sábado, 30 de junho de 2007

Probleminhas do cotidiano

Cá estou eu, nove da noite de sábado, em casa em frente ao laptop. Até aí, nada demais.

Não fossem dois fatores.

O primeiro: estou me conectando nos últimos 10 dias via linha telefônica.

Não entendeu? Então eu explico. O laptop que comprei tem modem - aquele que faz um barulhão fudido quando conecta. E é ele que tem me salvado nesses dias, uma vez que comprei um roteador ADSL e Wi-Fi que, para minha estupefação, veio com defeito.

Ontem, antes de ir pro Circo ver o show dos Mutantes, perdi um bom tempo ao telefone, numa ligação - felizmente - 0800, para tentar trocar o aparelho. E ainda não consegui.

Para piorar, a luz já caiu duas vezes nas últimas duas horas.

Por via das dúvidas, a vela já está aqui ao lado, de prontidão. E que bom que o laptop tem bateria.

E vou ao banho, antes que a luz caia pela terceira vez...

Züber, o burro... Viso, o renascido

Impressionante a primeira volta da GP2 hoje em Magny-Cours.

Primeiro, a burrice siderúrgica do austríaco Andreas Züber, que bateu no companheiro de equipe Timo Glock, com 100 metros de corrida. E os dois dividiam a primeira fila!

O alemão, líder do campeonato, também tem lá sua parcela de culpa. Mas Züber fez a maior burrada, sem dúvida nenhuma.

E como se não bastasse, Ernesto Viso usou a traseira do carro de Michael Ammermüller como rampa de lançamento e protagonizou um acidente tão espetacular quanto assustador, lembrando - e muito - a capotada fatal de Marco Campos, que pereceu na última prova da Fórmula 3000 em 1995, neste mesmo circuito.

O Dallara do venezuelano, que reestreou na categoria, foi totalmente destruído e Viso milagrosamente saiu do carro com uma concussão craniana e um machucado no braço.

A exemplo de Robert Kubica por ocasião da porrada em Montreal, Ernesto Viso pode considerar o dia 30 de junho de 2007 como a nova data de registro da certidão de nascimento.

Ou alguém duvida que ele nasceu de novo?

***

Em tempo: tivemos dois brasileiros no pódio, com Lucas di Grassi em segundo e Bruno Senna em terceiro, este superando Luca Filippi nos instantes finais. O vencedor foi Giorgio Pantano, que na prova curta do domingo sai em oitavo. O pole position é local: Nicolas Lapierre, da DAMS, dividindo a primeira fila com Javier Villa.

O Circo Mutante

Tinha que ser numa noite meio fria, com tempo ameaçador. Mas não dá pra esquecer tão cedo a sexta-feira, 29 de junho.

Pela primeira vez em 24 anos, desde que se instalou na Lapa, fui ao Circo Voador. Um dos últimos pólos – senão o último – da resistência cultural dos anos 80, palco de apresentações históricas de muitos dos maiores nomes de nossa música – Paralamas do Sucesso, Blitz, Plebe Rude, Titãs e Celso Blues Boy, por exemplo e também do exterior, vide Ramones.

Depois de passar uma temporada de verão no Arpoador entre 82/83, a lona foi se instalar na Lapa e por lá ficou, até a intolerância do antigo prefeito Luiz Paulo Conde, que depois de levar uma puta vaia durante um show (ora vejam...) dos Ratos de Porão, do desbocado João Gordo, simplesmente fechou o local por anos.

A prefeitura atual tratou de revitalizar o espaço, assim como já fizera com muitos espaços culturais e o Circo passou por uma boa reforma. Não tenho idéia quantas pessoas hoje podem caber ou circular lá, mas gostei do espaço, com direito a uma praça com palmeiras, e especialmente do chope bem tirado e geladinho.

Por estarmos na Lapa, o contraste do público que por lá circula em relação ao Vivo Rio, por exemplo, é bem mais latente, embora não faltassem os “coroas” de cabelo branco, alguns dos quais provavelmente os viram no FIC cantando “Caminhante Noturno”, “Ando Meio Desligado” e “Mande Um Abraço Pra Velha” e também os alternatchivos, muitos trajando coturnos e de preto dos pés à cabeça como num show de góticos e vários com as indefectíveis sandálias havaianas.

O motivo que me fez “estrear” no Circo Voador não podia ser outro: em fevereiro, eu já tinha ido ao céu, em êxtase, quando pude ver Mutantes pela primeira vez também. E ontem, voei bem alto – sem precisar da maconha que rolou livre, leve e solta. A música encarrega-se de ser o ingrediente vital nesse processo.

E confesso que não teria ido ao show, já que a grana anda curtíssima, se não fosse uma pessoa: Dinho Leme. O cara foi sensacional, aturou diversos interurbanos e de forma muito bacana, conseguiu que eu e mais três amigas pudéssemos ir ao Circo e ver Mutantes. Mais 0800, impossível.

Entramos mais de 10h30 da noite e o show começou quase no início da madrugada. Na seqüência – nenhuma novidade – começando com “Dom Quixote”, passando por “Caminhante Noturno” e seguindo pouco a pouco com as especialíssimas intervenções do idolatrado Arnaldo Baptista (o único com o nome gritado em uníssono) em “Cantor de Mambo” e “Dia 36”.

Pra mim, o repertório conhecidíssimo não surpreendeu, claro. Surpresa foi o som – muito melhor que no Vivo Rio – e as intervenções do velho de guerra Dinho na bateria. Eu, que admiro demais a técnica dos músicos que ficam atrás daquelas peças todas, bumbos, chimbaus e et cetera, segurando um parzinho de baquetas, fico cada dia mais fã do Dinho. É aquela velha história... pra quem não tocava há mais de 30 anos, é uma redescoberta e os fãs sabem reconhecer isso.

O Circo foi ao delírio no grand finale com “A Minha Menina”, “Batmacumba” – com um solo de bateria simplesmente avassalador e em “Panis et Circensis”. Ironicamente, a primeira música do primeiro disco do grupo nos anos 60 é a última que eles têm tocado.

Mas, pensando bem... quem há de se preocupar com ordem de música, quando se tem na frente da gente, diante dos nossos olhos e aos nossos ouvidos, um show maravilhoso como este?
Ah... e dessa vez não teve tietagem no camarim e nem foto com o povo do grupo. Não tive coragem de pedir mais do que consegui. Afinal, ver dois shows dos Mutantes no Rio - um deles digrátis - é privilégio de poucos.

Fim de um grande show: missão cumprida

Versos e reversos

Um motor ruidoso
Atraiu minha atenção
Desvirtuada
E tensa.

Moveu sob um olhar
A grande pedra
Que teimava
Em continuar imensa.

Meu coração deu o aviso
"Deixe o sonho
De lado
E tome consciência!"

Então abri meus versos
E iniciei a vivência

(por Naaman - maio / 2006)

A música do Vídeo Show

O Vídeo Show estreou tem pelo menos 25 anos na Globo e a trilha da vinheta quase sempre foi a mesma. "Don't stop 'til you get enough", faixa de abertura do sensacional Off The Wall, disco-solo de Michael Jackson lançado em 1979.

Eu disse quase porque, quando o programa sofreu uma remodelada de vinhetas e cenários no início deste ano, eis que quando foi ao ar, a música não era mais a mesma.

O público telespectador, identificado sempre com o trecho instrumental que fazia parte da vinheta, detonou saraivadas de telefonemas pra Globo e na mesma semana, o Vídeo Show voltava com a marcante música.

E, como não podia deixar de faltar, eis Michael Jackson, em forma, brilhante, espetacular, num ótimo clip de um dos clássicos em qualquer boate que toque flashbacks.

Vitória nota 10

Qualquer corrida onde pilotos do naipe de Valentino Rossi largam atrás é garantia de emoção. E para nossa sorte (digo assim porque sei que muitos compartilham da mesma opinião), o GP da Holanda não foi diferente.

No ano passado, em meu post Copa é o catzo, eu já tinha falado não só que a motovelocidade é hoje a melhor modalidade entre todos os esportes a motor, como reclamei do assassinato feito à pista de Assen.

Aquele conjunto maravilhoso de curvas não existe mais, mas a aura da pista que separa os lambaris dos tubarões ferozes segue viva e encarnada nos guerreiros de macacão de couro de canguru e capacetes levíssimos de fibra, toureando seus cavalos mecânicos a mais de 200 km/h.

E o guerreiro Rossi mais uma vez provou que, mesmo em situações adversas, ainda é um piloto como poucos que já existiram na história da Motovelocidade.

Largando em um modesto décimo-primeiro lugar, ele já passava em nono na terceira volta e foi subindo pouco a pouco na classificação. Despachou o esquadrão Repsol HRC, foi à caça de John Hopkins, suplantou o americano da Suzuki e não satisfeito, foi pra cima do líder da prova e do campeonato, Casey Stoner.

Ora, o piloto da Ducati também vive uma excelente fase e é ocioso comentar a respeito mais uma vez. Mas Rossi, tirando um errinho aqui e ali, pôs o australiano no que os mais antigos chamavam de "alça-de-mira" e não desgrudou da Desmosedici vermelha.

Resultado: na primeira bobeada, Rossi mergulhou por dentro. Passou. E venceu, pela octagésima sétima vez na carreira. Mais três triunfos, e ele iguala Angel Nieto como o número 2 no ranking de vitórias.

Quem há de parar Valentino?

***

Numa corrida muito movimentada, nota mais do que positiva para Alex Barros. Largando pessimamente e caindo para penúltimo, o piloto da Ducati D'Antin escalou o pelotão e contou com a ajudinha providencial de Randy de Puniet, que derrubou a si mesmo e ao australiano Chris Vermeulen numa disputa de posição. Longe dos primeiros colocados, mas em situação bem confortável, o brasileiro chegou em sétimo, na frente do alemão Alex Hofmann, que venceu uma disputa encarniçada com Anthony West e os experientes Marco Melandri e Carlos Checa.

Além deles, digno de nota é o pódio de Nicky Hayden, o primeiro do campeão mundial. E o reconhecimento de Stoner à vitória que o deixa separado de Rossi por 21 pontos.

"Fizemos o nosso melhor, mas Valentino tirou o que podia e o que não podia de sua moto. Hoje ele estava fenomenal, imbatível", disse o líder do campeonato.

Para bom entendedor, meia palavra basta.

sexta-feira, 29 de junho de 2007

Chris Aquático

Sou feio, mas "tô" na pole...

Sob chuva, ele já mostrou o que sabe em 2007. Chris Vermeulen venceu de forma sensacional o GP da França, em Le Mans, que começou com o piso úmido e depois molhou totalmente. Largando em décimo-segundo, ele conquistou a primeira vitória da Suzuki na MotoGP e da marca desde que Kenny Roberts foi campeão mundial.

Não foi surpresa, portanto, vê-lo no topo da classificação do treino para o GP da Holanda, em Assen. Com o tempo de 1min48s555, o piloto da Suzuki registrou sua terceira pole na carreira. Antes, ele fizera o melhor tempo em duas provas ano passado: Turquia e EUA.

Vermeulen superou o melhor tempo de Casey Stoner por apenas 0s017, enfiando um segundo inteiro no resto do pelotão. O terceiro mais veloz, Randy de Puniet, subiu dez posições na sua última volta lançada - mas a 1s024 do pole. Marco Melandri, que está em situação delicada na Honda Gresini e na MotoGP, ficou a um décimo do francês.

O treino mostrou que outros pilotos estão aptos a se transformar em surpresas, especialmente Anthony West (7º) e Alex Hofmann (8º). Valentino Rossi decepcionou por completo e foi apenas o décimo-primeiro, uma posição adiante de Alex Barros, que estava entre os oito mais rápidos até os demais baixarem seus tempos.

