sexta-feira, 30 de março de 2007

Reunião de bacanas


Eu sei, eu sei... essa foto já correu meio mundo, todos aí já são deveras conhecidos de muita gente, et cetera e tal.

Mas esse é o registro de um momento muito legal porque esse povo todo aí (eu inclusive, sentado à direita na foto, de camisa azul-escura com detalhes em vermelho) participou da reunião que celebrou na última terça-feira o quarto aniversário do Linha de Chegada, o primeiro debate sobre automobilismo da TV brasileira, exibido pelo Sportv.

O pioneirismo do canal foi recordado por quem lá esteve, especialmente os nobres Eduardo "Borracha" Abbas e o apresentador e comentarista Reginaldo Leme, fera, craque e ótimo contador de histórias. Aliás, o papo só terminou altas horas da madrugada e com grandes revelações do Regi.

Na foto, entre os que pude identificar estão de pé: Dinho Leme (o terceiro da esquerda para a direita), Rodrigo França (o sexto, na mesma ordem), Carsten Horst e Bruno Terena.

No meio: Lito Cavalcanti, Wagner "Beegola" Gonzalez, Dani e Reginaldo Leme, Anderson Marsilli, Bruno Vicaria e o escriba deste blog.

E em primeiro plano, Tiago Wesley e seu visual Rafael Vannucci, ladeado por Flavinho Gomes, Borracha e o confrade Victor Martins.

Faltou muita gente boa aí: Pandini, Alessandra Alves, Cláudio Carsughi, Fábio Seixas, Carlos Cintra Mauro (Lua) e tantos outros periodistas de jornal e TV que a memória agora não recorda. E que provavelmente já dormiam um sono profundo enquanto nós gatomestrávamos sobre inúmeros assuntos. Praticamente todos sobre automobilismo, claro.

Parabéns ao Sportv, ao Regi, ao Borrachinha e a quem faz o programa acontecer, pelos quatro anos de vida. E que venham na esteira muitos outros mais.

52 neles!!!!!

Em pé: Píndaro, Jair, Édson, Bigode, Castilho e Pinheiro. Agachados: Telê, Orlando Pingo de Ouro, Marinho, Didi e Quincas. Este time do Fluminense de 1952 é campeão mundial interclubes. E ponto final.

A imprensa paulistana festeja berrando manchetes pelos quatro cantos: o Palmeiras é o novo campeão mundial interclubes de futebol. O leitor me perguntaria: como? onde? por que?

Como? Bem... o alviverde ganhou a Copa Rio, torneio internacional realizado no Rio e em São Paulo - apesar do nome - e organizado pelo jornalista Mario Filho, do Jornal dos Sports. Naquele ano, os times convidados foram oito.

Do Brasil, o Vasco (campeão carioca de 1950) e o Palmeiras (campeão paulista de 1950 e do Rio-SP de 1951).

De Portugal, o Sporting de Lisboa (campeão da temporada 1950/1951).

O Áustria de Viena, campeão do seu país na temporada 1949/50, também veio.

Do país então campeão mundial de futebol, o Uruguai, veio o Nacional.

A Juventus de Turim, campeã italiana de 1949/1950, aceitou o convite. A lista foi completada pelo Estrela Vermelha, da então Iugoslávia e o Olympique Marseille, campeão francês. Os times foram divididos em duas chaves - uma no Rio, com jogos no Maracanã e outra em São Paulo, com partidas realizadas no Pacaembu.

No grupo do Rio, o Vasco atropelou Sporting e Áustria de Viena com duas goleadas pelo mesmo placar - 5 x 1, vencendo também o Nacional por 2 x 1. O Áustria, que goleou o Sporting e venceu o Nacional, ficou com a segunda vaga nas semifinais.

Em São Paulo, a Juve venceu todos os seus três jogos na chave preliminar. Olympique e Estrela Vermelha foram derrotados, ambos, por 3 x 2. E o Palmeiras sucumbiu por 4 x 0 diante da Vecchia Signora. Como o Palmeiras venceu os outros dois times do grupo, deu Juve em primeiro, Palmeiras em segundo.

Nas semifinais, deu Palmeiras x Vasco e Juventus x Áustria de Viena. A Juve classificou-se às finais com um empate em 3 x 3 e uma vitória por 3 x 1. Já o Palmeiras fez o suficiente para eliminar o Vasco, com um 2 x 1 no primeiro jogo e um empate sem gols no segundo.

No onze alviverde, despontavam no ataque os ótimos Jair Rosa Pinto e Rodrigues. Foram eles os artífices do título e da vingança palestrina sobre o time de Turim, derrotado pelo placar mínimo no primeiro jogo da final, em São Paulo. No Maracanã, bastou o Palmeiras conseguir o empate e o 2 x 2 foi suficiente para o título da Copa Rio.

Pois bem: houve no ano de 1952, uma segunda edição do mesmo torneio, que teria dez times em vez de oito. Só que o Racing de Avellaneda (Argentina) e a Juventus, vice-campeã de 1951, alegaram problemas em seus elencos e não compareceram. Desse modo, houve outra vez a divisão em duas chaves de quatro, de novo com sedes no Maracanã e no Pacaembu.

O grupo carioca teve o Fluminense (campeão carioca de 1951), o Peñarol (então campeão uruguaio), o Grasshopper da Suíça e, novamente, o Sporting de Lisboa. No grupo de São Paulo despontavam Corinthians, Libertad do Paraguai, Saarbrücken de Bonn (Alemanha) e outra vez o Áustria de Viena.

O Flu se classificou para as semifinais com duas vitórias sobre Grasshopper e Peñarol e um empate contra o Sporting. Os uruguaios passaram como segundos colocados do grupo. Em Sampa, deu Corinthians com duas suvacadas sobre Libertad e Saarbrücken e um apertado 2 x 1 no Áustria de Viena, que ficou em segundo.

Nas semifinais, o Corinthians teve uma tarefa mais fácil. Venceu o Peñarol na primeira partida por 2 x 1 e só entrou em campo na segunda para ir à final. Os uruguaios não compareceram, perdendo por W.O.

O Flu, treinado por Zezé Moreira e que carregava a mística do "timinho" que goleava por 1 x 0, desencantou contra o Áustria de Viena. Vitória de goleada por 1 x 0 no primeiro jogo e uma sapecada por 5 x 2 no segundo, provocando a final brasileira contra o Corinthians.

Os dois jogos foram no Rio, a 30 de julho e 2 de agosto. Na primeira partida, com atuação magistral de Telê, Didi e Orlando Pingo de Ouro, o Flu bateu o Timão por 2 x 0. Bastou o empate no segundo jogo para que o tricolor das Laranjeiras chegasse ao título de campeão da II Copa Rio.

Agora eu me pergunto: se o Palmeiras conseguiu da FIFA o reconhecimento de seu título, por que é que a entidade não dá ao Fluminense o mesmo status, considerando que a competição é exatamente a mesma?

Acho uma graça nisso, porque só ouço falar que fulano de tal e sicrano de tal são campeões do mundo. Mas em um jogo só? Em campo neutro? É justo? Eu não acho. E por isso eu digo: O FLUMINENSE É CAMPEÃO MUNDIAL SIM.

Como são o Palmeiras, o Santos, o Corinthians, o São Paulo e o Internacional.

Flamengo e Grêmio (e até o São Paulo dos títulos de 92/93) que me perdoem, mas Mundial em jogo único é dose pra mamute!

Não tem preço

Cícero (à direita): o novo carrasco do Urubu?



Imaginem a seguinte situação: dois eternos rivais há coisa de 96 anos, se encontram no Maracanã. Um, com a cabeça mais na Libertadores do que na Taça Rio. O outro, precisando vencer desesperadamente para seguir com chance de classificação à semifinal - ou seja: com um longo e penoso caminho pela frente.

Esse era o panorama do Fla x Flu da última quinta-feira. O clássico eterno do futebol mundial não empolgou o torcedor - tanto que eram pouco mais de 11 mil pagantes nas arquibancadas do Mário Filho. Não é o menor público da história do jogo, mas sem dúvida foi decepcionante.

Como também a atuação do Fluminense no primeiro tempo. Precisando vencer, o tricolor foi o tempo todo encurralado pelo rubro-negro da Gávea. E foi premiado pela covardia: aos 29 minutos, jogada de Roni e gol do bonde chamado Souza (perdão, Tennessee Williams) - o primeiro dele com os pés, desde que assumiu o posto de centroavante.

Na volta do intervalo, depois de uma chamada dos mais experientes como Luiz Alberto, Fabinho e o goleiro Fernando Henrique, o Flu voltou "ligado na tomada" e depois de boa jogada do ótimo lateral Carlinhos, Cícero empatou o jogo.

E o Flu cometeu o velho erro de sempre: recuou de novo. Trouxe o Flamengo para seu campo e permitiu chances claras ao rival. Para surpresa de muitos, ao contrário de outros jogos, FH esteve seguro, eficiente e muito bem em diversas intervenções, constituindo-se na grande figura da noite.

Por cansaço ou contusões, Joel Santana tirou do time Carlinhos, David e o apagadíssimo Soares, que foi omisso o clássico inteiro. Entraram André Moritz, Thiago Neves e Lenny - e o Flu melhorou um pouco. Mas nenhum deles quase fez o segundo gol, um oferecimento do horroroso zagueiro Irineu, que Alex Dias chutou para fora - com a baliza totalmente escancarada.

Mas como não há mal que sempre dure, o mesmo Alex, aos 48 minutos do segundo tempo, deu um passe magistral para o "carrasco" Cícero, que com um sem-pulo de primeira mandou de uma só vez a bola e o goleiro Bruno pro fundo das redes.

Gol! O gol da virada, da vitória, da redenção momentânea de um time que até agora não disse ao que veio. Mas que... diabos! Ganhou um Fla-Flu.

E ganhar um Fla-Flu de virada é que nem ter o MasterCard. Não tem preço.

***

Em 35 anos de vida, lembro de diversos jogadores que foram decisivos em Fla-Flu. Manfrini, ídolo de toda uma geração, foi um dos primeiros. Depois, o "carrasco eterno" Assis, que nos deu dois títulos em 83 e 84 e ficou para sempre na memória tricolor.

Ézio, com seu faro de gol, adorava balançar as redes flamengas - fez mais de 15 gols contra o rival. Também Agnight e, pasmem, Tuta, deixaram a sua marca várias vezes.

Agora é a vez de Cícero entrar para a história do clássico.

Será que pintou o novo "carrasco"?

A conferir no Brasileirão.

Subindo no telhado

Uma série de acontecimentos podem precipitar a saída tão falada do Grande Prêmio da França do calendário da Fórmula 1 em 2008.

A começar pela saída do maior defensor do evento em Magny-Cours, sede da corrida desde 1991, do cargo de presidente da Federação de Automobilismo. Jacques Regis não está mais no comando da FFSA e este foi um duro golpe para a organização da prova.

Além disto, a pista - que é localizada numa região de difícil acesso - recebe constantes críticas e, com exceção do GP realizado em 1999, as provas no geral são uma chatice absoluta.

Se formos pensar com a razão, nos perguntaremos para sempre porque cargas d'água a FFSA tirou a prova de Paul Ricard para levar àquele lixo de circuito que é Magny-Cours.

O traçado da Riviera é maravilhoso, com um "pusta" retão de 1,8 km, curvas de alta e de baixa, esses e toda a sorte de desafios. E depois de um período de abandono, está muito seguro. Ganhou a denominação de "pista de testes de alta performance", mas poderia muito bem voltar a receber a corrida da França já no próximo ano.

