terça-feira, 5 de dezembro de 2006

O resgate da história - II

É um carro? Ou uma charrete? Bem... você decide

Quem diria que este post teria um desmembramento... enfim, vamos em frente.

Recebi uma resposta ao post "O resgate da história", de um leitor irritadiço exigindo, praticamente, que eu falasse dos primórdios do automóvel no Brasil. Provavelmente ele fez isso, posso arriscar, porque quem trouxe o primeiro carro para cá foi um mineiro com um pé na França: ele mesmo, o pai da aviação (há controvérsias) Alberto Santos Dumont.

Em 25 de novembro de 1891, para ser exato, desembarcou no porto de Santos, proveniente do navio Portugal, o primeiro carro importado trazido por ele.

O carro era um Peugeot, com motor Daimler movido a gasolina, com 3,5 HP de potência e cuja aparência lembrava muito uma charrete. Daí a denominação francesa de voiturette ao veículo. O Peugeot foi adquirido numa cidade próxima a Paris, chamada Valentigney e custou 6.200 francos a Santos Dumont.

Como Alberto fazia constantes viagens ao exterior, o irmão dele, Henrique, foi o primeiro a ter a primazia de guiar o carro em 1893.

Muito tempo depois, em 1957, a Volkswagen construiu o primeiro carro totalmente feito no Brasil - a perua Kombi, dois anos antes da nacionalização do popularíssimo Fusca, que bateu o Ford T (Bigode) como o veículo mais vendido em todo o planeta - até ser suplantado por Toyota Corolla (hoje o número 1 em vendas de todos os tempos), e posteriormente pelo Ford F e pelo VW Golf.




segunda-feira, 4 de dezembro de 2006

Tirem as crianças da sala!

Nick Diamond e Johnny Gomez, os âncoras da atração.

Vira e mexe, a MTV tira da gaveta uma de suas mais hilárias atrações.

É o Celebrity Deathmatch, que como o próprio nome diz, traz lutas entre celebridades onde a peleja só termina em morte. E com bonecos animados, feitos de massinha, idênticos a quem você quiser e puder imaginar.

Recomendado por um colega de uma comunidade do Orkut, fui ver este vídeo de uma luta nada usual, entre dois pilotos da Nascar: o tetracampeão Jeff Gordon e a lenda Dale Earnhardt, dono de sete títulos e falecido em 2001.

Se essa luta movida sobre quatro rodas e num ringue especial já é divertidíssima, o que dizer então das outras?

Há confrontos absolutamente bizarros, como Os Três Patetas x Os Três Tenores e outros simplesmente hilários. Dá pra imaginar William Shakespeare em confronto com o rapper Busta Rhymes? Ou então os desbocados Beavis & Butthead em confronto, sendo que o primeiro se transforma no hilário "Cornholio"?
Só procurando e vendo no Youtube (sempre ele!) para descobrir. E tirem as crianças da sala, porque lá acontecem as situações mais inusitadas possíveis...

Pamela Anderson (haha!) enforcando o ex Tommy Lee... sensacional!

Bidone d'Oro... era só o que faltava ao Adriano!

Bom, essa não sou eu quem estou dizendo... o post nada mais é do que a cópia de uma notícia que pesquei do site do jornal O Dia. E só um aparte: ele está há mais de mil minutos sem fazer um único gol por seu clube...

Adriano é eleito o pior jogador da Itália

Fonte: Terra

O atacante brasileiro Adriano, da Inter da Milão, venceu o prêmio de pior jogador do ano na Itália, o Bidone d'Oro 2006, ou "Perna-de-pau de Ouro 2006". A informação é da agência Ansa.O troféu foi concedido pelo "júri popular" de mais de 10 mil ouvintes do Catersport, programa da rádio italiana RAI 2, que promoveu a indicação dos piores jogadores da primeira divisão no ano.

Segundo os produtores do programa, "depois de anos de vacas magras, o clube do imbatível Massimo Moratti leva para casa um troféu que se soma a dois títulos pela Copa Itália, um troféu pela Copa UEFA, entre outros títulos históricos".

O prêmio do programa apresentado por Sergio Ferrentino, Giorgio Lauro e Marco Ardemagni será entregue na terça-feira a Adriano.

Adriano é o segundo brasileiro a conquistar o troféu, vencido por Rivaldo (hoje no clube grego Olympiacos), em 2003. Junto ao atacante brasileiro, que obteve 3.215 votos (31,2%), outros dois jogadores do Milan completaram o pódio, o campeão do mundo Alberto Giardino, que obteve 929 votos (9%), e outro brasileiro, o atacante Ricardo Oliveira, com 895 votos (8,7%).

"A vitória de Adriano foi claríssima: desde as primeiras horas do dia o atacante verde-e-amarelo passou à frente dos outros 49 concorrentes selecionados por um júri de especialistas, contando com os principais jornalistas esportivos italianos", escreveram os produtores do Catersport.

Completam a classificação o sueco Zlatan Ibrahimovic, em quarto lugar com 851 votos (8,2%) e o italiano Francesco Totti, com 800 votos (7,8%).


Destaque para o brasileiro Amoroso, ex-jogador do Milan e atualmente no Corinthians, que ficou em nono lugar, com 377 votos (3,7%).

Nada como um ano após o outro...

Benjamin Wright, pai do antigo árbitro José Roberto Wright, hoje comentarista da Globo, cunhou uma expressão definitiva.

"O futebol é uma caixinha de surpresas."

E quantas e quantas vezes já não ouvimos? Tanto que parece um ramerrão, mas não é.

Realmente o velho e violento esporte bretão ainda nos prega peças.

Na Europa, quem duvidaria que um dia a poderosa Juventus de Turim, com sua prepotência peculiar, amargaria um vexaminoso rebaixamento à Série B?

Está certo que a justiça por lá deu uma ajudinha e tanto. O alvinegro italiano tinha dezessete pontos de déficit e a penalização já foi neutralizada o suficiente para que os bianconeri já estejam nos calcanhares do... Napoli.

Isto mesmo, o antigo time de Maradona e Careca, com nova direção e a mesma fanática torcida, empolga o norte do país e lidera a Segundona depois de um inferno daqueles na Terceira Divisão - onde foram campeões na temporada 2005/2006 levando mais de 50 mil pagantes ao Estádio San Paolo no jogo final contra o Avellino.

Por aqui, o Grêmio deu um show de competência e levou a cabo aquela velha canção de Paulo Vanzolini. O tricolor gaúcho levantou, sacudiu a poeira das cinzas e deu a volta por cima em 2006.