E cá pra nós, entre o treino da F-1 e o GP da Holanda, mesmo que não seja mais na velha e desafiante Assen de 6,049 km e 23 curvas - substituída por uma pista asséptica de 4,5 km de extensão - vou ficar com este último.

quinta-feira, 28 de junho de 2007

C'est fini Magny-Cours

Neste domingo, a Fórmula 1 se despede do circuito de Magny-Cours. Nos últimos 16 anos, o GP da França sempre foi disputado ali, deixando nos fãs da velocidade uma sensação de saudade imensa em relação a Paul Ricard.

Aliás, a troca de um dos mais modernos autódromos do mundo por outro insípido, no meio do nada, foi pura e exclusivamente por questões políticas. Guy Ligier, ainda envolvido com a escuderia que levava seu nome, tinha construído sua nova fábrica - Technopóle de la Niévre - praticamente ao lado do circuito. E juntou a fome com a vontade de comer: como sua escuderia tinha patrocínio da Gitanes, diretamente negociado com o governo francês, contou com o lobby escancarado de François Mitterrand e de Jean-Marie Balestre para levar a F-1 para lá.

A pista, que nunca foi essas coisas, no estágio em que se encontra a F-1 atual tornou-se palco de verdadeiras procissões. Magny-Cours fica para a história por ocasião do pentacampeonato de Michael Schumacher, em 21 de julho de 2002, conquistado com uma antecedência nunca antes vista em qualquer campeonato. E até por uma ou outra corrida movimentada, como a de 1999, disputada com pista molhada onde Barrichello fez a pole e Frentzen, numa estratégia inteligente da Jordan (parou apenas uma vez), venceu.

Há que se dizer que o GP da França é uma pedra - literalmente - no caminho dos pilotos brasileiros. Em apenas uma ocasião, no já distante ano de 1985, Nelson Piquet levou a bandeira nacional ao topo do pódio. Emerson Fittipaldi, que foi terceiro colocado na inauguração da pista de Paul Ricard, em 1971, foi protagonista de um episódio tão inusitado quanto trágico na edição seguinte, em Clermont-Ferrand: uma pedra jogada pela roda de sua Lotus atingiu a viseira do austríaco Helmut Marko, da BRM, deixando-o cego de um olho.

E nem mesmo Ayrton Senna, tão decantado pelos seus fãs, jamais venceu na França. Passou perto em 1988, quando foi segundo e só. Provavelmente, mais do que a pedra, há um sapo enterrado na Terra da Bastilha por um tal de Alain Prost - o anão que se agigantava quando o assunto era vencer na França. Não por acaso, faturou a corrida em 81 (na pista de Dijon), em 83 e de 88 a 90 (em Paul Ricard) e em 93 (já na pista de Magny-Cours).

A retirada de Magny-Cours do calendário sugere duas coisas: uma primeira, que a França estaria definitivamente fora da F-1 em 2008 (como se por enquanto seus pilotos não estivessem, pois o último a correr foi Franck Montagny, ano passado).

A outra é que Paul Ricard, mais de uma década depois, poderia voltar. Hoje rebatizada como uma pista de testes de alta performance, usada vez ou outra para competições, ainda conserva seu espetacular traçado de 5,810 km contemplando a reta Mistral, com seus intermináveis 1,8 km de extensão. E há mais um detalhe: o complexo, que pertencia a Bernie Ecclestone, acabou de ser vendido.

Alguns dizem que este é um bom sinal. Eu diria que a potencialidade comercial deste baixinho não tem limites. E me impressiono como Bernie faz dos seus negócios verdadeiros rios de dinheiro.

O Mal de Montezuma

Estranho como a seleção brasileira vem sofrendo derrotas vexatórias para o México, em competições importantes.

Lembro de uma na Copa Ouro, em pleno Estádio Azteca. E de outra, na Copa das Confederações em que depois, liderada por Ronaldinho, Robinho e Adriano, a seleção deu um pau na Alemanha e um olé histórico na Argentina na decisão.

Mas igual ao revés de ontem, eu nunca tinha visto.

Se a seleção mexicana vinha em crise, com o emprego de Hugo "Hugol" Sánchez correndo sério risco... o que dizer agora?

Foi 2 x 0 e podia ter sido mais, não fosse o inacreditável gol que o avante Castillo perdeu com a meta vazia e Doni batido.

Ah... e enquanto o goleiro clone do Larry dos Três Patetas for o titular, é garantia de ausência de zero no placar - do adversário.

Claro, ele não teve culpa no primeiro e bonito gol de Castillo, com direito a "chapelada" em Maicon.

Mas não se mexer na cobrança de falta do segundo gol foi demais...

E prefiro não entrar na corrente de que "se o gol de Diego não tivesse sido anulado, a história seria diferente".

Que história? De uma seleção que em nenhum momento demonstrou poder de reação ou o mínimo que se espera dela?

Seleção que tem como atacantes os nulos Vágner Love e Afonso?

E na transmissão, a velha cantilena de sempre.

"O Brasil é favorito em qualquer competição que disputa." Um minuto depois, gol do México.

"A partida de domingo contra o Chile será dramática." O eufemismo foi repetido outras cinco ou seis vezes.

E mais do que dramático, o confronto contra os andinos pode significar uma eliminação prematura e mais humilhante que a derrota sofrida para Honduras na Copa América da Colômbia.

Até porque desta derrota em diante, a seleção tomou vergonha e partiu rumo ao penta.

E essa equipe? O que vai fazer da vida... ou melhor, o que o Dunga vai fazer da vida?

quarta-feira, 27 de junho de 2007

Desafio à italiana


Chicane de Monza no Superdiesel Challenge em 1998. Que marcas corriam e que pilotos chegaram a disputar esse campeonato?
Pé na tábua, moçada!

Alguém se lembra disso?


Olha nós aí nos bons tempos do GP do Brasil de Motovelocidade... na vinheta da Dorna.
Com a MotoGP do jeito como está... é uma pena que não tenhamos mais corrida. Nem Autódromo, no Rio de Janeiro.
Mas a partir de agosto, vamos cobrar a conta.

O samba do crioulo doido, by Max Mosley

A FIA de Max Mosley é mais nociva para o automobilismo que na época de Jean-Marie Balestre.

Se nos tempos do histriônico francês, muitos condenaram a entidade por esvaziar o Mundial de Rali e promover a morte lenta do Mundial de Grupo C - com uma forcinha de Bernie Ecclestone, agora a coisa vai de mal a pior.

Começou a circular hoje um rumor de que a partir de 2011, a Fórmula 1 muda - de novo - o seu regulamento, numa virada que é tida como a mais radical de toda a sua história. Tudo em nome de uma pretensa diminuição de custos, visando cinco "premissas": eficiência dos motores, arrasto aerodinâmico, recuperação de energia, combustível e ultrapassagens.

O formato é draconiano: a F-1 do início da próxima década teria motores turbo como nos anos 80, mas com os propulsores limitados a 4 cilindros e cilindrada cúbica oscilando entre 1,3 e 1,5 litro - sem limite de giro. A potência seria diminuída através de uma taxa máxima de transferência de energia, impondo restrições ao ciclo dos motores.

E tem mais: que tal um carro com 50% a menos de downforce? Se o atual já é uma tragédia com aquelas asas traseiras menores e grudadas no eixo traseiro, dando chance zero de ultrapassagem, o que a FIA pretende? Procissões?

Os especialistas também enchem a boca para falar de quilowatts e quilojoules, mas se esquecem do essencial.

O público não vai compreender o porquê de mais uma troca de regulamento. E se a Fórmula 1 é tida como o maior laboratório que já existiu para a indústria dos carros de passeio, porque unificar componentes como assoalhos e congêneres?

E será que as montadoras vão querer investir mais dinheiro na execução de um programa turbo, como a Renault fez nos anos 70, deflagrando uma onda de investimentos que pôs por alguns anos a Fórmula 1 em risco?

Os idiotas da FIA não enxergam que a solução para uma F-1 menos monótona e muito mais competitiva está no seguinte: uso de pneus slicks, freios com menos carbono em sua composição, câmbio seqüencial com powershift - de acionamento por alavanca, preferencialmente, e o fim do controle de tração.

E carros com melhor eficiência aerodinâmica, sem aqueles horrorosos penduricalhos que os enfeiam cada dia mais.

Fim da linha para Jimenez na GP2

É, não deu outra.

Mais cedo ou mais tarde, Ernesto Viso retornaria à GP2. E se não conseguiu na vaga de Antonio Pizzonia na FMS, o piloto venezuelano desalojou outro brasileiro.

Sérgio Jimenez, que tão boa impressão causou - especialmente na rodada dupla de Barcelona - sucumbiu à falta de dinheiro e teve que ceder (lamentavelmente) seu lugar na escuderia Racing Engineering, de propriedade do nobre espanhol Alfonso de Orleans e Bourbon.

Viso estréia já neste fim de semana de Magny-Cours. E assim, o Brasil fica com apenas três pilotos para o resto do ano: Lucas di Grassi, Xandinho Negrão e Bruno Senna.

terça-feira, 26 de junho de 2007

Quando a Veja era uma revista inteligente...

A capa é de 1981, mas a foto, de 1979...

... tinha capas como esta aqui de cima, celebrando Nelson Piquet como "o brasileiro voador" e oferecendo ao leitor um perfil bem-construído sem ser piegas e mostrando um pouco daquele piloto que surgia para preencher o vácuo deixado por Emerson Fittipaldi após seu bicampeonato mundial e a fracassada aventura com a Copersucar.

A revista revelava que Nelson, aos 29 anos de idade, ganhava 1 milhão de cruzeiros / mês, leiloando espaços publicitários no macacão e capacete (vide a foto acima, com adesivos da Gledson, Brastemp e da cerveja Caracu). Ele tinha também um contrato com a Citizen para promover a marca de relógios e já campeão, assinou outro com a Golden Cross.

Mesmo sendo para muitos a antítese do garoto-propaganda por sua personalidade polêmica, o temperamento tido como "difícil e agressivo" e vítima de gozações de seus detratores por ter uma voz esquisita - como se Emerson e Senna não falassem pelo nariz... - ele continuou enveredando pelos comerciais da vida, vendendo aparelhos eletrodomésticos da Faet (onde deu os primeiros passos como empresário) e depois os produtos da Grendene - a propósito, Grendhas e Melissinhas são a praia da Gisele Bündchen e da Ivete Sangalo.

O mesmo rapaz que na época não tinha salário top, segundo a revista, serviu de faz-tudo nos boxes de Brasília em 1974, quando a F-1 fez uma corrida extracampeonato na capital federal. Lá, ele levou os mecânicos para os puteiros de Brasília, serviu sanduíches e poliu as rodas dos Brabhams de Wilsinho Fittipaldi e do argentino Carlos Reutemann, que sete anos depois não se esquecia - ainda - da presença daquele rapazola sujo e esmulambado, querendo travar contato com a única coisa que os unia naquela ocasião: o automobilismo.

"Perdi o campeonato para o garoto que limpou um dia as rodas do meu carro."

Hoje, a Veja é um pastiche de si mesma. E graças a ela, é bem possível que a jornalista Mônica Veloso consiga um contrato para posar nua, na revista Playboy, da mesma editora que a publica.

Onde é que nós estamos?

A relação imprensa-poder-políticos-presidentes vai de mal a pior na América Latina. Não viram o que Hugo Chávez fez com a tradicional emissora RCTV?

É como se um dos nossos governantes quisesse fechar a Globo, ou a Bandeirantes, ou o SBT. É uma medida arbitrária, ditatorial e anti-constitucional.

A censura, que por muito tempo imperou neste país, obra e graça da revolução que chamaram (não sei porque) de "A Redentora", que influenciou de forma negativa nos jornais, rádios, televisões, na produção cultural - especialmente na música, no cinema e no teatro - e na publicação de livros, está de volta sob forma de uma decisão do TSE em determinar a retirada de um comentário de Arnaldo Jabor do site da CBN.

Ora, será que isto é só porque ele mete o dedo em muitas feridas purulentas, abertas e diria até impossíveis de se fecharem?

