domingo, 18 de novembro de 2007

Explodiu a sombra e eclodiu a festa (*)



Sérgio Sampaio é tema mais do que recorrente neste blog. Já foi citado numa postagem sobre malditos, noutra do Phono 73, sobre o disco "Sessão das Dez" engendrado pelo Raul Seixas e também em outros sobre festivais da canção.

O cantor / compositor cachoeirense estourou em 1972 com seu clássico "Eu Quero é Botar Meu Bloco na Rua" na última edição do FIC e graças ao auxílio luxuoso do Maluco Beleza, foi contratado por André Midani para fazer seu primeiro trabalho na Philips. Naturalmente, com produção de Raulzito.

A única coisa chata de ouvir um disco desses é sua curta duração. São 12 faixas espremidinhas em apenas 40 minutos. Em 1973, isso era normal com os antigos bolachões e pra quem está acostumado com mais de 18 músicas e CDs com duração de uma hora ou mais, realmente é um choque.

Mas SS caprichou nas letras e nas melodias e Raulzito se esmerou na produção. O disco contém pérolas como o samba-choro "Cala a boca Zebedeu", as ótimas "Pobre Meu Pai" e "Filme de Terror", a quase roqueira "Labirintos Negros" e evidentemente a sensacional e sofrida "Eu Quero é Botar Meu Bloco na Rua". A última faixa, a vinheta "Raulzito Seixas" funciona como uma homenagem ao baiano que o indicou para ser mais um artista da Seleção da Música Brasileira, que era como André Midani chamava seus contratados.

Embora o disco seja realmente muito bom, na época o trabalho de Sérgio Sampaio passou como incompreendido e as vendas não foram o que se esperava. O compacto simples de "Eu quero..." vendeu 500 mil cópias em 1972/1973 e o disco não chegou a um décimo disso. Por isso que sua carreira não decolou e ele foi injustamente rotulado como maldito.

SS morreu à míngua, sem o reconhecimento que deveria. E eu recomendo para quem gosta de MPB: garimpem este disco por aí porque ele é uma preciosidade e tanto.


(*) frase da música "Labirintos Negros", quinta do disco.

Nenhum comentário: