabara. Acho que a foto foi tirada em Curitiba, 1973.

Será que a velha guarda que acessa o blog vai matar "de prima"? Aguardo respostas.

Autódromo não é casa da sogra - III



Cruel, mas verdadeiro... eis dois registros fotográficos do que fizeram com o Autódromo de Goiânia por ocasião de uma micareta - aquele horrendo carnaval fora de época que umas bestas insistem em realizar - que arrasou as instalações do circuito.
A lixeirama ficou espalhada pelos boxes e a garagem 36, da segunda foto, virou depósito de sacos e mais sacos de detritos... imaginem vocês, amigos leitores, o cheiro!
Trata-se de um perfeito local para o surgimento inclusive daquelas enormes ratazanas...
E não falo dos homens que administram - mal - o autódromo e nem dos que transitam ali por perto, a pouco mais de 200 km, numa tal de Brasília.

O boa-praça diz adeus



O xará do meu amigo e companheiro de Sportv, Grünwald, pediu o boné. Alexander Wurz correu na China sua última corrida na Fórmula 1. O piloto de 33 anos anunciou sua despedida durante a semana e nesta segunda aproveitou para antecipar sua decisão.

Com apenas três pódios conquistados ao longo da carreira - o último deles no Canadá este ano, quando foi 3º - ele manteve intacta sua reputação de competente acertador de carros e de piloto de testes eficientíssimo, função que desempenhou por anos na McLaren e ano passado pela Williams, a partir de hoje sua ex-equipe.

Wurz não descarta uma futura presença em provas longas. Ele já correu - e ganhou - a clássica 24 Horas de Le Mans, com um TWR Porsche alinhado pela Joest Racing. Frank Williams, o big boss, lamenta a saída do austríaco da categoria máxima. "Foi um dos melhores pilotos de teste que já tivemos", confirmou.

A equipe inglesa deve anunciar o novo piloto amanhã. Kazuki Nakajima, melhor estreante do ano na GP2 e piloto-reserva, tem boas chances. Mas não se pode descartar a possibilidade da estréia imediata de Nelson Ângelo Piquet com o carro #17 em Interlagos.

Quem sabe, até, antevendo o futuro do filho do tricampeão mundial em 2008...

Autódromo não é casa da sogra - II







O atento leitor Pedro Furtado contempla os amigos do blog com algumas fotos do que restou do Autódromo de Jacarepaguá. Aparentemente, o mato foi podado e o que restou da pista está em bom estado. Parte do estacionamento interno ainda guarda veículos que foram usados no Pan. A maresia também contribui com uma grande parcela de culpa para o mau estado do complexo, corroendo telas de proteção, grades das arquibancadas e a estrutura das mesmas.

Fica aquela perguntinha básica: será que haverá mesmo obra para recuperar aquela que um dia foi a melhor pista da América do Sul?!?

O esquife voador

Abro a minha caixa de e-mails e me deparo com uma grata surpresa: uma mensagem de Ricardo Goes, filho do saudoso Aguinaldo Goes Filho, o “Arguina”. Anexa a ela, três fotos históricas da BMW “Esquife” que disputou provas no Brasil entre 1968 e 1972.

O carro foi assim batizado porque o bravo “Arguina” teve a idéia de serrar a capota do modelo 2002 que a CEBEM alinhava nas provas de Endurance. Com folhas de alumínio em torno do cockpit, o carro poderia perfeitamente ser confundido com um caixão sobre rodas: virou o “Esquife Voador”.

As fotos aqui abaixo são sensacionais: na primeira, “Arguina” e Paulão Gomes (ele mesmo, já com a calvície aparente) prestam atenção a um mecânico. Na de baixo, vemos Ciro Cayres “castigando” a BMW nos 1.500 km de Interlagos de 1971, prova que venceu em dupla com Jan Balder. Detalhe: como se vê, Cirão corria de capacete aberto, óculos de competição, camiseta esporte e sem luvas!

Agora entendi porque o Balder ironizava tanto o Cyro em seu livro “Histórias do Automobilismo Brasileiro”, quando ele dizia que o experiente piloto queria “ar na cara” correndo com a BMW.

Ah... antes de agradecer pelas fotos, o Ricardo quer saber do José Augusto como ele pode fazer para adquirir a miniatura da BMW “Esquife”.

Apareça, José Augusto, e revele o segredo! E Ricardo, obrigado por compartilhar conosco belas imagens do seu acervo!




domingo, 7 de outubro de 2007

Frase da semana

Se torcida ganhasse jogo, a China seria campeã mundial em todos os esportes.

Saudações tricolores!

Sayonara, kamikaze

Abro o site Grande Prêmio e me deparo com a notícia da morte prematura do piloto japonês Norifumi Abe, acontecida neste domingo aos 32 anos de idade. Norick foi por muitos anos piloto da Yamaha nos Mundiais de 500cc, MotoGP e Superbikes. E hoje, lamentavelmente ele foi colhido por outro veículo num cruzamento em U numa estrada nas proximidades da cidade de Kawasaki.

Aguerrido, de estilo agressivo, Abe era um autêntico kamikaze e mostrou que era bem isso quando de sua estréia no Mundial de Motovelocidade. Com 19 anos e a bordo de uma Honda, ele guiou muito no GP do Japão de 1994 em Suzuka. Empolgou-se tanto que foi ao chão.

Abaixo, os melhores momentos dessa corrida brilhante de estréia de Abe, que agora vai se juntar a muita gente boa lá no andar de cima.

O segredo é a base

Muitas vezes nos perguntamos o porquê do sucesso dos pilotos brasileiros no exterior desde que Emerson Fittipaldi lhes abriu as portas no fim dos anos sessenta. Invariavelmente, a resposta é a mesma: além do imenso talento dos nossos representantes, a base também contribuía, com campeonatos fortes de kart e monopostos, que preparavam bem a turma de baixo para chegar à F-1 com um bom currículo.

