segunda-feira, 12 de março de 2007

CRUUUUUUUUUUUUUUUUUUZES!

Deu no Blog do Josias de Souza, colunista da Folha de S. Paulo.

O jovem deputado federal Rodrigo Maia, 37, será o novo presidente do velho PFL. Rodrigo, filho do prefeito do Rio de Janeiro, César Maia, será eleito em 28 de março, numa convenção extraordinária do partido. No mesmo encontro, a pefelândia completará a operação plástica da legenda, aprovando a troca de nome do PFL. Passará a se chamar, como já estava anunciado, PD (Partido Democrata).

Deve-se ao ex-senador Jorge Bornhausen (SC) a costura que tornou possível a ascensão de Rodrigo Maia. Sem mandato parlamentar, Bornhausen está deixando a presidência do PFL. E trabalhou para que fosse acomodado na sua cadeira um “jovem”. Para convencer a velha guarda, teve de fazer concessões.

A era Bornhausen será seguida por um comando compartilhado. Rodrigo Maia assumiu o compromisso de presidir o partido de forma colegiada. Terão assento na Executiva Nacional do PD 11 dos 16 senadores da legenda. Vão ficar agarrados aos calcanhares do novo presidente, monitorando-lhe os passos.

De resto, Rodrigo terá de submeter as suas decisões a um Conselho Político, no qual terá assento toda a velha guarda do partido –ex-presidentes, ex-governadores, senadores e líderes regionais. O conselho será presidido pelo prefeito de São Paulo, Gilberto ‘
vagabundo’ Kassab.

A entrega da presidência do conselho a Kassab foi precedida de uma negociação com o senador Antonio Carlos Magalhães (PFL-BA). ACM reivindicava o posto para si. Na última quarta-feira (8), Bornhausen foi aconselhado pelo líder do PFL no Senado, José Agripino Maia (RN), a procurar ACM. Procurou. Mas não encontrou. Às voltas com uma febre intermitente, o senador baiano viajara às pressas para São Paulo. Internara-se no Incor.

Neste domingo, Agripino Maia falou, pelo telefone, com ACM. Combinou-se que ele mandará um fax ao partido, expondo a sua posição. O documento será lido numa reunião que Bornhausen terá com a bancada de senadores, na próxima terça-feira (13). Nessa reunião, Bornhausen ouvirá as inquietações dos senadores em relação à presidência de Rodrigo Maia.

Bornhausen ratificará a tese de que, embora sob Rodrigo, o partido será tocado de forma colegiada. Quanto a ACM, parece ter concordado em abrir passagem para que Kassab assuma a presidência do conselho político. Reivindicará apenas a preservação do domínio da legenda no seu Estado, a Bahia.

Rodrigo Maia carregará enganchado ao título de presidente o vocábulo “provisório”. A convenção em que será eleito, no final do mês, é extraordinária. A convenção definitiva do partido será reunida em dezembro. Os senadores condicionam a ratificação do nome de Rodrigo ao desempenho dele.

Em privado, Rodrigo Maia vem dizendo que está consciente de que não presidirá o PD sozinho. Diz-se convencido de que o partilhamento das decisões é o caminho mais adequado. Sustenta que foi esse o comportamento que adotou à frente da liderança do partido na Câmara, na legislatura passada. Mercê da disposição de Rodrigo, o único pefelista que manifestava o interesse de disputar com ele o comando do partido, o deputado José Carlos Aleluia (PD-BA), abriu mão da postulação.


E depois tem quem fale mal do PT... ah esses moços, pobres moços... como dira o velho Lupe...

Menos mal que o sr. Bornhausen vai ficar afastado dos holofotes por um bom tempo porque, como ele mesmo disse, a "raça" não saiu do Planalto.

domingo, 11 de março de 2007

O último que sair...

... que apague a luz.

É grave a crise na ChampCar, mais do que se imaginava.

A categoria americana mal deve conseguir reunir o mesmo número de carros do ano passado. E olha que em 2006 todo mundo corria com os mastodônticos Lola de 2000, apenas com alterações estéticas que foram implementadas nos monopostos há quatro anos atrás.

Pensava-se que com a adoção do chassis Panoz DP01 a categoria daria um salto técnico e de qualidade no que diz respeito à formação de equipes. Quanto à eficiência do carro, já foi mais do que comprovada, haja visto os tempos obtidos nos treinos da pré-temporada.

Mas as equipes... estas sofrem com a falta de investimento de possíveis patrocinadores e por conseguinte se ressentem da falta de material humano, ou seja: pilotos.

A menos de um mês do início do campeonato, que começa em 8 de abril no circuito de Las Vegas, soube-se que as escuderias RuSPORT e Rocketsports, que correriam com um carro só, trabalharão em conjunto.

Não é só isso: a Forsythe em nenhum momento sinalizou que vá alinhar dois carros em 2007. A Conquest Racing foi salva de não disputar o campeonato graças a uma "ajudinha" financeira de Kevin Kalkhoven, um dos donos do show. A Minardi também não se decide sobre quantos carros vai alinhar e aí se desenvolve o impasse.

E enquanto pilotos do naipe de Simon Pagenaud e Tristan Gommendy estão com seus assentos confirmados, pilotos com boas performances na categoria como Oriol Serviá e Nelson Philippe estão por enquanto desempregados. E como a situação não parece melhorar a curto prazo, muitos dos que correram ano passado tendem a ficar a pé.

O português Tiago Monteiro, tesourado por Dietrich Mateschitz na Toro Rosso e que foi para o WTCC, foi sintomático ao definir a atual situação da categoria pela qual já passou em 2003.

"É triste. É triste isso. Eles deviam se fundir logo com a IRL."

De repente, é o caminho. Mas a cabeça-dura (ou seria de vento?) de TG primeiro e único jamais pensa em reunificação. A não ser que seja nas condições dele, como ele deseja.

Os americanos não suportam, a bem da verdade, automobilismo com carros de rodas descobertas. Eles são loucos pela NASCAR, pelos Midgets e até pelos GTs e Protótipos da Grand-Am e da American Le Mans Series. O único evento que eles fazem questão de assistir é as 500 Milhas de Indianápolis. O resto? Forget it...

Vamos comparar rapidinho o panorama das equipes e pilotos para ChampCar e IRL?

ChampCar (nove equipes / 15 carros)

Newman-Haas-Lanigan - Sebastién Bourdais e Graham Rahal
Forsythe - Paul Tracy
Conquest - Matt Halliday
PKV-Red Bull - Neel Jani e Tristan Gommendy
RuSPORT / Rocketsports - Justin Wilson e Alex Tagliani
Pacific Coast Motorsports - Ryan Dalziel e Alex Figge
Minardi Team USA - Robert Doornbos
Dale Coyne Racing - Katherine Legge e Bruno Junqueira (ou Andrew Ranger)
Team Australia - Will Power e Simon Pagenaud

IRL (nove equipes / 19 carros)

Team Penske - Hélio Castroneves e Sam Hornish Jr.
Panther - Vítor Meira e Kosuke Matsuura
Andretti-Green - Tony Kanaan, Marco Andretti, Danica Patrick e Dario Franchitti
Rahal-Letterman - Scott Sharp e Jeff Simmons
Ganassi - Scott Dixon e Dan Wheldon
Dreyer & Reinbold - Buddy Rice e Sarah Fisher
Foyt - Darren Manning
Vision - Ed Carpenter, Tomas Scheckter e AJ Foyt IV (xiii...)
Roth Racing - Marty Roth (xiii...)

Alemães e três paranaenses felizes


O Sportv estreou com o pé direito nas transmissões do WTCC, o Mundial de Carros de Turismo, em Curitiba.

A BMW sobrou na turma e Augusto Farfus Júnior, filho querido da terra, aproveitou para vencer uma das duas baterias do fim de semana e levar ao delírio as mais de 45 mil pessoas presentes ao circuito.

A primeira corrida, a bem da verdade, foi muito chatinha. Logo na primeira volta, um salseiro tirou cinco de combate, o safety car deu o ar da graça e as BMW de Jörg Müller, Andy Priaulx e Augusto Farfus lideraram em comboio da primeira à última volta.

Na segunda prova, com o grid invertido do oitavo colocado ao primeiro é que a coisa começou a ter graça, porque toda a turma da marca alemã teria que "remar" para chegar na frente. É certo que Farfus contou com a estimada colaboração de Robert Huff, que depois ouviu cobras e lagartos de um inconformado (com razão) Alessandro Zanardi. E como o carro do brasileiro rendia muito mais que os Seat oficiais de fábrica, passar o então líder Yvan Muller foi questão de tempo.

Em três voltas, Farfus liquidou a fatura e venceu, com Priaulx em segundo e J. Müller em terceiro, decretando um tríplice empate na classificação do campeonato!

Mais equilibrado e emocionante do que isto, impossível...

***

As duas baterias do WTCC foram entremeadas por duas provas de campeonatos nacionais. A Copa Clio Brasil, agora totalmente independente da Renault, que deu um pé-na-bunda do automobilismo nacional, começou bem a temporada 2007, com 26 carros no grid e vitória de um piloto da casa - o "raposa felpuda" José Córdova, de longa carreira no esporte. Quem participou também foi o coleguinha Betto D'Elboux, editor da revista Racing, que terminou em décimo-quinto - pelo menos ele sobreviveu à disputa...

Tão logo os Clio saíram da pista, veio o Brasileiro de Marcas e Pilotos, onde mais um paranaense deu as cartas: Geraldo Sermann fez a pole position e venceu de ponta a ponta, em dobradinha com o irmão Algacir. O show foi de Rafael Iserhard, que com um Corsinha tocou uma barbaridade, fazendo a galera vibrar com sua disputa com Algacir pelo segundo lugar. No fim das contas o gaúcho, campeão brasileiro de 2005, terminou com a terceira colocação.

sábado, 10 de março de 2007

Divisão Panzer


A BMW sai na frente das rivais na abertura do Mundial de Carros de Turismo, o FIA WTCC, no Autódromo de Curitiba, neste domingo.

O vice-campeão de 2006 Jörg Müller fez a pole position para a primeira das duas provas previstas para a rodada inaugural do certame, que contempla 11 corridas - três delas em pistas de rua: Pau, Cidade do Porto e Macau.

O WTCC é um certame multimarcas com carros originais de fábrica, bloco de motor de série e arquitetura interna mexida. O limite é de 2.000 centímetros cúbicos de cilindrada e a potência dos carrinhos beira os 280 HP.

Entre os vinte pilotos que estarão na pista amanhã, um deles levará toda a nossa torcida: é Augusto Farfus Júnior, pole position ano passado quando corria de Alfa Romeo e que larga em segundo neste domingo, agora como companheiro de J. Müller na BMW.

Outras atrações são Gabriele Tarquini, Nicola Larini e o incrível Alessandro Zanardi, todos com passagem pela F-1, o bicampeão do WTCC Andy Priaulx, os ex-GP2 Félix Porteiro e Sérgio Hernandez e Michel Jourdain Júnior, antigo piloto da ChampCar.

Bom... pra quem não puder ir ao autódromo e não for evidentemente de Curitiba ou adjacências, deixo meu convite: é só ligar no canal 38 a partir do meio-dia e acompanhar no Sportv 2 a transmissão da rodada dupla inaugural do WTCC.

