terça-feira, 13 de fevereiro de 2007

A década dos dinossauros do rock

O Século 21 marcou até agora em seus seis anos de existência alguns revivals de grandes bandas que entraram para a história do rock and roll.

Não dá para incluir os Doors no lote, embora eu seja um "doormaníaco", porque Jim Morrison, morto há 35 anos, é insubstituível. E John Densmore não aprovou o projeto caça-níqueis Doors Século 21, abandonando os amigos Ray Manzarek e Robbie Krieger. Logo ele, o baterista que era contrário às idéias do vocalista e sua postura do palco, hoje o defende com unhas e dentes. E depois de ver gente como Scott Stapp (do falecido Creed), Scott Weiland (do não menos falecido Stone Temple Pilots) e até Ian Astbury assassinando os clássicos da banda de L.A., ele não deixa de ter razão.

Por falar em Astbury, sim senhores, o Cult voltou! Mas a pujança do grupo foi esquecida em algum lugar e a banda é um mero pastiche do que foi um dia. Não sei se poderia incluir o The Who no mesmo lote, embora o grupo ainda tenha o excelente Pete Townshend e o grande vocalista Roger Daltrey. Mas a cozinha se perdeu: John Entwistle e Keith Moon não estão mais entre nós. Este último, aliás, foi substituído por Zack Starkey, que vem a ser filho do Beatle Ringo Starr.

Emocionante, todavia, foi o regresso do Cream aos palcos para uma turnê de reencontro, trinta e sete anos depois do prematuro fim do maior power-trio que já existiu. Em priscas eras, Jack Bruce dava show com seus vocalises e suas intervenções no baixo; e Ginger Baker, um monstro na bateria. Mas foi Eric Clapton, muito mais seguro do que nos anos 60, quem deu as cartas nos shows do Royal Albert Hall e do Madison Square Garden. Afinal de contas, Bruce é dono de um fígado recém-transplantado. E Baker sofreu com uma artrose que quase pôs fim à sua bem-sucedida carreira musical.

E o que dizer do retorno triunfal dos Mutantes à cena musical? O grupo, que se perdeu em meio a várias formações nos anos setenta (e há quem diga que Sérgio Dias tinha contactado a formação do disco "Tudo Foi Feito Pelo Sol", com Antônio Pedro no baixo, Rui Motta nas baquetas e Túlio Mourão nos teclados, que já ensaiava para os shows que marcariam o retorno do grupo), reviveu com Arnaldo Baptista, Serginho e Dinho Leme da formação original que ainda tinha Rita Lee e Liminha. Vieram Zélia Duncan e ótimos músicos de apoio a reboque. O grupo fez um show muito bem-sucedido no Barbican em Londres, dezenas de outras apresentações no exterior, tocou pra mais de 50 mil no dia do aniversário de São Paulo e emocionou os fãs cariocas - inclusive eu - no primeiro show depois de 30 anos no Rio.

Agora que o ano parece começar de vez nesta terrinha de loucos (ah, é verdade... o carnaval vem aí), eis que somos surpreendidos com uma apresentação do The Police tocando "Roxanne" na abertura da 49ª premiação do Grammy. Yeah, babies... acho que é o que muita gente queria ver de novo: Sting, Andy Summers e Stuart Copeland reunidos depois de mais de 20 anos - e podem preparar a grana: o grupo virá com certeza ao Brasil. O país fará parte da turnê mundial que começa no dia 28 de maio, com uma apresentação em Vancouver, no Canadá.

E outro dinossauro do rock promete reviver este ano: o Creedence Clearwater Revival (não, pelo amor de Deus, nada de Revisited, nunca mais!), graças a John Fogerty, que já recebeu o "sim" dos antigos companheiros de grupo Stu Cook e Doug Clifford para tocarem no festival Glastonbury, em junho próximo.

Acha que acabou? Li outro dia em "O Globo" que Robert Plant e Jimmy Page não descartam um retorno juntos aos palcos. E desta vez com John Paul Jones e toda a sua classe de baixista. Seria a volta do grande Led Zeppelin? A conferir...

Tem mais por aí. Roger Waters, ou Rogério Aquático, na versão do impagável Falcão como compositor de "Atire o gato na parede", vai tocar o lendário disco "Dark Side Of The Moon" do Pink Floyd, que por 32 anos initerruptos se incluiu na lista dos 100 álbuns mais vendidos de cada mês na lista da Billboard. O show no Rio é dia 23 de março, uma sexta-feira, na Praça da Apoteose, a 140 contos o ingresso. Ele toca em São Paulo no dia seguinte, no Morumbi, com preços variando de 140 a 500 reais.

Você tem fome de música, como eu? Então aproveite... e delicie-se com o banquete do regresso dos dinossauros do rock.

11 comentários:

Anônimo disse...

o rogério aquático cantando é um belo de um compositor...de qualquer forma, lá atrás em 1994, o "pulse" traz o "dark side..." inteiro muito bem tocado e cantado...
outro regresso é o do genesis, com o phil collins de volta nos vocais e bateria!

Anônimo disse...

O Genesis seria ótimo se o Peter Gabriel estivesse também , mas por problemas de agenda ele está fora. Agora aqui pro Rio bem que poderiam vir o Lynyrd Skynyrd, o Gary Moore (Blueseiro) e o ZZTop, além de uma nova apresentação do Jethro Tull.

Rodrigo Mattar disse...

O Jethro tocará no Brasil e vem pro Rio sim, se apresentando no Claro Hall.
Também gostaria de ver Peter Gabriel de volta ao Genesis, nesta o Caíque tem razão.

Anônimo disse...

Rodrigo, não poderia ter esquecido:
Pro Rio também o Led Zeppelin, pois com o Jones, pra mim é o L.Z., já que o Borhhann(é assim que se escreve?) não pode mais se juntar ao grupo em matéria. Mas se vierem estarei lá.

O Alvin Lee e Ten Years After também poderia se reunir...

Anônimo disse...

Caíque,

O grande John Bonham se foi, mas deixou um filho, o baterista Jason Bonham, que é muito bom.

Rodrigo Mattar disse...

O Jason tocou com eles quando o LZ foi indicado pro Rock And Roll Hall of Fame.

Anônimo disse...

Rodrigo,
Então fica idêntico ao Lynyrd Skynyrd, ou seja, será o Led Zeppelin Autêntico.

Anônimo disse...

Descordo de um de vcs aí sobre a qualidade do genial Roger Waters no vocal, pra mim o cara detona muito. Se vc quiser ouvir ele cantando Bohemia Rhapsody não deve ser grande coisa, mas ninguém canta como ele em músicas tais como In the Flesh, Pigs, Perfect Sense e tantas outras, onde a interpretação e o psicodelismo estão muito a frente da técnica vocal!!!!
Eu fui no outro show q ele fez no Brasil e foi um dos melhores shows q eu fui em toda a minha vida, e nada vai me fazer perder este show.

Rodrigo Mattar disse...

Eu também gosto do Roger Waters, aliás, ainda prefiro ele cantando músicas do Pink do que o David Gilmour. Está certo que o cara envelheceu, não é mais o mesmo, mas a química ainda existe.

Anônimo disse...

Kowalski,

Muito bem lembrado, o ASIA vem aí.

Anônimo disse...

ah, soh pra concertar as coisas, o comentario sobre o Roger Waters foi meu, devo por engano ter posto como anônimo!!!!