Porque ele tem coragem suficiente - e respaldo - para poder escrever e dizer o que pensa?

Ou porque os donos do poder que lá estão em Brasília - do presidente a seus ministros, sem esquecer dos outros integrantes do Executivo - têm medo que se descubram mais coisas sobre eles? Mais do que tivemos visto recentemente com os escândalos envolvendo Renan Calheiros e Joaquim Roriz?

Pode parecer absurda uma indignação assim vinda de um blogueiro que fez na campanha passada uma candente defesa pela reeleição do Lula. É porque eu esperava que ao menos agora ele tomasse vergonha e não repetisse os erros do fim do seu primeiro mandato.

Mas não mudou nada. NADA!

No país do "relaxa e goza", as coisas vão indo de mal a pior e é nosso dever evitar que isto aqui vire literalmente a Casa da Noca, onde a Luzia deixa um presente desagradável na horta.

Abaixo transcrevo o texto tido como ofensivo ao governo atual.

A VERDADE ESTÁ NA CARA, MAS NÃO SE IMPÕE
(por Arnaldo Jabor)

O que foi que nos aconteceu?

No Brasil, estamos diante de acontecimentos inexplicáveis, ou melhor,"explicáveis" demais.

Toda a verdade já foi descoberta, todos os crimes provados, todas as mentiras percebidas.

Tudo já aconteceu e nada acontece. Os culpados estão catalogados, fichados, e nada rola.

A verdade está na cara, mas a verdade não se impõe.

Isto é uma situação inédita na história brasileira.

Claro que a mentira sempre foi a base do sistema político.

Infiltrada no labirinto das oligarquias, claro que não esquecemos a supressão, a proibição da verdade durante a ditadura, mas nunca a verdade foi tão límpida à nossa frente e, no entanto, tão inútil, impotente, desfigurada.

Os fatos reais: com a eleição de Lula, uma quadrilha se enfiou no governo e desviou bilhões de dinheiro público para tomar o Estado e ficar no poder 20 anos.

Os culpados são todos conhecidos, tudo está decifrado, os cheques assinados, as contas no estrangeiro, os tapes, as provas irrefutáveis, mas o governo psicopata de Lula nega e ignora tudo.

Questionado ou flagrado, o psicopata não se responsabiliza por suas ações.

Sempre se acha inocente ou vítima do mundo, do qual tem de se vingar.

O outro não existe para ele e não sente nem remorso nem vergonha do que faz.

Mente compulsivamente, acreditando na própria mentira, para conseguir poder.

Este governo é psicopata! Seus membros riem da verdade, viram-lhe as costas, passam-lhe a mão nas nádegas.

A verdade se encolhe, humilhada, num canto. E o pior é que o Lula, amparado em sua imagem de "povo", consegue transformar a Razão em vilã, as provas contra ele em acusações "falsas", sua condição de cúmplice e Comandante em "vítima".

E a população ignorante engole tudo. Como é possível isso?

Simples: o Judiciário paralítico entoca todos os crimes na fortaleza da lentidão e da impunidade. Só daqui a dois anos serão julgados os indiciados - nos comunica o STF.

Os delitos são esquecidos, empacotados, prescrevem.

A lei protege os crimes e regulamenta a própria desmoralização.

Jornalistas e formadores de opinião sentem-se inúteis, pois a indignação ficou supérflua. O que dizemos não se escreve, o que escrevemos não se finca, tudo quebra diante do poder da mentira desse governo.

Sei que este é um artigo óbvio, repetitivo, inútil, mas tem
de ser escrito...

Está havendo uma desmoralização do pensamento. Deprimo-me: "Denunciar para quê, se indignar com quê? Fazer o quê?".

A existência dessa estirpe de mentirosos está dissolvendo a nossa língua.

Este neocinismo está a desmoralizar as palavras, os raciocínios.

A língua portuguesa, os textos nos jornais, nos blogs, na TV, rádio, tudo fica ridículo diante da ditadura do lulo-petismo

A cada cassado perdoado, a cada negação do óbvio, a cada testemunha, muda, aumenta a sensação de que as idéias não correspondem mais aos fatos!

Pior: que os fatos não são nada - só valem as versões, as manipulações.

No último ano, tivemos um único momento de verdade, louca, operística, grotesca, mas maravilhosa, quando o Roberto Jefferson abriu a cortina do país e deixou-nos ver os intestinos de nossa política.

Depois surgiram dois grandes documentos históricos: o relatório da CPI dos Correios e o parecer do procurador-geral da República. São verdades cristalinas, com sol a pino.

E, no entanto, chegam a ter um sabor quase de "gafe". Lulo-Petistas clamam: "Como é que a Procuradoria Geral, nomeada pelo Lula, tem o desplante de ser tão clara! Como que o Osmar Serraglio pode ser tão explícito, e como o Delcídio Amaral não mentiu em nome do PT? Como ousaram ser honestos?"

Sempre que a verdade eclode, reagem.

Quando um juiz condena rápido, é chamado de "exibicionista". Quando apareceu aquela grana toda no Maranhão (lembram, filhinhos?), a família Sarney reagiu ofendida com a falta de "finesse" do governo de FH, que não teve a delicadeza de avisar que a polícia estava chegando... mas agora é diferente. As palavras estão sendo esvaziadas de sentido.

Assim como o stalinismo apagava fotos, reescrevia textos para contestar seus crimes, o governo do Lula está criando uma língua nova, uma neo-língua empobrecedora da ciência política, uma língua esquemática, dualista, maniqueísta, nos preparando para o futuro político simplista que está se consolidando no horizonte.

Toda a complexidade rica do país será transformada em uma massa de palavras de ordem, de preconceitos ideológicos movidos a dualismos e oposições, como tendem a fazer o Populismo e o simplismo. Lula será eleito por uma oposição mecânica entre ricos e pobres, dividindo o país em "a favor" do povo e "contra", recauchutando significados que não dão mais conta da circularidade do mundo atual.

Teremos o "sim" e o "não", teremos a depressão da razão de um lado e a psicopatia política de outro, teremos a volta da oposição Mundo x Brasil, nacional x internacional e um voluntarismo que legitima o governo de um Lula 2 e um Garotinho depois. Alguns otimistas dizem:

"Não... este maremoto de mentiras nos dará uma fome de verdades!"

segunda-feira, 25 de junho de 2007

Nem Pizzonia, nem Viso...

A informação é do blog do excelente jornalista Fábio Seixas, da Folha de S. Paulo.

A FMS International, equipe de Giancarlo Fisichella na GP2, demitiu mesmo o brasileiro Antonio Pizzonia, após pifias performances e um ponto somado nas cinco primeiras corridas do ano.

Mas ao contrário do que se falou por aí, o lugar não será ocupado pelo venezuelano Ernesto Viso - que treinou, e muito bem, com o carro que era do brasileiro em Paul Ricard.

A vaga foi parar na mão de Adam Carroll, vice-campeão da Fórmula 3 inglesa em 2004, que disputou a temporada passada da GP2 pela escuderia Racing Engineering, do nobre espanhol Alfonso de Orleans e Bourbon.

Sobre o futuro de Sérgio Jimenez, por enquanto, nenhuma informação...

Vedi, vini, vinci (Vim, vi e venci)


Demorou menos tempo em relação ao que os especialistas previam. Afinal de contas, achavam os entendidos que ele nunca teria futuro na Stock Car americana porque veio da Fórmula 1 e lá se comportava como um menino reclamão e chorão.

Mas Juan Pablo Montoya não está mais na F-1. Na Nascar e no automobilismo estadunidense, ele se sente em casa. Forma uma família feliz com a linda Connie e seus dois filhos. Pilota para Chip Ganassi, com quem venceu a ChampCar e as 500 Milhas de Indianápolis. E agora faz parte da história, integrando um seleto time do qual fazem parte apenas ele, Mario Andretti e Dan Gurney - os únicos com conquistas na F-1, na Nascar e na ChampCar.

Montoya é também o primeiro forasteiro em 33 anos a vencer uma prova da divisão principal da Stock Car nos EUA. Earl Ross, do Canadá, ganhou em 1974 as 400 Milhas de Martinsville. E é também o segundo triunfo do colombiano desde que mudou de categoria - em março, vencera no México uma prova da Busch Series.

Nesta prova de Sonoma (outro circuito misto, como o do México), foi usado o COT (Car of Tomorrow) e o modelo do Dodge é o Avenger, ao contrário do Charger adotado nas demais etapas. Os comissários técnicos avisaram, a propósito, que vão ser cada vez mais rigorosos nas vistorias e isto foi um fator primordial para as exclusões de Jeff Gordon e Jimmie Johnson, que tiveram de largar entre os últimos. Gordon ainda salvou um sétimo lugar e Jimmie, o atual campeão, foi o 17º.

A corrida deste domingo teve outros habitués de circuito misto: Boris Said (9º na corrida), PJ Jones (12º), Ron Fellows (15º), Butch Leitzinger (28º), Terry Labonte (35º) e o belga Marc Goossens, que estreou na divisão principal com um 36º lugar.

domingo, 24 de junho de 2007

Stoner, o cara

Stoner: ele é o cara?!?


Bom dia, torcida amiga.

Aposto que a Ducati não tinha idéia do que a esperava em 2007, no primeiro ano em que a MotoGP usa as motos de quatro tempos com 800 centímetros cúbicos de cilindrada. Afinal, além da experiência do veterano Loris Capirossi, 34 anos nas costas, a marca de Borgo Panigale apostou em Casey Stoner, treze anos mais novo, substituindo Sete Gibernau. Depois de oito corridas disputadas, se havia alguma dúvida sobre a validade da aposta, ela deixou de existir. O australiano deixou para trás o passado de Rolling Stoner, casou-se com a bela Adriana, amadureceu fora e dentro das pistas e seu rendimento só evoluiu. E com a Desmosedici GP7, que é um verdadeiro canhão, Stoner já venceu cinco corridas no ano - sem se importar com as condições e características das pistas.

Hoje foi um exemplo disso, pois com um traçado inicialmente muito molhado e depois parcialmente seco, o australiano deitou e rolou. Dispensou Colin Edwards, venceu com sobras e agora tem 26 pontos de vantagem sobre o multicampeão Valentino Rossi - que mais uma vez teve problemas com os pneus traseiros (e com certeza, vai maldizer um bocado a sugestão que ele mesmo deu para a Michelin, apostando em compostos macios de chuva).

A corrida foi quentíssima nas primeiras oito, nove voltas e depois ficou em banho-maria. O único acidente, a rigor, foi o de Loris Capirossi, que vai carimbando o passaporte para sua despedida do Mundial. O veterano Alexandre Barros chegou num excelente sétimo lugar, considerando que na classificação ele teve problemas mecânicos e largou apenas em décimo-quinto. Ou seja: por herança ou ultrapassagens, o brasileiro ganhou oito posições.

Agora, dá o que pensar a situação do campeonato: Stoner tem tamanha vantagem para Rossi, que mesmo sem correr na Holanda, no próximo sábado, continuará líder da MotoGP. Além de Ducati e Yamaha, apenas a Suzuki venceu corridas em 2007. A Honda, campeã do ano passado, ainda não viu a quadriculada na frente e - pior do que tudo - vê uma empresa com produção anual de 32 mil unidades superá-la de lavada. Os japoneses, mundialmente, fazem 10,2 milhões de motocas de todas as cilindradas.

A última marca européia a vencer o Mundial da categoria máxima foi... a MV-Agusta, no distantíssimo ano de 1974 com o britânico Phil Read.

Los coches de nuestros hermanitos

Olha, sem medo de errar, digo que o automobilismo argentino - em matéria de criatividade e categorias - é mais rico que o brasileiro. Atualmente, então, é uma lavada. E não dá pra esquecer que os portenhos têm mais de 30 autódromos num território muito menor que o nosso e nós temos quantos hoje?