Parem o mundo que eu quero descer

O sobrenome Schumacher continua dando o que falar na Fórmula 1.

Michael já foi embora das pistas, entrou para a história e indiscutivelmente tem um lugar entre os gênios do automobilismo.

Mas o irmão Ralf, que vai para a terceira temporada na Toyota, continua na ativa. E abriu a boca para proferir a maior boçalidade ouvida na pré-temporada de 2007.

“Certamente, estou entre os ‘top 3´. Fernando Alonso e Kimi Raikkönen são velozes, mas eu não vejo razão para me esconder atrás de ninguém. Se eu não estivesse certo sobre a minha capacidade, não estaria na F-1”, disse.

Caramba... como a prepotência desse cara é impressionante!

Ele nega a existência de Felipe Massa como um piloto rapidíssimo e desde já candidato ao titulo. Também ignora as grandes promessas Heikki Kovalainen e Lewis Hamilton. E com tanta empáfia, vai pagar caro por isso.

Desde o início dos preparativos para o Mundial de 2007, percebe-se que a Toyota, apesar dos investimentos zilionários, vai comer poeira mais um ano. Parte culpa do projeto do TF107, que não é lá essas coisas e especialmente pela falta de pilotos capazes de desenvolver melhor o carro dentro da pista.

Basta analisar friamente o currículo dos dois titulares:

Ralf, o arrogante da vez, tem 31 anos. Estreou na extinta Jordan há dez. Fez 164 corridas e venceu seis, todas pela Williams BMW. Somou 27 pódios na carreira e tem seis pole positions.

O italiano Jarno Trulli, um ano mais velho que o companheiro de equipe, também estreou há dez anos na F-1. Tem 167 corridas nas costas, uma solitária vitória, dois pódios e três poles.

Vamos e venhamos, é muito pouco para uma marca de automóveis que investe tão pesado na F-1 e que abortou seus projetos de Rali e Esporte-Protótipo para levar ferro de Ferrari, McLaren, Renault, Honda e agora da BMW.

Toma vergonha, Ralf... e cala a sua boca!

Armas e rosas repletas de mentira

Leio em O Globo na página 2 do Segundo Caderno, matéria de Tom Leão cujo título é:

"Fãs protestam contra disco que nunca sai"

Ora, quem é que na música vem há anos com esse papo aranha de que vai lançar disco inédito e nunca cumpre sua promessa?

Óbvio que trata-se de uma das piores bandas do universo: Guns N' Roses.

Acho inacreditável que um grupelho de hard-rock farofa de sétima categoria tenha um séquito tão grande de fãs (se bem que tanta porcaria pior que o G N'R arrastando multidões...), sem lançar um disco de inéditas há muito tempo.

A pretensão de Axl Rose, o único remanescente da formação original, é enorme a começar pelo título dado por ele ao álbum (álbum?) - Chinese Democracy. As músicas supostamente começaram a ser gravadas há exatos 10 anos!!!!!!!!!!!

Se este fosse um álbum de rock conceitual, um trabalho hiper elaborado, até daria pra entender. Mas em se tratando da baleia branca número 1 da música, só se pode dizer que é insanidade total. Há quem diga que Axl está a caminho de ir desta para melhor. Mergulhado nas drogas, o cantor pode sofrer uma overdose e, como dizem por aqui, cantar para subir.

Sinceramente? Não faria a menor falta. Axl e os Guns, como já dito acima, são pretensiosos, escrotos, ridículos, fracos musicalmente e além de tudo desrespeitosos com quem se intitula seus fãs. Como conseqüência de mais um furo quanto ao lançamento do "disco eternamente adiado", o site oficial do grupo saiu do ar em protesto.

Cada vez mais o G N'R lidera a lista de nulidades musicais que eu abomino. Cabeça a cabeça com eles, estão o Oásis dos irmãos Gallagher e a maior bosta nacional que já existiu, chamada Los Hermanos.

sexta-feira, 9 de março de 2007

Com um pé nas costas

Nenhuma dúvida no treino oficial da primeira etapa da MotoGP 2007: Valentino Rossi, com recorde da pista de Losail, superou o australiano Casey Rolling Stoner por 0s005 e ficou com a pole position, a quadragésima-sexta dele na carreira.

Digam o que quiserem: que ele é ajudado pela Michelin, que tem pneus diferentes que os outros pilotos que correm pela marca francesa, mas nunca duvidem do quão ele é fabuloso, completo, rápido, técnico e imprevisível.

Negar o óbvio é impossível, do mesmo jeito. Ou seja: Rossi está muitos furos acima dos outros pilotos da MotoGP. E só não venceu o campeonato do ano passado graças a uma palavra de quatro letrinhas - azar.

Sim, porque ele venceu cinco corridas contra duas de Nicky Hayden, que levou a taça. Porém, se houvesse um empate entre os dois nos pontos, Valentino levaria a taça pra casa - e seria a sexta seguida dele, o oitavo título de sua carreira na Motovelocidade.

Arrisco desde já um palpite para 2007. Rossi campeão, fácil.

Alguém duvida?

***

Em tempo: o retorno de Alexandre Barros ao Mundial ficou aquém do que se esperava. Décimo-quinto num grid de 21 pilotos, com o consolo de pôr atrás de si o companheiro de equipe Alex Hofmann.

Mas dá o que pensar, porque atrás de Barros, além do alemão, ficaram as Yamahas que andam de pneus Dunlop (Guintoli e Tamada), a KR Honda de Kenny Roberts e as Ilmor de Andrew Pitt e Jeremy McWilliams, maldosamente apelidadas de "Minardi de duas rodas".

Coitados...

quarta-feira, 7 de março de 2007

Dedo mindinho, seu vizinho, pai-de-todos, fura-bolo, mata-piolho

O lendário goleiro Carlos Castilho, que mereceu busto na sede do Fluminense, foi o primeiro esportista que se tem notícia a amputar parcialmente um dedo, em razão das lesões que comprometeram a articulação de suas mãos. Na época, ele jogava sem luvas - aliás, poucos goleiros dos anos 50/60 usavam esse artefato, inaugurado pelo soviético Lev "Aranha Negra" Yashin.

Como os tempos hoje são outros, o britânico Jeremy McWilliams vai poder desempenhar numa boa seu papel de piloto da Ilmor na MotoGP. No ano passado, ele sofreu uma violenta queda e esmagou parte do dedo anular da mão esquerda, num teste em Jerez de la Frontera. Não houve jeito e os médicos amputaram parcialmente esse dedo.

E já que os pilotos correm de luvas, o fabricante Alpinestars costurou uma para ele com feitio especial, como visto na foto abaixo.


terça-feira, 6 de março de 2007

Mulheres inesquecíveis - II


A segunda homenageada da série de "Mulheres inesquecíveis" era aquela que podemos chamar de da pá virada.

Maysa Monjardim Matarazzo viveu intensamente e, como ninguém, cantou as dores de amores até o fim de sua breve vida.

Ela herdou o sobrenome Matarazzo ao casar-se com o industrial André Matarazzo, descendente da família do Conde italiano (por conseguinte, ele é parente de Eduardo Suplicy) aos 18 anos de idade. André tinha trinta e oito. Com 20, Maysa engravidou de Jayme - seu único filho, o hoje conhecido diretor de telenovelas da Globo. E assim que pôde, foi contratada pela RGE para integrar o cast da gravadora então dirigida por Roberto Corte Real e José Scatena.

André era um forte opositor à carreira da esposa e o casamento durou muito pouco: somente dois anos. Ela trocou São Paulo pelo Rio, entrou pra "turma da Bossa Nova", mas destacou-se junto com Tito Madi, pelas canções mais românticas e de dor-de-cotovelo, o que foi chamado por alguns de Fossa Nova.

Uma música que diz tudo no rol de canções de Maysa é "Meu Mundo Caiu".

Meu mundo caiu
E me fez ficar assim
Você conseguiu
E agora diz que tem pena de mim

Não sei se me explico bem
Eu nada pedi
Nem a você nem a ninguém
Não fui eu que caí

Sei que você me entendeu
Sei também que não vai se importar
Se meu mundo caiu
Eu que aprenda a levantar

O mundo da cantora não caiu, mas ela procurou abrigo na bebedeira. Maysa era pródiga em porres homéricos e escândalos, como quando tentou provocar Elis Regina, outra que não levava desaforo pra casa. "Sua gauchinha de merda, você não canta nada", disparou, antes de jogar uma garrafa de uísque na rival - devidamente aparada por Roberto Menescal.

Ela também era "de fases". Largava temporariamente a bebida, perdia peso e voltava a ser a mulher desejada por dezenas de homens. Quando pintou o cabelo de platinum blonde, num perfeito contraste com seus olhos azuis, aí é que ela deitou e rolou. Namorou Ronaldo Bôscoli, foi amante do presidente João Goulart e, ao que consta no livro de Paulo César de Araújo, foi pra cama com Roberto Carlos no dia de uma eliminatória do Festival da Record em 1967. E na época, Maysa tinha 31 anos, contra 26 do Rei.

Apesar de todas as atribulações de sua vida profissional, ela fazia turnês longas pela Europa e numa delas, conheceu seu segundo e último marido, o espanhol Miguel Azanza. Um relacionamento pouco duradouro, como o primeiro. Ela ainda se envolveria com o ator Carlos Alberto e com o maestro Júlio Medaglia antes de, no dia 22 de janeiro de 1977, em pleno verão carioca, bater com seu carro na Ponte Rio-Niterói e falecer aos 40 anos de idade.

Sua breve vida, ceifada há 30 anos, vai ser celebrada por duas biografias cujo lançamento é praticamente simultâneo. Lira Neto escreveu "Maysa - só numa multidão de amores" (Editora Globo) e Eduardo Logullo traz, com prefácio de Gal Costa, a obra "Meu Mundo Caiu - a bossa e a fossa de Maysa" (Editora Novo Século). Vamos ver qual dos dois é melhor elaborado e que vai ter melhor aceitação dos críticos de livros por aqui.

Enquanto isso, uma merecida homenagem...


"A gente leva da vida a vida que a gente leva.

Você, Maysa, talvez tenha sido - dentre todos nós - quem mais perto chegou lá.

Maysa chegando - já partindo - dizendo adeus - quando tudo apenas começava.

Você foi sempre assim.

Se as coisas estão no mundo, Maysa, você nunca precisou aprender nada.

Sempre soube de tudo.

Por isso aquela ternura imensa, aquela doçura-triste-tristeza-doce dos seus olhos azuis - nas suas canções.

Por isso você é tão importante, Maysa-nova.

Maysa.

Um sonho a menos, um desabafo a mais.

Mas, enfrentando.

A tudo e a todos.

E dizendo a que vinha se di-la-ce-ran-do in-tei-ra.

Num fiapo de voz, às vezes.

Num grito lancinante, em outras.

Es-gar-çan-do os versos.

Mas enfrentando.

Sempre tão perto da gente.

Mesmo longe, tão ligada.

Ninguém vai esquecer você.

É claro que deve existir por aí um mundo melhor do que este.

Só que a gente não sabe a distância que fica a cidade e nem a que horas fecha.

Você sempre soube disso tudo. Maysa de todos nós."


(Eduardo Moreira)

segunda-feira, 5 de março de 2007

30 anos sem Tom Pryce

O hermano blogueiro Hurricane atentou para um evento que entrou para a história da Fórmula 1.