Há um porém (ai, porém!): Bernie Ecclestone, o Andy Warhol da Fórmula 1, acena com a possibilidade de uma corrida de rua nas proximidades de Paris, só em 2009. Ok... o apelo é bacana, a cidade-luz é linda mas, com Paul Ricard dando sopa, fica a pergunta:

Pra que pista de rua no GP da França?

quinta-feira, 29 de março de 2007

Tranqueira II

É pra rir, ou pra chorar?

Jonny'O Quest, o incansável colaborador deste e de outros blogs, garimpou mais façanhas do pessoal que fez o Dywa, a tranqueira de outro post mais abaixo.



A reprodução de uma revista italiana mostra fotos do projeto de um Fórmula 1, bem semelhante ao modelo da Tyrrell de 1983 / 1984 (pelo menos na estética, jamais na tradição e no desempenho, diga-se). O desenho é de Dydo Monguzzi e o carro tinha, de saída, 35 quilos acima do peso mínimo exigido pelo regulamento da época.

Mas se faltava competitividade, sobrava criatividade para produzir mais tranqueiras.


Nas duas fotos daí acima, na seqüência, outros produtos da Dywa. O primeiro é um Fórmula 3000, que ganhou não sei por que a alcunha de Monte Carlo 001. Esta trapizonga apareceu pela única vez numa prova da categoria em 8 de junho de 1986, na etapa de San Marino, com Fulvio Ballabio (cruzes!) ao volante. Como efeito, entre 34 inscritos, foi o mais lento e o piloto não se classificou.

O segundo é um Fórmula Júnior, categoria que até hoje existe como esteio de jovens pilotos na Itália, cujo campeonato era administrado pela escola de pilotagem de Heny Morrogh, onde formou-se o americano Eddie Cheever.

Fadada à extinção

Bom dia, gente amiga. O primeiro post da quinta-feira é sobre a A1GP, o campeonato criado por um xeque árabe para representar mais de 20 países e assim formar a Copa do Mundo do Automobilismo.

O esquema era, no papel, bastante simples. Chassis, motores, pneus e câmbios iguais para todos e carros cuidados pelas principais equipes do automobilismo europeu, sob a tutela de grandes nomes do automobilismo, como Emerson Fittipaldi, Alan Jones e John Surtees.

A receita não deu muito certo no primeiro ano. A França sobrou na turma e com seus pilotos Nicolas Lapierre e Alexandre Prémat, foi campeã. O Brasil revezou ao volante de seu carro o filho de Nelson Piquet, Nelson Ângelo, e Christian Fittipaldi, que não pilotava monoposto há anos e jamais conseguiu bons resultados.

Em 2007, a situação é ainda pior. O Brasil é décimo-sétimo com apenas nove pontos somados, à frente de potências como Índia, Cingapura, Irlanda, Indonésia e Paquistão - mais ou menos como um terceiro-mundo do automobilismo. E tudo isso com a disputa de nove rodadas duplas, somando 18 etapas. A Alemanha, de Nico Hülkenberg e Christian Vietoris, lidera com 27 pontos de frente para a Nova Zelândia.

O problema da A1GP, além do pouco retorno em relação ao investimento feito pelo xeque Makhtoum, é a falta de público nos autódromos e o desinteresse da mídia por um campeonato que nunca emplacou, mesmo realizado no período em que as principais categorias do automobilismo terminam ou começam suas temporadas.

Vocês acham que saiu na imprensa britânica, exceto na Autosport, alguma linha ou nota sobre a vitória de Oliver Jarvis no último domingo, no México? Conversa fiada...

E sem a promoção que se esperava, com pilotos de segundo ou terceiro time e baixa divulgação na mídia, a A1GP parece, cada dia mais, fadada à extinção.

***

Em tempo: um certo locutor vai fazer pela primeira vez em sua carreira uma transmissão da IRL no próximo domingo, quando acontece o GP de São Petersburgo. Como será que ele vai se portar depois de anos metendo o pau neste campeonato em seu blog e em sua página do UOL na internet, hein?!?

A corrida não vai passar ao vivo na TV aberta, só em tape, às 10h30 da noite.

Depois tem quem meta o pau na Globo e no Sportv...

quarta-feira, 28 de março de 2007

Tranqueira


Honestamente, achei que já tinha visto carros muito feios na história do automobilismo.

Mas uma tranqueira feito o Dywa (na foto aí acima, cortesia do bom amigo Jonny'O), conseguiu ser insuperável neste quesito.

O carro em questão foi concebido e construído em 1980 para correr com o convencional motor Ford Cosworth DFV de 8 cilindros e 3 litros de capacidade cúbica. Mas qual! Na lista de prováveis possibilidades para a Fórmula 1 daquele ano, nem ousou aparecer. E olha que eu saberia, porque mesmo tendo de oito para nove anos na época, já acompanhava automobilismo com muito interesse e tinha dezenas de exemplares da Quatro Rodas em casa.

Reza a lenda e o nosso bravo Jonny'O Quest que o Dywa teria sido apresentado para correr na Fórmula Aurora. E em que pese a March ter participado com um modelo zero em 1978, esta traquitana era realmente uma coisa horrorosa.


Reparem bem nas linhas da dianteira e na suspensão do carro, algo absolutamente ultrapassado para a época. Todo mundo praticamente usava suspensões com amortecedores inboard e os engenheiros que projetaram (?!?) o Dywa não tiveram essa preocupação, dotando o carro de uma suspensão outboard bastante simples.

Com tantos equívocos, não é de se estranhar que a aventura nunca tenha tido sucesso - se é que um dia ousaram sonhar com isso. O Dywa jamais correu uma única prova, quer seja na F-1 ou na F-Aurora.

terça-feira, 27 de março de 2007

A Nelson o que é de Nelson

Ontem de madrugada assisti parte de “Beijo no Asfalto”, um dos muitos filmes baseados em obras do excepcional dramaturgo Nelson Rodrigues. Ver essas produções é uma experiência e tanto principalmente para quem, como eu, não leu todas as suas obras – a minha única exceção é “Asfalto Selvagem”, que originou a minissérie e o filme “Engraçadinha, seus amores e seus pecados”.

Em suas obras, Nelson desconstrói de cabo a rabo os valores da família brasileira. Nada do que é descrito foge à realidade. Há, sim, filhos que amam as mães, pais com tesão pelas filhas, traições, estupros, canalhas, prostitutas, pessoas incorruptíveis e toda a sorte de personagens. Trata-se de “A Vida Como Ela É...” levada às últimas conseqüências.

E o que é mais interessante é que como já foi dito e descrito por muitos, ele não falava um único e escasso palavrão. Mentira: disse um quando uma amante (Yolanda Camejo, uma espanhola das Ilhas Canárias com quem se envolveu) ligou na residência de sua mãe ofendendo toda sua família.

Por isso mesmo quando se ouve e vê o festival de palavrões e sacanagens que norteia todos os filmes baseados em sua obra, todos pensam que o universo rodrigueano é sem-vergonha, despudorado, devasso, depravado. Não é por aí não.

“Vestido de Noiva”, por exemplo, é uma obra até hoje cultuada. Foi produzida em 1943, rapidamente adaptada para o teatro e elogiada, incensada como uma das mais brilhantes peças de todos os tempos. Alguns, como Manuel Bandeira, teriam dito que na primeira tentativa, Nelson atingiu a perfeição digna da obra-prima. E de quebra, todo mundo elogiou o filme produzido e dirigido por Joffre, o filho mais velho do dramaturgo, que tem Simone Spoladore no papel principal.

Como pode então ao longo dos 37 anos seguintes um autor ser tão perseguido quanto Nelson Rodrigues? Bem... nem todos os governos o incomodaram. O de Getúlio (o último, de curta duração) sempre o deixou quieto – no primeiro, deixavam as peças serem encenadas no Teatro Municipal. Mas Dutra o censurou e os militares (ora vejam... Nelson era reacionário, radical de direita) não o pouparam na mesma medida.

O autor morreria aos 68 anos, no dia 21 de dezembro de 1980, vítima de um problema crônico de coração e pulmão, fruto de anos de cafezinhos fumegantes acompanhados por mata-ratos como o lendário Caporal Amarelinho.

E quase três décadas depois, não é nenhuma surpresa que o autor seja mais reconhecido hoje do que era em sua época. Afinal das contas, ao que parece, as pessoas não estavam preparadas para reconhecer a sua genialidade e penetrar fundo no universo rodrigueano.

segunda-feira, 26 de março de 2007

Culto aos dinossauros

Sinto uma má-vontade enorme dos “críticos” quando o assunto é a volta de artistas e / ou bandas que fizeram muito sucesso num passado não muito remoto. Lendo a última Rolling Stone de forma não muito detida, confesso, deparei-me com a coluna de Miguel Sokol onde ele metia o sarrafo na reunião dos Mutantes.

Não gostei porque, mesmo sendo fã do grupo no tempo em que a Rita Lee ainda fazia parte da banda, é desmerecer demais o esforço de Sérgio Dias em querer reunir parte da primeira formação, no que ele quase foi 100% bem-sucedido, não fosse a má-vontade de Rita e a briga com Liminha. De forma que qualquer besteira que foi dita ali naquele quarto de página cai no esquecimento rapidamente, ainda mais pra quem – como eu – viu um dos shows da volta.

E por que estou escrevendo mais uma vez sobre a turma das antigas? Ora... primeiro porque gosto muito de rock antigo, bem-feito, de primeira. Segundo porque, mesmo com a ausência de Elton John (é, CEM, gastaste todo o dinheiro do Rio pro Pan e não sobrou um níquel pra pagar o cachê do Reginaldo...), a velha guarda nunca esteve tão bem representada por aqui.

Vieram o Asia, grupo paralelo de trabalho de gente do naipe de Carl Palmer, lendário batera do progressivíssimo Emerson, Lake and Palmer. E veio Rogério Aquático, ou melhor, Roger Waters, desfilar os grandes hits do Pink Floyd – inclusive o álbum “Dark Side of The Moon” na íntegra, para dois shows – um no Rio, outro em São Paulo.

Não fui por absoluta falta de grana. Quem compareceu, sabe que música boa não faltou. Com pontualidade britânica até demais, Roger abriu o espetáculo no Rio às 21h30 e desfilou sua competência para mais de 35 mil espectadores, que deliraram ao som do disco que é uma lenda do rock and roll e também com músicas do calibre de “Comfortably Numb”, “Wish You Were Here” e a sensacional “Another Brick In The Wall”.

Eu não sei o que David Gilmour pensa a respeito disso tudo. Aliás, não me interessa o que ele acha. Foi graças a este sujeito que um dos maiores grupos da história da música foi pro espaço. A partir do momento em que ele começou a se achar o dono da marca e das músicas, o Pink Floyd perdeu o sentido e o carisma natural de Roger Waters.

Enfim, fecho este post lembrando que outra lenda da música deve aportar por aqui muito em breve: o Genesis, para alegria do meu amigo Maurício Noriega (que vai a Chicago ver um dos shows da turnê), volta depois de algum tempo sem se reunir. Muitos lamentarão que Peter Gabriel, membro original e performer da mais altíssima qualidade, não estará presente. Mas o carequinha Phil Collins, tido como “aposentado” musicalmente, é quem está no comando dessa reunião. Mike Rutherford e Tony Banks, outros membros originais do grupo, também estão no projeto.

