domingo, 6 de maio de 2007

Semana Gilles - parte 6

A crise enfrentada pela Ferrari em 1980 não abalou nem um pouco a confiança da equipe em Gilles Villeneuve. Pelo contrário: Enzo Ferrari continuava tendo um carinho imenso pelo canadense e o tratava quase a como um filho.

Aliás, a foto abaixo, que me foi enviada pelo amigo Felipe Werneck, não me deixa mentir.



E com a saída prevista de Jody Scheckter, que abandonou o automobilismo aos 29 anos de idade, o francês Didier Pironi, um ano mais jovem que o sul-africano, foi chamado para ocupar o seu lugar. Ele e Gilles teriam a tarefa de desenvolver para 1981 a Ferrari 126 CK, o segundo carro turbocomprimido da F-1.

Os italianos construíram um motor V-6 a 90º de ângulo de bancada dos cilindros, dotado de um compressor desenvolvido pelos suíços da Brown Boveri, que funcionava fazendo o propulsor ter uma faixa útil de rotações como se fora um motor de aspiração normal.

Em Long Beach, os dois foram bem. Villeneuve fez uma ótima largada, mas depois perdeu o ponto de frenagem da primeira curva e caiu para quarto. Depois abandonou. Pironi prendeu Nelson Piquet por muito tempo e o brasileiro, depois de superar o francês, não conseguiu mais recuperar contato com as Williams.

Os dois bateram no Brasil e na Argentina, uma quebra eliminou Pironi e Villeneuve saiu da pista sozinho. Com zero ponto no campeonato, a Ferrari trocou o complexo e problemático compressor da Brown Boveri por uma turbina KKK e os resultados logo vieram: Villeneuve fez a pole em Imola, mas foi só o sétimo. Pironi fez dois pontos com um quinto lugar.

Na Bélgica, Gilles foi o quarto e Pironi, depois de excepcional largada, foi o oitavo. E então veio Mônaco, onde Nelson Piquet liderou até bater e Alan Jones, com problemas em sua Williams, não suportou a incrível pressão de Gilles Villeneuve. O canadense ultrapassou o campeão de 1980 e conquistou uma maiúscula vitória, a quinta de sua carreira.

Em 21 de junho, uma prova épica em Jarama. E melhor do que um parágrafo cheio de bobagens, melhor assistir os melhores momentos daquela corrida, que marcou a sexta - e última - vitória de Gilles na Fórmula 1.



Muita gente enxergou nessas duas vitórias a redenção da Ferrari em 1981. Mas as conquistas foram fruto muito mais da garra e da raça do canadense do que pela eficiência do chassi, que ainda não era dos melhores da F-1. Simplesmente foram dois momentos inspirados do piloto mais querido da época.

Daí em diante, Gilles e Pironi enfrentaram toda a sorte de problemas, salvando-se até o fim do ano um 3º lugar monumental em Montreal, debaixo de um temporal de filme de pirata. Nessa ocasião, Villeneuve mostrou um car control absolutamente inacreditável, fazendo valer os anos de campeão de trenó motorizado em seu país.



A temporada de Gilles terminou com uma melancólica bandeira preta em Las Vegas, na prova que marcou o título mundial de Nelson Piquet. No fim das contas, o 6º lugar no Mundial de Pilotos com 25 pontos não era um mau resultado face às circunstâncias desfavoráveis da Ferrari à época.

Com certeza, esperava-se muito mais para 1982. Mas o acaso iria colocar um ponto final nos espetáculos do piloto canadense.

Um comentário:

Anônimo disse...

Bem lembrado Rodrigo !

esse sistema da Brown Boveri era muito interessante, do tipo comprex, sendo diferente do compressor mecânico como os utilizados nos dragsters e tambem diferente do turbo, embora o princípio básico de todos eles seja o mesmo comprimir o ar no cilindro visando aumento de potência.

Mas o bacana deste sitema, é que na teoria, ele traria o benefício do blower e do turbo sem suas desvantagens, no caso blower o peso do conjunto e consumo de potência pois como é acionado mecânicamente há um "consumo" razoável de CVs, e no caso do turbo por funcionar com os gases do espapamento ele demora a "encher" o motor, o famoso turbo-lag.

O comprex trabalha por ondas de pressão trocando energia entre os gases de exaustão e o ar de admissão na velocidade do som (com uma figura ilustrativa ficaria bem mais fácil de visualizar hehehe) enchendo o motor desdes as baixas rotações e sem grande consumo de CVs do motor para aciona-lo além de baixo consumo de combustível (era bom demais né, parece até propaganda do shoptime hehehe)

Pena que na prática o sistema não se mostrou bom, talvez com um pouco mais de paciência e testes os resultados viriam, mas acho que, por causa da necessidade de resultados positivos devido ao desastre da temporada anterior eles não poderiam esperar por isso.

opa acho que me alonguei demais hehehe !

mas justamente esses aspectos técnicos experimentais que acho fascinante na F1, infelizmente parece que justamente esse carater de pesquisa e criatividade que estão tentando matar na categoria.

abs

Filipe W