Hoje, lamentavelmente o panorama é inverso. O kart ainda é uma excelente escola, mas é caríssimo. Minguaram TODAS as categorias de monoposto que tivemos de 1970 para cá: Fórmula Ford, Fórmula Vê, Supervê, Fórmula 2 Brasil, Fórmula Chevrolet e Fórmula Renault. A Fórmula 3 "sul-americana" é a única que sobrevive, só com pilotos brasileiros, carros construídos em 2001 e motores Berta de cilindrada superior à usada nas similares internacionais.

Por isso, é cada vez menor o número de pilotos que fazem as categorias ditas nacionais e vez por outra somos surpreendidos com a aparição de um ou outro nome. Por exemplo: eu não conhecia um menino chamado Tiago Geronimi, que hoje está na Fórmula BMW alemã. E mesmo as portas nas categorias internacionais não se abrem para todos. Por isso mesmo, vemos talentos como João Paulo de Oliveira e Roberto Streit ralando no automobilismo japonês.

Vivemos um contraste com o momento que passa, só a título de exemplo, o automoblismo alemão, cada vez mais florescente. E a isso, não chamemos de "efeito Schumacher". Os teutônicos sempre investiram em automobilismo, têm marcas tradicionais como Porsche, Mercedes-Benz, Audi, Opel e BMW, e com dinheiro jorrando, não é difícil imaginar que lá surjam tantos nomes bons.

Taí a nova turma que representa o país na Fórmula 1, com Adrian Sutil, Nico Rosberg e esse extraordinário Sebastien Vettel, como coadjuvantes do redivivo Nick Heidfeld. Há ainda Timo Glock, que após uma boa passagem pela ChampCar não desistiu do sonho da categoria máxima e está muito próximo de realizá-lo. E não esqueçamos dos jovens Christian Vietoris e Nico Hülkenberg, que representaram o país na campanha vitoriosa da A1GP e com grande brilhantismo, já marcam bons resultados na F-3 apresentando armas para a GP2 ano que vem.

Enquanto isso, a nossa fonte vai secando e eu vou perguntando: até quando?

Eletrizante!




A voz do povo é a voz de Deus.

Ao contrário do que muitos - inclusive eu - achavam que aconteceria, eis que a decisão da Fórmula 1 vem para o Brasil, no próximo dia 21. E não com dois pilotos na disputa, como também se achava - mas com três, e separados por sete pontos de diferença.

Tudo porque Lewis Hamilton resolveu errar quando não podia. E como dizem aqui no Brasil, "camarão que dorme, a onda leva". O camarão do líder do campeonato cochilou na China e se puxar um ronco em Interlagos, adeus chance de título inédito.

Räikkönen, que estava tão outsider quanto Alain Prost no já distante - mas sempre lembrado - campeonato de 1986, venceu e assim tem possibilidades de também ser campeão. Com 100 pontos somados e distante sete de Hamilton, ele tem também cinco vitórias e de todos os três é quem curiosamente vai levar vantagem no primeiro critério de desempate: as vitórias.

Senão vejamos: digamos que Kimi vença em Interlagos e Hamilton chegue em sexto. Os dois somariam 110 pontos e o finlandês ganha por 6 x 4 no número de conquistas. O piloto da Ferrari tem é que torcer pra Lewis não ser 5º colocado e Alonso segundo, o que acarretaria num empate de pontos entre os dois pilotos da McLaren.

Querem saber o que acontece nessa circunstância?

Empate em número de vitórias (quatro), em segundos lugares (cinco), em terceiros (três) e, pasmem, em quartos (um para cada)! O que decidiria o título em favor de Lewis seria justamente o 5º lugar do Brasil... que coisa!!!

Mas aí tem o seguinte: Alonso vence e Hamilton chega em terceiro. O resultado? Empate em pontos - 113 x 113. Campeão? Alonso, com cinco vitórias contra quatro do inglês.

São muitas análises combinatórias de resultados que podem dar o campeonato para qualquer um dos três. E neste momento, quando os motores já não roncam mais, fico pensando aqui no seguinte: será que Felipe Massa está satisfeito com a sua 4ª posição no campeonato, 14 pontos atrás de um recém-chegado na Ferrari?

***

Tirando a turma da primeira divisão, entre os coadjuvantes o destaque absoluto vai para três pilotos: Vitantonio Liuzzi, Jenson Button e Sebastien Vettel.

O italiano, mesmo com a fama de estabanado ganha neste ano e no último como piloto da STR, fez uma corrida muito boa e marcou seus primeiros pontos no campeonato. Um aviso de que ele não quer desistir assim tão fácil da categoria máxima em 2008.

Button deu mais uma surra em Barrichello, desta vez com requintes de crueldade, pois levou o tísico carro da Honda à superpole e hoje ao melhor resultado da equipe na temporada. A matriz finalmente supera a filial Super Aguri - o que não era mais do que obrigação. Rubens, coitado, vai levar para si na próxima temporada o fardo da marca de mais GPs disputados na Fórmula 1. Perguntem ao Riccardo Patrese se ele gosta de ser lembrado por isso?

Para finalizar: é craque esse Sebastien Vettel! Vinte anos, cara de moleque mal saído da adolescência e guiando essa barbaridade toda, como mostrou na chuva do Japão e hoje na China. O choro copioso de Fuji transformou-se em alegria incontida com a excepcional quarta colocação conquistada pela filial da Red Bull - um resultado com o qual, acredito, ele jamais sonhou em tão poucas corridas disputadas.

É... Tião Bourdais que se cuide ano que vem.