Faz 30 anos que o galês Tom Pryce morreu de forma trágica no Grande Prêmio da África do Sul.

Coincidentemente, aquela foi a última prova do grande José Carlos Pace - cujos 30 anos de falecimento acontecem justamente no dia em que a temporada 2007 da categoria máxima começar.

Acho que não lembro do Pryce correndo. Só sei que ele fez uma pole position em Silverstone, no GP da Inglaterra de 1975 e um punhado de bons resultados, além de um triunfo numa prova extracampeonato, sempre ao volante do marcante UOP-Shadow.

Em 77, Pryce dividia a equipe no começo do ano com o ineficaz italiano Renzo Zorzi e foi, ironicamente graças àquele piloto que aconteceu a tragédia com o galês.

Ele vinha a toda velocidade pela reta de Kyalami na 23ª volta, rumo ao ponto de freada e tangência da curva Crowthorne, quando se deparou com um inédito obstáculo à frente. E as imagens são impressionantes.

O jovem Jensen Van Vuuren, de apenas 18 anos de idade, um voluntário, inutilmente tentou salvar o Shadow de Zorzi de um incêndio.

Mas a sua imprudência provocaria a morte estúpida de Tom Pryce, que foi atingido pelo pesado extintor de incêndio que Vuuren carregava.

A viúva do piloto, Nulla Pryce, demorou três anos até conseguir uma indenização dos administradores do autódromo pela negligência em admitir para trabalhar como fiscal de pista um amador.

***

Quanto a Moco, que em 5 de março de 1977 correria sua 72ª e última prova de Fórmula 1, em mais duas semanas, aqui neste blog, com certeza vocês verão uma homenagem à altura do seu imenso talento.

A pergunta que não quer calar

Gostaria que alguém elucidasse...

Qual será a desculpa da diretoria, do técnico e jogadores do Flamengo para MAIS UMA derrota diante do modesto mas eficiente time do Madureira, agora pela final da Taça Guanabara?

A altitude do Maracanã influenciou no resultado?

(Acho que ouvi a risadinha sarcástica do Muttley no fundo...)

Ou será que esse time realmente não é tão bom quanto dizem, exageradamente, os seus torcedores?

(Pô, Muttley, solta a risada, cara... o Flamengo perdeu!)

Bom dia, torcida amiga.

DALE MONTOYUCHO!!!!!!!!!!!!


"Respeito é bom, todo mundo gosta."

A frase é velha, de pára-choque de caminhão, mas ainda surte um efeito quando necessário.

Quando Juan Pablo Montoya resolveu trocar a Fórmula 1 pela Nascar, foi ironizado, achincalhado, posto abaixo dos sapatos - especialmente no continente europeu. "Nascar é coisa de gordo e de caipira", foi o que de mais ameno o colombiano ouviu, quando deu adeusinho para Ron Dennis e voltou a trabalhar com Chip Ganassi.

Um dia, podem apostar, a categoria máxima vai sentir muita falta dele. Porque ele trazia emoção e uma dose de loucura que está em falta num esporte onde o cerne é viver no limite máximo do risco, ralando carros a mais de 300 km/h numa tênue faixa de asfalto.

A Nascar é o palco ideal para Montoya extravasar seu repertório de velocidade e loucura.

E ele está sabendo - e muito bem - aproveitar as ocasiões.

Tudo bem: neste fim de semana não era dia de Nextel Cup, era a prova da Busch Series, no misto do México - o circuito Hermanos Pedro y Ricardo Rodriguez, lembram-se?

Mas Montoya mostrou e provou que podem contar com ele, não para já. Mas para um futuro não muito distante.

Que outro piloto tiraria do caminho o próprio companheiro de equipe para vencer pela primeira vez na Stock Car americana? Ah... sei que muitos já fizeram isso. Mas o Montoya... ah, o Montoya não pode. Afinal ele veio da F-1, onde só o Schumacher era capaz dessas manobras.

Não pode por que?

No Orkut já tem gente com frescurinha, dizendo que ele ganhou roubando do Pruett. Ora, façam-me o favor! Desde que o mundo é mundo, o totó, o toque sutil, o esbarrão, é uma instituição em provas de carros de turismo. Se o piloto acha que vai sobreviver imune com 42 adversários, todos com carros velozes, potentes e doidos pra ganhar a qualquer custo, das duas uma: ou ele é muito babaca ou nada sabe de automobilismo.

Resumo da ópera - Montoya é fera. É sul-americano. Nada contra os ótimos pilotos americanos que admiro e respeito na Nascar. Mas tá na cara que a minha torcida é para JPM, aconteça o que acontecer.

O resto é choro de perdedor.

domingo, 4 de março de 2007

500 reais e o camisa 1

Hoje resolvi compartilhar mais uma das histórias engraçadas pelas quais já passei.

O ano? 2000 ou 2001, não lembro bem. Mas o conteúdo da história nunca mais sai da memória.

Um repórter da Globo fazia na ocasião uma matéria sobre a esdrúxula numeração dos uniformes dos jogadores em época de Campeonato Brasileiro. Lembro que o Roger jogava com a camisa 21 no Fluminense. Magno Alves era o 31 e assim caminhava a humanidade.

Isto posto, o mesmo repórter lembrou que a Argentina, nas Copas de 74, 78, 82 e 86, resolveu adotar a numeração de 1 a 22 por ordem alfabética do sobrenome de seus atletas. E aí arrematei: "Em 1978, o número 1 era Norberto Alonso, craque do River Plate. Sua convocação fechou as portas para Maradona, então com 17 anos, jogar aquela Copa."

Com um misto de admiração e ironia, ele questionou: "Você tem certeza disso?"

Nisto, ele foi contar para alguns colegas de redação e João Pedro Paes Leme, do alto de seu um metro e noventa e tal de altura, entrou na redação tentando botar pilha. "O número 1 da Argentina em 78 era o Ardilles".

Sustentei que era Beto Alonso e ele continuou com sua convicção, provocando. "Cai o mito".

O sangue subiu e eu fiz uma proposta indecente. "Aposto 500 reais contigo como estou certo de que o número 1 da Argentina na Copa de 1978 era Norberto Alonso e não Oswaldo Ardilles."

"Feito", respondeu João Pedro, sem saber que já tinha perdido a aposta.

Além da minha certeza inequívoca, Mário Jorge Guimarães, raposa velha do jornalismo e que cobrira aquela Copa, segredou no meu ouvido. "Você acertou. O número 1 em 78 era Alonso."

Quando o repórter fechou a matéria e me mostrou a edição onde Ardilles aparecia como camisa 1 eu falei. "Bem, isso é em 1982, na Copa da Espanha. Aí não há como discordar. Mas em 78 ele foi inscrito com o número 2."

Uma rápida consulta ao site da Fifa resolveu a questão e os 22 da Argentina em sua Copa eram os seguintes:

Alonso (1), Ardiles (2), Baley (3), Bertoni (4), Fillol (5), Gallego (6), L. Galván (7), R. Galván (8), Houseman (9), Kempes (10), Killer (11), Larrosa (12), Lavolpe (13), Luque (14), Olguín (15), Ortiz (16), Oviedo (17), Pagnanini (18), Passarella (19), Tarantini (20), Valencia (21) e Villa (22)

Com tantas fontes e a minha ótima memória a meu favor, ganhei a aposta. Com cara de quem não tinha mais o que dizer, o João Pedro reconheceu a derrota e, para evitar a suprema humilhação, pagou os 500 em doses homeopáticas. Dez prestações suaves de 50 reais cada uma, toda vez que voltava das viagens para cobrir a Fórmula 1 e sob intensa gozação dos outros colegas de redação.

Santa camisa 1, Norberto Alonso!

sábado, 3 de março de 2007

Hecho en Argentina, mas com uma pitada brasileña

Os Astra do campeão Matías Rossi e de Cristian Ledesma: começa a TC2000!

Começa neste fim de semana no outro lado do Rio da Prata o campeonato da TC2000, este sim um certame 100% multimarcas. Chevrolet, Honda, Toyota, Volkswagen, Ford e Chrysler estarão representadas por mais de trinta pilotos ao longo das catorze provas previstas no calendário, que inclui uma visita ao Autódromo de Interlagos em junho e também a quarta edição dos 200 km de Buenos Aires, que têm recebido enorme afluência de ótimos pilotos estrangeiros.

O campeonato começa na pista de Comodoro Rivadávia e termina em 18 de novembro num circuito a ser ainda designado. E com um regulamento muito bem elaborado tanto na parte desportiva quanto na técnica, a TC2000 atrai público numeroso em todas as suas etapas, com direito a torcida organizada - vale lembrar que as "tuercas" fazem tanto ou mais barulho do que os fanáticos por River Plate e Boca Juniors, só que a paixão no caso é pelos carros.

Em 2006, a decisão do campeonato foi sensacional. Matías Rossi, da Chevrolet-Pro Racing, derrotou por um mísero ponto o piloto titular da Honda, Juan Manuel "Pato" Silva. Diante disso, não há dúvidas de que a disputa neste ano deverá ser no mesmo nível - ou ainda melhor.

Os brasileiros, que já acompanham a TC2000 com certo interesse, também já sabem que um velho conhecido deles (e nosso, óbvio) vai correr por lá: Cacá Bueno acertou seu ingresso como piloto oficial Honda, num segundo time onde a programação visual contempla os carros pintados de cinza. E lembro muito bem que, quando foi feito o anúncio oficial da ida do campeão da Stock Car para a TC2000 novamente, ele comentou que teria como parceiro de equipe o piloto Fabián "Patito" Yannantuoni. O problema é que "Patito" assinou com a Edival Racing e seu substituto é o maior vencedor numa única temporada da história da categoria: Henry Martín, que foi campeão em 1997 com treze vitórias. Um osso duríssimo de roer...

Porém, no treino de classificação disputado neste sábado, o campeão da Stock Car cravou a pole position exatamente à frente do vice-campeão "Pato" Silva e de Henry Martín, numa espetacular trifeta da Honda.

Um recomeço e tanto. Ao menos, por enquanto.

sexta-feira, 2 de março de 2007

Regi, você é o cara!

Abro o e-mail ontem e me deparo com um convite com o qual já esperava: terça-feira (jurava que era na segunda...), Reginaldo Leme vai festejar os 15 anos de criação do fantástico Anuário AutoMotor, uma referência dentro do nosso combalido automobilismo. Tenho todos os exemplares de 1993 pra cá e atesto sem medo de errar - poucas publicações do gênero são tão boas quanto a editada por aqui.

Tem mais: em 2007, ele completa 35 anos de cobertura praticamente initerrupta de Fórmula 1, primeiro como repórter do Estado de S. Paulo e depois como comentarista e repórter bissexto da Rede Globo.

Eu só lembro do Reginaldo na telinha. Em 1981, no primeiro ano do título do Nelson Piquet, ele dividia as transmissões com Luciano do Valle e pra mim foi um ano inesquecível. Acredito que pro Regi também tenha sido, mesmo com todo o temperamento explosivo do nosso novo campeão naquela época, avesso à entrevistas como provado no grito primal que ele deu depois da corrida de Las Vegas.

No bicampeonato, dois anos depois, lembro que o Nelson abriu o coração numa entrevista ótima depois da corrida e confessou pro microfone da Globo: "Me sinto nas nuvens. É como se não fosse humano."