Depois do épico de Recife, quando com seis na linha e o goleiro Galatto o Grêmio tirou o Náutico da Série A e foi campeão, vieram o título do Gauchão (quebrando a hegemonia do Inter e contra o eterno rival) e um terceiro lugar no Brasileiro com gosto de título, que valeu a volta do time à Libertadores em 2007.

Quem procurou seguir à risca os ensinamentos do Grêmio foi o Atlético Mineiro, que após um início claudicante na Segundona, ganhou a confiança de sua torcida (a mais fiel, disparada, deste ano) e caminhou céleremente rumo ao título. Méritos para a diretoria, que dispensou medalhões, enxugou a folha de pagamento e fez contratos de tiro curto com alguns atletas. E Levir Culpi, o treinador que reconduziu o Botafogo à Série A em 2003, também contribuiu dando chance para a prata da casa.

A volta por cima de Grêmio e Atlético significa também estádios mais cheios na Série A em 2007 (por isso o rebaixamento do São Caetano foi tão comemorado). O Galo tem, por si só, uma apaixonada torcida a seu favor (muito mais que a do rival Cruzeiro), assim como o tricolor dos pampas. E com a volta de Sport e Náutico para a elite em 2007, teremos nada menos que 32 clássicos regionais nos dois turnos, com os times de Rio, São Paulo, Minas, Rio Grande, Pernambuco e Paraná.

Em tempo: em 2005, o Fluminense sofreu com a chacota das torcidas rivais, ganhando o apelido de "flanelinha", porque teve a vaga para a Libertadores nas mãos e na última rodada guardou-a para o Palmeiras se classificar. Antes, perdera a chance de ir para a competição continental como vice do Paulista de Jundiaí na Copa do Brasil.

E neste ano, o que tivemos?

O Vasco é o "flanelinha" da vez, porque também teve sua vaga nas mãos e no fim o Paraná Clube é que ficou com ela. E numa novela bastante semelhante, o alvinegro de São Januário também perdeu a Copa do Brasil. Está certo que foi para um time de muito mais expressão, porém com um elenco medíocre.

Não é nada, não é nada... taí, me sinto intimamente vingado.

Caldeirão!

Nunca uma decisão de qualquer categoria do automobilismo brasileiro foi tão aguardada quanto a do próximo domingo.

A Stock Car chega à finalíssima de Interlagos com cinco pilotos brigando pelo cetro de campeão - um deles em busca do tri e outros quatro lutam por uma conquista inédita em suas carreiras.

Tem mais um detalhe: descobriu-se que há 13 possibilidades do campeonato terminar num inédito empate. E mais: que quatro pilotos, numa dessas combinações, chegariam em primeiro.

O problema é o seguinte: que critério será usado para definir um campeão único? Todo o campeonato de 12 provas, ou somente os resultados do playoff? Imaginem vocês se o Cacá Bueno não for campeão o que o pai dele vai falar no "day after" da corrida paulistana.

Por sua vez, os bastidores às vésperas dos treinos já fervilham como o calor que faz aqui no Rio. É a dança das cadeiras movimentando o mercado de pilotos com vistas ao próximo ano.

A grande bomba é a saída de Giuliano Losacco da equipe de Andreas Mattheis. O atual bicampeão vai com armas e bagagens para a Vogel Motorsports e será o companheiro do aguerrido Thiago Camilo em 2007. Formarão uma grande dupla, sem dúvida nenhuma, tendo como parceiro um dos mais competentes preparadores e chefes de equipe do nosso automobilismo interno.

Isto posto, o "alemão" não pestanejou e trouxe sangue novo pra sua escuderia. Hoje foi anunciada a contratação de dois pilotos jovens e de excelente nível. Ricardo Maurício, a pequena grande fera da Stock, que conseguiu ir para o playoff num time considerado de médio porte, assinou por dois anos com Andreas Mattheis. E no outro carro, virá Marcos Gomes, filho do tetracampeão Paulo Gomes, cinco anos mais jovem que Ricardinho - e que assinou por três temporadas.

É a Stock a caminho da profissionalização definitiva. Mas que não nos esqueçamos da base, do kart e das categorias de monoposto especialmente, que estão à míngua.

E boa sorte para o Giuliano, o Ricardinho e o Marquinhos, que eles merecem.

domingo, 3 de dezembro de 2006

O resgate da história

O automobilismo é um esporte de histórias riquíssimas. E de carros lendários.

Resgatar o passado e preservá-lo é um dever dos apaixonados.

Que bom que existiu Tom Wheatcroft, que montou em Donington Park o maior museu de carros de corrida do planeta, com o qual até um dos nossos campeões mundiais contribuiu. Nelson Piquet entregou a ele a Brabham BT52 com que venceu a temporada de 1983.

Indianápois e Daytona, com suas construções majestosas e bólidos de todas as épocas, incluindo o Marmon Wasp vencedor das primeiras 500 Milhas em 1911 (!!!) enchem os americanos e os aficionados de orgulho.

Por estas plagas, não existia essa preocupação até há bem pouco tempo. Mas um cidadão dos pampas, chamado Paulo Trevisan, foi à luta.

E já conseguiu reunir num Museu erguido em Passo Fundo, mais de 70 veículos que representam a história do nosso automobilismo.

Entre as jóias listadas estão sete Carreteras; dezenove monopostos (entre F-Super Vê, F-2 Brasil, F-3 sul-americana, F-Ford e F-Chevrolet - vários deles, campeões brasileiros); seis protótipos nacionais da chamada Divisão 4 (incluindo o Meta 20 de Chico Landi, o primeiro carro nacional de competição com motor turbo) e outros oito protótipos construídos a partir da década de 90.

Tem mais: o Trueño Sprint de fabricação argentina que correu com Pedro Victor de Lamare; sete protótipos de fabricação sulista, notadamente o Tubarão; três carros com mecânica DKW (o lendário Carcará é um deles); quatro carros de Turismo dos anos 70, incluindo o recém-restaurado Maverick-Berta da escuderia Hollywood e quatro outros da fase dos anos 80/90; quatro Stock Cars; dois carros italianos e quatro máquinas da chamada Mecânica Continental.

Em suma: é de tirar o fôlego. Mas pode vir muito mais, se o pessoal que tem ainda carros parcialmente inteiros ou semi-destruídos para uma possível reconstrução quiser colaborar com o acervo do Paulo Trevisan.