Há quem diga que Gabriel, mesmo estando afastado do projeto, vai fazer um ou outro show com o grupo. Afinal, se há um grupo onde não houve ressentimento de ninguém em relação à saída de um de seus integrantes, este foi o Genesis.

É melhor arrumar lugar na sala para mais alguns dinossauros do rock. Também pudera: depois que voltaram Cream, Mutantes, Black Sabbath (ok, com outro nome e outra formação), The Police e agora o Genesis, nada mais na música me surpreende.

domingo, 25 de março de 2007

Como há coisas que só acontecem ao Botafogo...

Ô Botafogo, pode esperar... a sua hora vai chegar...


Vai se confirmar o que venho comentando com amigos, torcedores de todos os times, durante toda a última semana.

O milésimo gol de Romário sai em 1º de abril, no clássico contra o Botafogo.

Por mais que o Baixinho tenha dito que já na quarta-feira ele quer chegar ao milésimo, contra o Americano, é muito melhor para ele e especialmente para o futebol carioca que a marca seja atingida num clássico com casa cheia.

E tem dois agravantes: o Botafogo é a única equipe carioca que Romário não defendeu.

Não por acaso, é o time que sofreu mais gols dele em toda a sua carreira - 31 no total.

Ui! Ai! Ui!

Segunda etapa da F-3 sulamericana em Interlagos: Rodolpho Santos perde o controle do carro no fim da reta...


Atinge a proteção de pneus com a traseira de seu Dallara-Berta...


E depois, colide de frente, num acidente fortíssimo. Felizmente, sem ferimentos para o estreante piloto goiano.

Parei

Estava eu em casa tentando assistir a prova da A1GP que o Speed transmite ao vivo direto do México, com o insólito Roberto Figueroa e um comentarista que mistura inglês com português num dialeto inenarrável.

Nisso, a equipe do México faz seu pit stop e logo depois da parada, a entrevistinha básica com alguém da equipe. Mas não era um alguém qualquer: era Jo Ramirez, mecânico-chefe de Tyrrell, Copersucar-Fittipaldi e McLaren, figura querida e respeitadíssima no mundo do automobilismo. Esperei que narrador ou comentarista fizessem alguma menção sobre ele ou qualquer coisa da carreira... e nada... e nada... e nada!

Fiquei possesso, levantei-me do sofá e abandonei a televisão.

Parei com o Speed! Pelo menos com suas horríveis transmissões em português. Dei uma última chance. Agora, nunca mais.

O touro-surpresa


Uma vitória "da China". É como pode ser definida a conquista da equipe All-Inkl.com na abertura do Mundial FIA GT neste domingo, em Zhuhai. Na única prova realizada fora do continente europeu, Christophe Bouchut e Stefan Mücke levaram o touro miúra ao seu primeiro sucesso na história da competição.

Diante dos maus resultados do ano passado foi, de fato, algo surpreendente ver o Murciélago número 7 receber a quadriculada em primeiro, ainda mais diante do esquadrão de Maseratis, Astons e Corvettes supercompetitivos. O MC12 número 1 de Thomas Biagi e Michael Bartels, pole position, chegou apenas em sexto, à frente do carro gêmeo de Christian Montanari e Miguel Ramos.

Os Vettes foram muito fortes na China, pois o carro da PSI Experience, com o experiente Philipp Peter e o novato Luke Hines, chegou em segundo. O velho C5-R de Longin / Kumpen chegou em terceiro, com Deletraz / Hezemans em quinto. Entre eles, o melhor Aston, com Jamie Davies e Fabio Babini. Outro carro britânico, com Jonny Kane e Jonathan Cocker, chegou em oitavo.

Na GT2, Manu Collard e Matteo Malucelli venceram com o Porsche 997, mas não levaram. Após uma alegada irregularidade no carro, foram desclassificados e os vencedores foram Toni Vilander e Dirk Müller, na Ferrari da AF Corse.

A próxima prova será em Silverstone e nela deverá haver a primeira aparição dos GT1 da "Citation Cup", um evento paralelo para os chamados gentlemen drivers. Foram 24 carros na China e espera-se pelo menos 30 na Inglaterra. Um começo promissor para um campeonato que tem tudo para ser dos melhores da história do FIA GT.

Dos Santos!


Grande Carl Edwards! Já estávamos sentindo falta de suas comemorações efusivas e dos mortais que lembram a Daiane dos Santos. Não é à toa que quando o Sportv fazia a Nascar em 2005, nos permitimos a licença poética de chamá-lo de Carlos Eduardo dos Santos.

Com a inestimável colaboração, diga-se de passagem, do amigo Nishan, fanático pelos Stock Cars.

Ontem, Edwards venceu a difícil corrida da Busch Series no minúsculo oval de Bristol, no Tennessee.

E hoje é a estréia do COT (Car Of Tomorrow) na quinta etapa da Nextel Cup, com Jeff Gordon largando na pole position. Edwards está entre os 43 que vão correr neste domingo. Será que vamos ter mortal de novo?!?

O brilho de Rossi na terra de Lorenzo


Já deu pra perceber: Valentino Rossi gosta de grandes platéias. Os virtuoses, os artistas, os gênios, querem exposição para os seus "recitais". E o italiano não é exceção.

Neste domingo, ao chegar à 85ª vitória da carreira no GP da Espanha, em Jerez de la Frontera - somando os triunfos das classes 125, 250, 500 e MotoGP - Rossi o fez diante de quase 140 mil torcedores presentes, em maioria esmagadora prontos para torcer para os filhos da terra.

A corrida foi bem diferente da estréia no Catar. Há duas semanas, Rossi teve muito trabalho com Casey Stoner, que venceu. Na Andaluzia, o italiano resolveu a questão em duas curvas. Passou o pole Daniel Pedrosa, fez a volta mais rápida, abriu, dispensou os adversários e foi embora. Venceu com méritos e certa facilidade para liderar sozinho o campeonato com 45 pontos.

Alexandre Barros foi bem, mas seu desempenho não foi o mesmo no fim da corrida. Ele tinha o nono lugar, mas foi ultrapassado por Chris Vermeulen e Shinya Nakano nas últimas voltas, caindo para décimo-primeiro. Espera-se melhor sorte para ele na corrida do dia 22 de abril, em Istambul.

***

A corrida da categoria 250cc foi fantástica! Um sem-fim de ultrapassagens, reultrapassagens, linhas de três, manobras de tirar o fôlego... um grande show do trio Andrea Dovizioso, Álvaro Bautista e Jorge Lorenzo. Este último, com a marra que lhe é peculiar, comemorou fincando uma bandeira onde se lia Lorenzo's Land (Terra de Lorenzo). Que pretensioso...

Ficou claro que Dovizioso, terceiro colocado, foi o melhor piloto do dia. Se a Honda do italiano tivesse um motor com uns 10 HP a mais, facilmente ele bateria os dois espanhóis para chegar na frente.

Na categoria 125, não houve espanhol algum brigando pela vitória, mas a chegada foi emocionante. Lukas Pesek, da Derbi, teve o primeiro triunfo da carreira nas mãos, mas a oportunidade escorreu por pouco mais de 2 centímetros, ou 14 milésimos de segundo - a mesma diferença de tempo entre a chegada de Nigel Mansell x Ayrton Senna no GP da Espanha de F-1 em 1986. Gabor Talmacsi, da Hungria, venceu e é o líder do campeonato.

Ecos da Indy

Bom dia, torcida amiga. Cá estou eu no plantão (que bom que não dura muito) para dar aquele auxílio para a transmissão do Mundial de Motovelocidade. Enquanto isso, a IRL começou ontem em Homestead com atraso em razão da chuva e a previsível vitória de Dan Wheldon.

O piloto britânico, campeão da categoria em 2005, foi o one-man show dos treinos da pré-temporada e ratificou o amplo favoritismo. Fez a pole position, a volta mais rápida e se manteve o maior número de voltas na liderança. Para completar, Scott Dixon, com um carro da Chip Ganassi Racing, fechou a dobradinha a pouco mais de seis segundos de Wheldon.

Os brasileiros conseguiram completar a corrida, com desempenhos antagônicos. Vítor Meira saiu de 11º para conquistar um ótimo quarto lugar, uma posição adiante de Tony Kanaan, que na primeira metade da corrida chegou a estar uma volta atrás dos líderes. Em contrapartida, Hélio Castroneves ficou para trás no terço final e concluiu apenas em nono.

No duelo do chamado "sexo frágil", vantagem para Sarah Fisher, que terminou em 11º. Danica Patrick bateu e não terminou.

Agora, parabéns para a Bandeirantes, que mostrou todo o seu respeito com o telespectador que esperou mais de 50 minutos para ver a prova começar e foi surpreendido pela interrupção da transmissão para entrar o... concurso de Miss São Paulo (isso mesmo!). Somente num dos intervalos é que apareceu a chegada da corrida.

É por essas e outras que o automobilismo por aqui é tratado como lixo. E depois tem quem reclame quando metem o pau na Band e na IRL.

***

A Indy Pro Series, com recorde de 25 carros no grid, foi uma pancadaria de dar gosto. Das 57 voltas da prova, trinta e seis foram em bandeira amarela. Um dos acidentes foi impressionante, envolvendo o estreante argentino Pablo Pérez, que decolou após o contato com outro carro, voou em direção ao alambrado e bateu. O piloto sofreu traumatismos e uma fratura na perna direita.

Jaime Câmara, que largou apenas em penúltimo, foi um dos sobreviventes ao ser o 4º colocado. Alex Lloyd levou a quadriculada da vitória e começa liderando o campeonato.

sábado, 24 de março de 2007

O Rei na "grande maçã"

O ano, 1968. Roberto Carlos estrela Ritmo de Aventura com diversas cenas de externa, incluindo Cabo Kennedy e Nova Iorque. É na "grande maçã" que o Rei passeia com imagens filmadas pela equipe de Roberto Farias num protoclip de outro de seus grandes sucessos - "De que vale tudo isso".

Reparem no carrão alugado para a filmagem e as luzes feéricas da Broadway e da cidade que nunca dorme. E a temperatura baixíssima, por volta de 4 da tarde...

sexta-feira, 23 de março de 2007

Embalos de sábado à noite

Não morro de amores pela Indy Racing League. Por dois motivos: a soberba de seu fundador, Tony George, e a arrogância do detentor dos direitos da categoria para o Brasil, que coloca a "sua categoria" - como ele mesmo diz - onde lhe convém.

Atualmente, a IRL passa na Bandeirantes e é a emissora paulistana que vai transmitir as 300 Milhas de Homestead, a prova inaugural da temporada 2007, com Luciano do Valle no comando da transmissão. Bolacha, como já dito em mais de um post, é responsável por diversos momentos emocionantes do nosso esporte - quem ouviu sua narração no gol de Falcão na Copa da Espanha, sabe do que estou falando.

Só que Luciano, como alguns outros, acomodou-se e estagnou na coisa. Não é mais o mesmo locutor vibrante de outrora, mas será que isso importa tanto, sabendo-se que ele estará bem cercado na transmissão?

A Band terá Celso Miranda e Felipe Giaffone dando um auxílio luxuoso e tanto para o Luciano não derrapar na hora de sua narração. E pode ser um ótimo diferencial para a transmissão da prova, a partir de nove da noite (hora de Brasília).

E por mais que não goste da IRL, vou assistir. Afinal, tem motor roncando, tô dentro. E tem três (ótimos) brasileiros na briga: Tony Kanaan, Hélio Castroneves e Vítor Meira.