Regi também viu o tri do Piquet em 87 e todas as três conquistas do Senna. É um privilegiado dentro do nosso automobilismo. E nos últimos anos, mostra um entusiasmo cada vez mais crescente com a expansão da Stock Car, em cujas transmissões têm participado ativamente - até porque a Globo restringiu nos últimos anos as viagens de narrador e comentarista para o exterior, nas transmissões da F-1.

Acho que ele jamais imaginou que ao chegar na Europa para fazer sua primeira cobertura internacional - a prova extracampeonato Rothmans 5000, um vale-tudo em Brands Hatch que teve vitória do Emerson Fittipaldi (que duas semanas depois disso seria campeão mundial em Monza) - ele iria alcançar o respeito e o carinho de quem é apaixonado pelo esporte, como eu sou e muita gente o é.

Em 1981, eu era um moleque de dez anos de idade, que colecionava sonhos e miniaturas, e fazia da cama um "autódromo" onde só o Piquet vencia e era campeão, que já gostava de Fórmula 1 de forma alucinada. E que um dia pensou em estar onde o Regi já estava naquele ano.

Nunca desisti dos meus sonhos e hoje continuo, aos 35 anos, colecionando minhas miniaturas - mas com muito mais carinho, é claro. E tive sorte e uma boa dose de competência para, em quatro anos na casa onde trabalho, estar onde estou. Muito dessa paixão, conhecimento e desprendimento se deve à admiração e o carinho que eu tenho por esse puta profissional chamado Reginaldo Leme.

Lamentavelmente, não vou poder ir até São Paulo e compartilhar com ele essa alegria pessoal e profissional que é um marco em sua vida.

Mas posso afirmar algo que já deixei no fim de um e-mail com um carinhoso pedido de desculpas pela ausência da próxima terça:

REGI, VOCÊ É O CARA!

quinta-feira, 1 de março de 2007

442 anos


Fico sem pensar direito quando - e o que - quero falar do Rio de Janeiro.

É sabido que as coisas não vão bem por aqui, social, econômica, política e moralmente.

Há muito tempo vivemos sob o domíno do medo, com o turismo patinando, eventos importantes dando adeus à cidade, políticos desonestos, população mostrando grande inapetência na hora de votar, crimes e mais crimes.

Desalentador? Sem dúvida!

Mas há sempre um porém (Ai, porém! - como bem interveio o Jorge 'Porém' em Foi um rio que passou em minha vida, do príncipe da MPB Paulinho da Viola).

O Rio de Janeiro, apesar de todos os pesares, continua sendo a minha cidade. E de muitos outros também. E ainda é a Cidade Maravilhosa.

Amo o Rio do Maracanã lotado em dia de Fla-Flu. O Rio das praias lotadas, do pôr-do-sol no Caminho dos Pescadores no Leme. O Rio do chopp gelado nos melhores bares da Zona Sul. O Rio do papo furado com amigos e amigas. O Rio da night com gatas alucinantes, sensualidade, boa música e beijos na boca. O Rio do grande carnaval com Portela, Mangueira, Império Serrano, Salgueiro, Imperatriz, Vila Isabel, União da Ilha. O Rio de Tom Jobim, de Vinícius de Moraes, de Cazuza, de Chico Buarque de Hollanda. Cidade de Tim Maia, Jorge Ben, Luiz Melodia. De lindas mulheres. De lobas charmosas, balzaquianas, "tios sukitas" e também da tribo GLS.

Esse é o meu Rio de Janeiro.

Não é mais o Rio das "dunas do barato", do Pier de Ipanema, da tanga de crochê do Gabeira, do Gordon, do Sunshake, do Zero, da Sorveteria Alex, da rua Montenegro, do Metro Boavista, do Rian, do Cinema América, do Café Palheta na Praça Saenz Peña, da Mesbla do Méier, da Sears em Botafogo, das Casas Pernambucanas, dos "catacornos" da CTC, do Bangu e do América como forças do futebol carioca, do Autódromo de Jacarepaguá antes de ser mutilado, de tantas outras coisas que se foram com o passar dos tempos e a minha memória já conseguiu esquecer.

Mas ainda assim é o Rio que eu amo.

Parabéns, meu Rio de Janeiro!

Ele não é "Greta Garbo", mas...


... quem diria, Tiago Monteiro foi parar no Irajá.

O piloto português, dispensado pela Spyker para dar lugar ao estreante alemão Adrian Sutil, descartou qualquer hipótese de ser piloto de teste de qualquer equipe em 2007. Até aí nenhum problema. Achava eu que ele pensava num retorno à ChampCar, categoria onde esteve há alguns anos.

Mas que nada... Tiago negociou com a Seat e conseguiu uma vaga de piloto oficial da marca espanhola no WTCC, o Mundial de Carros de Turismo que dá a largada daqui a dez dias aqui no Brasil, em Curitiba - com transmissão do Sportv.

Ele não corre aqui, só estréia em maio na etapa holandesa de Zandvoort porque a Seat não terá tempo de preparar um quinto monobloco a tempo da rodada dupla inaugural. E com certeza a presença dele atrairá muito público na prova do Porto, que vai acontecer em julho, num circuito de rua.

O problema, na minha visão, é que ele acaba de renunciar de uma vez por todas ao sonho de voltar à F-1. Embora o WTCC seja uma categoria de muito boa repercussão no seio automobilístico, o português dificilmente será lembrado por qualquer equipe no futuro.

Mas o leitor mais atento há de observar que no teto do carro há um enorme logotipo da Red Bull.

Seria um indício de que a qualquer momento, Dietrich Mateschitz (ou Gerhard Berger) pode fazer um de seus pilotos "ganhar asas"?

Duvido muito, honestamente...

***

Em tempo: Monteiro não será o único piloto do país no WTCC. Miguel Freitas, campeão português de automobilismo, vai estrear na competição com a Alfa Romeo 156 GTA que pertencia à escuderia italiana Antonelli Sport. Com este carro, Alessandro Balzan cravou um ótimo quarto lugar numa das duas provas da rodada dupla de Monza, ano passado.

Zebras costumam passear na competição, e os portugueses podem ser boas apostas para potenciais surpresas em 2007.

Passaralhos e palhaçadas: assim é o jornalismo do SBT

Tá feia a coisa pelos lados do jornalismo do SBT.

O diretor Luiz Gonzaga Mineiro já não é o responsável pela área. A apresentadora Ana Paula Padrão, contratada por Silvio Santos a peso de ouro, pagando um dinheiro absurdo a ela, para que saísse da Globo, já nem apresenta mais o telejornal da casa. Agora cismou de fazer um programa chamado "SBT Realidade", um pseudo-Globo Repórter.

Tem mais: Carlos Nascimento vai ganhar uma nova parceira na apresentação da primeira edição do Jornal do SBT, na próxima segunda-feira.

É Cynthia Benini, aquela mesma que participou da "Casa dos Artistas", engatou um romance que virou casamento com o ator André Gonçalves e que há alguns anos apresentou ao lado da calipígia Analice Nicolau um telejornal onde as duas apareciam constantemente com um palmo de coxa para fora.

Nada contra a moça. Afinal, ela é formada no métier. Mas vão descer o sarrafo nela porque ela seria "apenas um rostinho bonito".

E as mudanças não páram por aí. Hoje fiquei sabendo que o competente Mauro Tagliaferri, que até já ancorou o Linha de Chegada no Sportv, está de saída da emissora, provavelmente descontente com os rumos que o SBT está impondo ao seu departamento de jornalismo.

A verdade é uma só: jornalismo e SBT são duas coisas que nunca combinaram. Mesmo quando Boris Casoy enchia a boca para falar "Isto é uma vergonha" no TJ Brasil.

quarta-feira, 28 de fevereiro de 2007

Boleiras

Esta foi uma quarta-feira de muitos gols.

Entre Copa do Brasil e Libertadores, foram 42 no total, com algumas goleadas. Dois cariocas e o São Paulo se sobressaíram neste meio de semana.

O tricolor do Morumbi não teve dificuldades e mesmo com pouco menos de 20 mil torcedores - muito abaixo do que vemos nos jogos do São Paulo na Libertadores - goleou o Alianza de Lima por 4 x 0. Em suma: vai se classificar para a próxima fase sem problema algum.

Em Porto Alegre, o Internacional se reabilitou ensacando três no Emelec, do Equador. O menino Alexandre Pato, tido como "fenômeno", jogou pela primeira vez no Beira-Rio e fez um belo gol. Ainda não vi, mas um amigo garante que será reprisado N vezes nos programas esportivos de quinta-feira. A conferir, portanto.

Já na Copa do Brasil, Vasco e Fluminense dispararam as maiores goleadas da quarta. Tal como nas partidas de ida, os dois clubes do Rio repetiram o resultado: 6 x 0, contra dois times do Norte - o Fast Club de Manaus (AM) e a ADESG de Senador Guiomard, interior do Acre.

A Flapress botou pilha quando o Flu deu bobeira e deixou o adversário fazer um golzinho no final no jogo de ida. Assim começou a galhofa de que ajudamos o time acreano a conhecer as praias cariocas. Todo mundo já achava que a zebra ia passear no Maracanã e neguinho teve que botar o galho dentro logo com dois minutos de jogo, quando Alex Dias abriu o placar.

Daí em diante foi um passeio. Foram quatro gols no primeiro tempo, dois na etapa complementar e sem brincadeira, podia ter sido de oito ou nove, porque foram vários os gols perdidos - alguns até eu faria.

No fim das contas, mesmo contra um adversário fraquíssimo, que quase não chutou a gol, o Fluminense de Joel Santana mostrou que será muito diferente daquele que iniciou o ano sob o comando do incompetente PC Gusmão. O time jogou sério, com determinação e sem desrespeitar a fraqueza da ADESG em momento algum. Agora é vir com tudo pra chegar bem na Taça Rio e tentar a passagem para a fase de oitavas-de-final, enfrentando agora um adversário mais qualificado - o América de Natal, recém-promovido à Série A do Brasileirão.

Em São Januário, o Vasco passou fácil pelo Fast e Romário fez mais dois. Chegou a 992 gols segundo suas próprias contas e faltam só oito para o suposto milésimo.

Mas será que o Baixinho vai mesmo cumprir a promessa de pendurar a chuteira depois de atingir o feito que até hoje só Pelé conseguiu?

Eu duvido. E você?!?

Varandão da saudade

Esse é um post para os "Matreiros" ou "Matracatricas"... já percebi que tem vários que postam por aqui.

Eu, como muitos apaixonados por automobilismo, sou louco pelo ronco do motor Matra V12 que todo mundo diz que era facilmente reconhecível a qualquer distância.

A marca francesa só teve sucesso na Fórmula 1, ironicamente, quando correu com o motor Cosworth V8 e seus carros eram alinhados por Ken Tyrrell. Foram campeões mundiais com Jackie Stewart, mas depois os resultados nunca mais foram os mesmos.

Entretanto, nos protótipos é que os bleus fizeram a festa, depois que o 917 da Porsche foi varrido do mapa.

Se em 1972 a Ferrari deitou e rolou, nos anos seguintes, o MS670 e suas variações e pilotos deram o troco.