O Museu já tem site na internet. Vale a pena curtir um pouco a história de máquinas que não saem da memória. E se deliciar com o que existe por lá em Passo Fundo e o que poderá vir a existir no futuro.

Unidos na mediocridade

Ufa!

Terminou o Campeonato Brasileiro.

Glória ao São Paulo, o merecido campeão de 2006, que praticamente não teve adversários.

Parabéns ao valente Grêmio que, enquanto escrevo o post, ainda é o terceiro colocado - mas se vencer o Fortaleza, ficará na frente do eterno rival Inter como vice-campeão. Um feito e tanto para quem saiu da Série B.

E que este ano sirva de alerta para diversos times de tradição - em especial Fluminense e Palmeiras, que morreram abraçadinhos no Maracanã neste domingo.

Um joguinho que não valia de porra nenhuma e podia ser chamado de "Obrigado X Ponte", uma alusão ao rebaixamento que o time de Campinas cavou nas últimas rodadas até conseguir.

Os especialistas não tiveram pena: ao analisar o jogo, criticaram duramente as duas equipes, num espetáculo (espetáculo?) paupérrimo que levou menos de 7 mil pagantes ao Mário Filho.

Vamos e venhamos: o que ambos os times fizeram de bom este ano?

O Palmeiras foi ligeiramente melhor no primeiro semestre, porque jogou a Libertadores que o tricolor do Rio não teve competência para alcançar em 2005. Mas o sonho durou pouco. Eliminado pelo São Paulo, o alviverde sequer alcançou as quartas-de-final.

O Fluminense começou como franco favorito ao bi do Estadual, mas a falta de critério de contratações de jogadores e o planejamento pífio da diretoria fizeram tudo cair por terra. A Copa do Brasil poderia ser, de novo, a salvação da lavoura, mas o Flu não soube ganhar do Vasco (que novidade...).

E veio o Brasileiro, onde o time carioca até começou muito bem e o Palmeiras teve um início ridículo, fazendo antever o fantasma do rebaixamento que o time vivera em 2002.

Mas de novo a falta de critério da diretoria do Fluminense pôs tudo a perder. Como o clube é refém do patrocinador, o técnico Oswaldo de Oliveira era impelido a escalar os jogadores cujos salários eram pagos por fora. Muita gente diz que não é por aí, mas fontes me garantem que a história era essa.

E Oswaldo foi demitido (inclusive, neste momento, ele acaba de pedir demissão no Cruzeiro). Resultado: o Flu tinha um padrão de jogo minimamente competitivo e, com a ciranda de técnicos, esse padrão deixou de existir.

No Palmeiras existem problemas de cunho político, mas muito mais presentes e fortes que no Fluminense. Os corneteiros chiam barbaridade, nunca a "Turma do Amendoim" reclamou tanto da diretoria e do time ruim, dos jogadores fraquíssimos que vestiram a camisa do alviverde. O vexame foi completado com uma goleada em casa sofrida diante do Internacional, onde a torcida exagerou no protesto e invadiu alguns camarotes do Parque Antártica.

Vamos e venhamos: alguns dirigentes, de tão bocudos que são, se equivalem na mediocridade e na incompetência. Aqui no Rio, a torcida do tricolor abomina Gustavo Mendes, Tote Menezes e Paulo Bhering. Em São Paulo, o alvo do ódio é Salvador Hugo Palaia, o responsável direto pela demissão de Tite, o único treinador que deixou o Palmeiras um pouquinho nos trilhos na Série A.

Que sirva de lição o exemplo do Vasco, que com um time limitadíssimo, mas muito guerreiro, fez uma campanha além da expectativa e por causa de uma bola que bateu na trave aos 46 do segundo tempo, não foi para a Libertadores da América, privilégio que caberá ao Paraná Clube - outra agremiação de investimentos limitadíssimos e que fez uma excelente campanha.

Em tempo: o jogo no Maracanã terminou 1 x 1, graças à intervenção do péssimo árbitro Héber Roberto Lopes, que "meteu a mão" no Fluminense, garfando dois pênaltis claríssimos. A arbitragem brasileira vive momentos de terror. Ninguém se salva, nem os homens com escudo FIFA: Héber, Leonardo Gaciba, Carlos Eugênio Simon e o pior de todos, Wilson Souza de Mendonça.

Aposentem-se, sopradores de apito!

sábado, 2 de dezembro de 2006

Enfim, um carro de verdade

Em seu primeiro ano de existência, a Stock Júnior, filha mais nova da família Stock Car, começou com um número baixo de inscritos - média de doze por etapa - e isso não foi capaz de empanar o brilho de inúmeras corridas. Uma delas, em Brasília, foi decidida em favor de Cássio Homem de Mello numa chegada de tirar o fôlego: apenas 0s003 o separaram do segundo colocado!

A categoria tem um formato de disputa muito interessante, com duas provas no fim de semana, pontuação bastante semelhante à da Nascar e um carrinho muito rápido, dotado de motor Yamaha de motocicleta, capaz de chegar a 130 HP com uma boa preparação.

Mas um ponto depôs contra a Stock Júnior: o visual da carenagem, que fez muitos apelidarem a categoria de Stock Coelhinho.

Isso será coisa do passado em 2007. O visual horroroso será sepultado por um novo layout produzido pela ZF, depois de uma idéia lançada no programa Linha de Chegada, do cracaço Reginaldo Leme. A Vicar e a empresa que toca a produção e a montagem dos Stock Júnior encamparam a idéia e o resultado é esse que vocês vêm aí embaixo.


A apresentação oficial vai acontecer no fim de semana da última etapa do campeonato, em Interlagos. E agora sim podemos dizer: o Stock Júnior é um carro de corrida de verdade.

sexta-feira, 1 de dezembro de 2006

Troca-troca para Farfus no WTCC

Essa é da série "eu já sabia", porque um amigo jornalista já tinha me contado esta antes do Capacete de Ouro, há menos de duas semanas.

Augusto Farfus Jr., terceiro colocado no WTCC - o Campeonato Mundial de Turismo, vai migrar da Alfa Romeo para a BMW no ano que vem.

O curitibano, que nos dois últimos anos correu - e bem - pela marca milanesa, vai substituir Dirk Müller no Team Schnitzer, onde terá como companheiro (quanta ironia) o irmão do alemão, Jörg Müller.

O atual bicampeão do certame, o britânico Andy Priaulx, também corre com um modelo 320i da marca bávara - o que sem dúvida também foi fator primordial na mudança de equipe do piloto brasileiro.