Enfim, depois de mostrar aqui o Baufer Chevrolet que competiu nos 1000 km de Buenos Aires em 1971, prova de abertura do Mundial de Marcas, eu aceitei a sugestão do blogueiro hermano Hurricane (un saludo, amigo!) e fui ver o que eles tinham de fotos. E rapaz... é cada uma!

Hoje vou trazer duas. A primeira é do Mavicapache Chevrolet de Norberto Pauloni em 1971. E abaixo dele, o lindíssimo Numa Tornado de Jorge Ternengo.

512 GPs na foto


Este é um recente encontro entre três antigos pilotos de F-1 que, somadas as corridas que disputaram, desbancam fácil o italiano Riccardo Patrese. Na verdade, exatamente o dobro da marca de 256 provas disputadas por ele.

É só fazer as contas: à esquerda, Eddie Cheever, americano que correu entre 1978 e 1989 fez 132 corridas, sem vitória ou pole position pelas escuderias Hesketh, Theodore, Osella, Tyrrell, Talbot-Ligier, Renault, Alfa Romeo, Lola-Haas e Arrows.

O mais baixo, ao centro, é Jacques Laffite, que de 1986 a 1989 dividiu com Graham Hill o recorde de participações em GPs. O francês disputou 176 provas, venceu seis e conquistou sete pole positions, pelas equipes Iso-Marlboro, Williams e Ligier.

E na direita, um moço que dispensa pormenores: Nelson Piquet Souto Maior, tricampeão do mundo, 204 corridas, 24 vitórias e 23 pole positions, um currículo para ninguém botar defeito.

Taí uma foto para quem diz que o Nelson detestava todos os pilotos com quem corria, perceber que era o contrário. Claro, ele não tinha que ser amiguinho do Senna, do Mansell e do Prost, mas tinha muito bom relacionamento com os demais.

sábado, 23 de junho de 2007

Duelo Musical II - Elis Regina x Marisa Monte

Muito embora não houvesse repercussão em termos de postagens no blog (se um post tem mais de cinco respostas, pra mim já está ótimo), o primeiro “Desafio Musical” me deixou muito satisfeito porque acho que fiz um desenho muito interessante do legado que o Cream e o Experience de Jimi Hendrix deixaram para a música.

E aí comecei a pensar num segundo momento: quem seriam os próximos do desafio? Pensei em Beatles e Rolling Stones, e citaria a música de Gianni Morandi que fez sucesso aqui com os Incríveis e depois com os Engenheiros do Hawaii. Mas achei pretensão demais falar dessas duas lendas do rock assim, tão de cara.

Então lendo O Globo de hoje, deu o estalo: afinal, deram capa para Marisa Monte, que está prestes a completar 40 anos. Idade que a maior cantora da história da música nacional não chegou a alcançar: Elis Regina Carvalho Costa.

O segundo desafio musical não pode ser outro, portanto: Elis Regina x Marisa Monte.

DISCOGRAFIA

Já de saída, Elis Regina mostra que não está para brincadeira, neste desafio. Entre 1964 e 1982, ano de seu falecimento, a Pimentinha nos brindou com uma safra excepcional de discos, onde os mais representativos são: “Falso Brilhante” – tido como um dos dez álbuns mais emblemáticos da MPB – o fantástico “Elis & Tom” e “Ela”, com excepcionais regravações - vide "Cinema Olympia" (Caetano Veloso), "Mundo Deserto" (Erasmo e Roberto), "Golden Slumbers" (Paul McCartney) e "Black Is Beautiful" (Marcos e Paulo Sérgio Valle). Durante o período breve e intenso que marcou sua carreira, Elis se cercou dos melhores produtores, músicos e compositores, bebendo nas mais diversas fontes e cantando com alegria infinda do jazz à música sertaneja.

Marisa Monte tem vinte anos de estrada e um gosto bastante eclético – não é à toa que ela é filha de um integrante da Velha Guarda da Portela, como provado desde o disco de estréia (que é ao vivo), atestando o misto de ousadia e pretensão que marcou sua carreira. É verdade que tenho sim alguns dos seus trabalhos aqui em casa, incluindo o primeiro CD e o quilométrico Verde Anil Amarelo e etc. Mas nada que me emocione. Aliás, em matéria de cantora, só duas no Brasil realmente me emocionam – e uma delas é Elis Regina.

Vantagem para Elis Regina neste primeiro quesito.


MUSICALIDADE

As duas são realmente muito musicais, não se pode negar. Elis, filha de um casal humilde – uma lavadeira e um vidraceiro – e nascida em Porto Alegre, teve desde cedo a vocação para o estrelato, cantando como gente grande no Clube do Guri e zarpando com sua interpretação de “Arrastão” para o Olimpo da música brasileira. Sabe-se que apesar de uma voz potente e fraseado marcante, Elis contou com a ajuda de muita gente para evoluir – especialmente na postura de palco. Um dos responsáveis por essa evolução foi o bailarino americano Lennie Dale, lendária figura da noite carioca, um dos integrantes dos Dzi Croquettes, que tomou Elis sob sua proteção e tornou-a uma cantora cada vez melhor. Não no sentido do canto, mas da interpretação, especialmente se lembrarmos como ela mexia loucamente os braços quando ganhou o Festival da Excelsior em 1965.

Marisa também tem excelente postura de palco e foi ajudada – e muito – nisto por Nelson Motta, que foi seu protetor pelo menos durante dois anos no início de sua ascensão musical. Mas não sei... falta-lhe o carisma necessário para ela se tornar a estrela que ela pensa que é. Talvez por ser uma figura vamp, enigmática, um tanto reclusa, Marisa crie essa aura. Não compromete. Mas também não ajuda muito.

Elis tem ligeira vantagem sobre Marisa, novamente.


REPERTÓRIO

Elis – que nunca foi compositora ou letrista, apenas intérprete, é bom que se diga, cantava samba-jazz em seus primeiros discos e gostava muito de música internacional – boleros inclusive. Odiava Bossa Nova, mas Tom Jobim era outra história. Nelson Motta, que também trabalhou com Elis (foi seu produtor na Philips entre 1967 e 1972), incutiu pouco a pouco na Pimentinha a necessidade de se renovar. E foi aí que começaram a surgir novos nomes na esfera de compositores que ela trazia para seus álbuns: Baden Powell, Paulo César Pinheiro, Ivan Lins, Milton Nascimento, João Bosco, Aldyr Blanc, Zé Rodrix, Belchior, Egberto Gismonti, Tim Maia, Renato Teixeira e tantos outros.

Por isso, a lista infinita de clássicos imortalizados por Elis: “Vou deitar e rolar (Quaquaráquaquá)”, “É com esse que eu vou”, "Atrás da Porta", “Como nossos pais”, “Madalena”, “Canção do Sal”, “Casa no Campo”, “Alô, Alô, Marciano”, “Maria Maria”, “Romaria”, “O bêbado e a equilibrista”, “Dois pra lá, dois pra cá” e tantas outras.

Mas nada mais bacana na carreira de Elis do que o disco dividido com Tom Jobim em 1974, que rendeu na mesma medida um especial de TV histórico para a Rede Globo. Ao lado do maestro soberano, os dois dão um show na definitiva versão de “Águas de Março” – e quem ousaria duvidar do contrário?

Marisa parecia enveredar pelo mesmíssimo caminho da gaúcha quando começou, apenas como intérprete e bebendo nas mais diversas fontes, de Gershwin (“Porgy & Bess”) a Monsueto (“Ensaboa”). Uma cantora sem dúvida cool, mas buscando identidade musical. Ela começou relativamente bem nos três primeiros discos, mas a partir do “Barulhinho Bom”, quando começou a compor algumas canções, derrapou na seleção musical. Ela conseguiu ótimas parcerias, especialmente com Arnaldo Antunes (“Beija Eu” e “Amor I Love You”), com outro Titã – Nando Reis, que inclusive foi seu namorado por um tempo e outros nomes da nova MPB, como Lenine e o percussionista Marcos Suzano. Pela quantidade e qualidade das músicas por ambas interpretadas, embora Marisa mostre muito bom-gosto, a comparação entre ambas aqui não deixa dúvidas.

Elis vence de lavada neste quesito.

CONJUNTO DA OBRA

Para finalizar este duelo, reitero que isto aqui não é a fogueira da inquisição da carreira de Marisa Monte, e não tenho pretensão de querer fazer isso. É apenas a reafirmação da minha admiração eterna pelo talento de Elis Regina, para mim a maior cantora que já existiu no Brasil em todos os tempos. A Pimentinha foi, em menos de vinte anos nos palcos, a referência-mor para todas as que vieram em seguida – inclusive de sua filha Maria Rita (embora esta negue com veemência). De Beatles a Roberto Carlos, passando por Mercedes Sosa e Armando Manzanero, ninguém ficou impune à presença vocal de Elis Regina, que passou por este mundo como um furacão que deixa, até hoje, marcas indeléveis em quem a viu – ou apenas ouviu – cantar as músicas que ela deixou para a história.

Marisa ainda tem muito feijão para comer se quiser ser uma das maiores cantoras brasileiras em todos os tempos. Na atualidade, como há poucas à sua altura (Bethânia é um caso a parte), ela talvez se sobressaia. Mas, bem como dito antes, sua busca incessante pelo ecletismo às vezes a faz cometer alguns deslizes e derrapagens, vide o chatíssimo projeto Tribalistas, com Arnaldo Antunes e o mala do Carlinhos Brown. Afinal de contas, quem há de aturar pérolas como “Já sei namorar”? Quem tem estômago e ouvido apurados, passa longe!

Vitória incontestável, porém não esmagadora, de Elis Regina sobre Marisa Monte neste segundo duelo musical. Aguardem o próximo.

sexta-feira, 22 de junho de 2007

Pantera Cor-de-Rosa II


Eu e outros blogueiros ficamos curiosos em saber como era o Baufer citado na resposta do post "Pantera Cor de Rosa" sobre o Porsche RS Spyder da CET Solaroli, na American Le Mans Series.

Pois aí em cima está o carro argentino, tal como foi apresentado em 1971. Conduzido por Edoardo Pino e Jorge Ternengo, o Baufer Chevrolet correu os 1000 km de Buenos Aires - a prova que marcou o acidente fatal do italiano Ignazio Giunti e a participação de alguns brasileiros, entre eles Emerson Fittipaldi, que alinhou com um Porsche 917.

O protótipo portenho tinha pintada na dianteira a alcunha "La Pantera Rosa" - ou seja, mais Pantera Cor de Rosa impossível. E seu motor Chevrolet debitava 340 HP nos seus seis cilindros. Na prova, o Baufer durou só oito voltas, depois de largar em vigésimo-segundo entre 24 inscritos. O motor estourou.

E já que o dileto amigo Jonny’O contribuiu com a foto do Baufer, quero ver no blog outros protótipos argentinos, se possível: Requejo, Mavicapache, Trueño e muito mais...
Mãos à obra!

quinta-feira, 21 de junho de 2007

Adieu, Jacque



Olivier Jacque (foto acima) anunciou na antevéspera do primeiro treino classificatório para o GP da Inglaterra de MotoGP a sua retirada das pistas. Campeão mundial da classe 250cc em 2000, depois de uma sensacional disputa com Shinya Nakano - ambos com Yamaha - o piloto francês vinha sofrendo com as constantes lesões que atrapalharam seu retorno à motovelocidade depois de um ano ausente das pistas.

Em 2005, numa aparição-relâmpago como substituto do então titular Shinya Nakano, Jacque surpreendera quando em Xangai chegou em segundo sob chuva com a mesma Kawasaki com a qual assinou contrato para correr este ano, junto com o compatriota Randy de Puniet.

Enquanto este vem surpreendendo, as prestações de Jacque vinham sendo diametralmente opostas e prejudicadas por seguidas lesões nas costas, coluna cervical e no antebraço direito.

Por isso, aos 33 anos, o piloto resolveu parar com a competição e passar para "o outro lado do balcão", como consultor técnico, trabalhando diretamente com Mr. Ichiro Yoda, chefe da equipe e que fora campeão com o próprio Jacque na Yamaha.