François Cévert, Henri Pescarolo, Gérard Larrousse, Jean-Pierre Jarier, Jean-Pierre Beltoise, Chris Amon, Graham Hill, Jean-Pierre Jabouille, Jean-Pierre Jaussaud, François Migault, Bob Wollek, José Dolhem... estes foram os pilotos que guiaram a máquina francesa. Exceto Hill e Amon, todos eram "da casa".

Aqui abaixo, é Jean-Pierre Jarier quem guia a Matra na versão MS670C com periscópio no motor, para vencer as 6 Horas de Watkins Glen de 1974, em dupla com Beltoise.

Vai andar rápido assim lá em Paris!

A terceira força?

A estréia do novo "brinquedo" de Martin Short

Nesta quarta-feira, pela primeira vez o novo chassi Pescarolo LMP1 ganhou vida e deu suas primeiras voltas no circuito Bugatti - o menor - de Le Mans.

Batizado de "Pescarolo P01", o protótipo virá com a novíssima geração dos motores Judd V10 com 5,5 litros de capacidade cúbica e potência estimada em 650 HP.

As primeiras voltas foram conduzidas pelos pilotos oficiais da Pescarolo, Manu Collard e Jules Boullion. Mas Martin Short, cliente da Pescarolo, também estava lá e experimentou o novíssimo carro.

A Pescarolo Sport usou um antigo chassi híbrido C60 para testar o novo propulsor, deixando o desenvolvimento a cargo do novo contratado da equipe, Harold Primat. Christophe Tinseau, que deve também se juntar à equipe, também deu suas voltinhas.

Este ano, veremos cinco Pescarolos nas pistas: os dois do time oficial, o da Rollcentre, o Lister (que só estréia no segundo semestre) e o LMP2 da Kruse Motorsport.

Muitos arriscam dizer que esses carros são a terceira força da LMP1. Mas... se Audi e Peugeot bobearem...

terça-feira, 27 de fevereiro de 2007

Le Mans é logo ali...

O Automóvel Clube do Oeste acabou com a choradeira. Depois de ver e rever 76 pedidos de inscrição, o comitê de seleção mandou treze deles para casa e separou 63 para a disputa das 24 Horas de Le Mans deste ano.

Cinqüenta e cinco veículos titulares e oito reservas foram divulgados hoje pela imprensa européia, através do comunicado do ACO. Entre eles, pouquíssimas surpresas e algumas constatações interessantes.

Na LMP1, tirando a Lavaggi, o lote é praticamente o mesmo da Le Mans Series, com a adição da fortíssima equipe Audi. A "Divisão Panzer" de Ingolstadt vai com três carros para o maior evento de longa duração do mundo e assim combater os Peugeot 908 HDi FAP. Correm por fora todos os outros concorrentes com motores Judd V10 de 5.500 cilindradas cúbicas, além do Lola-Audi Turbo da Swiss Spirit.

A divisão P2 tem menos concorrentes locais do que em qualquer outra corrida desde a criação desta subdivisão de protótipos. Porém, a Barazi, campeã da Le Mans Series entre as escuderias, vai alinhar dois Zytek 07S/2 graças ao dinheiro conseguido no contrato com a petrolífera Gulf. Não é fácil apontar um favorito entre os 12 carros inscritos, mas a equipe do brasileiro Thomas Erdos, a RML, vai batalhar pelo tricampeonato. Olho nos dois Radical, da Bruichladdich e da Rollcentre - única equipe com carros na P1 e na P2.

Para nenhuma surpresa, a grande ausente é a Intersport Racing, tradicional concorrente da categoria que preferiu, de última hora, trocar de carro na American Le Mans Series. Saíram do Lola para o Création e, como jamais andaram com este novo modelo, não puderam ser avaliados pelo comitê de seleção. Resultado: dançaram.

O jogo será pesado na LMGT1, não há dúvida. Tirando o Lamborghini da J-LOC e a Ferrari da Convers MenX, candidatíssimas a figurantes, a batalha será de fato entre os peso-pesados Corvette e Saleen, fabricados nos EUA contra os Aston Martin, de origem inglesa. Seis modelos DBR9 de quatro escuderias figuram entre os inscritos, contra quatro Vettes - três de última geração - e dois Saleen. Num deles, estreando na mítica prova, estará Nicolas Prost, filho do tetracampeão mundial de Fórmula 1 Alain Prost.

A GT2 tem uma mescla interessantíssima de equipes entre quatro marcas diferentes - Porsche, Ferrari, Panoz e Spyker. Quatro carros vêm dos EUA, três da Grã-Bretanha, dois de Itália e Holanda, um da Alemanha e apenas um pertence à uma escuderia local, a IMSA Performance Matmut.

A organização fechou a lista com oito carros de reserva em caso de desistências até e depois do teste marcado para 3 de junho. E mais uma vez o ACO deixa claro que só promove estréias fora do comum em casos excepcionais. Bom para a corrida, que terá um nível altíssimo, sem dúvida... e pra você amigo blogueiro que vai acompanhar com a gente todos os lances e bastidores de "la plus longue nuit" - a mais longa das noites.

Seis meses de paz

Tricolores, bacalhaus, americanos e botafoguenses, congratulemo-nos!

Por 180 dias, graças às nossas preces, não ouviremos a ridícula frase entoada pela torcida flamenga no Mário Filho.

"Obina é melhor que o Eto'o".

Aliás, desde quando o atacante rubro-negro é melhor que alguém no futebol brasileiro? Quiçá mundial?

A torcida do 'mais querido do Brasil' (sic) adora exageros.

Nos anos 70, o insólito João Batista Sales foi eleito o queridinho da galera. Ganhou música que até venceu Festival. Mas como uma luz tênue, se apagou na escuridão.

Claro que me refiro a Fio Maravilha, centroavante tosco que caiu nas graças da multidão e do cantor/compositor Jorge Ben, que anos mais tarde viu-se obrigado a mudar o nome de sua música para Filho Maravilha, porque o ex-jogador queria grana em cima de cada execução da obra do mestre do balanço.

Que bom que Obina não inspirou - ainda - ninguém a fazer música. Mas o corinho ouvido toda vez no Maracanã enche o saco.

No último domingo, o jogador fez o gol do empate contra o Vasco e saiu de campo com exatos 2 minutos do primeiro tempo, contundido. Saldo: lesão no ligamento cruzado do joelho esquerdo. Período fora dos gramados: seis meses.

E como muito bem lembrado pelo amigo deste blog, Victor Menezes, é a mesmíssima lesão que tirou Eto'o dos gramados recentemente. Que coisa, não?

Manuel Brito Filho, ou melhor, Obina, está fora do Estadual e também da Libertadores.

E aos rubro-negros mais exaltados, um recadinho: não é praga não, são coisas que acontecem até a um Zico, um Maradona, um Gornaldo.

Mas que o Obina não é isso tudo... ah! Não é mesmo!

"Por mais distante... o errante navegante..."

Sobre o novo e politicamente correto carro da Honda, cabe uma correção.

Não houve nenhum envolvimento do Google com sua ferramenta de busca Google Earth, que faz você descobrir sua própria rua.

A montadora japonesa, preocupada que só com o chamado "aquecimento global" - este fenômeno desgraçado que faz o verão ficar mais avassalador no planeta inteiro e está derretendo as calotas polares (te cuida Holanda!), aproveita para fazer campanha do site MyEarthDream.com, onde todo mundo pode contribuir ou participar com projetos ambientais.

Notaram pela foto que, exceto o símbolo da montadora e o da Bridgestone, o carro não ostenta qualquer inscrição de patrocínio?

segunda-feira, 26 de fevereiro de 2007

O mundo gira, a Lusitana roda...


É, as voltas que esse mundo dá...

Quem diria que na premiação máxima do cinema - o Oscar, uma atriz que já fez um filme rumorosíssimo ganhasse a estatueta de melhor atriz pelo filme The Queen?

Pois Helen Mirren, nome artístico para Iliena Vasilievna Mironov, conseguiu esta façanha.

Em seu vasto currículo onde despontam 90 produções, entre filmes e minisséries, consta a participação como outra Rainha: Caesonia, no polêmico Calígula produzido por Bob Guccione, o todo-poderoso da revista erótica Penthouse.

Helen tinha 34 anos na época e topou se expor, junto com outros artistas de grande calibre, como Sir John Gielgud, Peter O'Toole e também Malcolm McDowell, que brilhara em Laranja Mecânica, na película considerada por Gore Vidal "um ultraje" à sua obra. Não é para menos: além de cenas extremamente violentas, há sexo para todos os gostos, inclusive entre lésbicas e um ménage a trois entre Calígula, Caesonia e a irmã do Imperador, Drusilla (Theresa Ann Savoy).

O certo é que depois disso sua carreira oscilou entre filmes medíocres, produções independentes e minisséries, incluindo aparições em seriados americanos como Frasier e Third Watch. Mas o tempo passa e apaga certas máculas. E para sorte de Helen, hoje com 61 anos, veio o tardio reconhecimento por sua estupenda atuação em The Queen. Para isso, ela não derrotou um time qualquer de atrizes, pois suas concorrentes eram Penélope Cruz, Meryl Streep, Judi Dench e Kate Winslet.

***

Justiça seja feita: Martin Scorsese chegou lá!

Foram seis infrutíferas e frustrantes tentativas. Afinal, o diretor fora responsável pelos brilhantes Taxi Driver, Touro Indomável e Os Bons Companheiros. E com os três filmes, levou ferro.

"Já estava me acostumando a não ganhar o Oscar", disse.

De uma só tacada, levou dois. Seu mais recente filme, Os Infiltrados, foi o campeão da noite, com prêmios de melhor montagem, roteiro adaptado, melhor filme e melhor diretor.

Bem melhor do que ganhar pelo conjunto da obra, como muitos já foram agraciados, finalmente a a Academia reconheceu que Scorsese nunca poderia ficar sem um troféu em sua estante.

Porém, há quem discorde, como o ator José Wilker, crítico bissexto de cinema que comentou a transmissão da premiação ao lado de Maria Beltrão, na Rede Globo. "Exageraram dando o prêmio a ele."

Aí é minha vez de discordar. Scorsese é ótimo. E tenho dito.

domingo, 25 de fevereiro de 2007

Lá vem ele...

Rossi: mais feliz que pinto no lixo e com uma Z4 novinha...

O Mundial de Motovelocidade começa o campeonato de 2007 a partir de sexta-feira, dia 8 de março, quando o primeiro ronco de motor se ouvirá no circuito de Losail, no meio do deserto do Catar. É no país árabe, de paisagem inóspita, que a MotoGP dará a largada para sua nova fase com máquinas de 800 cilindradas de capacidade cúbica, substitutas dos modelos que desde 2002 dominavam a cena com até 990cc e ciclo de quatro tempos.

Mas, se a fase é nova, um dos pretendentes ao título deste ano é um velho conhecido.

O multitudo (campeão, recordista, fenômeno) Valentino Rossi já mostrou neste domingo em Jerez que está faminto para voltar a dar as cartas na "Fórmula 1 " de duas rodas.

Senão, o que seria este tempo inacreditável de 1min38s394 (novo recorde extra-oficial) no traçado de Jerez de la Frontera? Obra do acaso?

Desconfio que não. Aliás, nada na carreira de Rossi é obra do acaso. Ele é genial, como foram Fangio, Piquet, Clark, Senna, Lauda, Stewart, Prost, Schumacher e tantos outros em quatro rodas, e assim como Lawson, Agostini, Hailwood, Read, Spencer e Rainey em duas.