A ele só nos resta desejar três coisas: a primeira, uma grande sorte e que o título mundial saia em 2007;

a segunda, que o Brasil continue no calendário. No site do WTCC, Curitiba consta como prova inaugural em 11 de março, mas as datas oficiais ainda não foram divulgadas;

e a terceira, que o campeonato vá para uma emissora de TV com visibilidade no mercado.

PS.: enquanto isto, a Eidos Interactive e a SimBin se juntaram para produzir o game do WTCC para PC. Como nem tudo é perfeito nesse mundo, os carros são os da última temporada - o que significa que Farfus ainda estará na Alfa. E tem um detalhe: Lucas Molo, que correu em Curitiba com outra Alfa 156, também é um dos pilotos presentes no jogo.

quinta-feira, 30 de novembro de 2006

E o Samba sambou...

Nunca o enredo da São Clemente para o Carnaval de 1990 foi tão profético.

A irônica letra composta por Helinho 107, Mais Velho, Nino e Chocolate foi uma tremenda bofetada no ramerrão da festa mais popular do planeta. E sem meias-palavras, detonou um processo que já era notório naquela época - e vem piorando a cada dia.

Digo isto porque ainda estamos chegando em dezembro e em golfadas começam as matérias lugar-comum sobre o evento do próximo ano. E quanto mais vejo, mais me pergunto: onde estão os personagens que fazem realmente o Carnaval?

De se lamentar que não existam mais compositores capazes de fazer métrica, rima e poesia em forma de samba. Saudades de Mano Décio da Viola, Cartola, Silas de Oliveira, Carlos Cachaça, Manacéia, Geraldo Babão, Didi e até de Martinho da Vila, que há anos não vence uma disputa na sua Unidos de Vila Isabel.

Lamentavelmente o que vemos hoje é a propagação do chamado "samba de condomínio". Oito ou nove, até, juntam-se para formar a 'autoria' da letra. E isso quando a escola manda unir a primeira parte de um com a segunda do outro. O Salgueiro que o diga - em 1988, com o enredo "Em Busca do Ouro", havia catorze (isso mesmo, catorze!) autores do samba. Haja braço e mão para colocar uma letra num papel.

Só para fazer uma comparação cruel com as letras de hoje com o que tínhamos outrora, basta dizer que pelo menos cinco dos maiores sambas de todos os tempos vêm antes dos anos 80. Um deles é o inesquecível "Os Sertões", da Em Cima da Hora (1976). Um primor de letra e melodia.

Marcados pela própria natureza
O Nordeste do meu Brasil
Oh! solitário sertão
De sofrimento e solidão
A terra é seca
Mal se pode cultivar
Morrem as plantas e foge o ar
A vida é triste nesse lugar


Sertanejo é forte
Supera miséria sem fim
Sertanejo homem forte
Dizia o poeta assim

Foi no século passado
No interior da Bahia
Um homem revoltado com a sorte
Do mundo em que vivia
Ocultou-se no sertão
Espalhando a rebeldia
Se revoltando contra a lei
Que a sociedade oferecia

Os jagunços lutaram
Até o final
Defendendo Canudos
Naquela guerra fatal


Não é preciso ir mais longe. Outra obra-prima é "Sonho de um sonho", onde Martinho da Vila deita e rola com o uso do chamado pleonasmo. E faz um dos mais belos sambas de sua extensa obra, levando a Vila ao vice-campeonato em 1980.

Sonhei
Que estava sonhando um sonho sonhado
O sonho de um sonho
Magnetizado
As mentes abertas
Sem bicos calados
Juventude alerta
Os seres alados


Sonho meu
Eu sonhava que sonhava

Sonhei
Que eu era o rei que reinava como um ser comum
Era um por milhares, milhares por um
Como livres raios riscando os espaços
Transando o universo
Limpando os mormaços


Ai de mim
Ai de mim que mal sonhava

Na limpidez do espelho só vi coisas limpas
Como uma lua redonda brilhando nas grimpas
Um sorriso sem fúria, entre o réu e o juiz
A clemência e ternura por amor da clausura
A prisão sem tortura, inocência feliz

Ai meu Deus
Falso sonho que eu sonhava
Ai de mim
Eu sonhei que não sonhava
Mas sonhei


E agora, deparem-se com a letra do samba de 2005 da Acadêmicos do Pro... ops! Grande Rio, com inúmeras referências aos patrocinadores que a agremiação conseguiu para custear o desfile daquele ano.

Oh! Mãe terra generosa, solo fértil abençoado
De onde brotam riquezas nosso alimento sagrado
Imenso Brasil da mistura, culinária que fascina
Moça, que tempero saboroso
Preparado bem no clima
Se alimentar pro corpo é fundamental
Lá no ninho tem sabor especial
Se há comemoração vamos confraternizar
Comer se torna um ritual
Prepare a mesa nesse carnaval

Beleza a me seduzir
Aroma pra me revelar
Alimentando o meu prazer
Dá gosto no meu paladar

A força que tem entre a terra e o céu vem da fé
Se a vida imita a arte, diversão faz parte
Enriquece o meu saber
Eu só quero ser feliz
Dividir o pão com meu irmão
Por que será, que uns têm muito e outros não?
Abaixo a discriminação
O povo pede paz e união
A mensagem de paz Grande Rio nos traz

A verdade da vida, o prazer de viver
Alimentar o corpo e a alma faz bem, meu bem
querer
!

É óbvio que cada vez mais colocar um Carnaval na avenida custa muito caro - mais de US$ 1 milhão.

Mas não exageremos!

Slogan da Nestlé em letra de samba já é além do limite.

É o business levado às últimas conseqüências.

Um jogo de cartas marcadas que irrita e enoja.

A compra de resultados é constante e dizem que graças a ela a Imperatriz foi bicampeã em 94/95 e tri de 1999 a 2001. Muitos atribuem a isto pelo fato de, na época, o presidente da LIESA ser o Luizinho Drummond.

Pois bem: em 1996, a Imperatriz fez um sensacional desfile, tinha um dos melhores sambas de sua safra e tudo para ser tricampeã. E por que cargas d'água a Mocidade ganhou?

Vai entender...

A situação de manipulação de resultados no Grupo A, que classifica uma escola para o desfile principal, é ainda pior. Que o diga o que vem acontecendo com a União da Ilha, coitada... Outro fato foi o título da Tradição no ano de 1997. A bateria desfilou sem fantasia e mesmo assim a agremiação de Campinho terminou em primeiro. Um escândalo!

