quinta-feira, 13 de dezembro de 2007

Derrota merecida

Todo mundo sabe e eu não vou ficar aqui de blá-blá-blá: sou eleitor do PT sim. Votei no Lula em cinco eleições sim. E dou a cara pra bater, sempre.

Mas hei de convir que esta derrota do governo quanto o prolongamento da CPMF foi merecidíssima.

A CPMF, uma herança da gestão FHC que o PT ousou manter e defender, teve vida curta quando foi chamado de IPMF. Mas os tucanos voltaram com a matéria no congresso e em 1996, com o fito exclusivo de arrecadar tributos para a área de saúde, o imposto voltou com alíquota de 0,2%.

Lembro que a partir de 1999, quando me tornei de fato um assalariado, nunca engoli muito a proposta dessa CPMF. A cada movimentação - saque, compensação de cheques e quetais, sempre fomos mordidos em alguns centavos, o que pode não fazer muita diferença no bolso.

Mas faz. Principalmente num país onde os juros são escorchantes e os impostos absurdos. A minha restituição em 2007 mal passou R$ 500. Hoje, o que uma pessoa é capaz de fazer com esse dinheiro?

Quanto muito, uma boa compra de supermercado e olhe lá.

Isso se não houver contas a pagar e dívidas a cobrir, porque a restituição do IR hoje virou um socorro semelhante ao 13º salário na vida da população de classe média.

O fim da CPMF podia servir de aviso para os futuros governos de que a população brasileira não está satisfeita com o tamanho absurdo dos tributos que somos obrigados a pagar. Porque aqui as coisas funcionam assim: ninguém faz nada de vontade própria, é tudo por obrigação, por imposição.

Inclusive o voto, que deveria ser facultativo.

No dia em que isto acontecer, a turba de Brasília terá uma bela resposta.

7 comentários:

L-A. Pandini disse...

Camarada, discuto apenas uma coisa. O problema não é a carga tributária brasileira ser alta ou baixa, e sim de que maneira o dinheiro dos impostos é revertido em benefícios para a população.

Em vários países do chamado "primeiro mundo", a carga tributária chega a 50%. No Brasil, fica em 38, 39, por aí.

O que vou escrever agora não é novidade para você. A "grande mídia" "esquece" de apontar é que a carga tributária que eles consideram tão alta era de 27% antes de FHC virar presidente. Em seus oito anos de desgoverno, subiu para 35, 36%.

Abraços. (LAP)

r/t disse...

Nessa discordo de voce, Rodrigo, sabe porque ? Porque não se explicou direito certas coisas, embora seja a CPMF uma criação tucana, de 2003 em diante quando foi aprovado no senado o "Fundo Nacional de Combate a Pobreza" e com suas medidas, a CPMF passou a ter um destino mais "justificavel". E era o caixa do principal programa desse governo, por isso, unica e exclusivamente, virou alvo da direita de merda, disfarçada atualmente de oposição, que mandava nessa Nação desde remotas épocas coloniais.

Porque que essa oposição de merda, notadamente os cachorros da FIESP (que no passado apoiaram a ditadura e financiaram a OBan em 1968, com a Folha cedendo inclusive vans para transito de presos politicos) não reclama do ICMS de 18% e do IPVA absurdo de SP, ou ainda do elevadissimo custo dos pedagios paulistas ? Porque ? Simples, porque isso eles conseguem sonegar, e porque o partido que desgoverna SP a 12 anos, é o partido deles, simples assim.

r/t disse...

Grande Panda, permita adicionar uma informação ao seu texto;

A carga tributária em 12/1994 era de 25%, em 12/2002 ela já superava os 37,5 %, tendo caído em 2003, aumentado em 2004 e 2005, e novamente caído em 2006, sendo que a "emissora oficial do PIG" noticiou os 35,9 % do ano passado como "carga recorde", sendo que a recorde efetivamente é a de 2002.

E mais uma informação, que provavelmente voce já sabe, o antigo desgovernador alckmin, quando assumiu, aumentou diversos impostos, ao contrário do que mostrava sua propaganda de campanha, fato que saiu inclsuive na mesma "folha" ano passado, confirmando que a carga estadual, que era de 3,9% em 2001, havia passado a 6,9 em 2006, quase que dobrou.