A prova inequívoca que a Yamaha tem um pacote competitivo é que Colin Edwards foi o terceiro mais rápido. Mas o americano não é páreo para Rossi, tomando quase um segundo nas costas. E por falar em gente dos "States", o medíocre Nicky Hayden, atual campeão mundial, foi o quarto. Daniel Pedrosa, o segundo. Será que haverá mudança de hierarquia no HRC? A conferir...

Boas foram as performances de Ducati e Kawasaki. As máquinas oficiais tiveram desempenho quase idêntico, com Stoner ligeiramente mais veloz que Capirossi no simulado de classifcação que deu a Rossi uma BMW zero-bala. Aliás, dou um doce pra quem disser o que o australiano fez no fim de semana, também... E Randy de Puniet, que fechou o dia com o melhor tempo no último treino livre, andou bem à frente do companheiro de equipe Olivier Jacque.

Alexandre Barros é que desapontou, com um apagado décimo-sétimo lugar. Mas o desânimo pode ficar para trás se levados em conta os bons tempos conseguidos por ele e o companheiro de equipe Alex Hofmann em outros testes. Com os pneus certos de classificação para cada pista, o experiente piloto brasileiro ainda poderá surpreender e muito no início do campeonato. Afinal de contas, pelo menos nessas primeiras provas ele ainda estará em pé de igualdade com a escuderia oficial.

Os 21 homens do Mundial de MotoGP serão os seguintes:

REPSOL HONDA HRC - Honda RC212V / Michelin
Nicky Hayden #1 e Daniel Pedrosa #26

PRAMAC DUCATI D'ANTIN - Ducati Desmosedici GP7 / Bridgestone
Alex Barros #4 e Alex Hofmann #66

YAMAHA FACTORY RACING - Yamaha YZR M-1 / Michelin
Colin Edwards #5 e Valentino Rossi #46

DUNLOP TECH3 YAMAHA - Yamaha YZR M-1 / Dunlop
Makoto Tamada #6 e Sylvain Guintoli #50

HONDA LCR - Honda RC212V / Michelin
Carlos Checa #7

TEAM ROBERTS - KR Honda 212V / Michelin
Kenny Roberts Jr. #10

KAWASAKI RACING TEAM - Kawasaki Ninja ZX-RR / Bridgestone
Randy de Puniet #14 e Olivier Jacque #19

RIZLA SUZUKI MOTOGP - Suzuki RGV / Bridgestone
John Hopkins #21 e Chris Vermeulen #71

HANSPREE HONDA GRESINI - Honda RC212V / Bridgestone
Toni Elias #24 e Marco Melandri #33

MARLBORO DUCATI TEAM - Ducati Desmosedici GP7 / Bridgestone
Casey Stoner #27 e Loris Capirossi #65

KONICA MINOLTA HONDA - Honda RC212V / Michelin
Shinya Nakano #56

ILMOR ENGINEERING - Ilmor XR3 / Michelin
Andrew Pitt #88 e Jeremy McWilliams #99

Automobilismo não é Mastercard mas...

Kenseth fatura mais uma para a Roush em Fontana

... tem coisas que só a NASCAR pode fazer por você.

A primeira é constatar que Kevin Harvick, o vencedor de Daytona, é o típico balão japonês. Quanto mais se espera dele, mais as coisas dão erradas. Na prova deste domingo, em Fontana, o pneu dianteiro esquerdo de seu carro furou a quatro voltas do fim. Ele terminou em décimo-sétimo.

A segunda: Matt Kenseth, mesmo sem seu chefe de equipe titular, mostra que a Roush Racing continua dando as cartas nos ovais de duas milhas como o da Califórnia e o Michigan International Speedway. O detalhe é que o campeão de 2003 largou em vigésimo-quinto, no meio do bolo. Dá o que pensar, nãó dá?

A terceira diz respeito a Juan Pablo Montoya. Inegavelmente o colombiano é veloz e com um carro só na pista, ainda consegue fazer bonito. Foi o quinto mais rápido em Daytona e classificou-se em nono na California 500. Mas ainda lhe falta ritmo em corrida e as manhas e técnicas de pilotagem com um Stock num oval. Pelo menos não deu prejuízo para Chip Ganassi. Chegou em vigésimo-quarto, duas voltas atrasado.

Mark Martin dá nome e sobrenome à quarta constatação. O véio é fabuloso. Correu 19 anos seguidos com Ford na divisão principal, sentou no Monte Carlo da recém-fundada Ginn Motorsports e está correspondendo com prestações regulares e eficientíssimas. Vice em Daytona, quinto em Fontana... hum... a "Raposa Felpuda" já desponta na liderança do campeonato!

E Dale Earnhardt Júnior hein? Para ele, desgraça pouca é bobagem. A DEI classificou seus três carros desta vez, mas só o de Paul Menard sobreviveu. O Chevrolet vermelho Budweiser e o carro preto de Martin Truex Júnior ficaram pelo caminho, com os motores abrindo o bico antes das primeiras 60 voltas. Crise à vista? Talvez...

Há quem queira levantar a bola de que, ficando fora do Top 35 num determinado ponto do campeonato, a NASCAR deveria mudar a regra por causa do "filho da lenda". Ora... quem ainda é chamado somente de "filho da lenda" por ter parentesco com o sete vezes campeão Dale Earnhardt, este sim merecedor da distinção, JAMAIS pode querer que as regras mudem por sua causa.

E se a categoria fizer isso só por causa do Júnior, eu paro com a NASCAR.

Enquanto isso, é aguardar o próximo fim de semana: 3ª prova da Busch Series, na Cidade do México (a Nextel Cup não corre no dia 4 de março), com presenças confirmadíssimas de Juan Pablo Montoya e Adrián Fernández. Sem contar os doidões Marc Goossens e Marcus Ambrose, além de uma penca de outros pilotos hechos en Mexico.

Risque, rabisque... faça arte!

Um dos meus mais de 900 contatos do Orkut é um craque em design gráfico. Chama-se Luiz Fernando Maurano, é gaúcho (bah, tchê), fã de Juliano Moro, dos Porsches, dos saudosos Ronnie Peterson e José Carlos Pace, além de canhoto como eu.

Sem que eu pedisse, ele se prontificou a fazer uma caricatura deste que vos escreve. Eu sugeri uma das minhas melhores fotos do meu álbum e o resultado é este que vocês vêem aqui abaixo.




Uma sensacional e divertida mistura com o Gulf-Porsche 917 de Michael Delaney, ops... Steve McQueen.

Pelo menos no cartoon não aparece minha calvície. Hahaha!

Valeu, Maurano!

Surto artístico

Era uma vez uma mocinha que um dia foi apresentadora do Clube do Mickey e que teve sorte quando alguém acreditou que ela era talentosa. Gravou discos, vendeu horrores, ganhou milhares de dólares cantando ao vivo e em playback (o Rock In Rio III que o diga), virou ícone das adolescentes.

Esta mesma menina virou mulher, ou pelo menos acha que é. Casou em Vegas, onde não vale. Descasou. Casou de novo e dizem que seu marido é cafetão. Teve dois filhos com ele. Perdeu a linha saindo sem calcinha e sutiã. E corriam rumores sobre suas ligações mais do que de amizade com a patricinha-problema Paris Hilton.

Viciada em antidepressivos e ansiolíticos (uma palavra difícil para sedativos ou tranqüilizantes, como queiram), surtou e seus assessores, um por um, pediram demissão. Na última semana, foi nada menos que três vezes para uma clínica de reabilitação.

Numa das ocasiões, pegou uma máquina daquelas de barbeiro e tosou o cabelo. Inteiro. Ainda fez duas tatoos e ao que consta, teria tentado o suicídio duas vezes.

É um comportamento que até lembra o de outra maluca, Lindsay Lohan, a antiga estrelinha juvenil que cheira cocaína feito tamanduá-bandeira. Mas Britney Spears não precisava disso para aparecer na mídia.

Ou melhor, precisava. Porque antes de tudo, seus discos são ruins. A música que ela canta é péssima. Shakira e Christina Aguillera dão de dez a zero nela em matéria de dança. E como atriz, foi um fracasso tremendo.

Quando dizem que o dinheiro não traz felicidade, cada vez mais acho que esta é uma frase de sentido muito verdadeiro.

Que o diga a recente morte da pin-up Anna Nicole Smith.

Sem comentários

Desde já temos um candidatíssimo à pintura mais bizarra da história da Fórmula 1!

O Honda RA107 caminha a passos largos para ostentar esse "título" se realmente a pintura do seu carro for esta da foto abaixo.


Esse mix de azul e verde é um mapa do planeta terra estilizado. O azul, evidentemente, é a água e o verde, a terra. Consta que os japoneses assinaram um contrato de patrocínio com o Google (que hospeda esse blog, pois o Blogger é do Google) e a empresa vai aproveitar para divulgar o site Google Earth, aquele onde dá pra achar até o Estádio da Rua Javari, do Juventus paulista.

Amanhã, se o pessoal não estiver espalhando uma cascata daquelas, a nova pintura será finalmente revelada no Museu de História Natural de Londres.

Sobre o novo layout, quero a opinião de vocês:

a) interessante

b) bizarro

c) horroroso mesmo

Votem e opinem!

sábado, 24 de fevereiro de 2007

Em tempo de descobertas, a mulherada dá de dez a zero...

O caderno Rio Show encartado em "O Globo" nesta sexta-feira, além do ramerrão da programação cultural e gastronômica da outrora Cidade Maravilhosa, às vezes acerta no alvo e traz capas e reportagens interessantes.

A desta semana é sobre a afluência cada vez maior do comércio de produtos ligados a sexo e as sex shops que crescem em qualidade e quantidade no Rio de Janeiro, investindo pesado não só na venda, mas também em cursos, dicas e muito mais.

É, moçada. O povo está cada vez mais buscando alternativas para salvar casamentos, namoros e etc. E também agradar parceiros e parceiras, com lingeries sexy, acessórios, algemas, chicotinhos e por aí vai.

Acho perfeitamente saudável fugir da rotina. Eu sou da tese de que uma dominaçãozinha não faz mal a ninguém. Pra um fetichista como eu, é pura perdição. Claro que tudo feito de jeito saudável.

Sei de gente que não esconde que busca prazeres que às vezes sequer alcançam com parceiros e parceiras, usando para isso de outros artifícios. Num papo regado a chope bem gelado na última segunda-feira de carnaval, uma conhecida minha (não vou citar o nome, é claro) declarou abertamente que tem em casa um "Júnior" pronto para qualquer eventualidade. Quem conhece o linguajar sabe o que estou falando.

A vantagem do "Júnior" em relação aos humanos é estar disposto, feliz e contente 24 horas por dia. E ereto. Sacia a vontade da mulher em qualquer lugar. Basta um clique e pronto. Ou vocês achavam que só os homens é que partiam para o "five to one" com Playboys, filmes de sacanagem e coisas do gênero? A mulherada também gosta de um filminho, de uma revistinha - claro que não de mulher, mas as G Magazines da vida, evidentemente.

É por isso que hoje em dia o sexo feminino é muito mais bem resolvido que o masculino nesse aspecto. Elas continuam sendo gostosas, sedutoras, sensuais e virando as nossas cabeças (as duas) sem perder a linha. Algumas não tem a menor classe. Mas qual é o homem que precisa de mulheres assim?