E por falar nisso, um passarinho me contou que para 2007 já está tudo resolvido. Vão dar o título para a Viradouro porque a LIESA teria um débito com o carnavalesco Paulo Barros, que agora está na agremiação sediada no Barreto, em Niterói.

A entidade sabe que ele foi a mola-mestra de dois vice-campeonatos da Unidos da Tijuca e autor de três carnavais consecutivamente espetaculares. E que só não foi o campeão com sua antiga Escola porque o presidente da Unidos da Tijuca, o português Fernando Horta, tem uma pendenga notória com os caciques da LIESA - Capitão Guimarães, Anísio Abrahão David e Luizinho Drummond - talvez por conta do rebaixamento da agremiação em 1998.

Outra situação irritante é o andamento imposto pelas Escolas para cumprir o tempo máximo permitido - uma babaquice que os tempos modernos trouxeram para o Carnaval e que tirou não só a alegria do verdadeiro sambista como 'marcheou' os sambas, deixando-os de certo modo bem parecidos.

O grande Fernando Pamplona disse certa vez que em breve o evento vai virar desfile militar. E acho que isso está muito próximo de acontecer.

E tem mais: que Carnaval capenga é esse onde desfilam 13 escolas em vez de um número par? A LIESA desconversa e diz que não tem dedo da televisão. Mas, vamos e venhamos: vocês acham que a Globo vai abrir mão do Fantástico no domingo e da novela das nove na segunda?

Nem a pau, Juvenal.

E é por isso que o Samba, coitado, sambou...

Ele voltou!

Esse cara é bom.. e se tivesse uns 5 anos a menos, sei não viu?!?

Cinco anos após sua despedida, Mika Häkkinen, duas vezes campeão mundial de Fórmula 1 e um dos únicos (há quem diga que foi o único) a desafiar de fato a supremacia de Michael Schumacher, fez sua primeira aparição ao volante de um McLaren na primeira bateria de testes de inverno em Barcelona.

E daí se ele foi o último entre os 18 que treinaram nesta quinta?

Importa se ele ficou a 3 segundos do tempo de Luca Badoer, levando pau até de Narain Kartikheyan e Michael Ammermüller, dois pilotos que ainda diziam gugu-dadá quando o finlandês já era astro na F-3 inglesa?

Häkkinen é disparado o piloto do qual os fãs mais sentem falta. Prova disto é a eleição promovida pelo site Grande Prêmio, do Flavinho Gomes, onde o finlandês venceu fácil com 56% dos votos contra 29% alcançados por Juan Pablo Montoya. Além dos dois, a pesquisa tinha ainda Jacques Villeneuve, Eddie Irvine e Heinz-Harald Frentzen.

Conversando com o amigo e estagiário do Sportv Alexander Grünwald, chegamos à seguinte conclusão:

Todo mundo sente falta do Mika porque ele foi um bicampeão de fato e direito. E era um ótimo piloto.

Muitos sentem falta do Montoya porque ele era O espetáculo.

Nem todos se sensibilizam com Jacques Villeneuve, a não ser os que não têm papas na língua.

E de Eddie Irvine e Heinz-Harald Frentzen, vamos e venhamos... alguém em sã consciência se lembraria deles?

Cabem aqui alguns parênteses: Häkkinen hoje tem 38 anos. Está alguns quilinhos mais pesado que em seu auge na F-1. E corre hoje numa categoria - o DTM - cujo ritmo e cuja guiada é muito diferente dos monopostos de seu tempo.

A experiência dele poderia ser muito útil para, quem sabe, funcionar como um coach do ótimo Lewis Hamilton, que vem despertando a atenção da mídia por ser um fenômeno desde o kart e por ser negro. E nunca em 57 temporadas a F-1 teve um piloto "afro-americano", como os politicamente corretos costumam dizer.

E não se engane quem pensa que o teste de Häkkinen com a McLaren foi mera "diversão". O carro dele levava apêndices aerodinâmicos que são avaliados pelos engenheiros e diretores técnicos da escuderia inglesa.

Verão de merda?!?

Amanhã começa o mês de dezembro, o último do ano. É quando surge a estação mais ansiada pela geração-saúde.

O Verão.

E com o perdão do trocadilho infame, vocês não verão um verão como antigamente.

Duvidam?

Então como é que se explica em plena primavera essa torrente de água que desaba sem parar dos céus?


É pau... é pedra... é chuva... é a lama... é a lama... é a lama... ai de nós!

Como se explicam os 29 dias com sol e céu azul, sem chuva, sem nada, que tivemos... em pleno inverno!!!

É a tal história: os donos do mundo, ou os que se acham mandatários do planeta, pensam que podem bagunçar tudo, promovendo destruições, superpopulação, aumento da poluição e a diminiuição da camada de ozônio.

Sim... como explicar que os verões na Europa atinjam níveis de temperatura tão arrasadores como nos últimos anos? Como a temperatura média aumentou no planeta Terra em diversos continentes e hemisférios?

Houve recentemente um verão aqui no Brasil que foi um lixo. O ano, não recordo - talvez tenha sido 2001. Foi um verão sem sol, sem sal, sem modismos, sem mulheres gostosas, sem musa do verão, sem chope na beira da praia, sem absolutamente nada de atrativo.

Não sei não, mas com tudo isso que está acontecendo, essa chuva que não cessa, está pintando o maior verão de merda que já existiu por aqui.

Mas sincera e honestamente, espero queimar minha língua, pra poder ver um pôr-do-sol bacana enquanto eu estiver de férias e o "horário de verão" permanecer vigorando.

quarta-feira, 29 de novembro de 2006

Os "Frescões" tiveram seu auge na Cidade Maravilhosa

Em 1973, a frota de ônibus do Rio de Janeiro ganhou um upgrade com a adoção dos primeiros veículos com ar condicionado, idênticos aos modelos que faziam as viagens interestaduais e os carros da chamada "Tarifa A", que faziam a ligação entre a Praça Mauá e os municípios da Baixada Fluminense.

Estes ônibus super confortáveis, com poltronas de couro ou courvin, música ambiente e cortinas, foram chamados imediatamente de Frescões, e foram um tremendo achado para uma cidade onde o verão é mais verão em grande parte do ano.

Na sua grande maioria, o ponto de partida era o Terminal Rodoviário Menezes Cortes, no Castelo - exceção feita a uma ou outra linha, que saíam da Rodoviária Novo Rio ou dos Aeroportos Santos Dumont e do Galeão.