Isso talvez explica a fuga de empresas, empregos e o desempenho mediocre de SP em quase todas as area sociais. Só que intriga porque esses pilantras daqui de SP não se manifestam sobre isso. Ou alguem aqui já presenciou empresário paulista reclamar do ICMS alto, ou do IPVA absurdo de SP ? Não, eles sonegam na cara dura, e no caso do IPVA, regsitram seus veiculos no Tocantins, Minas ou Paraná, onde o IPVA é bem menos absurdo

Saco de Gatos disse...

R/T, rico não reclama de imposto. Só dói no bolso do pobre. Mas que essa CPMF sempre foi mal explicada, embora tenha sido aprovado no governo Lula o Fundo Nacional de Combate à Pobreza, ah isso foi. E se não me engano, quando a CPMF foi aprovada, um dos grandes bastiões que os tucanos usaram para argumentar a favor desse imposto foi o Dr. Adib Jatene. E hoje, quem foi que o PT usou para se escorar nos argumentos pífios de que a CPMF deveria permanecer para "contribuir" com a saúde pública quando sabemos que a mesma é uma vergonha?

r/t disse...

Concordo com sua afirmação, ROdrigo, porem o governo já havia cedido ao propósito original da CPMF, que seria detinar aumentos em escala anual a pasta da Saudde, portanto creio que os 5 traidores da base aliada e os próprios da oposição aplicaram um estelionato em termos eleitorais, e todos sairam perdendo, incluindo ai os dois tucanos postulantes ao cargo mais alto da Nação, e principalmente o povo, porque com a CPMF o "dano" financeiro era estimado em 2,38% no "fim da cadeia", agora com esse restrição já se fala em aumento do IOF e da Contruibuição Social Sobre Lucro Liquido, que aingem diretamente empresários, justamente os que eram contra a CPMF e que todos sabemos, não hesitarão em repssar a conta ao povo que consome os produtos feitos por eles

Anônimo disse...

acho que a contribuição deveria cair pelo simples fato de ser uma contribuição e pela lei contribuição tem data para acabar não pode ser cobrada "ad eternum", aliais nem deveria ter sido criada, acho que já pagamos muito e recebemos pouco, a sociedade não pode ficar refém de uma coisa que começou provisória e estava caminhando a passos largos para se tornar permanente pelo "desculpa" de que agora a receita gerada iria fazer falta, acho que se deixasse essa passar estimulariamos ainda mais essa lógica perversa de que o governo(seja ele qual for) nunca gerencia corretamente seus recursos e sem o menor pudor acaba por recorrer ao nosso bolso.

Acredito tb que faltou, no mínimo,inteligência, pois se a CPMF tinha data para acabar, não deveriam ter contado com o ovo na galinha, tinham que estar preparados para um cenário contrário.

Nós já temos muitas vezes que cortar na carne, porque nossos governantes não podem ? inumeras medidas de economia poderiam ser feitas, a começar pelos cartões de crédito corporativos ilimitados, carros oficiais, verbas indenizatórias (lembro agora do caso que um deputado pediu 54.000 reais de restituição de gastos com gasolina!!!!) e de gabinete indecorosas, milhares de "cargos de confiança", isso sem falar nos salários de certas castas do serviço público que beiram o desvario, acho que isso já daria um bom começo.

abs

Filipe W

Gustavo Lucena disse...

Caro Saco de Gatos, acho que acabaram justamente com o tributo errado, pois o CPMF é muito difícil de ser sonegado.

Para minha família p.ex., o fim do CPMF não trará benefício algum.

O meu pai presta serviços a Prefeituras daqui do interior do RN, que depende e muito dos recursos advindos do "tributo do cheque" (e não imposto, como a mídia jumenta costuma falar). Ele mesmo lamentou que o orçamento das Prefeituras ficarão comprometidos.

Minha mãe, assim como minha namorada, são servidoras públicas federais, e o boato que já corre nas repartições é que não haverão reajustes salariais (tudo que a VEJA e os ultraliberais mais querem, esmagar o funcionalismo público de qq maneira).

Ou seja, ficou uma ligeira sensação de que quem vai pagar o pato com o fim da CPMF são os funcionários públicos e a Classe Média em geral.

Até agora só vi como vitoriosos com a derrubada do CPMF apenas o grande empresariado, os banqueiros (sempre eles, que agora não serão forçados a repassarem os 0,38% de alíquota para o Estado) e os sonegadores.