Queremos é quem saiba o que está fazendo dentro e fora de quatro paredes. O resto, que me desculpe.

sexta-feira, 23 de fevereiro de 2007

Valeu como ensaio

Bom, chega de roncar a cuíca no Saco de Gatos. Vamos ao que interessa: motores ligados e cheiro de gasolina no ar.

Começaram nesta quinta-feira em Monza os testes coletivos do FIA GT. A categoria em 2007 sofreu alguns regimes para se adaptar à realidade mundial. Cortes de custos, eletrônica, de uma hora na duração das provas (exceto Spa, na Bélgica) e a adoção de um calendário quase todo europeu. Só não foi 100% porque a China cacifou a prova de estréia do campeonato em 25 de março com US$ 5 milhões para os cofres da Stéphane Ratel Organisation.

Foi graças a isto e a outros fatores que as Mil Milhas, que abririam a temporada 2007, acabaram indo para a Le Mans Series. Muita gente diz que foi uma má escolha. Eu discordo, porque dificlmente veríamos no Brasil carros tão bons quanto os protótipos e GTs que correm juntos.

Entretanto, a pista transalpina já recebe diversos dos carros que vão correr nas diferentes categorias. O Mundial é composto das subclasses GT1, GT2 e G2. O Europeu tem os grupos GT3 e GT4.

Entre os carros do certame de 2007, algumas novidades. A equipe tcheca Rock Media Motors alinha um Pagani Zonda com motor Mercedes, carro que andou ausente por algum tempo das pistas. A aposta é arriscada e caberá aos pilotos Antoni Herbeck e Jaroslav Janis provar o potencial do carro.

O bacanérrimo Pagani Zonda da Rock Media


Haverá muitos Maserati - sete no total - mas apenas cinco deles estão andando em Monza, com as equipes Playteam, JMB Racing e de Hubert Haupt. Os Lamborghini também chegam em bom número: três estão treinando e um deles é pilotado por um príncipe: Albert von Thurn and Taxis, de 25 anos de idade. Ele ainda tem o que aprender na categoria, mas professores é o que não faltarão: a equipe dos carros do touro miúra alinha os experientes Christophe Bouchut e Peter Kox na nova temporada.

A JMB Racing retorna, com Ben Aucott e Joe Macari


Os Aston Martin serão cinco no campeonato: dois da BMS Scuderia Italia, que contratou três novos pilotos - um deles é Jamie Davies, que estava na Vitaphone Maserati e outra novidade é Ferdinando Monfardini, que corria na GP2; um da Barwell Motorsport (que não foi para Monza) e outros dois com as equipes Race Alliance e Phoenix Racing.

Karl Wendlinger e Ryan Sharp: nova dupla da Race Alliance


Dois Saleen também serão inscritos, pela nova equipe Spectrum Motorsport. Um deles será da chamada "Citation Cup" para gentlemen drivers. Outras escuderias vão reforçar este certame paralelo, como a GPC e a Kessel, que vão com modelos Ferrari 575 e a PSI Experience, com Chevrolet Corvette.

A GT2 vai marcar uma grande batalha entre o modelo 430 da Ferrari e o novíssimo 997 da Porsche. Dois cavalinhos empinados para ninguém botar defeito. Entre os representantes de Maranello estão a recém-chegada Edil Cris, a campeoníssima AF Corse, a sempre perigosa Scuderia Ecosse e duas (velhas) novas aquisições: a JMB Racing e a Michelotto, que pretende fazer uma ou outra prova com Jaime Melo Júnior.

Manu Collard: a esperança dos "porschistas"


A maior esperança da Porsche é a BMS Scuderia Italia, que conta com um piloto oficial da marca de Stuttgart, Emmanuel Collard. Outros cinco times devem correr com os carros alemães, entre eles a Tech9 Motorsport, que conta com o campeão do FIA GT3, Sean Edwards.

Entre os carros do certame europeu, a grande novidade em Monza foi a aparição do Ford Mustang Cobra. E não será surpresa se o valente modelo americano der muito trabalho à concorrência neste campeonato que, provavelmente, terá uma versão brasileira a estrear no segundo semestre, sob supervisão de Antonio Hermann, organizador das Mil Milhas.

quarta-feira, 21 de fevereiro de 2007

Carnavalescas - IV

Este é o último post da saga carnavalesca de 2007. E será um protesto.

O Desfile das Escolas de Samba do carnaval carioca precisa de ir para a UTI, urgente!

Sim, o evento requer socorro depois de hoje!

É inadmissível que as duas agremiações que mais se envolvem com a emissora dona dos direitos de transmissão do evento ganhem, juntas, o carnaval do Grupo Especial.

Os especialistas apontavam desde ontem, assim que terminou o desfile, que a Beija-Flor era favorita. Se venceu, venceu com méritos, fazendo uso de um tema batido porém muito bem executado.

O problema é a vice-campeã: a Grande Rio.

Pelo amor de Deus... o desfile da escola foi chato toda vida. Chegou a ser monótono, sonolento. O samba péssimo, só se salvou pela ótima bateria do Mestre Odilon. A agremiação que é o must entre globais, emergentes e modeletes terminou pelo segundo ano consecutivo na segunda posição.

E por favor, nem ousem comparar a Grande Rio com a Imperatriz, porque quando a escola de Ramos jocosamente era chamada de "certinha" ou "tecnicamente perfeita", a taça acabou sempre na Leopoldina ou beliscávamos um vice-campeonato, um pódio.

Hoje, nem isso.

A colocação da Imperatriz foi uma vergonha: nono lugar, lutando para não cair.

Onde estão os erros?

No que foi investido o patrocínio da Noruega? As alegorias foram consideradas as menores e de pior impacto em todo o desfile. Em 10 quesitos, conquistamos apenas 11 notas máximas, fracassamos em harmonia, evolução e samba-enredo (o pior do ano). Mestre Jorjão ainda não disse ao que veio como diretor de bateria e alguns jurados, como Alessandra Levy em harmonia e Roberto Horcades (sim! o presidente do Fluminense) em conjunto, deram inverossímeis notas 9 à agremiação leopoldinense.

Cadê a força do presidente Luizinho Drummond?

Será que não está na hora da Imperatriz se reinventar?

***

Outro descalabro do resultado: o Salgueiro fez um desfile belíssimo e ficou fora do sábado das campeãs. Talvez tomasse o lugar da Vila Isabel mas, pensando bem, entre Grande Rio e Vila Isabel fora do Sábado das Campeãs, preferia muito mais a escola de Caxias.

Os jurados não respeitam mais nome no carnaval carioca, pois a Mocidade Independente amargou de novo um 11º lugar e o Império Serrano foi rebaixado, assim como a Estácio de Sá. A Portela bem que foi ajudada por uma quantidade razoável de notas máximas e terminou em oitavo com seu enredo chapa-branca sobre esporte e Pan-Americano.

Lamentavelmente, a letra do samba de 1990 da São Clemente nunca foi tão profética.

"E o samba vai perdendo a tradição (que saudade)... Que saudade... da Praça Onze e dos grandes carnavais... Antigo reduto de bambas... onde todos curtiam o verdadeiro samba."

***

E por falar em São Clemente, é da escola de Botafogo o título do carnaval do Grupo A de Acesso, com isso lhe assegurando um lugar na elite do samba carioca em 2008.

Mais uma vez a União da Ilha, que tenta voltar ao Especial desde 2001, ficou pelo caminho. E a parada ano que vem será duríssima, com Império, Estácio, Caprichosos, Santa Cruz, Rocinha... uma concorrência muito forte.

Para encerrar, nem tudo é ruim neste carnaval. A Tradição (lembram dela? aquela que homenageou Sílvio Santos não tem muito tempo) caiu para o Grupo B, junto com o Arranco.

Vá, e não volte mais!

terça-feira, 20 de fevereiro de 2007

Carnavalescas - III

É... terminou o carnaval, pelo menos no Grupo Especial.

Como no domingo, vi apenas quatro dos sete desfiles previstos.

O primeiro dispensei. Estava com amigos e amigas numa Adega no Largo do Machado bebendo chope, ouvindo muita coisa engraçada e saboreando um bom bolinho de bacalhau. Então não vi a Porto da Pedra com seu enredo "Preto e Branco a Cores", falando de África, Apartheid e congêneres.

Pelo que li por aí e soube, a escola de São Gonçalo não conseguiu fazer um desfile à altura do tema, com problemas em alegorias e evolução. E parece candidata a uma das duas vagas ao descenso pro Grupo A.

Vice-campeã em 2004 e 2005 sob o comando de Paulo Barros, a Unidos da Tijuca apostou na continuidade das idéias do seu antigo carnavalesco, no enredo que mostrou a história da fotografia - omitindo inexplicavelmente qualquer menção a Henri Cartier-Bresson.

Apesar deste pequeno lapso, a escola do Borel apresentou um desfile empolgante com garra e coração, levantando a platéia nas arquibancadas. A bateria de Mestre Celinho deu show com bossas e paradinhas que fizeram a apresentação ainda mais aplaudida. Não foi à toa que a Unidos da Tijuca, apontada pelos "gato-mestres" do carnaval como candidata ao rebaixamento, saiu por cima e pode voltar no sábado das campeãs.

Pela primeira vez desde que foi para o Salgueiro, Renato Lage deixou de lado os temas hi-tech e fez um carnaval com motivo afro. "Candaces", sobre as rainhas guerreiras da África, foi um achado. O samba ganhou muita força na avenida, a bateria se apresentou excepcionalmente e depois de um início frio, a escola levantou, todo mundo cantou e a platéia ficou em pé. Talvez a agremiação da Tijuca esteja entre as três primeiras - isso se não levar o título, pois ninguém ousou apontar possíveis erros de evolução e conjunto que possam tirar décimos preciosos na apuração desta quarta.

Quarta escola a desfilar, a Portela apresentou o desfile mais chapa-branca desde o inacreditável enredo "O Grande Decênio" da Beija-Flor em 1975, feito sob medida para exaltar o Brasil dos militares. Desta vez, a azul-e-branco de Madureira exaltou o esporte e tentou levantar a já murcha bola do Pan-2007 do Rio de Janeiro.

Esporte e samba nunca deram certo na avenida. Quem já homenageou clube em seus enredos sabe disso. E a Portela não conseguiu empolgar com o tema. O samba, um dos piores do ano, não levantou nem defunto. Salvou-se a bateria do Mestre Nilo Sérgio, com intervenções inspiradíssimas de um naipe de liras. Talvez tenha sido a única coisa que prestou de um desfile que recebeu R$ 1,8 milhão do Ministério do Esporte e não apresentou nada de luxuoso.

Será que alguém vai exigir prestação de contas?!?

A platéia recepcionou como sempre a Imperatriz Leopoldinense: friamente. A escola de Ramos, que provavelmente é a que desperta mais desprezo por parte dos "entendidos" - porque foi campeã com desfiles, segundo eles, contestados e cheios de erros - veio homenageando o Velho Guerreiro Chacrinha e falando da história do Bacalhau e da Noruega.

Os carros não foram tão grandiosos quanto os da maioria das escolas, mas estavam muito mais bem-acabados e decorados que os do ano passado, quando a Imperatriz amargou um modesto nono lugar. O desfile começou morno e terminou muito mais animado, porque após a passagem da Velha Guarda, mostrando a transição da parte norueguesa para a brasileira, as alas vieram muito mais animadas e cantando o samba.