Lembro que as linhas da Real para a Zona Sul e os ônibus da Redentor (mais tarde os da Campo Grande) tinham seu ponto na Erasmo Braga. As demais eram dentro do Edifício-Garagem. Na primeira fila, ficavam as empresas Pégaso, São Silvestre, Caprichosa, Três Amigos e Forte Auto Ônibus.

Na outra, as restantes: Paranapuan, Matias, Alpha, Acari e Auto Diesel. Ao todo, saíam trinta e sete linhas de Frescões do Castelo para diferentes pontos da cidade - da Urca até Santíssimo.

Em Ramos, onde eu morava na infância, passavam quatro linhas - as duas operadas pela Três Amigos (Castelo-Vicente de Carvalho e Castelo-Penha) e as duas da Forte (Castelo-Vaz Lobo e Castelo-Vila da Penha).

Os ônibus eram normalmente de chassis e mecânica Mercedes-Benz, encarroçados pela Ciferal, Nielson e Marcopolo.

Algumas das linhas de Frescões, em seu auge, chegaram a ter 100 mil passageiros/mês. Mas como a manutenção dos veículos começou a ficar custosa, pouco a pouco as frotas foram retiradas de circulação - ou algumas empresas, no caso da Forte, foram liqüidadas.

Em 1985, restavam apenas a Real, a Redentor e a Pégaso operando linhas com Frescões. A Três Amigos resistiu o quanto pôde, mas num belo dia em que eu estava querendo viajar para o Centro no ônibus especial, ele não passou. Fiquei sabendo que a linha fora definitivamente extinta no dia anterior.

Algumas linhas até reativaram o sistema de transporte especial com ônibus sem ar, caso da Viação Rubanil, que pôs alguns coletivos saindo do Passeio para o Irajá. A Ideal comprou modelos Ciferal Dinossauro com mecânica Scania, da Cometa, e colocou para rodar. Breda, Auto Diesel e outras empresas também voltaram com os Frescões, que mesmo sem o encanto de outrora, continuam rodando à vontade no Rio de Janeiro.

Se bem que como os ônibus comuns já têm ar condicionado...

terça-feira, 28 de novembro de 2006

CTC: quem se lembra dela?!?

Eu tenho boa memória - ainda. E lembro muito bem da Companhia de Transportes Coletivos, a CTC, que tinha diversas linhas primeiro na Guanabara e depois no Rio de Janeiro, a partir de 1974, operando também em Niterói e Campos.

Anos 70: ônibus da linha 219 (Praça XV-Usina) encarroçado pela Angra Rio

A CTC foi uma das pioneiras em encarroçar ônibus com fornecedores que poucos conheciam, como este abaixo da Nimbus.


E também em usar ônibus elétricos, os trólebus - carinhosamente apelidados de trolleys ou chifrudos.

Quando eu era pequeno, recordo de ter viajado num deles, provavelmente no veículo que fazia a linha E-21, que ligava Madureira a Benfica, no subúrbio.

Os trólebus da CTC eram do modelo Fiat Alfa-Romeo Pistoiese, como esse da foto abaixo.


A empresa chegou a operar seis linhas circulares, 47 percursos regulares, sete variantes, três complementares, dez linhas de integração com o Metrô e outra no Fundão (Cidade Universitária).

E depois do auge, nos anos 70 e 80, a CTC passou a se arrastar com ônibus em estado tenebroso de conservação, com o piso solto, estofamento rasgado e revestimento pichado por vândalos. Muitos dos ônibus ganharam por isso o jocoso apelido de "catacornos".

Modelo Mercedes-Benz monobloco. Depois de anos de uso, foi chamado de "catacorno"


A empresa tentou virar o jogo modernizando a frota para linhas expressas que cortavam o Túnel Rebouças, comprando dezenas de carrocerias Ciferal com motores Volvo. Os ônibus foram imediatamente apelidados de "Brizolões", porque era a época do primeiro mandato do gaúcho Leonel Brizola como governador do Estado.



Mas a frota sucateou pouco a pouco e a CTC sentiu o peso de ter linhas em excesso. Algumas delas, como a 610, que ligava o Largo da Cancela ao Tuiuti, em São Cristóvão, tornaram-se desnecessárias.

E a empresa entrou em processo de liquidação em 1996, encerrando suas atividades na capital do Estado, em Niterói e também em Campos. De suas antigas linhas, vinte e sete permanecem operando até hoje.

A velha nova bagunça do futebol carioca

Dizem por aí que o Bangu voltou para a Primeira Divisão do futebol carioca, depois de duas temporadas na Série B.

Teoricamente é o que diz a seletiva para o inchado Estadual de 2007, que terá dezesseis times e promete ser bagunçado como nos velhos tempos do finado Eduardo Viana.

Isto porque o presidente da FERJ, Rubens Lopes, divulgou duas tabelas para o campeonato - a primeira com quatro times a menos. A confusão posterior aconteceu porque realizou-se justamente um torneio seletivo para que mais quatro equipes preenchessem as vagas restantes.

O promotor do Ministério Público, Rodrigo Terra, garante que se a FERJ descumprir a decisão judicial de que o campeonato de 2007 deverá ter 12 times, o dirigente será preso e multado em R$ 10 mil, diariamente.

Enquanto isto não acontece, Bangu, Portuguesa, Olaria e Macaé Sports estão na Série A.

E para ilustrar esse triste retrato de decadência do futebol carioca, segue na íntegra um ótimo texto da Agência Estado, de Bruno Lousada e Sílvio Barsetti.

Ex-patrono do Bangu, o bicheiro Castor de Andrade, que morreu em abril de 1997, aos 71 anos, voltou a ser lembrado pela torcida do time na partida final da seletiva, sábado, contra o Macaé, em Moça Bonita.

O Bangu ganharia o ‘título’ da seletiva com um simples empate. Aos 36 minutos do segundo tempo, o Macaé abriu o placar. Para surpresa de todos no estádio, o árbitro Alex Borges Pedro deu seis minutos de acréscimo, sem nenhum motivo. E, aos 49, apontou para a marca do pênalti quando um atleta do Macaé ‘matou’ a bola no peito. Alegou que houve toque de mão voluntário na bola.

Mesmo diante do protesto de todo o time visitante, Alan cobrou e empatou, garantindo o ‘título’ ao Bangu, para alegria de Rubens Lopes, torcedor ilustre do clube e que levou a taça da seletiva para Moça Bonita de helicóptero. No final, a maior parte da torcida, eufórica, comemorou com um grito saudosista e bem humorado. “Ô, ô, ô, o Castor ressuscitou!”

segunda-feira, 27 de novembro de 2006

O último machão e cafajeste do Brasil

Ninguém soube encarnar nos últimos 40 anos o papel do cafajeste e do machão, aquele tipo de homem que acha que manda na mulher, diz que faz, acontece, não chora e et cetera. Ele foi o estereótipo de uma espécie em extinção. E nesta segunda, disse adeus ao mundo real.