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Interessante será acompanhar e comparar as duas mulheres que vão correr neste sábado. A recém-regressada Sarah Fisher, que teve experiências mal sucedidas em subdivisões da Nascar versus a marqueteira Danica Patrick, da Andretti Green.

Não são poucos os que dizem que a piloto em quem a IRL tanto investiu para ter retorno de mídia, anda fora do regulamento porque ela e o carro, pesados juntos, nunca alcançam o mínimo exigido. Por isso, teoricamente ela é veloz em razão do conjunto mais leve.

Só que Sarah Fisher de boba não tem nada. E já na classificação, enquadrou Danica e conseguiu um lugarzinho entre os 10 mais do grid. Um a zero para a piloto da Dreyer & Reinbold.

As duas não estarão sozinhas por muito tempo, porque no dia 29 de abril, a categoria ganha uma nova integrante: é a venezuelana Milka Duno, que vai competir com um carro da equipe SAMAX Motorsports - buscando inclusive a classificação para as 500 Milhas de Indianápolis. A sul-americana é muito bonita, mas na pista, nunca se sobressaiu. Neste ano, conseguiu o 2º lugar geral nas 24 Horas de Daytona - e evidentemente, não correu sozinha.

É pra dividir holofotes com a Danica Patrick! Milka Duno é bonita, mas...


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Como aperitivo para quem for ao Homestead-Miami Speedway, a Indy Pro Series começa a temporada 2007 fazendo a preliminar com recorde de inscritos. Vinte e cinco pilotos participam da corrida, entre eles o brasileiro Jaime Câmara, que larga em penúltimo em razão de uma falha mecânica em seu carro. A pole position é de Chris Festa, da Chip Ganassi Racing.

Para descontrair...

ORGASMO DE UMA MARIA GASOLINA

EnFiat, enFiat !!!

Vem kA, meu Diplomata, da um Cherokee no meu cangote. Vem Logus! Você sabe que eu gosto de você à Pampa.

EnFiat o seu Picasso na minha Xantia! Eu sei que você Dakota do recado.Tira meu Blazer! Vem que sou toda Parati. Você não imagina o Quantum eu quero Dart, seu Besta!

Ai amor, só você me eleva e me o Fusca. Meu Gordini, desse jeito, eu te dou um Prêmio. Não Palio! Não Palio! Me Kombi! Me Kombi!
Ai amor, Kadett, que eu não estou te achando?! Ai achei...Vou te dar o que eu Tempra você. Vai Variant, porque não dá pra ser todo dia do mesmo Tipo. Vai, enFiat seu Pointer Turbo no meu Courrier!!!
Ai Comodoro,Comodoro você! Tá doendo mas vai Passat... Não pára ainda, me Kombi mais um pouco! Vai,D-10, D-20, D-30! Bem forte, de frente, de Corsa, de Lada.
Isso, amor Ranger os dentes, assim. GM! GM! GM! vai, vai! Eu sou sua mulher, sua Verona, e você, meu Omega. Me abraça, me beija e me Ford. Me chama de Perua!!! Oggi tudo é Fiesta!!!

A aventura acabou

A Cesário Fórmula ficou apenas um ano com sua estrutura européia, montada para ajudar o piloto Alberto Valério na F-3 inglesa. Com a ida do mineiro para a Carlin, o chefe de equipe Formigão não vê mais sentido em manter o time em atividade.

Ainda mais porque Bia Figueiredo, a promissora piloto paulistana que sempre correu nas equipes de Augusto Cesário, vai passar um "ano sabático" sem descartar a presença em uma ou outra corrida. Enquanto isso, o objetivo dela é a passagem para o automobilismo europeu.

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Enquanto isso, os motores já roncaram em Interlagos nos primeiros treinos livres da rodada inaugural do Sul-Americano. São dezessete pilotos na pista, mas dezesseis correrão porque o catarinense Lucílio Baumer inscreveu seu carro só para treinar. Sem dinheiro, ele vai ficar fora da prova.

De última hora, a Cesário inscreveu Rafael Suzuki, que acertou seu ingresso na F-3 de madrugada. E ele foi muito bem: 5º colocado. O melhor tempo foi de Clemente Faria Jr., também da Cesário.

Com tantas caras novas - doze ao todo - pelo visto a temporada promete.

quinta-feira, 22 de março de 2007

O baseado da discórdia

Todo mundo que me conhece intimamente ou até superficialmente e que já leu aqui alguma coisa a respeito no blog sabe que eu sou caretésimo quando o assunto é um só: drogas.

Ok... álcool é droga? É... mas beber de forma contida não faz mal a ninguém. Ruim é ficar embriagado a ponto de estoporar fígado, pâncreas, rins e coração.

Nunca fui chegado sequer em cigarro comum. Então foi natural que não tivesse vontade de fumar maconha, cheirar cocaína, experimentar outros "baratos". E se ser usuário pode dar problema, eu não tenho nada a ver com isso.

Especialmente quando acontece com um atleta, um esportista.

Agora estourou o caso de doping do zagueiro Renato Silva, do Fluminense. Motivado pelo uso de maconha, pois em sua urina foram encontrados vestígios de THC (o princípio ativo da cannabis sativa) no jogo Flu x Volta Redonda, pela Taça Guanabara.

Como a contraprova deu positivo, ele foi suspenso preventivamente por 30 dias. Como é primário, pode pegar uma pena inferior ao máximo, que é de quatro meses afastado dos campos. Porém, o problema do doping passou a ser exclusivamente de Renato Silva - pois o jogador acaba de ser dispensado pela diretoria do Fluminense, por interferência do patrocinador.

Desse modo, proponho uma rápida enquete:

a - Foi uma decisão acertada do clube

b - Foi uma decisão covarde em afastar o atleta num momento tão difícil

c - Poderia haver consenso apelando para outros meios

E por isso estou aqui

Raridade real - Roberto Carlos cantando "E por isso estou aqui", uma de suas mais belas canções do período 63/73, provavelmente um vídeo enxertado do filme Ritmo de Aventura, dirigido por Roberto Farias.

Destaque para o órgão de Lafayette, que está na ativa novamente com o grupo Os Tremendões.

Alalaô!

Na Fórmula 1 dos anos dourados, valia tudo para aplacar o calor.

Durante os anos 50 e 60, a categoria vinha para a Argentina e corria nos píncaros do verão sul-americano.

A foto abaixo, enviada pelo nobre Jonny'O Quest (que colabora aqui e também no blog do Flávio Gomes), mostra o que Harry Schell, piloto americano, sofreu para espantar o calor - e guiando! - em seu Cooper particular.


Sensacional registro de uma época boa, que não volta mais.

Degola!

Cabeças rolaram na MTV por esses dias. A loirinha Carla Lamarca, que por alguns meses apresentou o finado Disk MTV, o único programa da grade original que ainda existia, foi a primeira a "rodar". Mas por um motivo nobre: vai morar em Paris com o namorado.

André Vasco, que serviu de esparro no despretensioso programa de verão intitulado Chá das Minas, também está fora. As gêmeas Kenya e Keyla Boaventura, também.

O quinto nome não surpreende: é o de Ana Luiza Castro, contratada como repórter para a programação de verão.

E vamos e venhamos. Ela é apenas um rostinho bonito. Como apresentadora, é sem sal. Como repórter, mais ainda. O caminho natural, então, foi a saída da emissora.

A MTV por sua vez, não sinaliza que vá contratar alguém para as vagas que sobraram. Reza a lenda que a emissora está amargando uma derrota e tanto na negociação do contrato com uma certa modelo-apresentadora que agora leva R$ 100 mil por mês pra conta bancária...

***

Por falar no título do tópico, o SBT ataca novamente e tira de circulação diversos seriados, entre eles (para tristeza da criançada e dos seus fãs já adultos e de pernas cabeludas) o tosco Chapolin. Em seu lugar entra - oh! - a nova grade de programação do canal, aquela mesma que segundo um anúncio, "fará a concorrência tremer".

Muito bem. O horário "nobre" da emissora número 3 do Ibope vai ficar assim: estréia a novela Maria Esperança, mais uma vez estrelada por Bárbara Paz (o que é que SS viu nela?) às sete e quinze da noite. Depois os programas subseqüentes serão estes:

Segunda - Supernanny, SBT Brasil, Hebe (cruzes!) e SBT Realidade, este com Ana Paula Padrão.

Terça - Você é o jurado (a volta de Ratinho...), SBT Brasil e Tela de Sucessos

Quarta - Ídolos, SBT Brasil e Sem Controle (mais um programa de humor sem graça)

Quinta - Ídolos, SBT Brasil e A Praça é Nossa (mais saturado, impossível)

Sexta - Curtindo com reais (que josta é essa?), SBT Brasil e Tela de Sucessos

Alguém lembrou do Charme com Adriane Galisteu? Pois não: vai virar programa de entrevistas e entrar no ar à meia-noite e meia.

Do jeito que está, a Record vai ficar na vice-liderança fácil fácil...

quarta-feira, 21 de março de 2007

Dia 21? Que nada...

Essa semana teve um aniversário muito mais importante para mim do que o que foi lembrado nos sites e fóruns de automobilismo da vida: neste 21 de março, Ayrton Senna teria completado 47 anos.

Para mim, um dia como qualquer outro. Não pertenci à geração que o viu ser tricampeão. Graças a Deus.

Cresci vendo Nelson Piquet subir como foguete para preencher o vácuo deixado pelos sete anos sem título depois do bicampeonato de Emerson Fittipaldi. O piloto nascido no Rio e radicado em Brasília entrou na F-1 em 78 com cinco corridas, fez uma temporada razoável em 79, vice em 80, campeão em 81. Se não me falhe a memória, foram quarenta e nove GPs até que Nelson comemorasse seu merecido primeiro título.

O paulistano Senna estreou em 1984 pela Toleman. Até vencer seu primeiro Mundial, quatro anos e cinco temporadas mais tarde, demorou 79 provas.

Uma diferença e tanto, não?

Enfim, o que quero dizer é o seguinte: nunca moldei minha personalidade baseado em "modismos". Se torcer para Senna era bacana (para muitos) porque ele empunhava a bandeira brasileira, isso me remete a um patriotismo chinfrim que nosso povo só demonstra quando convém.

Meu pai, que no último dia 17 teria feito 67 anos de idade, era desses homens que nunca se dobraram a casuísmos como esse. Também pudera: viveu como poucos as agruras de ser trabalhador e depois chefe de família no auge do governo militar. A exemplo de muita gente inteligente, ele era de esquerda, uma característica que com o tempo passou de pai para filho.

Torcemos juntos durante 33 anos pro mesmo time, gostávamos do mesmo piloto durante todo esse tempo e votamos no mesmo partido. Isso só me enche de orgulho.

Há quase dois anos, num dia 21 de julho - quando o Fluminense do nosso coração completou 103 anos, meu pai deixou esta vida e partiu para o andar de cima. Mesmo com tantas coisas em comum, também tínhamos nossas diferenças. Isso pouco importa. Sinto falta do velho Manoel e de sua contumaz ranzinzice, que só fez aumentar com o tempo e sua implicância com tudo - do governo FH até o Flamengo.

Épico!

Em tempos que Motovelocidade era coisa pra macho com M maiúsculo, um épico da então 500cc e suas motos de dois tempos: o GP da Inglaterra de 1979, com uma impressionante disputa entre três pilotos - o holandês Will Hartog e dois monstros sagrados do esporte: Barry Sheene, correndo em casa com sua Suzuki número 7 e Kenny Roberts, magistral como sempre ao guidão da Yamaha 1.