À primeira vista, a escola não fez um desfile excepcional. E pode perder décimos em harmonia, evolução, samba-enredo, enredo e mestre-sala e porta-bandeira. Dificilmente veremos a Imperatriz no sábado, mas contrariando os corvos, a escola de Ramos não vai cair para o Grupo de Acesso.

Daí em diante desliguei a televisão e fui dormir. Antes, vim escutar como estava a transmissão do desfile da Grande Rio e confirmei minhas suspeitas. Péssimo samba, ótima bateria. A Acadêmicos do Projac, que cada vez mais reúne artistas e modeletes para atrair a atenção de público e mídia, homenageou a própria cidade de Duque de Caxias, onde é a sede da escola.

O carnaval encerrou-se com a Beija-Flor e seu enésimo enredo afro em mais de 30 anos. A escola foi eleita pelo júri do Estandarte de Ouro de "O Globo", a melhor de todo o carnaval. Mas nem sempre quem vence o prêmio ganha no resultado oficial.

Então, pelo que vi, acho que vai dar Salgueiro ou Viradouro.

***

Em São Paulo, ganhou a Mocidade Alegre e as eternas favoritas Vai-Vai e Rosas de Ouro levaram pau até da Unidos de Vila Maria! Que mistério...

No Acesso, a Gaviões ganhou. Mas em 2008, concorrerá contra a Mancha Verde no "grupo de dois", das Escolas de Samba Esportivas. A escola ligada à maior torcida do Corinthians tem que deixar de ser teimosa e aceitar sua presença neste grupo, pois se continua insistindo em concorrer ao desfile oficial, corre o risco de ser novamente rebaixada para a segunda divisão do carnaval paulistano.

***

Não falei que a Império da Tijuca foi a melhor escola do Grupo de Acesso no Rio?!?

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Amanhã tem mais Carnavalescas e se preparem porque vai vir bomba se o resultado do Grupo Especial for vergonhoso.

segunda-feira, 19 de fevereiro de 2007

Carnavalescas - II

"Quanto riso, oh! Quanta alegria!"

Alegria?!?

Bem... realmente ela comeu solta no desfile de domingo, com as seis primeiras escolas do Grupo Especial. Sem esquecer dos bafafás que fazem a alegria dos fofoqueiros de plantão.

Houve dois, pelo que se soube.

O primeiro, a prisão em plena avenida de um dos compositores do samba do Império Serrano.

O segundo e mais rumoroso, a expulsão de Beth Carvalho do desfile da Mangueira.

Integrante da escola há 36 anos, ela não podia desfilar no chão por um alegado problema de coluna. O presidente Percival Pires chegou a anunciar que ela não sairia e chegou-se a um termo de conciliação no sábado: ela poderia sair na última alegoria, a dos "baluartes", junto com cinco imortais da Academia Brasileira de Letras.

Mas qual! Ao tentar subir, um dos integrantes do carro a expulsou aos berros. E a cantora não desfilou mesmo. E dificilmente, pelas suas palavras, voltará a sair pela verde-e-rosa.

O problema é que o carnavalesco Max Lopes alega que nada foi combinado com antecedência e ainda lembrou. "Ela foi pro carnaval baiano".

Que estranho, não?!?

***

Entrementes, assisti quatro das seis escolas do domingo.

A primeira, uma velha conhecida do carnaval carioca, regressou depois de 10 anos de ostracismo. A Estácio de Sá relembrou o carnaval do "Tititi no Sapoti", empolgante samba de 1987. O intérprete Anderson Paz deu conta do recado e a escola passou animada, empolgada, pra cima.

O Império Serrano relembrou glórias de carnavais passados, seus títulos e histórias de superação com o enredo "Ser Diferente é Ser Normal". O começo foi muito bom, com as referências aos títulos da agremiação de Madureira nas primeiras alas. Mas depois da alegoria da Notre-Dame de Paris, o desfile perdeu em empolgação. A ótima bateria segurou a onda do começo ao fim, com os tradicionais agogôs em destaque.

A Mangueira, de grande torcida, levantou a avenida com seu enredo sobre a Língua Portuguesa. O intérprete Luizito, substituto do eterno Jamelão, surpreendeu e mesmo depois de um infarto sofrido há três semanas, cantou o samba do princípio ao fim. A bateria deu espetáculo com uma coreografia muito interessante e até a filha do ministro Gilberto Gil - Preta Gil estreava como Rainha da Bateria - foi aplaudidíssima. É provável que a Manga esteja entre as favoritas ao título.

Na estréia do carnavalesco Paulo Barros, a Unidos do Viradouro arrebentou com o enredo "A Viradouro Vira o Jogo". Com alegorias surpreendentes - quem iria imaginar que a bateria sairia em cima de um enorme tabuleiro de xadrez, sendo depois substituída por uma ala que a representava nos mínimos detalhes? - a agremiação de Niterói fez uma apresentação irrepreensível, perfeita e empolgante. Tanto quanto a Mangueira, foi a melhor escola da noite.

Sinceramente, me recolhi antes da passagem da Mocidade e da Vila Isabel pela avenida. Fiquei sabendo que a bateria da escola de Padre Miguel fez uma paradinha de 15 segundos, sob o comando de Mestre Jonas. E a Vila Isabel encerrou o dia com um bom desfile, muito elogiado nos sites especializados de carnaval.

Hoje tem Porto da Pedra, Unidos da Tijuca, Salgueiro, Portela, a minha Imperatriz e depois, que jamais assistirei, Grande Rio e Beija-Flor.

Amanhã tem mais carnavalescas.

Carnavalescas - I

O carnaval carioca segue a todo vapor. Sábado e ontem já tivemos apresentações de Escolas de Samba na Sapucaí com algumas surpresas, muitas decepções e situações que não são mais novidade nenhuma na maior festa popular do planeta.

Eu vi pela televisão as sete primeiras escolas do Grupo de Acesso e vou emitir alguns pitacos:

O sábado abriu com a Acadêmicos da Rocinha, rebaixada no ano passado do Especial para a segunda divisão do samba. Não vi nada demais na apresentação (ainda por cima desfilaram com 38 baianas - o limite mínimo é 60) e arrisco dizer que a agremiação permanece por lá em 2008.

Em seguida entrou o Arranco do Engenho de Dentro, que notoriamente tinha problemas financeiros, com alegorias mais pobres e pouco mais de 2 mil sambistas. Deram conta do recado, mas correm o risco de cair para o Grupo B.

A União da Ilha do Governador, como sempre, arrancou aplausos, gritos de "é campeã", mas seu desfile foi repleto de falhas. A Comissão de Frente se apresentou com a roupa incompleta e, segundo soube, com menos integrantes que o previsto pelo regulamento. Em evolução e harmonia, a agremiação pode perder pontos preciosos também.

Quarta escola, a Renascer de Jacarepaguá não empolgou ninguém como diz o jornal "O Globo" em seu caderno especial nesta segunda-feira (acho que quem escreveu a resenha estava doidão). O enredo sobre o bairro onde a escola foi fundada não foi dos melhores. As alegorias estavam paupérrimas e o desfile foi fraco. A Renascer é séria candidata ao descenso.

"Barrados no Baile" foi o enredo da sempre irreverente São Clemente, que fez a alegria dos gays e provocou comentários irônicos e engraçados de Milton Cunha, carnavalesco da Porto da Pedra que comentava o desfile pela CNT. A escola de Botafogo passou bem, alegre, com o samba cantado por todo mundo e é candidata ao título.

A Império da Tijuca surpreendeu com o melhor enredo do Grupo de Acesso. "O Intrépido Santo Guerreiro" conseguiu a façanha de levar para a avenida as imagens de São Jorge sem que a igreja católica estrilasse. O samba também ajudou, de letra fácil e contagiante, foi o melhor da noite. A escola teve pequenos problemas no acabamento de alguns carros alegóricos, mas no tocante ao resto, foi praticamente perfeita. Se bobear, poderá até ser campeã na quarta-feira de cinzas.

A Acadêmicos de Santa Cruz, sempre luxuosa, deixou a desejar desta vez no acabamento de alegorias e fantasias, embora com soluções criativas. Segundo consta, a bateria atravessou algumas vezes, o que pode tirar alguns pontos da escola. O samba rendeu bem na avenida e a evolução foi o ponto forte do desfile.

Cansado, daí pra diante, fui é pra cama. Não posso então comentar sobre as três escolas seguintes: Cubango, Tradição e Caprichosos. Mas um amigo meu esteve lá e afirmou que a Tradição fez uma apresentação sofrível e só um milagre a mantém no Grupo A em 2008.

Em tempo: melhorou muito a qualidade da imagem da transmissão da CNT no chamado "Carnaval do Povão". Mas o falatório durante o desfile é muito grande. E o som estava péssimo, como sempre. Pouco se ouvia da bateria e dos intérpretes. Se a emissora mudar de fato seu nome para JBTV - que é o que deve acontecer ainda em 2008 - muita coisa terá que melhorar ainda para que a transmissão seja melhor.

E cá pra nós, com todos os defeitos, ainda prefiro ver o Grupo A ao carnaval de São Paulo...

Uma corrida para ninguém botar defeito


Quem gosta de automobilismo e acha que as provas da NASCAR são "coisa de caipira", deveria rever os seus conceitos depois de ontem.

As 500 Milhas de Daytona, que tiveram a sua 49ª edição da história, foram um exemplo vivo de que corrida só se decide na bandeirada.

Bem, pelo menos foi o que transpareceu, pois Kevin Harvick, num bump 'n' go sensacional, arrancou de sétimo para vencer Mark Martin por 0s020.

Porém, o "Exército de um Homem Só" que estreou na Ginn Motorsports e com um Chevrolet depois de 19 anos como fiel piloto da Ford, merecia e muito vencer. Liderou com autoridade até os últimos metros, desde uma intervenção em bandeira amarela. Mas foi um tanto quanto estranho que a direção de prova desse bandeira vermelha a três voltas do fim, quando houve uma colisão que tirou da pista o "queridinho" Dale Earnhardt Júnior.

Mas em matéria de batida, nada superou o encerramento, quando Kyle Busch deu um ligeiro totó na traseira do Chevy de Martin, desequilibrou-se todo, rodou e provocou uma confusão incrível que terminou com vários acidentados e Clint Bowyer cruzando a linha de chegada com as quatro rodas para cima, com direito a espetáculo pirotécnico!

É... Elliott Sadler faz escola.

***
As vantagens do mundo moderno: a NET Digital tem o canal Speed que vai passar toda a temporada e uma dupla patética de narradores brasileiros (Sérgio Lago e Roberto Figueroa) que não entendem do ramo e só ficam alfinetando os feras Jeff Gordon e Tony Stewart. A troco de que, honestamente, não sei.

O controle remoto, porém, tem a tecla salvadora: a tecla SAP.

Graças a ela, pude ouvir a prova inteira a narração e os comentários do excelente trio Mike Joy, Larry McReynolds e Darrell "Boogity Boogity Boogity" Waltrip.

O resto é resto.

E muito me deixa contente saber que o pessoal por aí ainda lembra - porque gostava - das transmissões do Sportv. Tirando uma meia dúzia que não conhece nada, essa galera sabe que ali o trabalho sempre foi bem-feito.