O substituto do francês já foi escolhido: é o veloz australiano Anthony West, um ás na chuva e que correu pela última vez na categoria máxima em 2001, ainda com uma Honda 500cc da equipe de Arie Molenaar.

Pantera Cor-de-Rosa


Penélope Charmosa certamente teria vontade de guiar este carro.

Acima, você vê o layout pink do Porsche RS Spyder LMP2 da escuderia americana CET Solaroli, que brevemente estreará na American Le Mans Series.

Prevista para Lime Rock, a primeira corrida da nova equipe foi adiada, talvez para a etapa de Mid-Ohio.

Por enquanto, vão ficando quatro carros da marca alemã na disputa - os dois da Penske e outros dois da Dyson. Mas a Solaroli vai marcar presença ainda este ano e, dizem, com dois pilotos com passagem pela Fórmula 1: Johnny Herbert e J. J. Lehto.

A conferir.

quarta-feira, 20 de junho de 2007

Um campeão menor?

Como goleiro, é notório que Raul Guilherme Plassmann foi um vencedor.

Fora das quatro linhas, confesso que o achei um comentarista mais ou menos, fosse na Globo ou no Sportv. Tem ótimas histórias pra contar, como a do "vale treino" que ele deu pra Telê Santana e que lhe custou uma Copa do Mundo, pelo menos, em sua carreira. E era vítima da gozação da torcida atleticana nos anos 60/70 por seus cabelos compridos e claros, e por usar uniforme amarelo. Ganhou o apelido de Wanderléa, que pegou e ficou.

Respeito o passado do Raul, mas ele pisou na bola - como alguns outros idiotas - ao desmerecer o título do Fluminense na Copa do Brasil, chamando a competição de "fraca".

Essa mesma competição "fraca" classifica há 18 anos o seu campeão para a Libertadores da América e até mesmo os clubes em que Raul se consagrou debaixo das traves já a venceram - Cruzeiro e Flamengo, portanto.

É estranho que ele só abra a boca pra criticar a Copa do Brasil - e por conseguinte o calendário do futebol brasileiro, dizendo que é "do século passado" - quando o campeão é o Fluminense.

Por que não falou nada no ano passado, quando o Flamengo foi campeão eliminando, entre outros, ASA de Arapiraca, ABC e Ipatinga, antes da decisão contra o eterno vice deles, o Vasco?

Uma competição que classifica um time para um torneio continental com vários meses de antecedência em relação ao resto não tem o seu valor?!? É claro que o Brasileirão é importante... mas vejam lá onde está, por exemplo, o Flamengo que Raul não ousou criticar ano passado - em 17º, flertando com a chamada zona do rebaixamento.

O Flu é campeão de fato, de direito e com méritos, mais uma vez contra tudo e todos, contra a má-vontade dos lorpas e pascácios (dá-lhe Nelson Rodrigues!) que não entendem porra nenhuma do riscado - não é, Neto?

Começo a acreditar que existe um ressentimento do Raul em relação ao Fluminense pelo seguinte:

No último ano de carreira dele como goleiro, ele perdeu a chance de conquistar seu último troféu num histórico Fla-Flu, onde levou um gol do Assis aos 45 do segundo tempo. Ora... goleiro que é vazado nos acréscimos não sofre impunemente. Carrega isto pela vida inteira. Sem contar o fato de vez ou outra ser confundido, ora vejam, com o Cantarele, o goleiro reserva do Urubu nos tempos de Raul como titular.

A reação em Laranjeiras foi imediata e o Renato Gaúcho, que não engole desaforo à toa, já respondeu como Raul merecia. Deixo agora que os blogueiros tricolores - ou não - se manifestem, à vontade.

A fila anda

E a mais de 300 km/h, atropela.

Nos treinos da GP2, que estão prestes a se encerrar em Paul Ricard, melhor tempo - de novo - para Andreas Züber e segundo posto para o italiano Luca Filippi, da Super Nova.

A pá de cal: 3º tempo para Ernesto Viso. Se alguém ainda tinha dúvidas...

Javier Villa foi o quarto, seguido por Lucas di Grassi e Pastor Maldonado. Bruno Senna foi o nono, Xandinho Negrão o 14º.

Nenhum sinal, de novo, de Sergio Jimenez, o que é uma lástima. Quanto a Pizzonia, bem... todo mundo sabe o que eu penso.

Coisa horrorosa!


Alguém pode explicar que traquitana é essa?!?

O carro em primeiro plano é realmente horroroso!

Quem terá cometido estes dois protótipos?

Aguardo resposta.

terça-feira, 19 de junho de 2007

Hein?!?

P.h.D. em mau-caratismo, o anão Alain Prost foi inquirido sobre a atual situação da McLaren onde Fernando Alonso e Lewis Hamilton lideram o campeonato, com o neófito inglês enfiando dez pontos goela abaixo do bicampeão do mundo.

E foi enfático.

“Eu acho que é um erro manter dois carros iguais dentro da mesma equipe. No final, isso pode ser prejudicial porque cria muita tensão."

Ele sabe muito bem o que é criar ou viver em tensão, especialmente quando dividiu por dois anos a mesma McLaren cuja postura ele critica, agora, com Ayrton Senna.

Em 1988, um ano atípico na história da F-1, os dois venceram quinze corridas. Prost fez mais pontos que o brasileiro, mas por conta do regulamento que previa a validade de onze dos 16 resultados do ano, o francês perdeu o título por três pontos.

No ano seguinte, as coisas começaram relativamente bem e como Senna não pontuou no Brasil e Prost foi segundo, o então bicampeão ficou tranqüilo. Mas a situação desandou a partir de San Marino e o francês, invocando um "acordo" que existia na época onde os pilotos não disputariam a posição na primeira volta - sob pena de correr riscos inúteis - teria sido quebrado por Senna na entrada da veloz curva Tosa. Daí em diante, foi um festival de aborrecimentos que culminou no teatro de Suzuka, que fez o anão chegar ao terceiro título mundial.

Nelson Piquet, que venceu de forma magistral um campeonato contra o mesmo Prost em 1983, sempre qualificou o rival como um piloto competente mas "político demais e frio nas manobras de bastidores". Possivelmente o nosso primeiro tricampeão se apoiava - e com toda razão - no beneplácito que Alain teria por ser compatriota do então presidente da FIA, o caricato Jean-Marie Balestre.

E tinham razão...

A GP2, que folgou nas duas últimas semanas em razão da estadia da Fórmula 1 na América do Norte, iniciou testes coletivos com suas treze equipes em Paul Ricard, visando a etapa de Magny-Cours nos dias 30 de junho e 1º de julho. E quem viu a folha de tempos nos sites especializados em automobilismo notou algumas novidades:

- a volta de Michael Ammermüller ao volante do carro número 1 da ART Grand Prix, ocupado em Barcelona por Mikhail Aleshin e em Mônaco por Sebastien Buemi.

- o alemão Henki Waldschmidt andando pela DAMS em substituição a Kazuki Nakajima, recrutado pela Williams para testes de F-1 nesta terça em Silverstone.

- Sérgio Hernandez andando pela Racing Engineering no carro que é de outro Sérgio, no caso o brasileiro Sérgio Jimenez. Será que a cama está armada para a tão falada substituição por falta de verba?

- e a principal novidade, antecipada (e pouco levada a sério por aí) pela turma do site Grande Prêmio: Ernesto Viso treinando pela FMS no lugar do brasileiro Antonio Pizzonia. Ele não tem mais os patrocínios que o camarada Hugo Chávez repassou a Pastor Maldonado, mas é muito bom piloto. Em contrapartida, o que fez Pizzonia em cinco corridas na GP2 este ano?

É... a galera que antecipou o lance está de parabéns... tinham razão.

Entre os mais rápidos, nenhuma novidade: Andreas Züber em primeiro, meio segundo na frente de Timo Glock e Giorgio Pantano em terceiro. Os três brasileiros que treinaram não foram bem, com Bruno Senna em décimo-sétimo, Lucas di Grassi logo atrás e Xandinho Negrão em 22º.

Cada um dá o que tem

Parem as máquinas! A auxiliar de arbitragem Ana Paula de Oliveira vai revelar algo além de um rostinho bonito.

Ela assinou contrato para sair peladinha, como veio ao mundo, na edição de julho da revista Playboy.

E quem deitou e rolou com a notícia foi o técnico do Fluminense e notório mulherengo, Renato Portaluppi, chamando-a de "gostosa". Mas deixando claro que não aprova a decisão dela.

- Para o bem do futebol (e o dela, acima de tudo), ela não deveria fazer. Agora, com todo respeito, nós vamos perder pra caramba - declarou no programa Bem, Amigos! do Sportv, arrancando risadas do estúdio inteiro.

E arrematou que Ana Paula é "um charme", deixando também sem saber o que falar a cantora Fafá de Belém, atração musical do programa e dona de um colo, digamos, farto.

O técnico do São Paulo, Muricy Ramalho, acha "normal" e disse que se um jogador do elenco do campeão brasileiro posasse sem roupa, não proibiria. Porém, o superintentendente de futebol do clube paulista, Marco Aurélio Cunha, analisa pelo viés mais correto.

-Vai dificultar o trabalho dela, que ficará marcada pela revista, assim como um jogador, se fizesse o mesmo. Ela passou por várias pressões na profissão e essa será mais uma. Ela é muito bonita e tem todo o direito de fazer as fotos, mas acho que a tendência é que ela siga outro caminho e comece a trabalhar na mídia, como comentarista, por exemplo.

Depois do que aconteceu nas suas infelizes intervenções no jogo entre Botafogo e Figueirense pela semifinal da Copa do Brasil, quando o cartola Carlos Augusto Montenegro a chamou de "piranha", o pior é que o dirigente vai se sentir dono da razão.

Mas cada um sabe o que faz da vida. Ou cada um dá o que tem.

A passo de cágado

Enquanto São Paulo tem um metrô razoavelmente grande - mas insuficiente para o tamanho da cidade, com diversas linhas (acredito que cinco), o Rio de Janeiro caminha a passo de cágado para a expansão metroviária.

Hoje, em O Globo, saiu uma matéria onde a companhia que detém a concessão do Metrô Rio vai fazer uma obra em que será criada a linha 1-A, interligando o bairro de São Cristóvão à Central do Brasil.

Muito bem, mas... a pergunta que não quer calar persiste: por que os bairros da Leopoldina e a Ilha do Governador não sentem nem o cheiro do concreto? Há anos - e eu morei em Ramos por quase três décadas - achamos que o melhor desafogo do transporte no Rio de Janeiro é o metrô, quer seja de superfície ou subterrâneo. Os planos dos governantes lamentavelmente só contemplam a Zona Sul e a Barra da Tijuca - evidente que em razão da expansão imobiliária desenfreada.

A população mais pobre fica privada de um mínimo de conforto embora seja verdade que o Metrô tenha a linha 2 indo até a Pavuna e cortando diversos bairros do Rio - porém, outros que não os da Leopoldina.

A verdade é que depois da administração de Carlos Lacerda (e isso no tempo da antiga Guanabara!), o Rio permanece estagnado. Demorou-se 30 anos para a Linha Vermelha ficar pronta e outros mais para sair do papel a Linha Amarela. Existem também a Linha Verde e a Linha Azul, vocês sabiam? Mas ninguém, absolutamente ninguém, fala ou pensa em arregaçar as mangas e dizer: "vamos fazer, vamos construir".

No Rio os verbos são justamente o oposto - desfazer, destruir. Por isso a cidade, o grande cartão-postal do país no exterior, está vergonhosa, entregue a um bando de políticos que são um zero à esquerda, sem representatividade nacional e desprovidos de caráter.

O pior é que quanto mais a gente olha para os lados, não temos quase ninguém em quem confiar. Eu, por exemplo, votei na Benedita da Silva na eleição de 2002 acreditando que ela derrotaria a Rosinha Garotinho. Tudo bem, ela perdeu, faz parte.