Depois da 15ª volta, Hartog sai de cena e restam Roberts e Sheene numa briga incrível a mais de 200 km/h. O final, claro, eu não conto. Só vendo pra saber.

A narração é do lendário Murray Walker, da BBC.

Para refletir...

Soube-se ontem que por quatro meses, Interlagos ficará fechado para reformas. De junho a outubro, em cinco fases, o principal autódromo do país não vai receber provas de qualquer categoria, reabrindo depois do dia 21/10, quando a Fórmula 1 deixar o país.

Muito bem... então cabem algumas perguntinhas que não querem calar:

- A obra estaria orçada em R$ 80 milhões. Com um dinheiro destes, quantos autódromos decentes poderiam ser construídos em outros cantos do Brasil?

- Será que quebrar todo o atual asfalto e refazer a base vai deixar a pista um "tapete" e assim eliminar as ondulações freqüentes de Interlagos?

- Para o período, estavam marcadas três etapas do Campeonato Paulista de Automobilismo. E esse pessoal que trabalha com as equipes da competição vai viver de quê?

- E se não existissem Curitiba, Londrina, Santa Cruz, Tarumã, Guaporé e, vá lá, Brasília, como ficaria o esporte?

- Vocês sabiam que a Argentina, que é um pais dezenas de vezes menor que o nosso em extensão territorial e que há muito não investe na base para que um piloto do país chegue à Fórmula 1, tem mais de trinta autódromos?

Pensem nisso...

terça-feira, 20 de março de 2007

De volta aos bons tempos?

Seria bom se fosse verdade. A Fórmula 3 sul-americana, que há 20 anos trocou o regulamento que antes privilegiava os argentinos e seus chassis Berta de motores Volkswagen 1500, volta à carga para o 21º campeonato de sua história. E ao contrário do que muitos previam, o certame continental vem repleto de novidades.

É certo que a participação argentina é cada vez menos reduzida - no que diz respeito à presença de equipes e pilotos. A exceção honrosa é o motor Ford-Berta de 2,3 litros que debita mais de 270 HP de potência, fazendo hipoteticamente do certame continental o mais rápido do planeta. Mas há que se lembrar que ainda são usados por aqui - por medida de economia (sempre ela) - modelos Dallara F301 cujas peças sobressalentes são encomendadas direto na Europa, sendo que algumas equipes têm tecnologia para fabricá-las.

Um exemplo claro disto é a Amir Nasr Racing, que regressa ao campeonato este ano, apostando no goiano Rodolpho Santos, um dos muitos que ficaram órfãos em razão da debandada da Renault do automobilismo nacional, além de Felipe Guimarães, que vem direto do kart. O chefe de equipe Amir Nasr, tem uma estrutura de primeiro nível, localizada dentro do Autódromo de Brasília e competência nunca lhe faltou, muito menos aos seus comandados.

Dárcio dos Santos, tio de Rubens Barrichello, mantém a PropCar, campeã em 1997 com Bruno Junqueira, apostando em uma dupla nova: Douglas Soares (vice da F-Renault) e Fernando Galera. A Razia Sports, time montado por Luiz Razia Jr. e seu pai, vai atacar com três pilotos: Ernesto Otero, Vinícius Quadros e Nathan Silva.

Eduardo Bassani, que tem também uma equipe de Stock Car, segue apostando na categoria e com dois novos contratados: Fábio Beretta Jr. e o jovem kartista Denis Navarro.

Alex Castilho, experiente engenheiro que já trabalhou com diversas equipes, ficou com o espólio da Piquet Sports no Brasil e montou sua sede em Curitiba, para trabalhar com um único piloto. O escolhido foi Giovane Cerutti, promessa vinda do kart. A Bassan Motorsport, que por pouco não foi campeã ano passado com Marinho Moraes, agora na Inglaterra, vai de Felipe Ferreira.

Clemente Faria Jr. continua na Cesário, como único piloto da escuderia, assim como William Starostik, que retorna ao certame justamente na equipe campeã de 2006, a Dragão Motorsport.

Por fim, Douglas Hiar chega através de outra novidade da F-3 - a escuderia Comtec de Ricardo Colombo. A Casagrande Racing não deu sinais de que vá tomar parte do campeonato deste ano, o que é uma pena, pois o grid aumentaria em quantidade.

Se não me falhem as contas, são 14 pilotos. É um grid magro, sem dúvida, mas que pode crescer. Tomara que a F-3 comece competitiva e termine também, pois ainda precisamos dela para manter nosso manancial de pilotos de monoposto.

O risco do nosso automobilismo ficar igual ao argentino existe e é muito grande... pensemos nisso.

O portuga abre o jogo

Tiago Monteiro, que até bem pouco tempo estava na Fórmula 1 e assinou com a Seat para correr o WTCC, o campeonato mundial de carros de turismo, deu uma ótima entrevista ao confrade Victor Martins em Curitiba, quando do fim de semana de abertura da temporada 2007.

Entre outras coisas, o piloto de 30 anos lamenta que sua experiência na Fórmula 1 tenha durado tão pouco e fala com sinceridade das manobras de bastidores que lhe fecharam as portas na categoria máxima. Prestem atenção nos epítetos dirigidos ao holandês Christijan Albers e a Dietrich Mateschitz, o todo-poderoso da Red Bull.

A entrevista, na íntegra, você confere aqui.

Mistura vai abaixo

Mais uma vez a cultura perde uma batalha para a especulação imobiliária.

O lendário bar-restaurante Mistura Fina, lugar de inesquecíveis apresentações de mitos do jazz como Stanley Jordan, Wayne Shorter e John Pizzarelli, e de feras da nossa música, como Ed Motta, Marcos Suzano e Romero Lubambo, vai dar adeusinho no início do próximo mês.

Não adiantou a luta decerto inglória de Pedro Paulo Machado, que de 1979 até hoje comandou o Mistura, jogou a toalha contra o dono do imóvel que (oh! dúvida cruel) vai erguer um prédio ali na Borges de Medeiros.

O show de despedida, dia 7 próximo, será de Mike Stern e Romero Lubambo. Mas os fãs do jazz e da boa música não devem ficar órfãos. A marca Mistura Fina vai seguir seu caminho, independentemente de local. Para setembro, já está marcado um festival em Ouro Preto, a cidade histórica de Minas.

Mas que dá um aperto no coração saber que uma casa como o Mistura Fina vai abaixo, ah isso dá... Fica na minha lembrança o show de John Pizzarelli em 2005, o primeiro e único que vi lá na Lagoa.

segunda-feira, 19 de março de 2007

Isso é que é final de corrida!

O resto, amigos, é brincadeira de criança. Trata-se da batalha final entre Jaime Melo Júnior e Jörg Bergmeister na última volta das 12 Horas de Sebring. 330 voltas depois, e a Ferrari venceu a Porsche na Flórida, num espetáculo épico.

Reckless driving, é o que diz o povo da equipe Flying Lizard pelo rádio, assim que a corrida termina. Mas como fã de automobilismo e brasileiro, claro, eu discordo.

Um momento inesquecível da história do automobilismo. Curtam.

Céu e inferno

O Black Sabbath está de volta.

Não com o nome que consagrou o grupo. Muito menos com o carisma de Ozzy Osbourne, a lenda-mor entre os vocalistas do heavy metal.

A banda volta descaracterizada no nome e na formação porque, se fosse pra voltar, que tivesse Ozzy no vocal, Tommy Iommi na guitarra, Geezer Butler no baixo e Bill Ward nas baquetas.

O nome do novo-velho grupo é Heaven and Hell (Céu e Inferno), uma plena referência a um dos discos do grupo lançados na fase pós-Ozzy.

Não por acaso, este trabalho marcou a estréia do pequeno e feroz Ronnie James Dio nos vocais do Sabbath. Gosto muito do Dio, acho que ele tem uma potência vocal como poucos no rock, mas ainda sou mais fã do Ozzy. E do Bill Ward na bateria, também. Por essas e outras, não vejo com bons olhos a vinda de Vinnie Appice para os shows do Heaven and Hell.

Dio gravou quatro discos com o Black Sabbath e além do Heaven and Hell, ele cantou em "Mob Rules" (1981) e "Live Evil" (ao vivo, em 1982), além do massacrado "Dehumanizer", produzido em 1992. Depois dele, os vocais foram assumidos por Ian Gillan (sim, aquele que brilhou no Deep Purple) e pelo obscuro Tony Martin.

E não adianta os fãs extremados reclamarem. Nada de "War Pigs", nada de "Iron Man", os clássicos eternos do Sabbath. O novo-velho grupo só vai tocar as músicas do período em que Dio esteve no comando dos vocais. A ótima "Die Young" é uma delas.

De resto, o jeito é ver / ouvir Ozzy no auge detonando os clássicos da banda como no disco "Paranoid", disparado um dos melhores da história do heavy metal.

domingo, 18 de março de 2007

Obrigado, Moco!


Há exatos 30 anos, o automobilismo brasileiro perdeu de forma trágica um campeão mundial de F-1 em potencial.

Num chuvoso 18 de março, em 1977, José Carlos Pace, o inesquecível Moco, teve a vida ceifada num acidente de avião, no qual também pereceu o amigo e companheiro Marivaldo Fernandes.

Aquele início de campeonato tinha sido muito bom para Pace. Ele chegara em segundo no GP da Argentina, mesmo com uma virose que o fez perder quatro quilos dentro do carro. Liderou em Interlagos no GP do Brasil, antes de bater na curva 3, vítima do péssimo asfaltamento da pista naquele trecho. E quebrou na África do Sul quando estava entre os primeiros.

A Brabham, depois de um ano penoso com o motor Alfa Boxer de 12 cilindros - o mais potente da época com 520 HP, parecia no caminho certo. Muitos dizem que o sonho do título era bem possível e que Bernie Ecclestone, que investiu suas fichas em Moco, sentiu muito a trágica perda.

Mas a história da carreira de Carlos Pace começou realmente bem antes.

Em 1963, com 19 anos de idade, já com carteira de motorista, ele tinha um DKW e o inscreveu para uma prova de Estreantes e Novatos. O carro foi muito bem preparado por Sérgio 'Cabeleira' e o desempenho do jovem Moco (corruptela para ouvidos moucos) agradou plenamente a Luiz Antônio Greco, que lhe ofereceu um Gordini e a chance de entrar em sua escuderia. Ele não teve dúvidas: deixou o DKW de lado e foi estrear pela equipe do Trovão.

Rapidamente, Pace se tornou piloto do "primeiro time" de Greco, onde figuravam Wilson Fittipaldi Jr., Bird Clemente e Luizinho Pereira Bueno. Mas, num belo dia, o piloto deu adeusinho e foi guiar os Karmann-Ghia Porsche de Paulo Goulart, da equipe Dacon.

Com os KG, Moco mostrou velocidade e genialidade tendo Totó Porto como fiel parceiro. Os dois eram muito rápidos e se completavam. Ele também andou de Fórmula Vê, guiando o lendário Aranae construído por Alexandre Guimarães.

A Dacon infelizmente teve curta duração no automobilismo brasileiro e em 1969, Moco assinava com a Jolly-Gancia. O brinquedo que lhe foi entregue era avassalador: a Alfa Romeo P-33, que dividiu com Marivaldo Fernandes. Com o protótipo, de 2 litros de capacidade cúbica e mais de 260 HP, Moco quebrou diversos recordes de pista, deitou, rolou e mostrou que era o melhor piloto em atividade no país. Obviamente, foi campeão brasileiro e em 1970 foi para a Europa.