A pessoa em questão é Jece Valadão.

Nascido com o nome Gecy em 1930 (que depois mudou para Jece, afinal soam praticamente do mesmo jeito) no interior do Rio, ele foi criado em Cachoeiro do Itapemirim - e por isso muitos o têm como conterrâneo de Roberto Carlos e de Sérgio Sampaio. Antes mesmo de completar 20 anos, já era um bom ator de teatro e cinema.

E vindo do interior, teve a sorte de conhecer a família de Nelson Rodrigues, que lhe deu personagens em duas de suas peças - "Os Sete Gatinhos", onde com uma pesada maquiagem interpretou o contínuo Noronha, e "Perdoa-Me Por Me Traíres".

Por conseguinte, apaixonou-se e casou com Dulce Rodrigues, uma das irmãs mais novas do dramaturgo. Com ela, arregaçou as mangas construindo um teatro no Catete, onde foi encenada pela primeira vez uma peça de Nelson que não foi censurada nos anos 60 ("Viúva, Porém Honesta") e montou uma companhia para produzir outras peças.

Ao mesmo tempo, Jece já era um ator conceituado no cinema nacional, assumindo a porção cafajeste inclusive no plano pessoal. Ao todo, atuou em mais de cem filmes - diversos deles de Nelson Pereira dos Santos, como "Rio 40 Graus" e "Boca de Ouro", e no lendário "Os Cafajestes", longa dirigido pelo angolano Ruy Guerra onde pela primeira vez uma atriz ficou inteiramente nua - a então linda e loira Norma Bengell.


Jece e Norma em ação no longa "Os Cafajestes"

Nos anos 70, foi produtor e ator em dezenas de filmes, sobretudo comédias e policiais, como "Eu Matei Lúcio Flávio". E fez um pai-de-santo em "A Idade da Terra", o último filme de Glauber Rocha.

Ironicamente, o machão, o cafajeste, deixou-se converter à Igreja Evangélica, por sugestão de Vera Gimenez, uma de suas seis mulheres. Ficou dez anos recluso, deixando para trás a imagem de boêmio e pai ausente de oito filhos - entre os quais não está a apresentadora de TV e modelo Luciana Gimenez.

Ele voltou à TV em programas especiais e na minissérie "Filhos do Carnaval", produzida pela O2 Filmes para o canal a cabo HBO, onde interpretou um bicheiro. Estava envolvido na produção de um documentário sobre ele próprio, intitulado "O Evangelho Segundo Jece Valadão" e no novo filme da lenda José Mojica Marins, o Zé do Caixão - "Encarnação do Demônio".

Mas a saúde do ator, abalada por anos de boemia e excessos, veio pagar-lhe a conta. Internado num hospital desde o último dia 21, Jece sofreu uma arritmia cardíaca em conseqüência de problemas renais. E partiu desta para uma muito melhor.


domingo, 26 de novembro de 2006

Antiquarium? Não... é o Rio Scenarium

A Lapa sempre foi referência no Rio de Janeiro.

Quer seja com o imponente aqueduto que depois virou a linha do Bonde de Santa Teresa ou pelos malandros famosos dos anos 30/40, como Madame Satã - o homossexual mais macho que já existiu - e o cantor Nelson Gonçalves. E também pelas prostitutas, travestis, bons restaurantes e vida noturna intensa.

Depois de um período decadente, a Lapa renasceu das cinzas. O Circo Voador, que esteve fechado por alguns anos, retomou atividades. A Fundição Progresso também segue a todo vapor com sua programação. Afora novos espaços, como o Teatro Odisséia e ótimos bares e restaurantes.

Um destes lugares foi aberto tem cinco anos e realmente chama a atenção: é o Rio Scenarium.

Misto de antiquário e point noturno, a casa fervilha de terça a sábado com uma programação que dá ênfase a MPB. No piso térreo, o chorinho, a seresta e o samba são os donos do pedaço. As mesas lotam, turistas invadem o lugar e formam uma fauna bastante diversificada. Pode-se ver gente bonita, playboys, patricinhas, alternativos, gente de terno, de bermuda e também com as indefectíveis havaianas. Democracia é isso aí...

O lugar ainda tem outros três ambientes. Um segundo andar por onde os clientes podem chegar via um elevador antiquíssimo, daqueles de porta pantográfica, com uma parte onde o pessoal fica batendo papo e pegando uma carona na música que vem da parte de baixo.

E no mesmo segundo pavimento, um anexo espaçoso, com dois bares e um palco onde rola música "pra dançar e pra pular", sempre em língua portuguesa. E um DJ que entra em ação nos intervalos dos shows.

Ontem, depois de uma experiência anterior não muito boa, fui ao Rio Scenarium prestigiar o aniversário de uma grande amiga, que conheço tem 16 anos. Ela mandou chegar cedo. Obediente, eu fui. Ainda havia poucas pessoas no andar de cima, mas no primeiro, onde o chorinho rolava solto, tudo cheio. Não havia mais mesa vaga.

Os amigos dela e também nossos em comum (destes foram poucos, apenas três) foram chegando. Fotos de praxe, sorrisos, elogios e trabalhos abertos com cerveja Cerpinha e pastel de camarão - divino! Bebi também a cerveja Sol já produzida aqui (péssima) e a Itaipava (bem razoável).

Às onze da noite, casa cheia, a música começou a rolar. Um grupo bastante simpático e competente desfilou dezenas de sucessos da música nacional, do pop ao rock, passeando pela tenebrosa axé music e, pasmem, revisitando Balão Mágico e também a música (cujo nome não me lembro) cantada por Moraes Moreira, Baby Consuelo, Ricardo Graça Mello e Bebel Gilberto pra um especial infantil da Rede Globo.

Como diversão é meu nome do meio, dancei sem parar - quer dizer, não dancei funk, que eu abomino, e nem axé music. Mas até dei uns passinhos de forró, escudado por uma das simpáticas amigas da Rita, a aniversariante.

A turma aí de cima dançou até dizer chega!


Saí de lá com a camisa e a calça encharcadas de tanto suor. Eram quatro da manhã quando peguei um táxi e fui pra casa. E depois de uma noite tão divertida, fiquei com gosto de quero mais e recomendo: o Rio Scenarium é um grande barato.