Mas... ver o nome dela envolvido numa lista de supostos beneficiados com propina, junto de sem-vergonhas como a própria Rosinha e os corruptos Álvaro Lins e Josias Quintal, me desagradou profundamente. É demais pra minha cabeça de 36 anos.

Quer dizer: o discurso de "negra, pobre e favelada" é da boca pra fora, pois sabe-se que ela mora num belíssimo apartamento no Leme, é casada com um ator conhecido, desde que se elegeu deputada pela primeira vez, nunca deixou de ter um cargo - inclusive no primeiro mandato do Lula - e dinheiro pra ela nunca foi problema. A velha história se repete, quanto mais poder as pessoas têm, mais elas querem usufruir dele.

E o povo continua sendo otário, como sempre foi.

segunda-feira, 18 de junho de 2007

Desafio musical - confronto 1: Cream x Experience

Como absoluto leigo em teoria musical, mas apaixonado por música e tudo o que a cerca, é óbvio que sempre me senti tentado a cometer uma certa ousadia: promover “desafios” colocando em confronto alguns grupos e/ou artistas representativos e de épocas contemporâneas ou distintas até.

Confesso que nem sei por onde começar. Estou vendo o DVD Disraeli Gears, que conta a história do segundo álbum do Cream e de repente deu o estalo. Liguei o laptop na tomada, sentei-me em frente à TV e comecei a escrever essas linhas. E de certa forma me veio à mente o primeiro desafio – entre dois power trios do rock and roll. Mas quais?

Sem dúvida, Cream é um deles. E a comparação caberia com quem? Pensei no Rush, mas acho que aí seria covardia – contra os canadenses, que adoro. Então vamos de Cream versus Jimi Hendrix Experience. Afinal, foram grupos de curta duração, fizeram parte do mainstream durante praticamente a mesma época e tinham músicos de grandíssima estirpe: dois dos quais se respeitavam e admiravam mutuamente – Eric Clapton e Jimi Hendrix.

Então vamos ao desafio, lembrando sempre que é um exercício despretensioso de colocar frente a frente bandas e artistas de suma importância na música. Bem... alguns nem tanto.

DISCOS

Em matéria de trabalhos em estúdio, o Experience de Jimi Hendrix leva ligeira vantagem sobre o Cream. O guitarrista de Seattle e seu grupo tiveram dois trabalhos realmente avassaladores – “Are You Experienced?” e “Axis: Bold As Love”. O Cream teve em “Disraeli Gears” seu grande sucesso de vendas. Mas, no geral, os dois grupos produziram álbuns muito, muito bons.

Neste primeiro item, o Experience levou vantagem por meio ponto.

GUITARRISTAS

É difícil pôr em confronto dois guitarristas que eu adoro desde criança. Clapton é fantástico. No Cream, então, era sublime com a Gibson Les Paul e seus acordes blueseiros desde sempre me fizeram ser um fã seu. Hendrix era animal, tirando todos os barulhos possíveis e imagináveis de suas Fender, tocando como um destro e usando a alavanca de distorção como nunca visto na época. Se Jimi tinha isso como arma, Clapton introduziu no blues e no rock o wah wah pedal, que em canções como “Tales Of Brave Ulysses” e “White Room” entrou para a história da música.

Como cantores, deixavam a desejar. Hendrix sabia que este não era o seu forte, mas tinha musicalidade, assim como Clapton – cujo grande defeito no Cream era a timidez. Mas isso não o impedia de brilhar, especialmente em “Crossroads” na versão definitiva do trio britânico.

O veredito é limpo e claro: empate entre essas duas feras do rock.

BAIXISTAS

Gosto também dos dois. Jack Bruce é de formação clássica, foi criado no jazz e tinha a música hindu como influência, tem mais “pegada”, presença de palco e canta muito – mesmo com a voz baleada pelos excessos dos anos 60, ainda mostrou o que sabe nos shows de reunião do Cream ano retrasado. Redding é discreto, ao estilo John Entwistle (The Who), sabia com quem e com o que estava lidando, mas nunca foi capaz de suportar a pressão de pertencer ao grupo de Jimi Hendrix.

Em dados momentos, suas linhas de baixo chegaram a ser refeitas pelo guitarrista, mas isso nunca o comprometeu como músico. Porém, é inegável que Bruce representou muito mais para o seu grupo do que Redding – posteriormente substituído por Billy Cox.

Vantagem para Jack Bruce e o Cream, por um ponto sobre o Experience e Noel Redding.

BATERISTAS

Muito difícil falar desses dois: Ginger Baker e Mitch Mitchell. Aliás, entre os seis não há um de quem não goste. Mas aqui a parada é tão duríssima quanto entre Hendrix e Clapton. Se por um lado admiro Baker pela sua “levada” característica de evidente influência afro, Mitchell no auge era um demônio, formando uma cozinha bem respeitável para os solos de Hendrix.

No Cream, Baker era meio que vítima da guerrinha de egos que culminou com o fim do grupo em 1968, porque tinha que seguir os improvisos de Bruce e Clapton – e cada show era uma guerra interminável deles, sobrando pouquíssimo espaço para as composições do ruivo, entre elas “Toad”, a precursora da “Moby Dick” de John Bonham. Mitchell não fez uma composição de solo de bateria, mas tinha liberdade para tanto e quem viu o show de Woodstock e a instrumental “Jam At The Back House” sabe do que estou falando.

Adivinhem? Aqui, deu empate.

MÚSICAS

Hendrix era do tipo “viajandão” e criava mais em cima de improvisos, mas fez letras e músicas absolutamente sensacionais, como “Purple Haze”, “Fire”, “Voodoo Chile”, “Foxy Lady”, “Are You Experienced?” e outras. E fez misérias em canções que não eram dele, como “Hey Joe”, “All Along The Watchtower”, “Like a Rolling Stone” e até em “Star Spangled Banner”, o hino nacional americano.

Todavia, o Cream apresenta uma série de composições de muito respeito, como “We’re Going Wrong”, “Tales Of Brave Ulysses”, “I Feel Free”, “Badge”, “Sunshine Of Your Love”, “World Of Pain” e tantas outras que deixaram um legado fantástico para o blues e o rock and roll. Também na hora de interpretar músicas de outros artistas, Clapton, Bruce e Baker arrasavam. Ou seja, aqui qualquer comparação entre o Cream e o Experience é simplesmente imprevisível e impossível.

Nem preciso dizer: empate, de novo.

SHOWS AO VIVO

Evidentemente que me baseio no pouco que vi de ambos os grupos. O Cream nunca se preocupou em reproduzir 100% do que fazia em estúdio. Hendrix e o Experience, tampouco. Foram duas bandas e seis artistas que se esmeraram no exercício das “viagens” musicais, com solos, improvisos e performances que entraram para a história. Hendrix tem como o melhor registro ao vivo com o Experience o show do Monterrey Pop Festival.

O Cream leva ligeira vantagem: tem apresentações simplesmente espetaculares em 90% dos seus concertos ao vivo, inclusive no Farewell Concert do Royal Albert Hall, em 1968 – que tenho em DVD. E estou excluindo a maravilhosa apresentação de Jimi Hendrix em Woodstock única e exclusivamente porque NÃO FOI com o Experience, embora o locutor do festival diga que sim.

Ligeira vantagem para o Cream, por meio ponto.

CONJUNTO DA OBRA

Nenhum dos dois grupos durou o suficiente para criar uma sólida carreira. O Cream ficou apenas três anos nas paradas, assim como o Experience. O power trio britânico encerrou suas atividades em 1968 e o Experience pereceu um ano depois, porque Hendrix cedeu às pressões que solicitavam músicos negros em seu grupo e também pelo fato de que o guitarrista estava buscando novos horizontes e a expansão de sua música, vide o malfadado projeto “Sky Church”. Mas se duraram pouco neste planeta e Hendrix morreu prematuramente em 1970, pelo menos suas músicas ficaram para a eternidade.

Ainda tivemos o privilégio de ver o Cream reunido 37 anos depois de anunciada sua dissolução para shows épicos no Royal Albert Hall (o mesmo palco da despedida!) e no Madison Square Garden. Dos quatro sobreviventes – já que Noel Redding também morreu – o único que desenvolveu uma carreira solo respeitável foi Eric Clapton, sem deixar de cometer aqui e alhures alguns deslizes em seu repertório. Mas nunca se deve desprezar Bruce, Baker e Mitchell. Tampouco esquecer Hendrix e Noel Redding, o que, aliás, seria uma enorme injustiça cometida pelo escriba.

No fim das contas, para não cometer mais injustiças, o empate geral está decretado. E viva o bom e velho rock and roll!

Que bicho é esse? - XI

Desde 11 de maio, a pergunta não é feita. Então vamos queimar a mufa e descobrir que carro da foto abaixo é esse? Pra tornar a coisa mais difícil, quero também o nome dos pilotos e em que ano essa bagaça correu.

Divirtam-se!

Dissecando o blog

Gosto de saber como anda a peridiocidade de visitas aqui no blog e como cadastrei no meu o Google Analytics, fica mais fácil saber quem apareceu por aqui e de onde veio. Então, desde 1º de abril - não é mentira, não - o Saco de Gatos recebeu no total 18.033 visitas e 22.981 exibições de página, o famoso pageview.

O recorde de visitas foi em 8 de maio - dia do 25º aniversário do falecimento do inesquecível Gilles Villeneuve - com 621 no total. Nesse mesmo dia, houve 932 pageviews.

Ao todo, além do Brasil outros 72 países já tiveram pelo menos um visitante neste humilde endereço. O top 10 é: Brasil, Portugal, EUA, Japão, Espanha, Grã-Bretanha, França, Argentina, Alemanha e Itália. E aparecem na listagem Jordânia, Filipinas, Andorra, Indonésia, Luxemburgo, Kuwait, Martinica, Bahamas, Estônia e Malta.

No Brasil, o ranking é liderado por São Paulo com 6.713 visitas, quase o triplo do Rio de Janeiro. Depois vêm Curitiba, Belo Horizonte, Brasília, Salvador, Joinville, Porto Alegre, Santo André e Juiz de Fora. No total, são 82 cidades.

Entre as fontes de tráfego, o Google contribuiu com 3.304 visitas, seguido do Blog do Capelli, o do Fábio Seixas, o Orkut e o Blog do Pandini em quinto. Agora, o destaque são as "palavras-chave". O Google Analytics aponta 2.713 no total e muitas delas são hilárias. Outras, nem tanto.

Abaixo, uma relação das melhores:

Gatos cariocas - foram 8 visitas usando esse termo. Tudo bem, eu sou bonito mesmo!

Honda, 16 cilindros em V - seis procuras acham que dois motores juntos vão ajudar Rubens Barrichello e Jenson Button a saírem da lama.

Cynthia Zamorano nua - a única jurada feminina do "Ídolos" foi agraciada com quatro procuras nesta expressão. Será que vale a pena tentar imaginá-la sem roupa?

Tatiana Gratcheva - não lembro de ter escrito um único post sobre vôlei feminino, mas Gratcheva é um capítulo à parte.

Milka Duno nua - uma outra excelente pedida! Que tal pensarmos no assunto?!?

Música Saca Geral da Torcida Jovem do SP - Eu sou tricolor, mas não são-paulino. Aliás, o clube do Morumbi é de três cores. Tricolor, só o Flu.

Fotos da filha de Gilles Villeneuve - só sei que se chama Melanie. Alguém a viu alguma vez nos autódromos?

Deborah Secco Glock - alguém pensando em comprar uma pistola Glock para matar a atriz global e hoje maria-chuteira?

Mapa Astral Kurt Cobain - o programa da Zora Yonara é na Rádio Globo.

Dave Gilmour Cocaína - se o antigo guitarrista do Pink Floyd dá as suas cafungadas, isso não é problema meu. Eu sou caretinha.

Exterminar marimbondo - Detefon nele!