No início daquela década, ele correu na Fórmula 3 inglesa, acompanhado de Wilsinho Fittipaldi e Fritz Jordan. A bordo de um Lotus, Pace provou que não ficava em nada a dever em relação aos ingleses, como Bev Bond e Dave Walker, que tinham o privilégio de pertencer ao Gold Leaf Team Lotus. Havia três campeonatos em disputa na época e o brasileiro venceu, de forma dramática, o Forward Trust, debaixo de chuva e neve, no veloz circuito de Thruxton.

Contudo, a carreira de Moco no exterior esteve seriamente ameaçada. Não fosse a intervenção de Abílio e Alcides Diniz, o piloto não teria conseguido o apoio do Banco Português do Brasil. Com o patrocínio, ele conseguiu subir para a F-2, na equipe de Frank Williams.

Com um equipamento limitado (March), o brasileiro brilhou e chamou a atenção de ninguém menos que Enzo Ferrari, quando venceu de forma magistral uma prova realizada em Imola. Pace foi chamado para uma reunião com o capo di tutti capi. Levou Chico Rosa a tiracolo e durante a reunião pintou um convite e tanto: pilotar os Esporte-Protótipo da casa de Maranello no Mundial de Marcas.

Àquela altura, Moco não estava comprometido com nenhuma equipe de F-1. Mas em 31 de dezembro de 1971, assinou contrato para correr mais um ano com Frank Williams - agora na categoria máxima, a bordo de um March de segunda mão reprojetado por Ron Tauranac.

Com uma "cadeira elétrica" daquelas, Pace fez onze corridas no ano e logo em sua segunda aparição, marcou um ponto no GP da Espanha, em Jarama. Na prova seguinte, em Nivelles, na Bélgica, fez mais dois e tornou-se piloto graduado. Ambas as provas foram ganhas por Emerson Fittipaldi.

Como seu contrato não previa exclusividade na F-1, Moco assinou com a Shadow para correr na Série Can-Am com o difícil protótipo MKIII dotado de um motor Chevrolet de capacidade cúbica e potência monstruosas. Não raro, as quebras se sucediam e o brasileiro literalmente ficava na mão. Até conseguiu um pódio e um quarto lugar, resultados excelentes em razão da fragilidade do equipamento.

Ainda nesse ano de 72, estreou pela Ferrari nos 1000 km da Áustria, chegando em segundo fazendo dupla com Helmut Marko, na mesma corrida que teve a participação do Porsche da Hollywood com Luizinho Pereira Bueno e Tite Catapani - jogado para fora da pista, ironicamente, por Marko. Pace correu também em Watkins Glen com o Gulf Mirage-Ford e chegou em quarto.

No fim do ano, assinou com a Surtees e logo na estréia foi segundo numa prova extracampeonato. No Torneio Brasileiro de F-2, também ao fim da temporada, Moco chegou a vencer uma das três rodadas duplas com o Surtees TS15, com direito a recorde da pista e atuação magistral.

Ele pensara que a sorte lhe havia sorrido, mas o Surtees de F-1 era muito ruim, outra "cadeira elétrica". Os pneus Firestone não davam aderência e a suspensão do carro invariavelmente quebrava ou entortava, tornando a vida do piloto um imenso martírio.

De súbito, o TS14 tornou-se competitivo e em duas pistas em especial, Moco pode mostrar a todos o quanto era bom: chegou em quarto no Nordscheleife de Nürburgring, com suas mais de 180 curvas e 22 km de extensão, batendo o recorde da pista. E na Áustria, em Zeltweg, cravou o primeiro pódio, também com direito à volta mais rápida.

No Mundial de Marcas, Pace não venceu corridas, mas esteve muito próximo, quando chegou em segundo na sua primeira - e única - aparição nas 24 Horas de Le Mans.





Moco lutou mas não venceu a Matra em Le Mans, 1973

Em 74, ainda na Surtees, o piloto começou bem o ano, com o quarto lugar no GP do Brasil e um incrível segundo tempo nos treinos do GP da África do Sul. Mas com aquele péssimo carro, foi tudo o que ele pôde fazer. Pace descarregava a tensão correndo - e vencendo - provas da Divisão 1 com o Maverick da equipe Mercantil-Finasa do Trovão Luiz Antônio Greco, quando pintou a chance de trocar a Surtees pela Brabham, graças à intervenção de Bernie Ecclestone, que sabia reconhecer as capacidades do bom piloto. E Moco não era apenas bom: era completo.

O início na nova equipe foi claudicante, mas logo Pace pegou a mão do carro e conseguiu um quinto lugar em Monza, fechando o ano com chave de ouro, comemorando os 30 anos de idade com um segundo lugar em Watkins Glen, no dia em que Emerson Fittipaldi foi bicampeão do mundo.

Naquele fim de semana, Moco teve uma visão: enquanto dormia, acordou com a imagem do pai na cabeça, dizendo-lhe: "livre-se da seta para baixo, filho. Ela não te leva a lugar algum". Explico: o capacete dele tinha três setas, duas laterais e uma na parte de cima, apontada para baixo. Assustado, Pace não teve dúvidas - livrou-se do desenho com uma gilete. Com o capacete raspado, guiou muito em Glen.




26 de janeiro de 1975: a glória em Interlagos




1975 foi seu melhor ano na F-1, com a vitória histórica em Interlagos, pole na África do Sul e pódios na Inglaterra e em Mônaco. O sexto lugar, com apenas 24 pontos somados, não refletiu seu potencial e a boa campanha da Brabham, com o lendário BT44 concebido por Gordon Murray. No ano seguinte, com apenas sete pontos somados, Moco teve mais um ano infeliz. Mas nada o abalava, nem mudava o seu jeito de encarar as coisas.



O último carro de Moco - a Brabham Alfa BT45

"Prefiro me adaptar ao carro do jeito como ele está. Vou de pé embaixo e dou tudo porque pelo menos assim não largo na última fila", era o que ele dizia sempre depois que as coisas não iam bem.

E quando tudo se encaminhava para uma disputa de título, veio a morte trágica aos 32 anos de idade.

Perdemos um bota da maior qualidade. Mas a saudade ficou e é eterna.

Obrigado, Moco!

O passeio do Iceman


Foram uma hora e 25 minutos de um agradável passeio pelo Albert Park, a mais de 200 km/h de média. E Kimi Raikkönen sai na frente na temporada 2007 da Fórmula 1.

Isto me leva a crer duas coisas: 1ª - hoje, nesta altura do campeonato, a Ferrari tem o melhor carro do lote; 2ª - o investimento de Jean Todt e Luca di Montezemolo na contratação do finlandês para substituir Michael Schumacher já rendeu dividendos mais cedo do que se imaginava.

Kimi fez o seu trabalho sem nenhum alarde. Na pré-temporada, deixou os holofotes para Felipe Massa. Sábia decisão: na hora H, que é a que conta, quando os pontos são aferidos para o campeonato, o resultado está aí.

Sei que ainda é cedo para dizer, mas que o Iceman começa com um tremendo handicap para cima do seu companheiro de equipe... ah! Isso começa.

Massa fez uma boa corrida na Austrália. Louve-se seu esforço em terminar nos pontos com um carro hiper pesado depois de sua única parada. E conseguiu salvar três pontos. Já é alguma coisa, mas pra quem prometeu muito no começo do ano... caberá a ele correr atrás do prejuízo numa pista - Malásia - onde só conseguiu resultados medianos.

A McLaren mostrou consistência e Fernando Alonso fez o que pôde para somar oito preciosos pontos. E este Lewis Hamilton, o primeiro negro a guiar um F-1, mostrou o que vale. Andou quase o tempo inteiro na frente do bicampeão e só não chegou em segundo porque foi atrapalhado quando foi para o último reabastecimento. Mas um pódio na estréia é muito lucro, comparado principalmente com Heikki Kovalainen, o trapalhão absoluto da corrida, com uma estréia decepcionante na Renault, entremeada com duas rodadas e diversas saídas de pista.

Heidfeld fez uma corrida sóbria e já coloca a BMW como a terceira equipe mais forte do campeonato, à frente da Renault. A Williams, que beirou o fundo do poço no ano passado, salvou dois pontos mercê uma excelente atuação de Nico Rosberg e terminou na frente da Toyota, que lhe fornece os motores.

No caso da Honda, a matriz ainda deu um pau na filial porque Rubens Barrichello, sabe-se lá como, ainda chegou em 11º mesmo com um carro deficiente em estabilidade na parte dianteira. A Aguri fez um bom 12º com Takuma Sato.

As demais equipes e pilotos não impressionaram, aparecendo mais pelas patuscadas, como a de David Coulthard, que atropelou a Williams de Alex Wurz ou pelas saídas de pista, como as do uruguaio-alemão Adrian Sutil, que até se justificam pela tentativa de buscar seus próprios limites e suprir no braço as deficiências do pior carro do grid.

De resto, haverá um espaço de três semanas até o GP da Malásia, onde sem dúvida haverá muitos testes. Quem começou mal, como Honda e Toyota, ainda tem como se recuperar (ou pelo menos tentar). A Spyker vai meter a Aguri nos tribunais - não resta dúvida disso. E Felipe Massa precisa convencer quem conhece de automobilismo que ele não é apenas um "leão de treino", como foi a impressão que ele passou nesse início de ano.

Hasta la vista, e até a Malásia!

sábado, 17 de março de 2007

Um final impróprio para cardíacos

Acabo de acompanhar o final das 12 Horas de Sebring e, muito mais do que a já esperada vitória - mais uma - do Audi R10 TDi de Marco Werner / Emanuele Pirro / Frank Biela, a narração da chegada da categoria GT2 foi sensacional.

Durante 330 voltas, uma batalha campal entre Jaime Melo Júnior e o esquadrão da Porsche com Johannes van Overbeek, Marc Lieb e Jörg Bergmeister terminou num final histórico: os dois carros cruzaram a linha de chegada lado a lado e Melo venceu a corrida por apenas 0s202 sobre Bergmeister. Fantástico!

O Brasil venceu duplamente na abertura da American Le Mans Series, pois Tony Kanaan chegou em segundo com o Acura da Andretti Green, partilhando o protótipo com Bryan Herta e Dario Franchitti. Chegaram em segundo lugar no geral e venceram na LMP2. O Porsche de Hélio Castroneves, partilhado com Timo Bernhard e Romain Dumas, fechou em quinto, terceiro na divisão.

A GT1 terminou com um passeio dos Corvettes, que venceram em dobradinha. Beretta / Gavin / Papis chegaram com pouco mais de 17 segundos sobre O'Connell / Magnussen / Fellows. O Aston do Team Modena fecha o pódio da primeira prova do ano e as equipes agora se preparam para duas frentes: as européias, para o teste do próximo domingo em Paul Ricard, visando a abertura da Le Mans Series. E os times dos EUA vão revisar seus equipamentos para a disputa do segundo confronto do ano, no circuito de rua de São Petersburgo, também na Flórida.

Agora é esperar pela Fórmula 1. Faltam só 40 minutos para começar o Mundial 2007... e as polêmicas, também.

É Davi contra Golias!