E viva a viva Lapa, mais uma vez!

sexta-feira, 24 de novembro de 2006

Os "Gostosões"

Espero que o Flávio Gomes, que é fanático por ônibus antigos, assim como o escriba deste blog, leia este post.

Recomendado por seu próprio blog, fui dar uma olhada no site Alma Carioca e me deparei com esta pérola abaixo.



Eis um dos ônibus que circulavam na então capital da república, nos idos dos anos 40/50. Eram americanos, fabricados pela General Motors Company (GMC) e com motores movidos a gasolina. Tinham o apelido de "gostosões" e foram sepultados quando da chegada dos pequenos lotações, por volta de 1952.

Estes ônibus vieram ao país graças ao governo de Eurico Gaspar Dutra, que gastou todo o superávit da balança comercial obtido ao longo da II Guerra Mundial, permitindo a livre importação de geladeiras e automóveis - entre os quais veículos mais pesados como caminhões e ônibus, evidentemente.

O referido coletivo fazia a linha 11 - o trecho entre a Usina, próximo à Tijuca, e Copacabana. Por coincidência, é a mesma linha que eu pego para trabalhar, hoje com outro número: 426.

E quem operava o trajeto era a falecida Viação Carioca. Hoje a linha está a cargo da Alpha.

Antes que acabe...

O fim de semana de encerramento do que se chama de "Speed Show", com a disputa da Copa Clio, da Fórmula Renault, da Super Clio e da F-3 Sul-Americana, é o último da marca francesa no automobilismo brasileiro.

Aliás, nenhuma surpresa nisto. Por mais que a montadora, que tem sede em Curitiba aqui no país, tenha apoiado a criação de categorias similares às já existentes na Europa desde 2001 e entregue a organização a cargo da PPD Sports de Pedro Paulo Diniz, o evento nunca decolou.

Ok... é claro que os dois primeiros anos foram muito bons, especialmente entre os monopostos, com os 30 carros trazidos da Itália enchendo o grid e promovendo boas corridas e disputas. Mas a fonte secou.

E secou por que?

Porque a entressafra de pilotos bons, com P maiúsculo, que saem do kart direto para as competições, têm sido tão grande quanto preocupante. Afora isso, os custos proibitivos. A F-Renault, até o começo deste ano, usava pneus importados e numa tentativa de aumentar o grid, trocou-se o fornecedor: saiu a Michelin, entrou a Pirelli.

E por mais que as equipes tenham dominado a tecnologia e o desenvolvimento mecânico e aerodinâmico dos carros, isto implica em investimentos em mão-de-obra, material humano competente e no aumento dos orçamentos.

Não é à toa que a categoria teve uma média de 20 carros por prova este ano - boa, se comparada a de 2004 e 2005, quando correram às vezes doze, treze pilotos.

Pior: a categoria deixou de ter a visibilidade que tanto almejava. Os quatro primeiros anos foram bons, até excelentes, neste aspecto. Mas o televisionamento minguou e este ano, com mais rodadas duplas, as corridas dos sábados foram vistas por ninguém. E as más-línguas dizem que a vaidade dos organizadores (leia-se Pedro Paulo Diniz e André Ribeiro) sempre esteve acima de qualquer benfeitoria para o campeonato.

A Copa Clio se sustentou bem pelo interesse suscitado em competir num carro de preparação limitada, com pneus slicks, razoavelmente rápido e que proporciona disputas inenarráveis. Com a adoção de motores a álcool, a categoria voltou a ser atrativa em 2006, recuperando um pouco do prestígio perdido no ano passado.

A recém-nascida Super Clio, através de um esforço inaudito da Action Power, que montou os carros, teve dezenas de problemas de logística, incluindo falta de câmbios e problemas sem-fim com os turbocompressores. Chegamos ao fim do campeonato e a categoria nunca correu oficialmente com os motores na configuração pré-determinada por regulamento.

E o que dizer da Fórmula 3, coitada?

Outrora um imenso manancial de talentos e de uma intensa rivalidade Brasil x Argentina, a única categoria continental é uma piada. Não possui sequer uma equipe de fora do nosso país. Todos os pilotos são brasileiros. E, pior, o motor Ford-Berta desenvolvido pelo mago portenho em Alta Gracia, não é propriamente uma mecânica homologada para a F-3, pois tem 2.300cc ao contrário de todos os outros torneios existentes, onde se usam motores 2 litros.

Nisso, ocorre a triste constatação.

Tirando a Stock Car, que outro campeonato consegue se manter pujante no automobilismo nacional?

Tem mais: pouco a pouco, o Brasil vai ficando igual aos nossos vizinhos argentinos. Quase zero de pilotos indo tentar a sorte na Europa, para alcançar a Fórmula 1.

É melhor aproveitar a turma que está tentando chegar lá, enquanto é tempo. Antes que acabe.

Os F-1 que nunca correram - XI

Lá vamos nós para o décimo-primeiro astro da série.

É o segundo carro japonês que fracassou nas pistas: no caso, um bem mais recente.

Trata-se do Dome F105.



Presente em competições de Fórmula Nippon, Protótipos e Grã-Turismo como equipe ou construtora, a Dome resolveu estudar em meados dos anos 90 a possibilidade de construção de um Fórmula 1.

O primeiro passo foi dado em 95, visando uma possível estréia em 97. Nesse ínterim, o carro ficou pronto e um acordo com a Mugen para o fornecimento dos motores V-10 da subsidiária da Honda foi acertado.

Shinji Nakano e Marco Apicella, veterano piloto italiano radicado no Oriente, foram escalados para o desenvolvimento do carro que, em seu primeiro teste no ano de abril, completou somente 18 voltas.

O carro faria depois apenas mais 550 km de teste antes do primeiro confronto direto com a turma da F-1: um treino após o GP do Japão, em Suzuka, com Naoki Hattori a bordo.

E veio a decepção. O Dome F105, com pneus Goodyear, foi mais de oito segundos mais lento que a pole position obtida dias antes por Jacques Villeneuve, com a Williams-Renault - só foram melhores que o lentíssimo Giovanni Lavaggi, à época na Minardi.

Como resultado do fracasso, os patrocinadores se retraíram, a Dome não arrumou o budget necessário para a temporada de 1997 e o projeto foi abandonado. Depois disto, o construtor nipônico direcionou seus projetos para as 24 Horas de Le Mans, construindo o modelo S101 que, com motores Judd e Mugen, fez boas corridas na mais tradicional prova longa do planeta.