Parábola do funcionário reclamão - A curva é descendente. Ou não seria a parábola uma curva?

Como surgiu o banheiro químico? - é só procurar no Wikipedia.

Ayrton Senna pés fetiche Adriane - é a única coisa bonita que a Galisteu tem, os pezinhos. E disso, eu entendo. Agora, o que o Senna tem a ver com isso?

Lewis Hamilton religião - xi... como se já não bastassem os fãs do Maradona...

Antigos sucessos do grupo San Marino - sinceramente só ouvi falar de Santa Esmeralda, aquele grupo de "Don't Let Me Be Misunderstood", clássico da disco dos anos setenta.

Jacky Ickx já teve Fusca? - Boa pergunta! Na F-1 ele teve Matra, Ferrari, Brabham, Lotus, McLaren, Ensign, Wolf-Williams e Ligier. Será que em 84 o Prost deu-lhe um carro de presente?

Felipe Massa é gato - Desde quando?

Pasta de Enchova - dúvidas de culinária, com Claude Troisgros, Olivier Anquier ou Eduardo Guedes.

Joe Riggs, uma lenda do reggae - desconheço... não seria Bob Marley o mito do reggae?

Piadas de sexo no paiol - Explosivas!!!

Acuras de preto velho - pai-de-santo tem Honda, ou melhor, Acura, no Brasil, mizinfio?

Vasco disco voador estádio - uma procura sobrenatural, né não?

Ministério de surdo Vila Penha - que mistureba danada... o Instituto de Surdos é em Laranjeiras, a Vila da Penha foi onde Romário deu seus primeiros chutes. E o que tem a ver o ministério?!?

Por enquanto, é só.

Somos tão jovens

Hamilton: quem sabe, o mais jovem campeão de todos os tempos


Há vinte e um anos, Renato Russo enchia os rádios e aparelhos de som com sua voz grave, entoando Tempo Perdido, que terminava com uma frase enigmática para todas as gerações.

"Somos tão jovens".

Pois bem: hoje na Fórmula 1, diversos pilotos parecem querer entoar em seus idiomas a frase da marcante canção da Legião Urbana. A começar pelo líder do campeonato, Lewis Hamilton.

Aos 22 anos, o fenômeno britânico desponta como o nome a ser batido assim que a temporada européia começar em 1º de julho no GP da França.

Somando 58 pontos, dez à frente do bicampeão Fernando Alonso, o piloto da McLaren quebra diversos recordes: primeiro, o básico, de que um negro nunca venceu na categoria máxima; segundo, o de sete pódios consecutivos, coisa que nenhum estreante conseguiu. E pode quebrar um terceiro, que seria o mais histórico de todos: ganhar um campeonato em seu primeiro ano, suplantando ainda o próprio companheiro Alonso como o mais jovem campeão da história da F-1.



Outra situação que dá muito a pensar: a estréia, aos 19 anos de idade, do alemão Sebastian Vettel (foto acima). Forjado na excelente escola alemã pós-Schumacher, vice-campeão europeu de F-3 ano passado e atual líder da World Series, Vettel já tinha mostrado muita velocidade nos treinos de sexta - quando as equipes podiam usar o terceiro carro - no ano passado, pela BMW. E não fez nenhuma besteira em sua primeira corrida, substituindo Robert Kubica - acidentado em Montreal. Marcou um ponto e se tornou o mais jovem piloto da história a conseguir esse feito.

Vejam bem: o líder do mundial tem 22 anos. O mais novo estreante da F-1, 19. Alguém acreditaria que isso fosse possível há 30 anos atrás?

Vamos voltar no tempo, só para dar alguns exemplos. Nosso primeiro campeão, Emerson Fittipaldi, estreou com 23 anos, no GP da Inglaterra de 1970. Nelson Piquet correu pela primeira vez oito anos mais tarde, com Ensign. Tinha de 25 para 26 anos. Ayrton Senna fez sua estréia em 1984, com 24 anos completos. E só vou usar os três brasileiros campeões para ilustrar as diferenças entre ontem e hoje.

E não é só isso. O piloto hoje chega à F-1 tão bem-preparado quanto antigamente, embora bem mais jovem. Hamilton tem a imensa vantagem de ser apadrinhado por Ron Dennis desde o tempo do kart. Vettel, além da simpatia da BMW, é piloto apoiado por Dietrich Mateschitz, leia-se Red Bull. A diferença entre o tempo de Emerson, Piquet e Senna é que os pilotos não se preocupavam em chegar jovens na categoria máxima. Faziam o percurso inteiro, queimando uma ou outra etapa - Piquet e Senna por exemplo passaram da F-3 direto para a F-1.

Uma coisa é certa: os tempos hoje são outros e os pilotos, cada vez mais jovens, sentem menos pressão.

E brilham intensamente, como Lewis Hamilton, o líder até aqui inconteste do campeonato.

domingo, 17 de junho de 2007

A Divisão Panzer vence de novo

O leão da Peugeot agora mia feito gatinho. Desafiar a Audi, vencedora de todas as edições das 24 Horas de Le Mans desde 2000 - inclusive quando ganhou a Bentley, pois o motor do protótipo britânico era da marca alemã - é sem dúvida um desafio para poucos.

Nos últimos dois anos, a Pescarolo tentou e não conseguiu bater a supremacia germânica. E neste ano, mesmo com dois dos três R10 estoporados nos guard-rails do lendário circuito de Sarthe, prevaleceu o melhor desempenho do protótipo que carrega na carenagem os quatro anéis entrelaçados.

Venceu de novo o trio formado por Emanuele Pirro / Frank Biela / Marco Werner, que já haviam conquistado a prova ano passado. E a vantagem ao fim das 24 Horas foi de 10 voltas exatas sobre o Peugeot de Sebastién Bourdais / Stéphane Sarrazin / Pedro Lamy - resultado que credencia a marca francesa a voltar à corrida no ano que vem.

O terceiro e honroso lugar do pódio ficou com o Pescarolo Judd de Romain Dumas / Emmanuel Collard / Jules Boullion, beneficiado que foi por uma fuga de óleo do segundo Peugeot, tripulado por Minassian / Gené / Villeneuve.

O sonho do octa de Tom Kristensen foi por água abaixo em razão de uma batida sofrida por Dindo Capello e o terceiro carro, com Mike Rockenfeller, sofreu um acidente monumental na curva Tertre Rouge.

Na LMP2, viu-se uma débacle assustadora de praticamente todo o pelotão de competidores. Um por um, os protótipos da divisão foram sucumbindo - entre eles o Lola de Thomas Erdos, que buscava o tricampeonato. Sobraram apenas dois concorrentes, e se arrastando no final da prova, tomado por pesada chuva: o Lola-Zytek de Bill Binnie / Allen Timpany / Chris Buncombe e o Zytek da Barazi-Epsilon guiado por Adrián Fernández / Robbie Kerr / Haruki Kurosawa.

A categoria LMGT1 mostrou um índice técnico fortíssimo e um baixo número de abandonos, somente dois - um Corvette e um Lamborghini. E pela primeira vez nos últimos três anos, a Aston Martin conseguiu derrotar a Corvette, cortesia de David Brabham / Darren Turner / Rickard Rydell, 5º lugar na classificação geral. O trio formado por Magnussen / Fellows / O'Connell chegou em sexto e a terceira posição no grupo foi do Aston da Larbre, com Gollin / Bouchut / Elgaard.

Christian Fittipaldi e seus companheiros de equipe - Antonio Garcia e Jos Menten - fizeram o possível com o carro do Team Modena. Na 12ª hora de prova, enfrentaram um grave problema no Aston Martin e mesmo assim levaram a corrida adiante. Eles chegaram em décimo-sétimo na geral, décimo na GT1.

E para quem pensava que a Ferrari venceria com sobras na LMGT2, os Porsches mostraram quem é que manda: primeiro e terceiro lugares para a marca do cavalinho empinado de Stuttgart, com vitória de Richard Lietz / Raymond Narac / Patrick Long. Em segundo, classificou-se a F430 da Risi-Krohn com Colin Braun / Nic Jönsson / Tracy Krohn e a equipe Autorlando fechou a prova no terceiro posto, com Lars-Erik Nielsen / Pierre Ehret / Allan Simonsen.

A Ferrari de Jaime Melo Júnior, que conservou por muito tempo a liderança da categoria, sucumbiu na 17ª hora, com o finlandês Mika Salo ao volante. Como curiosidade, Adrian Newey, projetista da Red Bull de F-1, conseguiu um bom resultado em dupla com os pilotos Ben Aucott e Joe Macari, também ingleses. O trio chegou em quarto lugar na GT2, sem dúvida um resultado encorajante para três diletantes no automobilismo.

sexta-feira, 15 de junho de 2007

Thinking Blogger Award


Tive o prazer de, entre um dos muitos endereços que se encontram aqui à direita do meu blog, clicar no ótimo Blog do Capelli para dar uma olhada básica. E qual não foi a minha surpresa em ver que o meu humilde endereço foi agraciado com uma indicação ao Thinking Blogger Award. E já que por regra tenho que recomendar cinco endereços, lá vão:

Blig do Gomes - Sempre fui fã do Flavio Gomes, desde que li seus primeiros textos no Anuário do Reginaldo Leme e depois com os sites WarmUp e Grande Prêmio. Também dividimos vez ou outra uma participação em comum no Linha de Chegada antes que ele fosse para a ESPN Brasil. O blog do torcedor número 1 da Portuguesa é repleto de pitacos, ótimas fotos, DKWs, Ladas, Trabants e outros bichos.

Blog da Alessandra Alves - Ela já merece uma menção por "aturar" o camarada Pandini (brincadeirinha...), mas merece estar na lista com louvor. O blog dela é uma mescla de cultura, esporte e ótimas histórias. E além do mais, é uma excelente representante do sexo feminino no jornalismo automobilístico - além de fã de Mutantes.

Grünwald - O blog do quase-xará do austríaco Alexander Wurz, tricolor de quatro costados e movido a gasolina, também é uma colcha de retalhos sobre os assuntos recorrentes do dia-a-dia, sem esquecer a paixão que o move: o automobilismo.

Nem dou Bola - Blog do antigo estagiário do Sportv e torcedor do Botafogo Rafael Barros, com excelentes textos e crônicas. Tem só 31 postagens - econômico e tímido como o autor, um dos estudantes de jornalismo mais inteligentes que já conheci.

Pandini GP - Ele não me indicou, mas não ligo. O camarada L-A. Pandini coloca a serviço dos blogueiros sua verve afiadíssima, atirando para todos os lados: da política ao automobilismo. Evidentemente, temos muitas coisas em comum, entre elas votar no PT e torcer muito por Nelson Piquet - mesmo depois que o tricampeão deixou as pistas. E o cara ainda divide um site excepcional, o GP Total, com o Edu Correa, autor do livro "Fórmula 1: Pela Glória e Pela Pátria".

Riccardo Paletti


Hoje, 15 de junho, seria o dia em que o piloto italiano Riccardo Paletti completaria 49 anos de idade.

O mais atento leitor há de se perguntar: e daí? É que no último dia 13, atingiu-se duas décadas e meia de seu falecimento - que guarda muitas semelhanças com o de Roland Ratzenberger.

Especialmente porque o austríaco, falecido em 30 de abril de 1994, fez parte do mórbido fim de semana de Imola onde o tricampeão Ayrton Senna também perdeu a vida. E Paletti desapareceu no mesmo ano - 1982 - assim como outro mito das pistas: Gilles Villeneuve.

Tal como o austríaco da Simtek, Paletti teve carreira curtíssima na F-1. Ratzenberger disputou apenas o GP do Pacífico, em Aida. O italiano, que era segundo piloto da Osella, classificou-se para a largada em três corridas. A primeira foi o esvaziado GP de San Marino em Imola, sem a presença das equipes inglesas - exceto a Tyrrell. Décimo-terceiro no grid entre 14 pilotos, Paletti completou sete voltas apenas, desistindo com a suspensão de seu carro quebrada.