Faltam duas horas para o fim das 12 Horas de Sebring e, mesmo que momentaneamente, o Courage-Acura de Tony Kanaan assume a liderança geral da prova. A equipe, com uma estratégia inteligente, colocou-o para fazer um longo stint sem troca de pneus. Neste exato momento, o brasileiro entra nos boxes e o Audi de Marco Werner retoma a primeira posição.

É sem dúvida o duelo de Davi contra Golias: o Audi R10 Turbodiesel lutando contra o pequeno e eficiente chassi francês impulsionado pelo motor Honda, que já mostra muita força em sua estréia em competições de protótipos.

Não por acaso, os carros equipados pelos nipônicos estão em primeiro, segundo (Diaz / Fernandez) e quarto (Brabham / Johansson / Dayton) na LMP2. O intruso entre eles é o Porsche de Bernhard / Dumas / Castroneves, que contou com ótima presença do brasileiro ao volante.

Na GT1, surpresa alguma: os Vettes seguem na frente e andam juntos há muito tempo. Max Papis, no carro #4, tem cerca de 25 segundos de avanço sobre o carro gêmeo tripulado por Johnny O'Connell. O Aston Martin do Team Modena limita-se a chegar ao fim, estando no momento a seis voltas do ponteiro em sua divisão e 11º no geral.

A GT2 é que apresentou a melhor batalha do dia, entre a Ferrari da Risi Competizione com Jaime Melo / Mika Salo / Johnny Mowlem e o Porsche da Flying Lizard que tem como trio Jörg Bergmeister / Johannes van Overbeek / Marc Lieb.

Após uma luta fratricida entre Lieb e Salo, que culminou com a rodada do finlandês, a Risi entregou Jaime Melo no comando da prova, com uma ínfima diferença sobre Bergmeister. E foi aí que o tráfego foi decisivo, como costuma ser em corridas longas com final à noite: Ben Aucott, com uma Ferrari, fechou Bergmeister e obrigou o alemão a fazer uma curva com duas rodas na terra. O piloto da Porsche parece que entregou os pontos, pois nesse momento Melo lidera com 5s436 de vantagem para ele.

Dos 34 carros que largaram, só três abandonaram, todos da GT2: o Panoz da Robertson Racing com o motor quebrado; o Porsche da Autoracing Club Bratislava com falha mecânica e a Ferrari da Corsa-White Lightning em razão de um incêndio que danificou o motor e a traseira do carro, que na oportunidade era guiado pelo argentino José Maria Pechito Lopez.

Continua a batalha da Flórida

São sete horas e pouco de corrida em Sebring e o bicho continua pegando na Flórida. Numa prova com apenas dois abandonos até agora, ambos de carros da GT2, chama a atenção o duelo pela vitória entre o Audi #2 de Frank Biela, Marco Werner e Emanuele Pirro contra o Courage Acura #26 de Bryan Herta, Dario Franchitti e do brasileiro Tony Kanaan.




Os adversários estão ficando para trás com os problemas de praxe nesse tipo de corrida, especialmente furos de pneus e trocas de bateria. O Audi #1 de Dindo Capello, Allan McNish e Tom Kristensen, completamente reconstruído para a corrida, já parou duas vezes para esse tipo de reparo. Os Porsches da Penske e os dois carros da Dyson também enfrentam suas dificuldades e vão perdendo terreno especialmente para o Courage da Andretti Green e o Lola da Lowe's Fernandez Racing, com quem há pouco o líder bateu, provocando a entrada do Safety Car.




Na GT1, se não houver nenhuma zebra, a vitória da Corvette está no papo. Max Papis conduz o carro líder, com Jan Magnussen (e seu C6-R inteiramente branco) em segundo. O Aston Martin do Team Modena não é páreo - está cinco voltas atrasado.


Na GT2, segue a grande batalha entre a Ferrari #62 da Risi Competizione e o Porsche #45 da Flying Lizard, com brilhantes performances de Jaime Melo Jr. e Jörg Bergmeister. O Porsche da Tafel Racing vem em terceiro, mas o Spyker de Peter Kox e Jarek Janis é uma boa surpresa e está muito perto dos rivais.

Começou em Sebring

Já está rolando há mais de 1h40 a quinquagésima-quinta edição das 12 Horas de Sebring, a prova inaugural da American Le Mans Series em 2007.

Com 34 carros e 100 pilotos na pista, a prova começou com os Audi R10 TDi dominando. E vale lembrar que o protótipo #1 de Dindo Capello sofreu um forte acidente no treino noturno de quinta, que ameaçou a participação dele na corrida. Os mecânicos trabalharam duro e a recompensa está aí. Capello é agora o líder da prova.

No momento em que escrevo, ele pára para seu segundo reabastecimento e deu lugar a Tom Kristensen. Agora quem está na liderança é o Porsche #7 de Timo Bernhard, que terá mais tarde a participação do brasileiro Hélio Castroneves. Tony Kanaan pilotará o carro que no momento está em terceiro - o Courage Acura #26 que vem sendo conduzido por Dario Franchitti.

Na classe GT1, os Corvettes oficiais correm praticamente sem oposição. O Aston Martin do Team Modena é rápido, mas não é páreo para eles.

E na GT2, depois de largar no fim do grid, Jaime Melo Júnior, com um rendimento excepcional, lidera na subcategoria ante um esquadrão de Porsches, agora pilotados por Johannes van Overbeek, Dominik Farnbacher e Wolf Henzler.

Rede Bulletin


Desculpem o trocadalho. É que já está na internet a primeira edição do hilário Red Bulletin, o jornal produzido, impresso e distribuído pela Red Bull no paddock da Fórmula 1 desde 2005.

Eu já botei a impressora pra funcionar porque, evidentemente, vou ler o que é que esses caras escrevem e que já é sucesso mundial.

O "season preview" costuma ser hilário e depois posto o que é que os gatomestres do Red Bulletin dizem a respeito do campeonato deste ano.

Na seção 20 razões porque teremos confusão na primeira curva, eles apelam para o óbvio no item 3: "Porque sempre houve acidentes na primeira curva em Albert Park".

Faz sentido. Como também o item 20: "Nós perdemos Jacques (Villeneuve) e Juan (Montoya), mas Taku (Sato) tem um carro muito mais rápido e melhor este ano..."

É sem dúvida de rachar o bico de tanto rir. Alguns ingleses ainda têm senso de humor. Mas perguntem pra eles do que eles gostariam - de ganhar R$ 7 mil como os ministros do governo Lula ou R$ 350 de salário mínimo que os miseráveis deste país recebem?

O mingau do Kimi


Um bom prato de mingau, dizem os antigos, deve ser saboreado pelas beiradas para não queimar a língua.

Pois foi o que Kimi Raikkönen fez direitinho nesse fim de semana, até aqui. Pegou seu pratinho, sentou e fez o que tinha de ser feito. Resultado: larga na pole position do GP da Austrália, sepultando as óbvias apostas que davam como favas contadas Felipe Massa na frente.

A Fórmula 1, meus caros, nunca foi óbvia, exceto em tempo de hegemonias. E na frente do brasileiro, no barato, tem dois pilotos muito melhores do que ele: o próprio Raikkönen e o bicampeão Fernando Alonso, que já justificou o investimento da McLaren com o segundo tempo no grid. E ponto final.

Não há o que discutir. Ufanismos e exageros à parte, temos que reconhecer que o finlandês e o asturiano são melhores. E que este Lewis Hamilton que estréia amanhã vem com muito apetite para também fazer valer a pena a aposta nele feita por Ron Dennis desde os tempos do kart.

Olho também na BMW, que fez o terceiro tempo com Nick Heidfeld e o quinto com Robert Kubica. Ambos são velozes na mesma medida e muito competentes. O problema, dizem por aí, é a danada da confiabilidade. Mas alemão é fogo. Os caras não vão dormir em serviço e certamente trabalharão para resolver o problema.

Em casa, Mark Webber até que fez muito, comparado com David Coulthard, em quem deu uma autêntica surra no resultado final do qualifying. A Toyota também foi longe demais, colocando seus carros em oitavo e nono. Mas, sem sombra de dúvida, a grande surpresa do dia foi Sato em décimo com a Super Aguri.

Imagine a seguinte situação: há um ano, uma equipe de Fórmula 1 estréia com um carro de 2002, com atuações beirando o ridículo. Conseguem, com um projeto próprio, um bom desempenho no fim de temporada. E agora, com um chassi mal saído da caixa, já largam entre os dez. Palmas para Aguri-san e Sato-san, os heróis deste sábado.

Chora, Spyker!

Nocaute II

E Felipe Massa frustra o torcedor brasileiro...

Não ele, a bem da verdade. Mas a "confiável" Ferrari o deixou na mão quando ele vinha numa volta não muito boa, mas que o garantiria na Superpole. Deu a entender que foi uma quebra de câmbio, que o deixará sem dúvida muito frustrado.

Raikkönen agradece, pois começa com vantagem sobre o companheiro de equipe.

A Williams até que fez muito, mas eu esperava que pelo menos um de seus dois carros fosse para a Superpole, especialmente com Wurz. Mas para uma equipe que não inspirava nada de bom no começo do ano, 12º e 15º tempos é algo bem razoável.

Jenson Button também fica pelo caminho, evidenciando que o Honda é ruim.

A Renault tirou Kovalainen da Superpole. Também pudera: o finlandês abriu uma última tentativa de classificação a menos de 1 min do fim. Como resultado, o estreante larga em décimo-terceiro enquanto Hamilton, se não brigar pela pole position, estará pelo menos na segunda fila.

Davidson cometeu seu brilharete no treino livre, ficou de fora da Superpole por muito pouco. Mas já merece todos os elogios por seu ótimo trabalho. Ele e Takuma Sato, que pegou a última vaga.

Portanto, os 10 da Superpole são: Alonso, Hamilton, Raikkönen, Heidfeld, Kubica, Fisichella, Webber, Ralf, Trulli e Sato. São sete equipes diferentes na briga. E quem pensou ver uma Fórmula 1 já assim tão boa logo de cara?

Nocaute I

Terminou a primeira parte de 15 minutos do treino oficial do GP da Austrália.

Spyker fora? Nenhuma surpresa. Surpresa foi Sutil enfiando 3 segundos goela abaixo do marrento holandês Christian Albers. Algo me leva a crer que este alemão não é bobo.

STR fora? Nenhuma surpresa, também. Falta piloto. O Liuzzi é rápido, mas não é inteligente. Speed? Esqueçam. Pelo menos ficamos livres dos trocadalhos envolvendo o americano e o português Tiago Vagaroso Monteiro.

Coulthard fora? Também não é surpresa. Ou alguém acredita em Coelhinho da Páscoa?

E Rubens fora? E a Aguri dentro, com Davidson em oitavo?

Tem algo podre no reino dos japoneses...

sexta-feira, 16 de março de 2007

Fingir-se de morto vale a pena

Ele se fingiu de morto na sexta-feira e já aparece dando as cartas no último treino livre antes da classificação para o GP da Austrália.

Evidentemente, me refiro a Kimi Raikkönen. Ele termina a sessão com a marca de 1min26s064, que está longe do recorde de Michael Schumacher, mas prova a Felipe Massa e a todos os que se inflamaram com a boa performance do brasileiro que no carro #6 não tem nenhum bobo. Senão, porque é que Jean Todt e Luca di Montezemolo tanto o queriam? Pra fazer figuração?

É ruim hein...

Kimi foi 0s390 melhor que Giancarlo Fisichella nesta última sessão (é... o que a sombra de um piloto cheio de vontade de mostrar serviço não faz...) e Lewis Hamiltou cravou novamente o bicampeão Fernando Alonso. Foi terceiro, enquanto o asturiano foi sétimo.

Agora... deixa eu ver se eu entendi... ANTHONY DAVIDSON em QUARTO?

De SUPER AGURI?

É... como não desmaiei e não quero me machucar beliscando a mim mesmo, recorro à folha de tempos. Rapaz... de onde ele tirou um tempo apenas 0s427 pior que o de Raikkönen?

E Sato ainda foi o nono!!!!! Aguri-san não dorme hoje!

Enquanto isso, na Honda... Barrichello décimo-quinto e Button, décimo-sétimo. É mais ou menos a mesma história da Williams, que como cliente Toyota vai dando um pau na matriz, com Wurz virando melhor que Ralf e Trulli. Nico Rosberg hoje só completou cinco voltas e quebrou.

Na turma de trás, a Toro Rosso deixou a Spyker na lanterna. Detalhe: Adrian Sutil ficou a apenas 2s614 do tempo de Raikkönen, o que pode ser uma mostra da diminuição do fosso que normalmente separa os melhores dos piores carros da Fórmula 1 este ano.

Ecos de Paul Ricard

Recebi e-mail de assessoria de imprensa com os tempos dos testes da GP2 em Paul Ricard. A escuderia iSport, chefiada por Paul Jackson, desponta como favorita com os pilotos Timo Glock e Andreas Züber, austríaco que corre com a bandeira dos Emirados Árabes Unidos.

Isso significa que a ART, bicampeã com Nico Rosberg e Lewis Hamilton e onde vai correr agora Lucas di Grassi é carta fora do baralho? Não necessariamente. Eles continuam rápidos, mas não estão no mesmo ritmo da concorrente.

Uma coisa é positiva: no confronto direto contra o companheiro de equipe, que todo mundo sabe, é o melhor parâmetro para qualquer piloto, di Grassi dá um pau em Michael Ammermüller, que já é reserva da Red Bull na F-1. Em dez treinos, Lucas foi melhor em oito.

A GP2 também se consolida como opção para quem acha que merece uma segunda chance. Só que ela já reserva seu quinhão de crueldade. Gianmaria Bruni, por exemplo, foi pro FIA GT. E quem garante que Giorgio Pantano e Antonio Pizzonia terão melhor sorte? Não é porque tem um brasileiro nessa situação que temos que torcer por ele. Pizzonia é o típico caso de piloto que estourou nas categorias menores e sucumbiu à pressão na F-1 por ser psicologicamente mal preparado. Outro piloto nesse mesmo caso é o dinamarquês Jan Magnussen, hoje exilado na equipe oficial Corvette na American Le Mans Series.

E Bruno Senna, hein?

Pois é... o sobrinho de Ayrton continua devendo quando a GP2 testa em Paul Ricard. Ele, seu companheiro Adrian Zaugg e a Arden. Parece que não há sintonia entre pilotos e equipe e o desempenho não é positivo. Bruno fala em "karma", mas já acho que o problema é outro: ele pode não ser tão bom quanto acha ou quanto fazem-no parecer ser.

E tem mais: ele testou pela iSport antes que esta equipe acertasse com Zuber. Então, por que é que o brasileiro assinou com a Arden? Só pela boquinha na Toro Rosso que, vamos e venhamos, começa mal na temporada 2007 da F-1?

Massa 1 x 1 Alonso

Era mais ou menos óbvio: depois que a pista secasse, a Ferrari faria valer seu domínio da pré-temporada. E o fez de modo mais previsível ainda, com Massa em primeiro no treino, 0s3 à frente de Kimi Raikkönen. Se o finlandês precisava saber que terá que ser mais rápido que o brasileiro, agora já sabe.

A McLaren mostra que de fato é a adversária dos carrinhos vermelhos. Tudo bem, o melhor tempo de Alonso no primeiro treino com a pista meio seca, meio molhada, foi um golpe de sorte. Mas o novato Lewis Hamilton, com o terceiro lugar ao final do dia, a meio segundo do melhor tempo, prova que nem ele e nem o bicampeão Alonso deixarão barato nessa briga.

A Renault não foi bem - quarto para Fisichella e apenas 18º para Heikki Kovalainen. Fica evidente que os carrinhos franceses têm problemas. E que a BMW deve preencher essa lacuna e se imiscuir como terceira força no início do ano.

Outras que ficam evidenciadas: o FW 29 da Williams pareceu muito bom. Rápido, consistente e equilibrado. Só não pode quebrar na hora em que os pilotos mais precisarem. Wurz e Nico Rosberg conquistaram tempos de destaque e foram de longe mais rápidos que os dois Toyota. Mais do que carro, faltam pilotos à equipe nipo-germânica se ela quiser chegar a algum lugar.

Mas o vexame da Honda foi insuperável. Button em décimo-quarto e Barrichello (que bateu) em décimo-quinto, atrás das Super Aguri. É... acredite quem quiser: Davidson fechou o dia em 11º, apenas 1s4 mais lento que Felipe Massa e 0s3 adiante de Takuma Sato, que ficou em décimo-terceiro.

Fechando a raia, as duas Toro Rosso e as duas Spyker, que deverão fazer uma briga de foice no claro pelo título de pior equipe do ano. Também pudera: a Toro Rosso tem um piloto veloz (Liuzzi) e outro absolutamente imbecil (Speed). E a Spyker reúne um novato (Sutil) junto com um dos mais mascarados pilotos que a F-1 já conheceu (Albers). Não pode dar mesmo muito certo.

quinta-feira, 15 de março de 2007

Por que não?

Confesso que nunca fui fã extremado do Caetano Veloso.

Mas lendo o livro de Paulo César de Araújo sobre Roberto Carlos, cujos parágrafos são entremeados por depoimentos à época corajosíssimos do cantor baiano sobre o rei da MPB, percebo que ele não era tão ruim assim, como compositor e como pessoa.

Caetano está longe de ser uma sumidade como os dois, devo admitir. Mas sua personalidade forte é um traço marcante de sua vida. E ele surgiu na nossa música de forma muito bacana, há quase 40 anos, com uma canção cheia de metáforas que ganhou o país: a bacana Alegria, Alegria.

Aqui você pode vê-la no Festival da Record de 1967, quando Caetano classificou a música em quarto, defendendo-a com um grupo de argentinos, os Beat Boys.

Alonso 1 x 0

Ok... é treino livre, a pista estava molhada e o parâmetro real das chances dos pilotos é o treino matinal antes da classificação de amanhã.

Mas Fernando Alonso já começa pondo a McLaren em lugar de destaque. Ele foi o piloto que melhor aproveitou a condição de pista secando para virar abaixo de 1min30seg e colocar mais de um segundo e meio sobre Felipe Massa.

Se este é um bom prato cheio para começarem a cair em cima, então sirvam-se. Pra mim está desenhado o que vai acontecer no fim de semana: Alonso na frente e o resto que se vire para segui-lo.

Massa andou muito pouco, deu sete voltas. Alonso completou mais que o triplo.

Em terceiro ficou Sebastian Vettel, com a BMW, mostrando também que o carro alemão é forte o bastante para vir lutar por posições na linha de frente. Heidfeld, que durante um período do treino chegou a abrir 5,5 segundos do resto, não melhorou no fim e foi o décimo-sétimo. No próximo treino, Kubica substitui o alemão Vettel.

Outros destaques: Button em quinto, Kazuki Nakajima (sim, o filho da lenda Satoru) em sexto, Sato em um decente décimo-primeiro com a Super Aguri. E o mico do dia, Ralf Schumacher em 20º e Trulli em último.

Lá vai a Toyota, descendo a ladeira...

A postos

Estou a postos para acompanhar o primeiro treino livre do GP da Austrália de Fórmula 1 e... chove em Melbourne.

Isso mesmo: teremos o primeiro treino, pelo menos, com pista molhada.

Prenúncio de emoções fortes durante o fim de semana?

A conferir...

Audi na frente: o resto vem depois

Nenhuma surpresa na classificação das 12 Horas de Sebring, prova que abre a temporada 2007 da American Le Mans Series. Pole para a Audi com seu modelo R10 Turbodiesel, que agora detém o novo recorde do circuito para provas de Endurance, cortesia do piloto Marco Werner.

O carro de Marco Werner, novo recordista de Sebring


A Audi emplacou também o 2º tempo e na classe LMP1 ela reina praticamente sozinha. Oito segundos separam os dois carros alemães do MG Lola da AutoCon, que entrou para fazer figuração. O Création da Intersport, que já admite que os pneus Kumho são inadequados à suspensão do carro (demoraram para ver isso...), sequer marcou tempo e larga na última fila.

Animadíssima foi a disputa pelo melhor tempo da LMP2, entre os Porsches e os três protótipos equipados com o motor japonês Acura (Honda). Prevaleceu enfim o RS Spyder da Penske, com uma volta voadora - recorde - de Timo Bernhard, que qualificou o carro na terceira posição. A surpresa é a presença do carro da Highcroft Racing na segunda fila, muito bem conduzido por David Brabham na classificatória.



Na GT1, com apenas três carros compondo o lote, Jan Magnussen (foto acima) cravou a pole sem dificuldades, batendo o Corvette gêmeo de Oliver Gavin e o Aston Martin do Team Modena. E na GT2, com ótima performance de Jaime Melo Júnior, a Risi Competizione sai na frente em sua divisão. O piloto cascavelense, que foi o campeão mundial FIA GT ano passado nessa categoria, também conseguiu o recorde da pista com o tempo de 2min02s439, batendo Tomas Enge, um esquadrão de Porsches e o jovem Colin Braun, no carro alinhado em parceria com a Krohn Racing.

Grande pole, grande Jaime!

Então anote: o Porsche de Hélio Castroneves sai em terceiro; o Courage Acura de Tony Kanaan, em sexto; o Lola AER Mazda de Raphael Matos, em décimo; a Ferrari de Melo em 16º e ainda há Antonio Hermann, que com o Porsche da Konrad, largará em 31º num grid de 34 carros.

Sábado teremos diversos posts sobre a corrida. Não percam!

quarta-feira, 14 de março de 2007

O clone



Enfim, os onze carros do Mundial de 2007 já foram apresentados. O último, sem muito alarde, foi revelado no pit lane do circuito de rua de Melbourne.

É o Super Aguri SA07, à imagem e semelhança do Honda RA106.

Não é para menos: o carro da equipe satélite da montadora japonesa é o mesmo da matriz, no ano passado. Com uma exceção: a asa dianteira tem um desenho diferente.

A Aguri garante que tudo está no figurino e que a choradeira de Williams e Spyker não tem fundamento. A equipe, que ficou em último lugar no Mundial de Construtores do ano passado, promete um desempenho superior em 2007.

Para isso, a chegada de Anthony Davidson, que durante anos foi piloto de testes da Honda, é saudada como um salto de qualidade. E o japonês Takuma Sato é sabidamente muito rápido. Veremos no que essa mistura vai dar.

Pérolas australianas III

Em 1990, a Fórmula 1 chegou à sua corrida número 500 em Adelaide. E só um gênio como Nelson Piquet, numa atuação que lembrou os velhos tempos de Brabham e Williams, poderia vencê-la.

Melhores momentos num especial da TV inglesa. Divirtam-se.

Ah... e percebam que como em outras ocasiões, nunca houve animosidade entre Piquet e Mansell. Pelo contrário... quem premia o então piloto da Ferrari com um banho de água é o vencedor da corrida.