Em Detroit, na primeira corrida disputada na capital do automóvel, o italiano fez o 23º tempo e se classificou para a largada - mas bateu entre a abertura do boxe e o alinhamento - e por isso não correu.

E veio então o GP do Canadá, oitava etapa do campeonato de 1982. Paletti conseguiu de novo o 23º lugar, à frente de Eliseo Salazar, Geoff Lees e Brian Henton, deixando de fora Manfred Winkelhock, Emilio de Villota e o brasileiro Chico Serra - que brigou de forma estúpida com Raul Boesel no primeiro treino oficial, na véspera.

O italiano tentou fazer tudo certo na largada, observando os giros do motor para trocar as marchas no tempo certo. Antes da luz verde acender, o pole position Didier Pironi levantou os braços e acenou avisando que seu carro não se movia. Mesmo assim, a largada foi autorizada e a Ferrari ficou parada. Paletti prestou atenção demais no painel e quando percebeu que a traseira do bólido crescia à sua frente, foi tarde demais: ele acertou em cheio a Ferrari de Pironi que, desgovernada, causou uma carambola com o March de Boesel e o Theodore de Geoff Lees.

Paletti não se movia dentro do Osella e os fiscais de pista tentaram os primeiros socorros. Em 30 segundos, o pior aconteceu: algum líquido inflamável (óleo ou possivelmente gasolina) atingiu as partes quentes do carro e o fogo imediatamente começou, com o piloto ainda dentro do cockpit.

Os fiscais se desesperaram, Didier Pironi também e ninguém conseguia retirar o italiano a tempo de evitar o pior. Depois de 20 minutos, Paletti foi transportado para um hospital em Montreal, já em estado muito grave. Ele morreria horas mais tarde, não pelo fogo que consumiu o Osella, mas sim em razão da hemorragia interna decorrente do forte impacto do seu peito com o painel do carro.
Dois dias antes de completar 24 anos, a efêmera carreira do italiano chegava ao fim - e justamente numa ocasião festiva. Afinal, sua família estava lá no circuito de Montreal pronta para comemorar com ele o seu aniversário. E por um acaso do destino, saíram do Canadá sob o manto preto do luto.
E como o show não podia parar, uma hora e meia depois do acidente a prova recomeçou sem o Theodore de Lees (a equipe não tinha carro-reserva) e os dois Osella. Didier Pironi partiu de novo na pole, mas quem venceu foi Nelson Piquet - exatamente uma semana depois de não se classificar em Detroit, dando à BMW também seu primeiro triunfo na Fórmula 1.

quinta-feira, 14 de junho de 2007

Quem avisa amigo é

Robert Kubica, aquele que a partir do último domingo tem uma nova certidão de nascimento, quer por que quer correr no GP dos EUA, em Indianápolis.

Porém, neurologistas avisam dos sérios riscos que ele corre, no caso de uma nova pancada: sofrer perda de coordenação motora é um deles.

O polonês vai passar por uma bateria de exames coordenados pelo médico-chefe da FIA, Dr. Gary Hartstein, substituto do lendário Syd Watkins.

Se a junta médica negar sua presença na corrida estadunidense - o que é bastante provável - seu lugar será ocupado por Sebastian Vettel, alemão de apenas 19 anos de idade, e que em meia temporada como piloto de testes e reserva da BMW assombrou em 2006.

Fiquem de olho.

França 1 x 0 Alemanha

Allez les bleus!


Stéphane Sarrazin foi o mais rápido do primeiro treino classificatório para a 75ª edição das 24 Horas de Le Mans. O piloto francês da Peugeot, que divide o carro número 8 com Pedro Lamy e Sebastién Bourdais, marcou 3'26"344, mais de meio segundo à frente que o Audi R10 TDi de Allan McNish - que terá como parceiros Dindo Capello e Tom Kristensen.

A alegria de Sarrazin, pole - por enquanto

De terceiro a quinto, só deu carro turbodiesel. Em terceiro, o Peugeot de Minassian / Villeneuve / Gené, seguido dos Audis de Pirro / Werner / Biela (trio atual campeão) e de Luhr / Rockenfeller / Prémat.

O melhor não-diesel foi o Pescarolo Judd de Dumas / Collard / Boullion, mas a mais de 7 segundos da pole provisória. Os 10 melhores foram completados por Gounon / Johansson / Moreau (Courage AER), Barbosa / Short / Hall (Pescarolo Judd), Lammers / Hart / Bleekmolen (Dome Judd) e Campbell-Walter / Ortiz / Nakano (Creation Judd).

Na classe LMP2, o Zytek da Barazi-Epsilon alugado por Adrián Fernández confirmou seu favoritismo. Nas mãos de Robbie Kerr, o carro inglês ficou com o melhor tempo em sua subcategoria, com 3'44"158, mais de um segundo e meio à frente do Lola AER da Quifel Team ASM, com Hughes / Amaral / Castro. O RML Lola de Erdos / Newton / Wallace - este último classificou o carro - ficou em 21º no geral e sexto na divisão.

Adrián Fernández em ação, mas foi Kerr quem fez o melhor tempo

A LMGT1 tem, por enquanto, o Aston Martin da Larbre Competition com o melhor tempo, cortesia do excepcional Christophe Bouchut. Ele fez o excelente tempo de 3'50"761, quatro décimos mais veloz que o Saleen de Soheil Ayari / Nicolas Lapierre / Stéphane Ortelli. Os Corvettes oficiais ficaram em 3º e 5º no grupo.

Bouchut à frente da Ferrari da Risi-Krohn: mostrando força

Christian Fittipaldi e seus parceiros Antonio Garcia e Jos Menten conseguiram um bom resultado. Ficaram em sexto na LMGT1, 30º no geral (3'53"727). A categoria terá um desfalque de última hora pois o Lamborghini da J-LOC sofreu um acidente no treino diurno, desgovernando-se na freada para a segunda chicane. O piloto Marco Apicella está ok, mas o carro não será recuperado para a corrida - que terá 53 carros no grid.


O melhor tempo da LMGT2 foi registrado pelo canadense Chris Niarchos (foto acima), da Scuderia Ecosse, com 4'04"185, aproximadamente meio segundo adiante do Porsche de Narac / Lietz / Long. O brasileiro Jaime Melo Júnior classificou a Ferrari #97 da Risi com a terceira marca da divisão - 4'05"358, 41º no geral.

quarta-feira, 13 de junho de 2007

Memória Le Mans - "A aventura brasileira"

O Porsche de Paulão (ao volante), Guaraná e Marinho:
uma participação para a história

Corria o ano de 1978. Às vésperas de uma prova da Super Vê em Goiânia, pintou a idéia maluca, vinda da cabeça do coordenador da escuderia Gledson, Alain Vignais: uma participação só de brasileiros nas 24 Horas de Le Mans.

A escolha dos pilotos era mais ou menos óbvia e teria que recair em pelo menos dois patrocinados pela confecção. Um deles, Alfredo Guaraná Menezes, tido e havido como o mais veloz do nosso território - depois que Nelson Piquet foi para a Europa, evidentemente. Paulo Gomes, o Paulão, também foi escolhido por sua adaptação e experiência com carros de grande potência, como o Ford GT40 e o Maverick Divisão 3 da equipe Mercantil-Finasa.

Alain Vignais fez a ponte entre Brasil-França e alugou, com a ajuda do piloto Claude Ballot-Lena um Porsche 935/77 do Grupo 5, monoturbo, com 3 litros de cilindrada cúbica e potência superior a 700 cavalos. Um monstro se comparado ao Supervê de 130 HP que Guaraná guiava e com os pouco mais de 400 HP do Maverick.

O carro pertencia à equipe ASA Cachia e o proprietário concordou em homenagear - de forma justíssima - o inesquecível José Carlos Pace, amigo pessoal de Paulão e vice-campeão em 1973 com Ferrari. O terceiro piloto rapidamente foi escolhido: Marinho Amaral, que contribuiu para o rateio do aluguel com uma pequena verba, trazida pela Center Fabril.

O montante reunido por Guaraná, Paulão e Marinho ainda não era de todo suficiente. O jornalista Marcus Zamponi, o grande Zampa, que participava indiretamente da empreitada, foi procurado pelo também piloto e advogado Paulo Valiengo, que lhe entregou um cartão e disse de forma enfática.

"Vai nesse cara e diz que o projeto dará mais retorno que o Copersucar."

O "cara" era o empresário Odair Mondelo, que recebeu em seu escritório Zampa e Guaraná, ambos alinhados para a ocasião (sinceramente, é difícil imaginar o Zampa assim...). Nervosíssimos, suando nas mãos, os dois foram fulminados por uma pergunta surpreendente:

"Como posso ajudar vocês? Querem o pagamento em dólar ou em cheque?"

Com duas maletas varadas de doletas, Guaraná e Zampa não acreditavam: a aventura estava garantida e ia acontecer.

A trupe brasileira foi para a França conhecer o carro. Na viagem, foram Alain, Zampa, Marinho, Guaraná e Paulão. Quem os recebeu por lá foi Olivier Chandon, herdeiro da Moët Chandon, bon vivant e piloto de ocasião, que morreu afogado no lago do circuito de Moroso, na Flórida, anos mais tarde.

Chandon serviu de cicerone do grupo e, como surpresa, os levou para uma megafesta na Riviera, com direito a limusine e tudo. Ninguém tinha roupa especial para a boca-livre e é divertido imaginar o milionário cercado de cinco caras de jeans e tênis. Uísque e demais destilados rolavam soltos e Paulão, mais pra lá do que pra cá, amarrou um porre daqueles.

No meio da farra, Olivier chamou para a roda ninguém menos que... a Bela da Tarde. Isso mesmo, Catherine Deneuve, linda, loira e elegantíssima, estava lá. E Paulão, com finesse, disparou: "Catarina? Quem é Catarina?"

Depois, com o papo comendo solto e sem entender porra nenhuma de francês, o piloto não teve dúvidas, e apalpou com vontade a bunda da atriz. Paulão desmente de pés juntos, mas como havia mais de uma testemunha...

Voltemos à corrida. Os três tiveram o primeiro contato com o carro e a equipe se assustou. Marinho Amaral era em média 18 segundos mais lento que Guaraná e 20 pior que Paulão. Mr. Cachia, por medida de segurança, inscreveu Jean-Louis Lafosse, experiente piloto francês, como reserva do trio, ou melhor, de Marinho.

Na classificação o trio foi recomendado a não baixar de 4 minutos, tempo mais do que suficiente para garantir um dos 55 lugares disponíveis do grid. Paulão resolveu experimentar a força do motor flat 6 cilindros e prontamente desobedeceu a ordem - virou em 3min59s5 e conquistou o 23º lugar no grid.

A equipe determinou no plano de corrida que Marinho Amaral guiaria um turno a cada dois de seus companheiros de equipe. Como classificou o carro, Paulão teve a primazia de largar, passando em décimo-oitavo já na primeira volta. Mr. Cachia teve que interceder e com placas, mandou o brasileiro se empolgar menos no pedal da direita e conservar o equipamento.

Guaraná se adaptou rapidamente ao exigente Porsche 935/77 e até Marinho Amaral perdeu o medo inicial, virando tempos melhores que na classificação. O trio sobreviveu com grande primazia à dureza da longa corrida e alcançou os dez primeiros lugares. Com algumas quebras e os problemas dos favoritos, como o Porsche Moby Dick de Rolf Stommelen e Manfred Schurti, o trio verde-e-amarelo chegou em sétimo lugar na classificação final da prova - 2º no grupo 5. Um resultado histórico, espetacular e muito comemorado ao fim das 24 Horas.

Ah... os vencedores? Claro... foram Didier Pironi, já piloto de Fórmula 1 pela Tyrrell e o experiente Jean-Pierre Jaussaud, que deram à Renault - depois de muitas tentativas - um triunfo na clássica prova francesa com o protótipo Alpine Renault A442B Turbo.